O Partido Liberal (PL) oficializou nesta quarta-feira, 4 de novembro, a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado Federal para o biênio 2027-2028. A decisão foi anunciada após uma reunião de lideranças da legenda em Brasília e coloca o atual líder da oposição na disputa pelo comando de uma das principais instituições do Congresso Nacional. A eleição ocorrerá em 1º de fevereiro de 2027, quando os senadores escolherão, por votação secreta, o sucessor do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que também trabalha para permanecer no cargo.
A candidatura será sustentada inicialmente pelo crescimento do PL nas eleições de outubro. Segundo levantamento divulgado pelo próprio Senado Federal em 25 de outubro, o partido deverá iniciar a próxima legislatura com 29 dos 81 senadores, a maior bancada da Casa. O número corresponde a aproximadamente 35,8% das cadeiras e amplia a capacidade de articulação da legenda, mas não garante a vitória. Para conquistar a presidência, Marinho precisará obter pelo menos 41 votos, o equivalente à maioria absoluta dos integrantes do Senado.
A diferença entre a força partidária e o número necessário para vencer explica a importância das negociações com outras bancadas. Mesmo que os 29 senadores do PL votem integralmente no candidato, serão necessários outros 12 apoios. O Novo, que terá três representantes na próxima legislatura, também manifestou apoio à candidatura. Caso os votos das duas legendas sejam confirmados, Marinho começaria a disputa com 32 parlamentares, ainda nove abaixo do mínimo exigido para a eleição.
PL terá 29 senadores e precisará conquistar apoio de outras legendas
A composição projetada para o Senado em 2027 altera a relação de forças entre os partidos. Conforme os dados oficiais divulgados após o segundo turno das eleições, o PL deverá ocupar 29 cadeiras, seguido pelo PT, com dez, e pelo MDB, com oito. O PP terá seis representantes, enquanto União Brasil e Republicanos contarão com cinco cada. PSD e PSB deverão ter quatro senadores por legenda, e o Novo, três.
A projeção considera os 54 mandatos disputados em outubro, os 27 que continuam em vigor e as substituições decorrentes das eleições estaduais. Os números ainda poderão sofrer alterações por mudanças de filiação, decisões da Justiça Eleitoral ou substituições de parlamentares. Por isso, a composição definitiva das bancadas será conhecida na instalação da nova legislatura.
O crescimento do PL amplia o peso do partido nas negociações sobre a presidência e a distribuição dos demais cargos da Mesa Diretora. Entretanto, a eleição não é decidida automaticamente pela maior bancada. A legislação permite que cada senador vote individualmente, e os acordos partidários não asseguram que todos os integrantes de uma legenda acompanhem uma orientação comum.
A diferença é especialmente relevante porque o apoio ao presidente do Senado envolve mais do que afinidades ideológicas. As negociações também consideram a composição das comissões, a distribuição dos cargos de direção e a capacidade de formar maiorias para a votação de matérias legislativas. O candidato eleito precisará construir relações com partidos que poderão divergir de sua posição em temas importantes da agenda nacional.
Alcolumbre busca permanecer no cargo após eleição com 73 votos em 2025
O principal adversário político de Marinho é Davi Alcolumbre, que assumiu novamente a presidência do Senado em fevereiro de 2025. Na ocasião, o parlamentar do União Brasil recebeu 73 dos 81 votos possíveis e venceu a disputa contra Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Eduardo Girão (Novo-CE), que obtiveram quatro votos cada.
A eleição de 2025 demonstrou a capacidade de Alcolumbre de reunir apoio entre diferentes campos políticos. Naquele pleito, sua candidatura recebeu o respaldo formal de oito partidos, incluindo o próprio PL, além de União Brasil, MDB, PP, PDT, PT, PSB e PSD. A decisão atual do Partido Liberal de apresentar um candidato próprio representa, portanto, uma mudança em relação à composição de forças que permitiu a vitória do presidente em exercício.
Alcolumbre pretende disputar a recondução ao comando da Casa, mas sua capacidade de repetir a votação anterior dependerá da reorganização partidária resultante das eleições de 2026. O Senado terá novos integrantes e bancadas com tamanhos diferentes dos registrados dois anos antes, o que exige uma nova rodada de negociações.
Além das alianças partidárias, a disputa envolve a relação entre o Congresso e o governo federal. O presidente do Senado também exerce a presidência do Congresso Nacional, função que lhe confere responsabilidades sobre sessões conjuntas e a condução de assuntos legislativos relevantes. A definição do próximo ocupante poderá influenciar a tramitação de propostas econômicas, orçamentárias e institucionais durante os primeiros dois anos do novo mandato presidencial.
Tereza Cristina também articula candidatura e pode dividir votos
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, permanece entre os nomes considerados para a presidência do Senado. Sua possível candidatura acrescenta uma dificuldade às articulações de Rogério Marinho, porque ambos buscam espaço entre parlamentares de direita e centro-direita, além de representantes de partidos que não integram diretamente a oposição.
Marinho afirmou que mantém conversas com Tereza Cristina e considera possível uma convergência entre os dois projetos políticos antes da eleição. A declaração, porém, não representa a retirada de nenhuma candidatura nem estabelece que um dos parlamentares já tenha aceitado apoiar o outro.
A manutenção dos dois nomes até fevereiro poderá produzir diferentes combinações de apoio. Senadores que resistam à candidatura de Marinho poderão considerar Tereza Cristina uma alternativa, enquanto outros poderão preferir a permanência de Alcolumbre. O resultado dependerá da capacidade de cada candidatura de conquistar adesões para além dos seus aliados mais próximos.
A votação secreta também limita a precisão das estimativas feitas durante as negociações. Um partido pode anunciar apoio formal a determinado candidato, mas seus integrantes não são obrigados a revelar publicamente o voto. Dessa forma, declarações de respaldo, estimativas de aliados e a presença de parlamentares em eventos políticos não equivalem à confirmação de votos na eleição.
Marinho recebeu 32 votos quando enfrentou Rodrigo Pacheco em 2023
A disputa de 2027 será a segunda tentativa de Rogério Marinho de assumir a presidência do Senado. Em 1º de fevereiro de 2023, quando iniciava seu mandato como senador pelo Rio Grande do Norte, ele concorreu ao cargo contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O resultado oficial registrado pelo Senado mostrou a vitória de Pacheco por 49 votos a 32. Todos os 81 parlamentares participaram da votação, e não houve votos em branco. Marinho conseguiu reunir uma parcela expressiva da Casa, mas ficou nove votos abaixo da maioria necessária para conquistar o comando do Legislativo.
O número de votos recebido naquela eleição coincide com a soma das bancadas projetadas do PL e do Novo para 2027. A comparação é apenas numérica, porque a composição do Senado mudou e os apoios de quatro anos antes não podem ser considerados automaticamente mantidos.
A trajetória política de Marinho também inclui três mandatos como deputado federal, participação na elaboração da reforma trabalhista de 2017 e atuação no Poder Executivo durante o governo de Jair Bolsonaro. Entre 2019 e 2020, ocupou a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho. Posteriormente, foi ministro do Desenvolvimento Regional até 2022, quando deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado.
Eleito pelo Rio Grande do Norte, iniciou seu mandato em fevereiro de 2023, com término previsto para janeiro de 2031. Nos últimos anos, assumiu papel de destaque na oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e participou da coordenação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.
Presidência do Senado controla pauta e participa de decisões sobre autoridades
A disputa pelo comando do Senado tem consequências que ultrapassam a administração interna da Casa. O presidente dirige as sessões, participa da definição da pauta de votações, encaminha proposições às comissões e conduz procedimentos previstos no Regimento Interno. Também preside o Congresso Nacional, responsável por deliberações conjuntas da Câmara e do Senado.
Entre os assuntos que passam pela instituição estão projetos relacionados ao Orçamento federal, mudanças tributárias, regras fiscais e matérias que afetam empresas, trabalhadores e investidores. A presidência exerce influência sobre a organização e o ritmo das votações, embora a aprovação das propostas dependa das maiorias estabelecidas na Constituição e no regimento.
O Senado também possui competências exclusivas previstas no artigo 52 da Constituição Federal. Entre elas estão a análise de indicações para a presidência e diretorias do Banco Central, a aprovação de autoridades e magistrados nos casos constitucionalmente previstos e o julgamento de determinadas autoridades por crimes de responsabilidade.
Nos procedimentos relativos a ministros do Supremo Tribunal Federal, por exemplo, cabe ao Senado processar e julgar eventuais crimes de responsabilidade, respeitadas as exigências legais. Isso não significa que o presidente da Casa possa determinar individualmente a condenação ou o afastamento de magistrados. O exercício dessas competências depende dos procedimentos institucionais e das maiorias exigidas pela legislação.
A importância dessas atribuições ajuda a explicar o interesse dos partidos na presidência. Quem ocupa o cargo participa diretamente da organização dos trabalhos parlamentares e das negociações que envolvem Executivo, Legislativo e Judiciário. A condução da Casa também interfere na velocidade com que propostas econômicas e institucionais chegam à deliberação do Plenário.
Eleição de fevereiro será secreta e exigirá maioria absoluta
A escolha do novo presidente do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, data de início da próxima legislatura. Os novos parlamentares tomarão posse em reuniões preparatórias e, posteriormente, participarão da eleição da Mesa Diretora para um mandato de dois anos.
Conforme o procedimento divulgado pelo Senado Federal em outubro, a presidência será escolhida por votação secreta, com utilização de cédulas depositadas em urna quando houver mais de um candidato. Para vencer, será necessário obter pelo menos 41 votos. Se nenhum concorrente alcançar a maioria exigida, haverá outra votação, conforme as regras regimentais.
Depois da escolha do presidente, serão preenchidos os demais cargos da Mesa, incluindo as duas vice-presidências, quatro secretarias e os respectivos suplentes. O Regimento Interno determina que a distribuição considere, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos e blocos parlamentares.
Até a realização da votação, a candidatura de Rogério Marinho continuará sujeita às negociações entre as bancadas e à eventual definição de um entendimento com Tereza Cristina. Alcolumbre, por sua vez, terá de reconstruir a maioria que sustentou sua eleição anterior em uma Casa cuja composição partidária será diferente.
A decisão anunciada pelo PL nesta quarta-feira formaliza a entrada de Marinho na disputa, mas não define o resultado. Com 29 cadeiras projetadas, o partido terá a maior representação individual no Senado e um ponto de partida relevante para negociar. A presidência, entretanto, dependerá de votos de outras legendas e da capacidade de transformar os apoios políticos em maioria efetiva na eleição de fevereiro.
Fontes:
Partido Liberal — manifestação pública de 4 de novembro de 2026 sobre a indicação de Rogério Marinho à presidência do Senado Federal.
Senado Federal — levantamento oficial da composição partidária projetada para 2027, divulgado em 25 de outubro de 2026.
Senado Federal — informações institucionais sobre a eleição da Mesa Diretora, o Regimento Interno e as competências da Presidência, incluindo orientações divulgadas em 23 de outubro de 2026.
Senado Federal — resultado oficial da eleição para a presidência da Casa realizada em 1º de fevereiro de 2023.
Senado Federal — resultado oficial da eleição de Davi Alcolumbre e registros dos apoios partidários em 1º de fevereiro de 2025.










