Empresários brasileiros buscam ampliar isenções ao tarifaço de Trump em reuniões nos EUA
Um grupo de cerca de 100 empresários e representantes setoriais brasileiros intensificou nesta quinta-feira (4) as negociações nos Estados Unidos em busca de maior flexibilização no tarifaço de Trump, imposto desde 15 de julho. A medida do governo norte-americano estabeleceu sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, afetando diretamente exportadores e setores estratégicos da economia nacional.
As reuniões, organizadas por entidades como CEO Fórum, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Câmara Americana de Comércio (Amcham), têm como meta sensibilizar empresas norte-americanas para defender junto ao governo Donald Trump a ampliação das isenções tarifárias.
Contexto: o tarifaço de Trump e seus impactos no Brasil
O tarifaço de Trump foi implementado por meio da Seção 301 da lei de comércio dos Estados Unidos, sob a justificativa de proteger setores locais diante do avanço de importações estrangeiras.
Na prática, a sobretaxa de 50% sobre mercadorias brasileiras encarece produtos e reduz a competitividade das exportações, atingindo desde commodities como etanol e produtos agrícolas até segmentos industriais de maior valor agregado.
Especialistas apontam que a medida afeta diretamente a balança comercial brasileira e pressiona setores como agronegócio, siderurgia, pagamentos digitais e serviços de tecnologia.
Reuniões nos EUA: o que está em jogo
Na quarta-feira (3), os empresários participaram de um encontro com a Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), onde foram discutidos temas como:
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Comércio digital e regulamentações de pagamentos eletrônicos;
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Questões ambientais e críticas sobre desmatamento;
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Propriedade intelectual;
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Tarifas sobre o etanol brasileiro;
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Potenciais áreas de isenção no tarifaço.
Durante a sessão, a comitiva brasileira reforçou dados sobre reflorestamento e recuperação de áreas degradadas, buscando rebater críticas ambientais que podem influenciar a percepção sobre os produtos nacionais.
Apesar de não terem sido recebidos por congressistas norte-americanos, a delegação aposta nas conversas com empresas e lobistas locais como meio de gerar pressão junto à Casa Branca e ao Departamento de Comércio.
Estratégia dos empresários brasileiros
O grupo defende que a ampliação de isenções ao tarifaço de Trump pode beneficiar setores em que há complementaridade entre as economias, como energia renovável, biocombustíveis, tecnologia da informação e serviços digitais.
Empresários também destacam que a manutenção de barreiras pode prejudicar cadeias globais de produção das quais companhias norte-americanas participam. Assim, a flexibilização seria positiva não apenas para o Brasil, mas também para o setor privado dos Estados Unidos.
Desafios diplomáticos e políticos
Apesar das tentativas de negociação econômica, analistas lembram que o tarifaço de Trump tem forte componente político. A diplomacia do governo norte-americano já indicou que qualquer redução significativa nas tarifas depende de avanços em impasses bilaterais com o Brasil, especialmente em temas ambientais e de alinhamento político internacional.
A ausência de congressistas nas reuniões desta semana é vista como reflexo da falta de consenso entre Republicanos e Democratas, além de uma sinalização de que a pressão terá de vir prioritariamente do setor privado.
O papel das empresas norte-americanas
A expectativa dos empresários brasileiros é que companhias dos Estados Unidos, interessadas em manter custos competitivos e cadeias de suprimentos estáveis, pressionem o governo Trump por isenções adicionais.
Grandes players de setores como tecnologia, combustíveis e agronegócio podem ter papel determinante para reduzir os impactos do tarifaço de Trump.
Perspectivas para os próximos dias
As reuniões desta quinta-feira (4) com o setor privado norte-americano são consideradas cruciais para o futuro das negociações. O grupo terá sete dias para apresentar informações adicionais ao USTR, o que pode abrir espaço para novas rodadas de discussão.
Enquanto isso, empresários brasileiros mantêm cautela, cientes de que a redução das tarifas não virá apenas por argumentos técnicos ou econômicos, mas dependerá de fatores diplomáticos e políticos que extrapolam a mesa de negociação.
O que está em jogo para o Brasil
A manutenção do tarifaço de Trump pode trazer consequências diretas como:
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Redução da competitividade de produtos brasileiros nos EUA;
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Perda de participação de mercado para concorrentes internacionais;
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Pressão sobre setores agrícolas e industriais exportadores;
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Impactos negativos no saldo da balança comercial;
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Possível desaceleração de investimentos externos no Brasil.
Por outro lado, a conquista de novas isenções pode garantir fôlego para setores estratégicos, além de fortalecer a imagem do país como parceiro confiável em cadeias globais de suprimento.
O tarifaço de Trump tornou-se um dos maiores desafios atuais para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Empresários e entidades setoriais brasileiros estão mobilizados para ampliar as isenções, mas o sucesso da iniciativa dependerá não apenas de dados técnicos, mas também da capacidade de articulação política e diplomática.
O cenário segue em aberto, e as próximas semanas serão decisivas para definir se o Brasil conseguirá atenuar os efeitos das tarifas ou se precisará adotar novas estratégias de diversificação de mercados.






