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Redes sociais superam TV como fonte de informação política entre conservadores, revela Datafolha

por Júlia Campos
10/03/2026 às 11h48
em Política
Redes Sociais Superam Tv Como Fonte De Informação Política Entre Conservadores, Revela Datafolha - Gazeta Mercantil

Redes sociais superam TV como fonte de informação política entre eleitores conservadores, revela Datafolha

A televisão continua a ser o meio mais utilizado pelos brasileiros para acompanhar notícias políticas, mas um levantamento recente do Instituto Datafolha revela que as redes sociais política têm assumido papel central, especialmente entre eleitores da ala conservadora. A pesquisa mostra que 58% da população recorre a programas jornalísticos de TV para se informar, enquanto 54% afirmam utilizar plataformas digitais como Facebook, Instagram e X para acessar informações sobre política e eleições.

Este cenário indica uma transformação significativa no comportamento informativo do eleitorado brasileiro, com impactos diretos na forma como campanhas políticas estruturam estratégias de comunicação, engajamento e mobilização.

Leia também: Operação no Rio: 69% das menções nas redes sociais criticam Lula, aponta estudo da Brandwatch.

O panorama do consumo de notícias políticas no Brasil

O Datafolha constatou que, após televisão e redes sociais, os sites de notícias aparecem em terceiro lugar, citados por 26% dos entrevistados. Conversas informais com amigos e familiares, assim como o consumo de conteúdo político no YouTube, empatam com 21%. Podcasts, programas de rádio e jornais, impressos e digitais, registram 14% cada. Aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram aparecem com 10%, enquanto apenas 3% afirmam não se informar por nenhum canal.

O levantamento evidencia a coexistência entre a mídia tradicional e as plataformas digitais. A televisão ainda é considerada fonte confiável, mas as redes sociais consolidam-se como canais influentes de circulação de informação política, sobretudo entre eleitores de direita, um fenômeno que redefine estratégias eleitorais e o consumo de notícias.

Leia também: Manifestação em Copacabana: Bolsonaro, tecnologia e política em foco.

Diferenças no comportamento informativo entre eleitores de Lula e Bolsonaro

A análise do Datafolha considera o voto declarado no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a televisão permanece a principal fonte de informação política, utilizada por 66% deste grupo — oito pontos acima da média geral. Para esses eleitores, as redes sociais são consultadas por 47%, enquanto YouTube e aplicativos de mensagens somam 16% e 8%, respectivamente.

Por outro lado, entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), as redes sociais política predominam, com 61% declarando sua utilização. A televisão aparece em segundo lugar, citada por 53%. O YouTube tem relevância maior, com 28%, e aplicativos de mensagens, 15%. Esse comportamento também se reflete no eleitorado que manifesta intenção de votar no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em 2026, com 63% usando redes sociais como principal fonte, frente a 50% que acompanham notícias na TV.

Especialistas em comunicação política ressaltam que essa polarização nos meios de consumo de informação é um fator determinante para a construção de narrativas eleitorais e estratégias de campanha. Eleitores conservadores apresentam forte engajamento digital, buscando conteúdos alinhados à sua perspectiva política, enquanto eleitores de Lula mantêm preferência pela mídia tradicional.

Implicações das redes sociais na política e no engajamento eleitoral

O crescimento das redes sociais como fonte de informação política tem impactos diretos na disseminação de notícias, campanhas eleitorais e engajamento cívico. Plataformas digitais permitem alcance segmentado, compartilhamento rápido e interatividade, influenciando debates, opinião pública e decisões eleitorais.

Para analistas, a predominância das redes sociais política entre conservadores fortalece a necessidade de campanhas digitais estratégicas, criação de conteúdos direcionados e monitoramento de engajamento. Isso também impõe desafios aos órgãos reguladores e veículos de mídia, que precisam enfrentar a propagação de informações não verificadas e fake news, comuns em ambientes digitais de alta polarização.

O papel da televisão e da mídia tradicional

Apesar da ascensão das redes sociais, a televisão mantém relevância significativa, especialmente entre eleitores de esquerda. A pesquisa indica que programas jornalísticos e noticiários televisivos ainda são vistos como fontes confiáveis, com 66% dos eleitores lulistas utilizando TV regularmente para se informar sobre política. Esse dado reforça que, mesmo com a digitalização, a mídia tradicional mantém autoridade em determinados segmentos do eleitorado.

Jornais impressos, rádios e podcasts, embora com menor alcance, continuam desempenhando função complementar, atingindo nichos específicos de audiência e oferecendo análises aprofundadas, essenciais para debates políticos mais complexos.

Influência do YouTube, WhatsApp e aplicativos de mensagens

O levantamento do Datafolha evidencia também a importância crescente de canais digitais como YouTube e aplicativos de mensagens. Entre eleitores de Bolsonaro, 28% usam o YouTube como fonte de informação política, enquanto WhatsApp e Telegram somam 15%. Entre eleitores lulistas, esses números são menores, com 16% e 8%, respectivamente.

Especialistas afirmam que essas plataformas têm se consolidado como hubs de conteúdo político, onde circulam vídeos, memes, áudios e mensagens que reforçam narrativas políticas, mobilizam eleitores e criam comunidades de engajamento digital.

Perfil demográfico e regional do consumo de notícias

A pesquisa entrevistou 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre 3 e 5 de março, em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento mostra que o consumo de mídia varia não apenas segundo orientação política, mas também por faixa etária, escolaridade e região geográfica.

Jovens tendem a utilizar redes sociais e YouTube como fontes primárias, enquanto populações mais velhas apresentam preferência pela televisão. Regiões metropolitanas exibem maior penetração digital, enquanto áreas rurais ainda dependem predominantemente da TV e do rádio. Essas diferenças são essenciais para estratégias de comunicação política e marketing eleitoral.

Perspectivas para as eleições de 2026

Com a aproximação das eleições de 2026, o estudo do Datafolha sugere que as campanhas políticas precisarão integrar de forma estratégica redes sociais política, televisão e outros meios, considerando a segmentação do eleitorado e a polarização informativa. O comportamento do eleitor conservador, altamente ativo digitalmente, indica que o engajamento online será decisivo para mobilização, debates e disseminação de narrativas eleitorais.

A consolidação das redes sociais como canal dominante entre determinados segmentos também implica em maior responsabilidade para fiscalização de conteúdo, checagem de informações e combate à desinformação, com impacto direto na integridade do processo democrático.

Reflexos para o jornalismo e comunicação política

O estudo evidencia que a transformação digital redefine o jornalismo político no Brasil. Profissionais e veículos de comunicação precisam adaptar-se a um ambiente fragmentado, onde redes sociais política desempenham papel crucial na formação da opinião pública. Isso exige novas abordagens, produção de conteúdo verificado, análise de métricas digitais e integração entre mídias tradicionais e digitais.

As redes sociais não substituem a TV e a mídia impressa, mas complementam e influenciam a forma como eleitores consomem notícias, moldando percepções e decisões políticas de maneira inédita.

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