segunda-feira, 2 de novembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Agronegócio

Tarifaço de Trump é derrubado e agro brasileiro projeta retomada das exportações aos EUA com tarifa de 15%

por Maria Helena Costa
24/02/2026 às 11h14
em Agronegócio
Café Solúvel - Gazeta Mercantil

Tarifaço de Trump perde força e agro brasileiro recalibra exportações aos EUA com nova tarifa global de 15%

A derrubada do tarifaço de Trump pela Suprema Corte dos Estados Unidos, na última sexta-feira (20), reconfigurou o tabuleiro comercial entre Brasil e EUA e abriu espaço para a retomada de exportações estratégicas do agro brasileiro. A partir desta terça-feira (24), setores que vinham sendo penalizados por sobretaxas de até 50% — como mel, pescados, café solúvel e uvas — passam a operar sob uma nova tarifa global de 15%, anunciada pelo presidente Donald Trump horas após a decisão judicial. O movimento altera a dinâmica de competitividade e devolve previsibilidade a cadeias produtivas que sofreram perdas significativas desde o início do tarifaço de Trump.

A decisão marca um ponto de inflexão após meses de incerteza regulatória e retração de contratos. Embora produtos como carne bovina, café em grão e suco de laranja já estivessem isentos, segmentos relevantes ainda enfrentavam barreiras que comprometeram volumes embarcados, margens e empregos. A substituição do tarifaço de Trump por uma alíquota linear de 15% para todos os países equaliza condições, ainda que mantenha um custo adicional sobre a entrada de produtos brasileiros no mercado norte-americano.

Leia também: Trump lidera em cinco estados e descontentamento entre jovens ameaça apoio a Biden.


O que muda com o fim do tarifaço de Trump

O tarifaço de Trump, implementado no segundo semestre do ano passado, atingiu quase metade da pauta exportadora brasileira aos EUA. Em alguns casos, as sobretaxas chegaram a 50%, comprometendo contratos e provocando uma reacomodação forçada dos fluxos comerciais.

Com a decisão da Suprema Corte, as sobretaxas específicas deixam de valer. Em seu lugar, passa a vigorar uma tarifa global de 15%, aplicável indistintamente aos parceiros comerciais dos EUA. Do ponto de vista jurídico, o novo desenho reduz o risco de contestações por tratamento discriminatório. Do ponto de vista econômico, reintroduz um ambiente de competição simétrica.

A leitura predominante entre lideranças do setor é pragmática: ainda que a tarifa de 15% represente um encargo adicional, ela é considerada administrável quando comparada ao tarifaço de Trump, que isolava o Brasil frente a competidores diretos.


Mel: dependência estrutural dos EUA e retomada gradual de contratos

Entre os setores mais expostos ao tarifaço de Trump está o mel. Cerca de 80% das exportações brasileiras do produto têm como destino os Estados Unidos. A estrutura produtiva nacional é baseada majoritariamente em pequenos apicultores, que dependem de tradings para acessar o mercado externo.

Durante a vigência do tarifaço de Trump, o setor conseguiu honrar contratos já firmados, mas praticamente interrompeu novos negócios. O efeito imediato foi um problema de escoamento no campo, desvalorização do produto e compressão de margens.

Com a nova tarifa global de 15%, a percepção é de que a competitividade do mel orgânico brasileiro — principal produto exportado aos EUA — volta a ser um diferencial. Como a alíquota passa a ser uniforme para todos os países, o Brasil deixa de estar em desvantagem relativa.

O risco mais sensível era a substituição estrutural do mel brasileiro por fornecedores alternativos. Importadores norte-americanos passaram a adquirir volumes de mel tradicional de outros mercados durante o tarifaço de Trump. A reversão desse movimento dependerá da velocidade de renegociação dos contratos e da estabilidade regulatória nos próximos meses.


Pescados: de cortes de empregos à expectativa de 5 mil vagas

O setor de pescados foi um dos mais afetados pelo tarifaço de Trump, especialmente pela sobretaxa de 50%. Em 2024, os EUA responderam por quase metade do pescado brasileiro exportado, sendo o principal destino da tilápia — o item mais embarcado em volume.

A imposição da tarifa extraordinária levou à perda de contratos, redução da produção e cortes de postos de trabalho. Segundo estimativas setoriais, a normalização parcial das condições comerciais pode permitir a recuperação de mais de 5 mil empregos ao longo de 2026.

A nova tarifa de 15% coloca o Brasil em condições semelhantes às de concorrentes diretos, como a Colômbia, importante fornecedor de tilápia ao mercado norte-americano. Sob o tarifaço de Trump, a assimetria tarifária deslocou pedidos para outros países. Com a equalização, a indústria brasileira projeta recompor capacidade produtiva e alcançar cerca de US$ 600 milhões em exportações globais.

O desafio, contudo, vai além da tarifa. O setor também enfrenta custos logísticos elevados e exigências sanitárias rigorosas, que exigem investimentos contínuos em certificações e rastreabilidade.


Café solúvel: “voltamos para o jogo” após queda de 50% no volume

A indústria de café solúvel talvez seja o caso mais emblemático dos efeitos do tarifaço de Trump. Os Estados Unidos são, há mais de seis décadas, o principal comprador do produto brasileiro. Entre agosto e janeiro, período de vigência das sobretaxas, o volume exportado caiu 50%.

Importadores americanos migraram para fornecedores como México, Colômbia, Vietnã, Equador e países europeus, diante da incapacidade de absorver o custo adicional imposto pelo tarifaço de Trump.

Com a nova tarifa global de 15%, executivos do setor afirmam que o Brasil “voltou para o jogo”. A leitura é que, com todos os competidores submetidos à mesma alíquota, o diferencial volta a ser produtividade, qualidade e escala.

O segmento é composto por seis grandes empresas com presença em mais de 100 países, o que permitiu diluir parcialmente as perdas. Ainda assim, a recomposição dos contratos com importadores americanos será decisiva para recuperar volumes históricos.


Frutas: uva reage, manga perde isenção

No segmento de frutas, os efeitos do tarifaço de Trump foram heterogêneos. A manga, que havia sido isentada anteriormente, volta a enfrentar tarifa de 15%. Já a uva, que vinha sendo penalizada com sobretaxa de 50%, passa a operar sob a nova alíquota uniforme.

A uva foi o produto mais prejudicado, com queda de 73% no volume enviado aos EUA em 2025. Parte dos embarques ocorreu mesmo com prejuízo, para preservar relações comerciais de longo prazo.

Produtores do Vale do São Francisco adotam postura cautelosa. Embora a redução tarifária represente alívio frente ao tarifaço de Trump, ainda não há sinalização concreta de retomada imediata de contratos. Importadores aguardam maior estabilidade antes de assumir novos compromissos.


Impactos macroeconômicos e leitura institucional

O fim do tarifaço de Trump e a adoção de uma tarifa global de 15% produzem efeitos que extrapolam os setores diretamente atingidos. No plano institucional, a decisão da Suprema Corte reforça a previsibilidade jurídica no comércio exterior norte-americano.

Para o Brasil, a medida reduz o risco de perda estrutural de market share em nichos estratégicos. Ainda que a nova tarifa represente um custo adicional, a simetria competitiva é considerada preferível à discriminação anterior.

Economistas avaliam que a normalização parcial pode contribuir para a recomposição do saldo comercial bilateral em 2026, sobretudo se houver estabilidade cambial e manutenção da demanda norte-americana por alimentos.

Por outro lado, a adoção de uma tarifa global sinaliza um ambiente internacional mais protecionista. A política comercial dos EUA permanece orientada por instrumentos tarifários amplos, o que exige do Brasil maior diversificação de mercados e reforço em acordos bilaterais.


O que está em jogo para 2026

A reversão do tarifaço de Trump ocorre em um momento sensível para o agro brasileiro, que enfrenta desafios climáticos, pressão de custos e maior escrutínio ambiental no comércio internacional.

A capacidade de transformar o alívio tarifário em expansão efetiva de exportações dependerá de três fatores centrais: recomposição rápida de contratos, estabilidade regulatória nos EUA e manutenção da competitividade cambial.

Setores como mel, pescados, café solúvel e uvas operam agora sob um novo equilíbrio. O tarifaço de Trump deixou cicatrizes — contratos rompidos, estoques acumulados, empregos perdidos —, mas também reforçou a necessidade de estratégias comerciais mais resilientes.

A frase recorrente entre líderes setoriais — “voltamos para o jogo” — sintetiza o momento: não se trata de uma vitória plena, mas da reabertura de uma arena competitiva em condições menos adversas.

Leia também

  • Governo Lula analisa plano contra tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros
  • Exportação de manga do Vale do São Francisco sofre ameaça com tarifa de 50% dos EUA

LEIA MAIS

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Nota fiscal do Simples Nacional mudou em novembro de 2026. Veja quem deve usar a NFS-e nacional e como emitir o documento em quatro passos.

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Novas regras do SAC entram em vigor hoje (2). Empresas abrangidas deverão oferecer atendimento humano das 8h às 20h, inclusive aos domingos e feriados.

Leia MaisDetails
Vale-Refeição E Vale-Alimentação: Novas Regras Entram Em Fase Final; Veja O Que Muda - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Vale-refeição e vale-alimentação: novas regras entram em fase final; veja o que muda

Novas regras do vale-refeição e vale-alimentação entram em vigor em novembro. Veja o que muda nos cartões, nas taxas e nos estabelecimentos.

Leia MaisDetails
Black Friday 2026 Será Em 27 De Novembro; Veja Como Evitar Falsas Promoções E Golpes - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Black Friday 2026 será em 27 de novembro; veja como evitar falsas promoções e golpes

Black Friday 2026 será em 27 de novembro. Veja como identificar descontos reais, evitar golpes, comparar preços e conhecer seus direitos nas compras.

Leia MaisDetails
Inss De Novembro De 2026: Veja Calendário De Pagamento Por Final Do Benefício - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

INSS de novembro de 2026: veja calendário de pagamento por final do benefício

INSS de novembro de 2026 começa a ser pago dia 24. Confira o calendário completo por final do benefício e saiba como consultar seu pagamento.

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:35:24
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Admin Ajax 2025 12 11T094346.625 (1)
Economia

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

Leia MaisDetails
Telemarketing - Gazeta Mercantil
Economia

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Leia MaisDetails
Bitcoin (Btc) E Criptomoedas (Imagem: Canva Pro)
Criptomoedas

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Leia MaisDetails
Embraer (Embj3) Salta Quase 8% E Lidera Ibovespa Com Expectativa De Novos Contratos-Gazeta Mercantil
Empresas

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Leia MaisDetails
Ouro Hoje - Gzt - Gazeta Mercantil
Mercados

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Nota fiscal do Simples Nacional mudou: veja 4 passos para emitir NFS-e no novo sistema

SAC terá atendimento humano obrigatório a partir de hoje; veja as novas regras

Binance registra saída de US$ 4,72 bilhões após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões

Embraer (EMBJ3) fecha acordo para até seis aviões KC-390 à Grécia; contrato inicial soma € 590 milhões

Ouro sobe quase 2% com queda do petróleo e fecha a US$ 3.969,60

Hackers atacam supermercados na Europa e elevam temperatura de freezers a 50°C

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Últimas notícias da Gazeta Mercantil