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Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade e Caneta Azul ficam sem mandato nas eleições de 2026

Adrilles Jorge teve a maior votação entre os 11 nomes analisados, enquanto Jean Wyllys, Netinho de Paula, Luis Fabiano, MC Gui e Marquito também ficaram fora das vagas disputadas.

por Carlos Menezes
05/10/2026 às 02h36
em Política
Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade E Caneta Azul Ficam Sem Mandato Nas Eleições De 2026 - Gazeta Mercantil - Política

As eleições de 2026 frustraram a tentativa de uma série de personalidades conhecidas da televisão, da música, do futebol e dos reality shows de conquistar uma cadeira no Legislativo. Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade, Manoel Gomes, o Caneta Azul, Adrilles Jorge, Jean Wyllys e Luis Fabiano estão entre os candidatos que não conseguiram se eleger neste domingo, 4 de outubro.

A maior parte dos nomes disputou uma das vagas de deputado federal por São Paulo. Marquito do Ratinho, por sua vez, concorreu à Assembleia Legislativa paulista.

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Os resultados mostram que elevada exposição pública não se converte automaticamente em força eleitoral. Alguns candidatos chegaram à disputa com milhões de seguidores, décadas de presença na televisão ou carreiras esportivas conhecidas nacionalmente, mas terminaram distantes das cadeiras disponíveis.

É necessário fazer uma distinção importante: nas eleições proporcionais para deputado federal e estadual, não basta comparar apenas a votação individual de cada candidato. A definição das vagas também depende do desempenho do partido ou federação, do quociente eleitoral e das regras de distribuição das cadeiras.

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Assim, dois candidatos com números pessoais semelhantes podem ter resultados diferentes dependendo da legenda pela qual concorrem.

Adrilles teve maior votação entre os 11 nomes

Entre as personalidades desta relação, Adrilles Jorge registrou a maior votação.

O ex-participante do Big Brother Brasil e vereador de São Paulo disputou uma vaga de deputado federal pelo União Brasil e recebeu 26.694 votos.

Mesmo com esse resultado, não alcançou uma cadeira na Câmara dos Deputados.

A candidatura representava uma tentativa de ampliar a trajetória política de Adrilles, que já exerce mandato municipal em São Paulo.

A votação correspondeu a aproximadamente 0,11% dos votos considerados na disputa paulista para deputado federal.

Silvia Abravanel e Rachel ficaram separadas por poucos votos

Silvia Abravanel e Rachel Sheherazade, ambas candidatas a deputada federal pelo PSD, terminaram a eleição com votações muito próximas.

Silvia, filha de Silvio Santos e conhecida pela trajetória como apresentadora e diretora de televisão, ficou na faixa de 22,4 mil votos.

Rachel Sheherazade também terminou próxima de 22,4 mil.

Atualizações publicadas durante a fase final da totalização apresentaram pequenas variações de poucos votos nos números das duas candidatas, sem alterar o resultado: nenhuma delas conquistou uma das cadeiras destinadas a São Paulo na Câmara.

A proximidade entre as duas chama atenção porque ambas concorreram pelo mesmo partido e partiram de forte exposição pública anterior à entrada na política eleitoral.

No caso de Silvia, a campanha marcou a transição de uma carreira construída principalmente no SBT para uma primeira disputa por mandato eletivo.

Rachel também disputava pela primeira vez uma eleição.

Após a confirmação de que não havia sido eleita, a jornalista publicou uma manifestação reconhecendo o resultado e agradecendo aos eleitores.

“Perder faz parte do processo eleitoral”, afirmou, acrescentando que respeitar a soberania das urnas é essencial.

Netinho de Paula volta às urnas e fica sem vaga

Netinho de Paula, candidato pelo MDB, recebeu aproximadamente 19,3 mil votos na eleição para deputado federal.

O cantor e apresentador possui uma trajetória política anterior mais extensa do que boa parte das personalidades da lista.

Ele já exerceu mandato de vereador na capital paulista e deputado estadual por São Paulo, além de ter participado de outras disputas eleitorais.

Em 2026, entretanto, não conseguiu retornar ao Legislativo.

O resultado mostra também uma diferença importante entre celebridades que entram pela primeira vez na disputa eleitoral e nomes que já possuem experiência política institucional.

A notoriedade pública pode ajudar na identificação do candidato, mas não garante manutenção ou recuperação de capital eleitoral ao longo do tempo.

Jean Wyllys não retorna à Câmara

Jean Wyllys recebeu 18.073 votos em sua tentativa de retornar à Câmara dos Deputados pelo PT em São Paulo.

Ex-participante e vencedor do Big Brother Brasil 5, Wyllys construiu posteriormente uma carreira política e exerceu mandatos de deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Sua candidatura de 2026 ocorreu por São Paulo.

Apesar da experiência parlamentar e do reconhecimento nacional, o resultado foi insuficiente para garantir uma cadeira.

Entre os nomes oriundos do BBB que participaram das eleições deste ano, nenhum dos seis candidatos levantados após a votação conseguiu conquistar mandato.

Xaropinho concentra parte expressiva dos votos em Cotia

Eduardo Xaropinho, conhecido por seu trabalho no Programa do Ratinho, concorreu a deputado federal pelo PDT e recebeu 15.382 votos em São Paulo.

Uma característica de sua votação foi a concentração em Cotia.

Dos votos obtidos no Estado, 5.697 vieram do município, onde a candidatura recebeu apoio do prefeito Welington Formiga.

Isso significa que aproximadamente 37% de toda a votação estadual de Xaropinho ficou concentrada em uma única cidade.

O desempenho mostra como candidatos conhecidos nacionalmente podem, ainda assim, depender de estruturas políticas locais para construir parte significativa de sua votação.

Apesar dessa concentração, o total não foi suficiente para levá-lo à Câmara.

Geraldo Luís recebe pouco mais de 10 mil votos

O apresentador Geraldo Luís concorreu a deputado federal pelo Avante e recebeu aproximadamente 10,1 mil votos.

A candidatura também marcou sua estreia eleitoral.

Conhecido por décadas de atuação em rádio e televisão, Geraldo chegou à disputa com reconhecimento público elevado, mas obteve uma fração pequena do eleitorado paulista.

O resultado reforça uma característica observada em várias das candidaturas de celebridades neste primeiro turno: audiência, seguidores e exposição na mídia não funcionam necessariamente como equivalentes de intenção de voto.

A dinâmica eleitoral envolve identificação partidária, estrutura territorial, recursos de campanha, base política organizada e capacidade de mobilização no dia da votação.

Luis Fabiano fica fora da Câmara

O ex-atacante Luis Fabiano recebeu 9.613 votos na candidatura a deputado federal pelo MDB.

O antigo jogador de São Paulo, Sevilla e Seleção Brasileira buscava transferir para a política a projeção conquistada no futebol.

Não conseguiu.

Luis Fabiano terminou com aproximadamente 0,04% dos votos da disputa paulista e ficou distante de uma cadeira.

O futebol já produziu diversos políticos eleitos no Brasil, mas a popularidade esportiva também não constitui garantia de competitividade eleitoral.

Em 2026, diferentes ex-atletas concorreram no país, com resultados variados.

Caneta Azul repete votação próxima à de 2022

Manoel Gomes, conhecido nacionalmente pela música “Caneta Azul”, recebeu 7.239 votos na disputa para deputado federal por São Paulo pelo Avante.

Foi sua segunda tentativa eleitoral.

Em 2022, quando concorreu a deputado estadual no Maranhão pelo PL, havia recebido 7.543 votos.

A diferença entre as duas eleições é de apenas 304 votos, embora os pleitos tenham ocorrido em estados, cargos e contextos partidários diferentes e, portanto, não sejam diretamente comparáveis.

O cantor agradeceu aos apoiadores após o resultado e afirmou nas redes sociais que sua trajetória política não termina com a derrota.

A candidatura chama atenção justamente pela mudança geográfica. Depois de disputar uma vaga estadual no Maranhão, Manoel Gomes escolheu São Paulo para tentar chegar à Câmara dos Deputados.

MC Gui recebe cerca de 7,4 mil votos

O funkeiro MC Gui, candidato a deputado federal pelo PSD, terminou a eleição com aproximadamente 7,4 mil votos.

A Justiça Eleitoral registrou patrimônio declarado de cerca de R$ 1,19 milhão para o candidato.

Durante a campanha, ele recebeu mais de R$ 1 milhão em recursos partidários, segundo informações da prestação de contas eleitoral.

A comparação entre financiamento e votação não permite, isoladamente, avaliar a eficiência completa de uma campanha, porque gastos e receitas ainda passam por consolidação e prestação de contas.

Ainda assim, o caso demonstra que disponibilidade de recursos e reconhecimento público não garantem desempenho eleitoral proporcional.

Marquito disputou vaga estadual pelo PSD

Marquito do Ratinho recebeu aproximadamente 1,6 mil votos na disputa para deputado estadual em São Paulo.

Há uma correção relevante em relação a algumas listas divulgadas depois da eleição: Marquito concorreu pelo PSD, número 55050, e não pelo PSB.

Seu nome completo registrado na Justiça Eleitoral é Marco Antonio Ricciardelli.

Diferentemente dos demais nomes principais desta relação, que disputavam vagas na Câmara dos Deputados, Marquito buscava uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo.

O humorista possui experiência política anterior e já exerceu mandato como vereador da capital paulista entre 2013 e 2016.

Em 2026, contudo, não conseguiu retornar a um cargo eletivo.

Fama e voto seguem lógicas diferentes

Os resultados permitem observar uma diferença entre reconhecimento de nome e conversão eleitoral.

Somados, seguidores em redes sociais, audiência televisiva, músicas conhecidas, participações em reality shows e carreiras esportivas podem proporcionar grande exposição antes mesmo do início de uma campanha.

A eleição, porém, acrescenta variáveis que não fazem parte do mercado de entretenimento.

É necessário transformar reconhecimento em identificação política, construir presença territorial, disputar recursos partidários, apresentar propostas e convencer o eleitor de que a popularidade em outra área justifica a escolha para um cargo legislativo.

O desempenho dos famosos derrotados em São Paulo mostra que essa conversão está longe de ser automática.

Adrilles Jorge, o mais votado entre os 11 nomes analisados, recebeu pouco menos de 27 mil votos em um Estado com dezenas de milhões de eleitores.

Na outra ponta, Marquito ficou abaixo de 2 mil.

Entre eles aparecem apresentadores de televisão, cantores, um ex-jogador da Seleção e ex-participantes do programa de maior audiência da televisão brasileira.

Votação individual não explica sozinha quem é eleito

Outro aspecto importante é que a eleição de deputados no Brasil utiliza o sistema proporcional.

As vagas não são simplesmente distribuídas aos candidatos mais votados em uma lista geral.

Primeiro, os votos dados aos candidatos e às legendas ajudam a determinar quantas cadeiras cada partido ou federação poderá ocupar. Depois entram os critérios de distribuição e desempenho individual previstos na legislação eleitoral.

Por isso, o número de votos de uma celebridade precisa ser interpretado dentro do resultado de seu partido.

Esse sistema explica por que, em determinadas situações, um candidato pode receber mais votos do que outro e ainda assim não conquistar mandato, enquanto um concorrente de legenda diferente consegue a cadeira.

A popularidade individual é importante, mas atua dentro de uma disputa coletiva partidária.

Das telas para as urnas, resultado impõe novo teste

As eleições de 2026 voltaram a atrair nomes conhecidos fora da política tradicional, repetindo uma tendência observada há décadas.

Televisão, música, esporte e redes sociais continuam funcionando como portas de entrada para candidaturas.

O primeiro turno, entretanto, mostrou os limites dessa estratégia.

Silvia Abravanel e Rachel Sheherazade ficaram perto dos 22 mil votos. Adrilles Jorge ultrapassou 26 mil. Netinho de Paula chegou a pouco mais de 19 mil e Jean Wyllys a 18 mil.

Xaropinho, Geraldo Luís, Luis Fabiano, MC Gui, Manoel Gomes e Marquito permaneceram abaixo desses patamares.

Nenhum dos 11 conseguiu transformar a notoriedade acumulada fora das urnas em uma vaga no Legislativo em 2026.

Fontes

Tribunal Superior Eleitoral — resultados e totalização das Eleições Gerais de 2026.

Tribunal Superior Eleitoral — DivulgaCandContas e registros das candidaturas.

Registros públicos das manifestações dos candidatos após a eleição.

Dados oficiais das candidaturas de Silvia Abravanel, Rachel Sheherazade, Adrilles Jorge, Netinho de Paula, Jean Wyllys, Eduardo Xaropinho, Geraldo Luís, Luis Fabiano, Manoel Gomes, MC Gui e Marquito do Ratinho.

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