Radar Corporativo: Azul revela plano de saída do Chapter 11 e Mastercard executa garantias no varejo e bancos
A quarta-feira (21) amanhece com um Radar Corporativo intenso e repleto de movimentações estratégicas que prometem ditar o ritmo da Bolsa de Valores brasileira (B3). Em um cenário onde a reestruturação de dívidas e a busca por eficiência operacional são as tônicas do mercado, investidores devem atentar-se aos comunicados relevantes emitidos por gigantes de diversos setores. O grande destaque do Radar Corporativo de hoje recai sobre a companhia aérea Azul (AZUL4), que apresentou atualizações cruciais sobre seu processo de recuperação, mas o noticiário também é agitado por uma execução de dívidas atípica envolvendo a Mastercard, o BRB e a varejista Westwing.
Neste dossiê analítico, dissecamos cada fato relevante que compõe o Radar Corporativo desta sessão, oferecendo uma visão aprofundada sobre os impactos para o acionista e para a governança das companhias citadas.
Azul (AZUL4): O Novo Plano de Voo e a Reestruturação de Passivos
O ponto focal do Radar Corporativo desta manhã é, inegavelmente, a Azul Linhas Aéreas. Na madrugada desta quarta-feira, a companhia comunicou ao mercado a aprovação de um plano de negócios atualizado. Este movimento é decisivo para a estratégia da empresa de encerrar seu processo de Chapter 11 (recuperação judicial nos Estados Unidos) de forma antecipada.
Segundo as informações compiladas no Radar Corporativo, o novo plano prevê aportes de capital que visam fortalecer o balanço da companhia. A administração da Azul projeta uma saída do processo judicial em uma posição “significativamente mais saudável. Para o investidor, a leitura técnica é clara: a empresa busca reduzir drasticamente seu endividamento total e reequilibrar os passivos de arrendamento (leasing) de aeronaves. A promessa de uma alavancagem financeira “consideravelmente inferior” é música para os ouvidos do mercado, que vinha penalizando os papéis do setor aéreo devido à volatilidade cambial e aos custos de capital.
A inclusão da Azul no topo do Radar Corporativo de hoje reflete a importância sistêmica da companhia para a logística nacional e o peso que sua recuperação tem no índice Bovespa. A conferir se a execução deste plano seguirá o cronograma otimista apresentado.
O Movimento Atípico da Mastercard: BRB e Westwing no Alvo
Um dos eventos mais curiosos e técnicos deste Radar Corporativo envolve a gigante de pagamentos Mastercard. Em um movimento de execução de garantias (excussão de alienação fiduciária), a bandeira de cartões tornou-se, involuntariamente, acionista relevante do Banco de Brasília (BRB) e da empresa de e-commerce Westwing.
Este episódio destaca-se no Radar Corporativo por expor as fragilidades de crédito cruzado no mercado. A Mastercard executou dívidas ligadas ao Will Bank, uma controlada do Banco Master. Como colateral dessas operações não liquidadas, a Mastercard recebeu ações do BRB e da Westwing.
No caso da Westwing (WEST3), a situação reportada pelo Radar Corporativo é dramática: a Mastercard Brasil passou a deter 31,87% do capital social da varejista. Contudo, em uma demonstração de que seu foco permanece em meios de pagamento e não no varejo de decoração, a empresa já informou que pretende alienar essas ações e não exercerá direitos políticos. Para o acionista minoritário da Westwing, isso cria um “overhang” (pressão vendedora) no papel, dado que há um vendedor com quase um terço da empresa ansioso por liquidez.
Já no BRB (BSLI3; BSLI4), o Radar Corporativo aponta mudanças na governança concomitantemente a esse evento acionário. O banco elegeu Ana Paula Teixeira como diretora executiva de Controles e Riscos e Antônio José Barreto de Araújo Júnior para a diretoria de Finanças e RI. A aprovação desses nomes ainda depende do crivo do Banco Central.
Tenda (TEND3) e a Busca por Eficiência Operacional
O setor de construção civil também marca presença no Radar Corporativo com a Construtora Tenda. A empresa anunciou uma reorganização estratégica em sua Diretoria Executiva. Em um ambiente de juros ainda desafiador para o financiamento imobiliário, a Tenda busca “potencializar a eficiência operacional” de suas duas principais unidades de negócio: a marca mãe Tenda e a subsidiária Alea, focada em casas pré-fabricadas.
O Radar Corporativo interpreta esse movimento como uma resposta à necessidade de capturar sinergias corporativas. A agilidade na execução do plano de negócios é vital para construtoras de baixa renda, que operam com margens apertadas e dependem de volume e velocidade de vendas (VSO). O mercado deverá monitorar se essa “dança das cadeiras” resultará em melhoria nas margens líquidas nos próximos trimestres.
Dexco (DXCO3): Monetização de Ativos Florestais
A Dexco, gigante do setor de materiais de construção e acabamentos, figura no Radar Corporativo com uma operação de “cash out” inteligente. A companhia vendeu 1,2 milhão de metros cúbicos de madeira em pé. Essa transação é estratégica e alinha-se perfeitamente com o objetivo de desalavancagem financeira da empresa.
Analistas do Radar Corporativo observam que a venda foi possibilitada pelo aumento da produtividade das florestas da Dexco e por aquisições recentes. O ponto crucial é que a operação não impacta o maciço florestal dedicado à produção de painéis de madeira, garantindo que a atividade principal (core business) da empresa permaneça abastecida, ao mesmo tempo em que o caixa é reforçado pela venda do excedente biológico.
Tegra e Simpar: Recordes e Desalavancagem
A temporada de prévias operacionais e balanços começa a aquecer o Radar Corporativo. A Tegra, braço imobiliário de alta renda, reportou um 4º trimestre de 2025 robusto, encerrando o ano com recorde histórico de lançamentos (R$ 3,1 bilhões, alta de 65%). As vendas brutas avançaram 16%, e o VSO (Velocidade de Vendas sobre Oferta) trimestral subiu para 13,9%. Esses números indicam uma resiliência do mercado imobiliário de médio e alto padrão, descolando-se parcialmente da crise de crédito.
Paralelamente, a holding Simpar (SIMH3) merece destaque no Radar Corporativo por sua disciplina financeira. A empresa encerrou o 4T25 com a menor alavancagem dos últimos 15 anos (3,1x Dívida Líquida/EBITDA). O desempenho reflete a venda de ativos como a Ciclus Rio e uma gestão de Capex (investimentos) mais rigorosa. Para o investidor que acompanha holdings diversificadas, a Simpar demonstra capacidade de adaptação a ciclos econômicos restritivos.
Incidentes de Cibersegurança: O Caso Multiplan (MULT3)
O risco cibernético é uma pauta constante no Radar Corporativo moderno. A Multiplan, administradora de shoppings de luxo como o MorumbiShopping e o BarraShopping, confirmou que seu aplicativo “Multi” sofreu um ataque hacker no dia 10 de janeiro.
Embora o incidente tenha ocorrido no início do mês, a confirmação oficial trazida agora pelo Radar Corporativo reacende o alerta sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A empresa admitiu que dados de clientes foram “potencialmente acessados. A transparência na gestão da crise e a mitigação de danos à reputação serão fundamentais para que o ativo não sofra penalizações no mercado.
JHSF (JHSF3): Dividendos no Horizonte
Para os investidores focados em renda passiva, o Radar Corporativo traz boas novas vindas da JHSF. A companhia atualizou os valores de seus dividendos intermediários, totalizando R$ 550 milhões. O pagamento será diluído em 12 parcelas mensais ao longo de 2026, garantindo um fluxo de caixa constante para o acionista.
O valor por ação estimado é de R$ 0,0685 por mês. No Radar Corporativo, empresas que conseguem manter uma política de dividendos mensais ganham prêmio de atratividade, especialmente entre pessoas físicas que buscam complementar a renda mensal com proventos isentos de imposto de renda.
Movimentações Acionárias e Governança
Finalizando os destaques do Radar Corporativo, temos movimentações relevantes em participações e cargos de liderança.
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Plano & Plano (PLPL3): A Absolute Gestão de Investimentos elevou sua fatia na construtora para 5,02%, configurando participação relevante. Isso sinaliza confiança de gestores institucionais (“smart money“) no tese de investimento da companhia.
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Oncoclínicas (ONCO3): A governança também é pauta, com a saída programada de Cinthia Maria Ambrogi da diretoria Jurídica e de ESG, prevista para fevereiro de 2026. O Radar Corporativo monitora essas transições para avaliar a continuidade das políticas de conformidade.
Análise Final do Radar Corporativo de Hoje
O Radar Corporativo desta quarta-feira (21) apresenta um microcosmo da economia brasileira em 2026. De um lado, empresas endividadas como a Azul lutam bravamente para sanear seus balanços através de planos judiciais complexos. Do outro, companhias como Simpar e Dexco utilizam a venda de ativos para reduzir alavancagem de forma preventiva.
O setor imobiliário, representado no Radar Corporativo por Tenda, Tegra, JHSF e Plano & Plano, mostra uma bifurcação: enquanto a alta renda (Tegra/JHSF) navega com recordes e dividendos, a baixa renda (Tenda) foca em reestruturação interna para recuperar margens.
Por fim, o caso Mastercard/Westwing serve como um lembrete severo dos riscos de crédito. O Radar Corporativo continuará monitorando como a bandeira de cartões irá se desfazer de sua participação na varejista, um evento que pode gerar volatilidade significativa no papel WEST3 nas próximas semanas.
Investidores devem utilizar as informações deste Radar Corporativo para calibrar suas posições, observando não apenas os números frios, mas a estratégia de gestão de passivos e a governança corporativa que permeiam cada um desses anúncios. O mercado abre em instantes, e estas são as narrativas que moverão os preços no pregão de hoje.






