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Presença militar dos EUA no Caribe: Lula denuncia avanço e Venezuela reforça fronteira

por Gabriel Monteiro
09/09/2025 às 12h00
em Política
Presença Militar Dos Eua No Caribe: Lula Denuncia Avanço E Venezuela Reforça Fronteira - Gazeta Mercantil

Presença militar dos EUA no Caribe: Lula denuncia avanço e Venezuela reage com tropas na fronteira

A presença militar dos EUA no Caribe se tornou foco de tensões diplomáticas nesta segunda-feira (8), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) denunciou a movimentação de tropas norte-americanas na região durante reunião virtual do Brics. O tema ganha relevância em meio ao aumento do contingente militar da Venezuela nas fronteiras e ao acirramento das disputas políticas envolvendo Washington e Caracas.

O cenário inclui envio de navios de guerra, caças e efetivos militares ao mar próximo à Venezuela, além da elevação de pressões contra o governo de Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de envolvimento com o narcotráfico. De outro lado, o governo venezuelano intensifica operações militares, amplia a presença de tropas no Caribe e reforça a retórica de resistência.

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O que Lula disse sobre a presença militar dos EUA no Caribe

Durante sua fala no Brics, o presidente Lula criticou a presença militar dos EUA no Caribe, destacando que a região tem vocação pacífica e não deveria ser palco de ações que aumentam tensões internacionais. Ao lado dos presidentes Xi Jinping (China) e Vladimir Putin (Rússia), Lula alertou para os riscos de uma escalada militar em um território de relevância estratégica para América Latina.

Essa manifestação coloca o Brasil em posição de cautela diplomática, buscando reforçar sua imagem de mediador em conflitos, ao mesmo tempo em que evidencia preocupação com os impactos da disputa entre EUA e Venezuela sobre a estabilidade regional.

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Movimentação militar dos EUA

Os Estados Unidos enviaram oito navios de guerra, com 4 mil efetivos da Marinha, para o sul do Caribe, além de caças F-35 que pousaram em Porto Rico no fim de semana. A justificativa oficial foi o combate ao narcotráfico, mas analistas interpretam a ação como parte de uma estratégia de pressão contra o regime de Nicolás Maduro.

O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, visitou Porto Rico e o navio USS Iwo Jima, exaltando o valor estratégico da região e a necessidade de combater cartéis de drogas. Esse movimento, no entanto, elevou o clima de desconfiança em Caracas, que vê na presença militar dos EUA no Caribe uma ameaça direta à sua soberania.


A resposta da Venezuela

Em reação à escalada, o governo Maduro mobilizou 25 mil soldados adicionais para estados fronteiriços e regiões estratégicas. O reforço inclui Táchira e Zulia, próximos à Colômbia, além das costas caribenhas de La Guajira e Falcón, onde ficam refinarias de petróleo cruciais para o país.

Também houve reforço em estados da fachada oriental do Caribe, como Nueva Esparta, Sucre e Delta Amacuro, fronteiriço com a Guiana. A medida busca sinalizar prontidão diante do que Caracas considera uma possível tentativa de intervenção.

Jovens militantes chavistas foram treinados em manuseio de fuzis e táticas de defesa, entoando palavras de ordem contra os EUA e afirmando que transformarão a região em um “Vietnã latino-americano” caso haja invasão.


Pressão diplomática e econômica

Além da presença militar, os EUA aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Nicolás Maduro, intensificando acusações de narcotráfico contra o presidente venezuelano.

A vice-presidente Delcy Rodríguez rebateu afirmando que Washington busca não apenas controlar rotas do narcotráfico, mas também se apropriar das imensas reservas energéticas do país. Essa troca de acusações mantém em evidência o papel central da Venezuela no tabuleiro geopolítico da região.


A visão dos aliados e o papel do Brics

A denúncia de Lula ganhou eco no Brics, onde Rússia e China mantêm relações estreitas com a Venezuela. Para esses países, a presença militar dos EUA no Caribe representa um desequilíbrio de forças que ameaça a estabilidade e a autodeterminação dos povos da América Latina.

Ao mesmo tempo, o episódio evidencia o desafio para o Brasil em conciliar sua postura diplomática de defesa da paz com a necessidade de preservar relações comerciais e políticas com Washington.


Riscos de escalada

O envio de caças F-35 a Porto Rico e a declaração de Trump de que aviões venezuelanos poderiam ser “derrubados” em caso de ameaça ampliam o temor de confronto direto. A retórica agressiva de ambos os lados aumenta a percepção de risco entre investidores e governos da região.

Para especialistas em relações internacionais, a combinação de presença militar dos EUA no Caribe e a militarização da Venezuela pode criar um ambiente instável, semelhante a pontos de tensão geopolítica em outras partes do mundo.


Impactos estratégicos e econômicos

O Caribe possui posição estratégica para as rotas de petróleo e gás, além de ser fundamental para o comércio marítimo. A ampliação da presença militar dos EUA no Caribe e a reação venezuelana podem afetar o fluxo energético e aumentar a volatilidade nos mercados internacionais de petróleo.

Internamente, Maduro reforça seu discurso nacionalista, apresentando-se como líder de resistência diante da pressão externa, o que fortalece sua base política em meio à crise econômica.

A presença militar dos EUA no Caribe coloca a região no centro de uma disputa internacional entre Washington e Caracas, com repercussões que ultrapassam fronteiras. A denúncia feita por Lula durante o Brics amplia o debate sobre soberania, paz e equilíbrio geopolítico, em um momento de forte polarização.

Enquanto os EUA intensificam a ofensiva militar e diplomática, a Venezuela reage com mobilização de tropas e discurso de resistência. O cenário segue em aberto e carrega riscos de confronto que podem impactar não apenas a América Latina, mas também a estabilidade global.

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