Tarcísio lidera intenção de voto para Governo de SP e amplia vantagem sobre adversários, aponta Datafolha
A nova pesquisa do instituto Datafolha revela que Tarcísio lidera intenção de voto para o Governo de São Paulo em todos os cenários testados para as eleições de 2026, consolidando uma posição dominante no tabuleiro político paulista. O levantamento, realizado entre os dias 3 e 5 de março, com 1.608 entrevistas em 71 municípios do estado, indica que o atual governador aparece com mais de 40% das preferências no primeiro turno e venceria todos os confrontos simulados de segundo turno. O estudo reforça o protagonismo político de Tarcísio de Freitas no maior colégio eleitoral do país e sugere que a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes poderá ser marcada por uma forte polarização entre o campo governista estadual e forças ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O cenário captado pela pesquisa revela não apenas a liderança de Tarcísio, mas também a fragmentação do campo adversário. Enquanto o governador consolida sua presença entre diferentes segmentos sociais e regiões do estado, o grupo político ligado ao governo federal ainda busca definir qual será seu principal candidato para enfrentar o atual mandatário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, aparece como o nome mais competitivo entre os possíveis adversários, superando o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra Simone Tebet nas simulações eleitorais.
A pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob os protocolos BR-06798/2026 e SP-04136/2026, apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Liderança consolidada de Tarcísio no primeiro turno
Nos cenários estimulados — quando os entrevistados recebem uma lista de candidatos — o resultado aponta que Tarcísio lidera intenção de voto com folga em relação aos demais concorrentes. No principal cenário testado, com cinco nomes na disputa, o atual governador registra 44% das intenções de voto.
Na sequência aparece Fernando Haddad, com 31%. Em patamar significativamente inferior estão outros possíveis candidatos, como o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, e o deputado federal Kim Kataguiri, ambos com 5%. O comentarista Felipe D’Avila aparece com 3%.
A vantagem numérica evidencia uma dinâmica eleitoral na qual o atual governador ocupa um espaço político consolidado entre os eleitores paulistas, enquanto os demais candidatos ainda enfrentam dificuldades para ampliar sua base de apoio.
A pesquisa mostra também que Tarcísio lidera intenção de voto mesmo quando o cenário de adversários é alterado. Quando Haddad é substituído por Geraldo Alckmin, por exemplo, o governador alcança 46%, enquanto o vice-presidente aparece com 26%.
Em outro cenário, com a presença do ministro Márcio França, Tarcísio mantém 44%, seguido por Haddad com 28%. Já quando Simone Tebet é colocada como principal adversária, o governador amplia sua vantagem e atinge 49% das intenções de voto.
O fator interior e o peso do eleitorado conservador
Um dos aspectos mais relevantes identificados na pesquisa é a diferença regional no comportamento do eleitorado. O levantamento indica que Tarcísio lidera intenção de voto com margem expressiva no interior paulista, onde o atual governador registra 47% das preferências, contra 28% de Haddad.
Essa vantagem no interior confirma uma tendência observada nas eleições estaduais de 2022, quando Tarcísio construiu sua vitória eleitoral com forte apoio fora da capital e da região metropolitana.
O interior do estado de São Paulo reúne um eleitorado numeroso e historicamente influente na definição dos resultados eleitorais. A predominância de setores econômicos ligados ao agronegócio, à indústria e ao comércio regional tende a favorecer candidatos associados a agendas de gestão administrativa, infraestrutura e segurança pública — temas que marcaram a plataforma política de Tarcísio desde sua campanha.
Na região metropolitana de São Paulo, por outro lado, a disputa se mostra mais equilibrada. Nesse recorte geográfico, o atual governador aparece com 40%, enquanto Haddad soma 34%.
A capital paulista também apresenta um cenário competitivo. Nas eleições presidenciais de 2022, tanto Lula quanto Haddad tiveram desempenho eleitoral superior ao de seus adversários na cidade, refletindo uma dinâmica política mais plural e menos conservadora.
Segmentos sociais reforçam liderança
A pesquisa Datafolha também detalha o comportamento de diferentes segmentos do eleitorado. Os números indicam que Tarcísio lidera intenção de voto de forma mais expressiva entre homens, eleitores mais velhos e evangélicos.
Entre os homens, o governador registra 49% das intenções de voto, enquanto entre as mulheres o índice é de 39%. Entre eleitores com 60 anos ou mais, o apoio chega a 52%, percentual significativamente superior ao registrado entre jovens de 16 a 24 anos, onde a taxa cai para 30%.
O recorte religioso também apresenta diferenças relevantes. Entre os eleitores evangélicos, Tarcísio alcança 54% das intenções de voto, enquanto entre católicos o índice é de 44%.
Esses dados sugerem que o atual governador mantém forte conexão com segmentos tradicionalmente associados ao eleitorado conservador no Brasil.
Já Fernando Haddad apresenta desempenho relativamente melhor entre mulheres, católicos e funcionários públicos. Entre mulheres, o ministro registra 34%, contra 27% entre homens. No recorte religioso, o petista obtém 32% entre católicos e 21% entre evangélicos.
Entre servidores públicos, Haddad alcança 48%, um índice significativamente superior ao observado entre empresários e donas de casa.
Desconhecimento ainda domina cenário espontâneo
Apesar da liderança de Tarcísio nos cenários estimulados, o levantamento revela que a disputa eleitoral ainda não mobilizou plenamente o eleitorado paulista.
Na pergunta espontânea — quando nenhum nome é apresentado — 59% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votar para governador.
Nesse cenário, Tarcísio lidera intenção de voto com 22%, além de outros 3% que citaram genericamente “o atual governador”. Haddad aparece com apenas 2%.
O elevado nível de indecisão indica que o processo eleitoral ainda se encontra em fase inicial de formação de opinião pública.
Historicamente, eleições estaduais em São Paulo passam a ganhar maior visibilidade a partir do segundo semestre do ano anterior ao pleito, quando alianças partidárias são definidas e campanhas começam a ser estruturadas.
Segundo turno confirma vantagem do governador
Os cenários de segundo turno reforçam a leitura de que Tarcísio lidera intenção de voto de forma consistente diante de seus potenciais adversários.
Na simulação mais competitiva, contra Fernando Haddad, o atual governador venceria por 52% a 37%.
A vantagem se amplia em segmentos específicos do eleitorado. Entre homens, o placar seria de 57% a 34%. Entre eleitores com renda superior a dez salários mínimos, a diferença chega a 64% a 27%.
No interior paulista, a distância também se mantém elevada, com 57% para Tarcísio e 32% para Haddad.
Em confrontos com outros possíveis candidatos, a vantagem do governador se torna ainda mais ampla.
Contra Geraldo Alckmin, o resultado seria de 50% a 39%. Em um eventual embate com Márcio França, Tarcísio venceria por 60% a 22%.
Já em uma disputa contra Simone Tebet, o atual governador registraria 58%, enquanto a ministra alcançaria 28%.
O peso da rejeição eleitoral
Outro elemento relevante na pesquisa é o índice de rejeição dos candidatos. Nesse indicador, Fernando Haddad aparece como o nome com maior resistência entre os eleitores.
Quando questionados sobre em qual candidato não votariam de forma alguma, 38% citaram o ministro da Fazenda.
Na sequência aparecem Geraldo Alckmin, com 29%, Simone Tebet com 27% e Kim Kataguiri com 25%.
Tarcísio registra índice de rejeição de 24%, um patamar relativamente menor do que o observado para alguns de seus principais adversários.
A rejeição ao ministro Haddad é especialmente elevada entre homens, eleitores de renda mais alta e evangélicos. Entre aqueles que reprovam o governo Lula, a taxa chega a 60%.
Entre eleitores que pretendem votar em Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa presidencial, a rejeição ao petista alcança 65%.
Já a rejeição a Tarcísio tende a se concentrar em grupos específicos, como eleitores com maior nível de escolaridade, moradores da região metropolitana de São Paulo e funcionários públicos.
O impacto político da liderança eleitoral
O fato de que Tarcísio lidera intenção de voto em todos os cenários da pesquisa produz efeitos políticos relevantes tanto no plano estadual quanto nacional.
São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, com mais de 34 milhões de eleitores. A disputa pelo governo estadual possui impacto direto sobre o equilíbrio de forças no Congresso Nacional e na política brasileira como um todo.
Para o campo político ligado ao presidente Lula, a definição de um candidato competitivo torna-se uma prioridade estratégica.
A decisão sobre quem representará o grupo governista ainda não foi tomada. Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Márcio França e Simone Tebet aparecem como possíveis opções.
Cada um desses nomes representa uma estratégia política distinta.
Haddad possui forte identificação com o eleitorado progressista da capital e da região metropolitana. Alckmin carrega uma trajetória consolidada na política paulista, tendo governado o estado por quatro mandatos. França mantém influência em setores da esquerda moderada e do litoral paulista. Tebet representa uma alternativa mais centrista.
A ausência de definição, no entanto, pode favorecer a consolidação da vantagem do atual governador.
O cenário eleitoral em formação
Mesmo com a liderança clara registrada pela pesquisa, especialistas em comportamento eleitoral alertam que o quadro ainda pode sofrer mudanças significativas.
Eleições estaduais são influenciadas por fatores econômicos, desempenho administrativo e alianças partidárias que se desenvolvem ao longo do ciclo político.
Além disso, a disputa presidencial de 2026 poderá influenciar diretamente a corrida pelo governo paulista, replicando dinâmicas de polarização nacional.
O desempenho do governo federal, a situação econômica do país e a avaliação da gestão estadual serão elementos centrais na definição do voto.
Nesse contexto, o fato de que Tarcísio lidera intenção de voto neste momento representa uma vantagem estratégica relevante, mas não necessariamente definitiva.
A consolidação dessa vantagem dependerá da capacidade do governador de manter níveis elevados de aprovação administrativa e de construir uma coalizão política robusta para a disputa eleitoral.
O peso estratégico de São Paulo na política nacional
A disputa pelo governo paulista possui importância que vai além da administração estadual.
Historicamente, governadores de São Paulo desempenham papel central na política nacional. O controle do maior orçamento estadual do país e a influência sobre a economia brasileira transformam o cargo em uma plataforma política de grande visibilidade.
Caso a tendência apontada pela pesquisa se confirme ao longo dos próximos meses, o fato de que Tarcísio lidera intenção de voto poderá consolidar sua posição como um dos principais atores políticos do país.
A eleição paulista de 2026, portanto, não será apenas uma disputa regional. Ela poderá se transformar em um capítulo decisivo na reorganização das forças políticas brasileiras na próxima década.








