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Juros do empréstimo pessoal sobem para 8,59% ao mês, diz Procon-SP

Taxa média avançou em maio após alta no Bradesco; cheque especial permaneceu no teto de 8% ao mês, limite definido pelo Banco Central

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
12/05/2026 às 19h22 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h25
em Economia, Destaque, Notícias
Juros Futuros Têm Queda Firme Em Dia De Alívio Global E Recuo Do Petróleo

A taxa média do empréstimo pessoal cobrada por bancos voltou a subir em maio, segundo pesquisa mensal da Fundação Procon-SP. O levantamento mostra que os juros médios passaram de 8,44% para 8,59% ao mês, avanço de 0,15 ponto percentual no período, em um cenário ainda marcado por crédito caro para pessoas físicas e maior risco de endividamento das famílias.

O aumento foi puxado pelo Bradesco (BBDC4), que elevou a taxa mensal do empréstimo pessoal de 8,49% para 9,50%. A variação representa alta de 1,01 ponto percentual, ou 11,90% em relação ao mês anterior. Na direção oposta, o Banco do Brasil (BBAS3) reduziu sua taxa de 7,39% para 7,29% ao mês, queda de 0,10 ponto percentual, equivalente a recuo de 1,35%.

Os demais bancos pesquisados mantiveram as taxas inalteradas no mês. Mesmo assim, o movimento foi suficiente para elevar a média geral do empréstimo pessoal, modalidade muito usada por consumidores que precisam de crédito rápido para reorganizar dívidas, cobrir despesas emergenciais ou complementar orçamento.

No cheque especial, a taxa média permaneceu em 8,00% ao mês em maio. Esse é o limite máximo permitido pelo Banco Central desde janeiro de 2020, quando passou a valer o teto para cobrança de juros nessa linha de crédito. A Fundação Procon-SP é o órgão paulista de defesa do consumidor responsável por pesquisas e ações de orientação sobre relações de consumo.

Crédito pessoal fica mais caro em maio

A alta da taxa média do empréstimo pessoal indica que o custo do crédito bancário segue elevado para consumidores sem relacionamento preferencial. A pesquisa do Procon-SP considera as taxas máximas pré-fixadas para clientes pessoa física não preferenciais, independentemente do canal de contratação.

Esse recorte é importante porque as taxas efetivamente pagas podem variar conforme renda, histórico de crédito, relacionamento com o banco, garantias, perfil de risco e produtos contratados. Ainda assim, o levantamento funciona como referência para medir o custo máximo oferecido pelas instituições em linhas tradicionais de crédito.

No caso do empréstimo pessoal, o prazo considerado pela pesquisa é de 12 meses. A modalidade costuma ter juros inferiores aos do cheque especial, mas ainda representa uma das formas mais caras de financiamento para consumidores, especialmente quando contratada sem planejamento ou para cobrir gastos recorrentes.

A elevação da taxa média reforça a necessidade de comparação entre bancos antes da contratação. Uma diferença aparentemente pequena no percentual mensal pode produzir impacto relevante no valor final pago, principalmente em contratos de maior prazo.

Para o consumidor, o principal risco está em tomar crédito sem avaliar o custo efetivo total, que inclui não apenas juros, mas também tarifas, impostos e eventuais encargos. A taxa mensal isolada ajuda na comparação inicial, mas não substitui a análise do valor total da dívida.

Bradesco puxa alta da média

O Bradesco (BBDC4) foi o principal responsável pelo aumento da taxa média do empréstimo pessoal na pesquisa de maio. O banco elevou sua taxa de 8,49% para 9,50% ao mês, variação de 1,01 ponto percentual.

A alta representa aumento de 11,90% em relação ao patamar anterior. Em termos práticos, isso significa que o custo do crédito para clientes não preferenciais ficou mais elevado na instituição, ampliando o peso dos juros em contratos de empréstimo pessoal.

Em um mercado bancário concentrado, mudanças em grandes instituições costumam ter efeito relevante sobre médias setoriais. Mesmo com apenas uma alta entre os bancos pesquisados, o avanço do Bradesco (BBDC4) foi suficiente para deslocar a taxa média geral.

O movimento também ocorre em um ambiente no qual bancos seguem atentos ao risco de inadimplência, à renda disponível das famílias e ao cenário de juros. Embora a Selic seja a referência central para o custo do dinheiro na economia, as taxas ao consumidor final incorporam outros componentes, como risco de crédito, margem bancária, custos administrativos e perdas esperadas.

Para investidores, a dinâmica do crédito para pessoa física é acompanhada de perto porque afeta margem financeira, qualidade da carteira e provisões dos bancos. Linhas mais caras podem sustentar receitas financeiras, mas também aumentam o risco de inadimplência quando a renda das famílias está pressionada.

Banco do Brasil reduz taxa do empréstimo pessoal

Na direção oposta ao Bradesco (BBDC4), o Banco do Brasil (BBAS3) reduziu sua taxa de empréstimo pessoal de 7,39% para 7,29% ao mês. A queda de 0,10 ponto percentual representa redução de 1,35% na comparação mensal.

A redução não foi suficiente para impedir a alta da média geral, mas indica comportamento distinto entre instituições. A diferença de estratégia pode refletir políticas comerciais, avaliação de risco, composição da base de clientes e objetivos de expansão em determinadas linhas.

O Banco do Brasil (BBAS3), por ter forte presença no varejo bancário e relacionamento com servidores, aposentados, empresas e produtores rurais, pode operar com perfis de carteira diferentes dos bancos privados. Ainda assim, a pesquisa do Procon-SP considera clientes não preferenciais, o que reduz parte das distorções ligadas a condições especiais.

A comparação entre bancos evidencia a importância de pesquisar antes de contratar crédito. Entre uma taxa de 7,29% ao mês e outra de 9,50% ao mês, a diferença acumulada em 12 meses pode ser expressiva.

Em um empréstimo de R$ 5 mil, por exemplo, a diferença de juros mensal pode alterar de forma relevante o custo total da operação. Por isso, o consumidor deve avaliar alternativas como crédito consignado, renegociação de dívidas, portabilidade ou linhas com garantia antes de recorrer ao empréstimo pessoal tradicional.

Cheque especial permanece no teto de 8% ao mês

A taxa média do cheque especial ficou estável em 8,00% ao mês em maio, mesmo patamar do limite máximo permitido pelo Banco Central desde janeiro de 2020.

O cheque especial é uma das modalidades mais caras do mercado, apesar do teto regulatório. Como se trata de crédito pré-aprovado e de uso imediato, o consumidor muitas vezes utiliza o limite sem perceber que está contratando uma dívida de custo elevado.

O principal risco está na facilidade de acesso. Quando o saldo da conta fica negativo, o cheque especial pode ser acionado automaticamente, transformando uma necessidade momentânea de caixa em uma dívida crescente.

O Procon-SP alerta que o consumidor deve ter atenção especial com ofertas de crédito pré-aprovado, aumento de limite e uso impulsivo do cheque especial. A orientação é evitar a contratação automática de crédito sem avaliar alternativas mais baratas.

Mesmo com o teto de 8% ao mês, o custo anualizado do cheque especial permanece muito alto. Por isso, especialistas em finanças pessoais recomendam que essa modalidade seja usada apenas em emergências e por prazos muito curtos.

Juros altos pressionam orçamento das famílias

A alta do empréstimo pessoal ocorre em um contexto de forte pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. Despesas com alimentação, transporte, moradia, saúde, educação e serviços continuam consumindo parte relevante da renda, enquanto o crédito segue caro em várias modalidades.

Quando o consumidor recorre ao empréstimo pessoal para cobrir gastos recorrentes, o risco de endividamento aumenta. A linha pode resolver uma necessidade imediata, mas cria uma obrigação mensal adicional.

O problema se agrava quando o crédito é usado para pagar dívidas igualmente caras, sem reorganização do orçamento. Nesses casos, o consumidor pode apenas trocar uma dívida por outra, sem reduzir de fato o comprometimento da renda.

A recomendação de órgãos de defesa do consumidor é comparar taxas, negociar com credores e priorizar linhas de menor custo. Em muitos casos, renegociar diretamente uma dívida existente pode ser mais vantajoso do que contratar novo empréstimo para quitá-la.

Também é importante observar o prazo. Parcelas menores em contratos mais longos podem parecer atraentes, mas aumentam o custo total da operação. O consumidor deve comparar o valor final pago, e não apenas o tamanho da parcela.

Crédito pré-aprovado exige cautela

Bancos costumam oferecer crédito pré-aprovado em aplicativos, caixas eletrônicos, internet banking e mensagens ao cliente. A facilidade de contratação pode levar consumidores a assumir dívidas sem planejamento.

O Procon-SP adverte que o consumidor não deve ceder a impulsos diante da disponibilidade imediata de crédito. A contratação deve ocorrer apenas após análise da necessidade real, da taxa de juros, do prazo, do custo efetivo total e da capacidade de pagamento.

Essa orientação vale especialmente para empréstimo pessoal e cheque especial. Ambas as linhas podem ter contratação rápida, mas custo elevado. O uso frequente indica desequilíbrio financeiro e pode comprometer a renda futura.

Antes de contratar, o consumidor deve verificar se há alternativas mais baratas. Crédito consignado, empréstimo com garantia, renegociação com desconto ou parcelamento direto com o credor podem ter condições melhores, dependendo do caso.

Outra medida importante é evitar contratar crédito para consumo não essencial. Em ambiente de juros altos, compras parceladas e empréstimos para gastos supérfluos podem gerar dificuldade financeira nos meses seguintes.

Bancos monitoram inadimplência e risco de crédito

Para os bancos, a definição das taxas de empréstimo pessoal envolve avaliação de risco. Quanto maior a percepção de inadimplência, maior tende a ser o custo cobrado nas linhas sem garantia.

O empréstimo pessoal tradicional é uma modalidade de maior risco para as instituições porque, em geral, não conta com garantia real nem desconto automático em folha. Por isso, os bancos incorporam no preço a probabilidade de atraso, perda e custo de cobrança.

Esse fator ajuda a explicar por que as taxas ao consumidor final permanecem elevadas mesmo em períodos de estabilidade da taxa básica de juros. O custo do crédito bancário não depende apenas da Selic, mas também da concorrência, do risco de inadimplência, da estrutura de custos e da política comercial de cada instituição.

No cheque especial, o risco também é alto porque a linha é pré-aprovada e pode ser usada sem análise individual no momento da contratação. O teto regulatório reduziu parte do custo histórico da modalidade, mas não a tornou barata.

A manutenção de juros elevados reforça a importância da educação financeira e da transparência na oferta de crédito. Consumidores precisam entender as condições antes de contratar, enquanto bancos são obrigados a informar o custo efetivo total da operação.

Comparação entre bancos pode reduzir custo da dívida

A pesquisa do Procon-SP evidencia que há diferença relevante entre as taxas praticadas pelas instituições. Mesmo entre grandes bancos, o custo do empréstimo pessoal pode variar de forma significativa.

Essa diferença abre espaço para negociação. Consumidores com bom histórico de pagamento, renda comprovada e relacionamento bancário podem buscar condições melhores ou avaliar portabilidade de crédito.

A portabilidade permite transferir uma dívida de uma instituição para outra que ofereça juros menores. Em um ambiente de taxas elevadas, essa alternativa pode reduzir o custo total e aliviar o orçamento mensal.

Também é recomendável solicitar simulações em mais de um banco antes de contratar. O consumidor deve comparar taxa mensal, custo efetivo total, valor da parcela, prazo, encargos por atraso e condições de liquidação antecipada.

A liquidação antecipada, quando possível, deve gerar desconto proporcional dos juros futuros. Esse direito é relevante para consumidores que pretendem quitar a dívida antes do prazo final.

Crédito caro mantém alerta para consumidores

A alta da taxa média do empréstimo pessoal para 8,59% ao mês reforça o alerta sobre o custo do crédito no país. Embora o avanço tenha sido concentrado em uma instituição, o patamar geral continua elevado e exige cautela dos consumidores.

O cheque especial, estável em 8,00% ao mês, permanece como uma linha de emergência e não deve ser usado como complemento permanente de renda. A facilidade de acesso continua sendo o principal risco para quem perde controle do orçamento.

Para famílias endividadas, o caminho mais seguro passa por renegociação, troca de dívidas caras por linhas mais baratas e reorganização dos gastos. A contratação de novo crédito deve ser feita apenas quando houver clareza sobre a capacidade de pagamento.

O levantamento do Procon-SP mostra que o consumidor ainda enfrenta um ambiente de juros altos, mesmo em linhas bancárias tradicionais. Nesse cenário, comparar taxas deixou de ser recomendação secundária e passou a ser etapa essencial antes de assumir qualquer dívida.

Tags: Banco CentralBanco do BrasilbancosBBAS3BBDC4Bradescocheque especialconsumidorcréditoEconomiaempréstimo pessoalendividamentoInadimplênciajurosProcon-SP

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