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Safra recorde de café pode reduzir preços no segundo semestre e aliviar inflação em 2026

por Gabriel Monteiro
18/02/2026 às 18h06
em Agronegócio
Exportações De Café Caem 31% Em Janeiro E Prejudicam Receita

A perspectiva de uma safra recorde de café no Brasil reacende a expectativa de alívio no bolso do consumidor no segundo semestre e, com maior intensidade, ao longo de 2026. A avaliação parte da Secretaria de Política Econômica (SPE), ligada ao Ministério da Fazenda, que identifica uma combinação de fatores favoráveis: aumento relevante da produção nacional, recuperação de colheitas em grandes países exportadores e um ambiente cambial mais estável.

O movimento, segundo técnicos da área econômica, tende a ampliar a oferta global do grão, pressionando as cotações internacionais e, gradualmente, reduzindo os preços no mercado doméstico. Ainda que o repasse ao consumidor não seja imediato, a sinalização de maior disponibilidade do produto já altera as projeções para a inflação do café nos próximos meses.

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Safra recorde de café e aumento da oferta global

O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, deve registrar uma colheita robusta em 2025, superando estimativas anteriores e consolidando o cenário de safra recorde de café. A recuperação ocorre após dois ciclos marcados por adversidades climáticas, como geadas e estiagens prolongadas, que comprometeram lavouras e reduziram estoques.

Além do desempenho brasileiro, outros países estratégicos para o mercado internacional também projetam expansão da produção. Vietnã, Indonésia e Colômbia, importantes fornecedores globais, indicam colheitas mais volumosas neste ciclo. A convergência desses resultados amplia a oferta internacional e tende a reduzir a pressão altista que dominou as bolsas de commodities nos últimos anos.

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Com estoques globais historicamente apertados desde 2023, as cotações vinham sustentadas por uma combinação de oferta restrita e demanda resiliente. A safra recorde de café no Brasil, somada ao incremento de produção em outros polos, altera essa equação e pode provocar um reequilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional.

Impacto no atacado e reflexos no varejo

A Secretaria de Política Econômica destaca que o primeiro efeito da safra recorde de café deve ser sentido no mercado atacadista. Com maior volume disponível, os preços pagos por indústrias e torrefadoras tendem a ceder, criando espaço para ajustes ao longo da cadeia produtiva.

Leia também: Presidente da distrital de Atlanta do Fed enfatiza incertezas econômicas e previsão de queda na inflação.

No entanto, a transmissão até o consumidor final ocorre de forma gradual. O café percorre diversas etapas — da colheita ao beneficiamento, torrefação, embalagem, logística e distribuição — até chegar às prateleiras. Cada elo da cadeia possui estoques formados em momentos distintos, o que dilui o impacto imediato das quedas no campo.

Especialistas ressaltam que a velocidade do repasse dependerá de fatores como:

  • Comportamento do câmbio

  • Volume de exportações

  • Estratégias de formação de estoque das indústrias

  • Nível de concorrência no varejo

Caso o real mantenha estabilidade frente ao dólar, o efeito da safra recorde de café tende a ser potencializado. Um câmbio menos volátil reduz custos de insumos importados, como fertilizantes e embalagens, além de diminuir a pressão para exportação agressiva do produto.

Inflação do café pode desacelerar

Nos últimos anos, o café figurou entre os vilões do índice de inflação de alimentos. A combinação de oferta restrita, aumento de custos logísticos e valorização internacional elevou significativamente o preço do produto no varejo.

Com a consolidação da safra recorde de café, a expectativa da equipe econômica é de desaceleração da inflação específica do grão no segundo semestre. Caso o cenário externo se mantenha favorável, não se descarta a possibilidade de queda real dos preços em 2026.

A projeção é relevante para a política monetária e para o controle inflacionário, uma vez que alimentos possuem peso significativo nos índices oficiais. Embora o café represente apenas parte do grupo de alimentação no domicílio, seu consumo é amplamente disseminado e sensível a variações de preço.

Setor produtivo adota tom cautelosamente otimista

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) também reconhece que a safra recorde de café pode trazer maior previsibilidade ao mercado, após dois anos marcados por instabilidade climática e incerteza produtiva.

A entidade avalia que condições climáticas mais estáveis contribuem para planejamento mais eficiente, tanto na produção quanto na comercialização. O aumento da oferta tende a reduzir pressões especulativas e a favorecer um ambiente mais equilibrado para contratos futuros.

Apesar do otimismo, o setor ressalta que ajustes pontuais ainda ocorrem. Entre novembro e dezembro de 2025, o preço médio do quilo dos cafés Tradicional e Extraforte registrou queda de R$ 4,58, reflexo direto da redução no custo da matéria-prima naquele período.

Esse movimento sinaliza que a safra recorde de café já começa a produzir efeitos na formação de preços, ainda que de forma localizada.

Exportações podem moderar impacto interno

Um dos fatores determinantes para o comportamento dos preços no Brasil será o volume exportado. Em cenários de dólar valorizado, produtores tendem a direcionar maior parcela da produção ao mercado externo, onde a remuneração pode ser mais atrativa.

Se a safra recorde de café coincidir com um ambiente internacional de demanda aquecida, parte do excedente pode ser absorvida rapidamente pelas exportações, reduzindo o impacto no mercado doméstico.

Por outro lado, caso haja acomodação nas cotações globais, o aumento da oferta interna poderá exercer pressão mais intensa sobre os preços no Brasil.

Mercado internacional observa recomposição de estoques

Após períodos consecutivos de oferta restrita, os estoques globais atingiram níveis considerados historicamente baixos. A recomposição desses volumes é vista como elemento central para estabilizar as cotações.

A safra recorde de café no Brasil é determinante nesse processo, dado o peso do país no comércio internacional. Analistas apontam que, se confirmadas as projeções atuais, o ciclo 2025/2026 poderá marcar a transição de um mercado tensionado para um ambiente mais equilibrado.

Essa mudança estrutural tende a reduzir a volatilidade observada nos últimos anos, oferecendo maior previsibilidade a produtores, exportadores e indústrias.

Efeito no consumo interno

O Brasil é também um dos maiores consumidores de café do mundo. O produto possui forte presença cultural e integra a rotina diária de milhões de famílias.

Preços elevados impactam diretamente o orçamento doméstico, especialmente em faixas de renda mais baixas. A safra recorde de café, ao favorecer eventual redução de preços, pode contribuir para recomposição do poder de compra e estímulo ao consumo.

No entanto, especialistas alertam que quedas expressivas e imediatas são improváveis. O cenário mais provável é de acomodação gradual, com ajustes progressivos ao longo dos próximos trimestres.

Variáveis climáticas seguem no radar

Embora as projeções indiquem safra recorde de café, o setor permanece atento a eventuais oscilações climáticas. Mudanças abruptas no regime de chuvas ou episódios de temperaturas extremas podem afetar fases decisivas do desenvolvimento da lavoura.

O histórico recente reforça a cautela: geadas severas e estiagens prolongadas foram responsáveis por perdas significativas em ciclos anteriores, impactando a oferta e pressionando os preços.

Por ora, o cenário predominante é de estabilidade, o que sustenta as estimativas otimistas da área econômica e do setor produtivo.

O que esperar para 2026

Se o volume projetado se confirmar e as condições de mercado permanecerem favoráveis, 2026 poderá registrar não apenas desaceleração da inflação do café, mas eventual queda real nos preços.

A safra recorde de café desponta, portanto, como fator estratégico tanto para o controle inflacionário quanto para o equilíbrio do mercado internacional. O desempenho do Brasil, aliado à recuperação de outros grandes produtores, tem potencial para redefinir a dinâmica global da commodity.

Nos próximos meses, investidores, indústrias e consumidores acompanharão com atenção os dados consolidados de produção, exportações e comportamento cambial — variáveis que determinarão a intensidade e a velocidade do alívio esperado no varejo.

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