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Taxa Selic: mercado reduz expectativa de corte antes do Copom

por Camila Braga
16/03/2026 às 11h53
em Economia
Boletim Focus Reduz Projeções Do Dólar E Da Selic Para 2026

Foto: Banco Central do Brasil/Reprodução

Taxa Selic: mercado reduz expectativa de corte antes da reunião do Copom

A expectativa do mercado financeiro para a taxa Selic passou por uma mudança relevante às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (18). Economistas consultados pelo Banco Central ajustaram suas projeções e agora apostam em um início mais cauteloso no ciclo de queda dos juros no Brasil.

De acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (16), a mediana das projeções indica que a taxa Selic deverá começar a cair com um corte de apenas 0,25 ponto percentual, movimento menor do que a estimativa anterior de 0,50 ponto percentual.

Leia também: Bolsas da Europa fecham em alta com otimismo sobre balanços e expectativa de acordo entre EUA e China.

A revisão reflete mudanças no cenário econômico internacional e nas expectativas inflacionárias, fatores que influenciam diretamente as decisões de política monetária do Banco Central.

Com a reunião do Copom se aproximando, investidores, analistas e empresas acompanham atentamente os sinais da autoridade monetária sobre o futuro da taxa Selic, considerada o principal instrumento de controle da inflação no país.


Mercado recalibra projeções para a taxa Selic

O Boletim Focus reúne semanalmente as projeções de instituições financeiras, consultorias e economistas sobre os principais indicadores macroeconômicos do país. Na edição desta semana, o relatório indicou uma mudança importante nas expectativas para a taxa Selic.

A mediana das estimativas aponta agora para um corte inicial de 0,25 ponto percentual na reunião do Copom. Caso essa previsão se confirme, a taxa Selic passaria do atual patamar de 15% ao ano para 14,75%.

Até poucos dias atrás, parte significativa do mercado acreditava que o Banco Central poderia iniciar o ciclo de flexibilização monetária com um movimento mais agressivo, reduzindo a taxa Selic em 0,50 ponto percentual.

Entretanto, eventos recentes no cenário internacional levaram economistas a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao ritmo de redução dos juros.


Tensões globais influenciam expectativa para a taxa Selic

Entre os fatores que levaram à revisão das projeções está a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O aumento das incertezas na região tem impactado diretamente o mercado internacional de petróleo.

A alta potencial nos preços da commodity preocupa economistas porque o petróleo exerce influência significativa sobre a inflação global. O aumento dos custos de energia tende a se espalhar por diversas cadeias produtivas, pressionando preços e dificultando o controle inflacionário.

Nesse contexto, especialistas avaliam que o Banco Central pode optar por iniciar o ciclo de queda da taxa Selic de maneira mais gradual, evitando movimentos bruscos que possam comprometer a estabilidade de preços.

A estratégia de prudência é considerada comum em momentos de maior volatilidade global, especialmente quando fatores externos podem afetar as expectativas de inflação.


Bancos revisam projeções para a taxa Selic

A mudança nas expectativas não se limitou ao Boletim Focus. Diversas instituições financeiras também revisaram suas estimativas para a decisão do Copom.

Entre os bancos que passaram a projetar um corte inicial menor na taxa Selic estão Santander, Itaú BBA, Bank of America, Safra e Goldman Sachs. Essas instituições vinham trabalhando anteriormente com a possibilidade de uma redução de 0,50 ponto percentual.

Contudo, a deterioração do cenário internacional e os riscos inflacionários levaram essas casas a recalcular suas projeções.

Para analistas dessas instituições, iniciar o ciclo de queda da taxa Selic com um corte menor pode reforçar a credibilidade da política monetária brasileira e evitar movimentos abruptos nas expectativas do mercado.


Taxa Selic permanece em 15% desde junho de 2025

Atualmente, a taxa Selic está fixada em 15% ao ano, patamar que permanece inalterado desde junho de 2025. Esse nível elevado foi mantido pelo Banco Central como parte da estratégia para conter pressões inflacionárias e garantir a convergência da inflação para a meta.

Nos últimos meses, a expectativa de início do ciclo de queda da taxa Selic ganhou força à medida que indicadores econômicos passaram a mostrar sinais de desaceleração inflacionária.

A própria comunicação do Banco Central indicou que o início da flexibilização monetária poderia ocorrer em breve. Com isso, a reunião do Copom desta semana passou a ser considerada um marco potencial para o início da redução da taxa Selic.

Se confirmada a expectativa atual do mercado, a decisão representará o primeiro corte de juros após um período prolongado de política monetária restritiva.


Projeções para a taxa Selic nos próximos anos

O Boletim Focus também trouxe atualizações importantes sobre o comportamento esperado da taxa Selic no médio e longo prazo.

Para o final de 2026, a projeção passou de 12,13% para 12,25%. Esse ajuste indica que o mercado passou a prever um ritmo mais moderado de queda dos juros ao longo do próximo ano.

Já para os anos seguintes, as expectativas permanecem relativamente estáveis. O mercado projeta que a taxa Selic deverá encerrar 2027 em 10,50%, cair para 10% em 2028 e atingir 9,50% em 2029.

Essas estimativas sugerem que o ciclo de flexibilização monetária no Brasil pode ocorrer de forma gradual, acompanhando a evolução da inflação e da atividade econômica.

Especialistas ressaltam que mudanças no cenário global ou doméstico podem alterar essas projeções ao longo do tempo.


Inflação de 2026 sobe nas estimativas do mercado

Outro dado relevante divulgado pelo Boletim Focus foi a revisão das expectativas para a inflação.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 3,91% para 4,10%. Apesar do aumento, o indicador ainda permanece dentro da faixa de tolerância definida pelo sistema de metas de inflação.

Para os anos seguintes, as projeções seguem relativamente estáveis. O mercado estima inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029.

Mesmo dentro da banda de tolerância, a revisão para cima reforça a necessidade de cautela por parte do Banco Central ao conduzir o processo de redução da taxa Selic.

O aumento das expectativas inflacionárias é um dos fatores que justificam a mudança na projeção de corte de juros nesta reunião do Copom.


Impacto da taxa Selic na economia brasileira

A taxa Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação e influenciar o nível de atividade econômica.

Por servir como referência para o sistema financeiro, a taxa Selic impacta diretamente diversas variáveis econômicas, incluindo taxas de crédito, financiamento imobiliário, investimentos e consumo das famílias.

Quando a taxa Selic está elevada, o custo do crédito tende a aumentar, reduzindo o consumo e ajudando a conter a inflação. Por outro lado, quando ocorre redução da taxa Selic, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando investimentos e atividade econômica.

Por essa razão, decisões relacionadas à taxa Selic são acompanhadas de perto por investidores, empresas e governos.


Expectativa do mercado para a decisão do Copom

Com a reunião do Copom se aproximando, a atenção do mercado está voltada não apenas para o tamanho do corte inicial da taxa Selic, mas também para o tom da comunicação do Banco Central.

O comunicado que acompanha a decisão costuma trazer pistas importantes sobre os próximos passos da política monetária.

Caso o Copom confirme o início do ciclo de queda da taxa Selic, investidores estarão atentos a indicações sobre o ritmo das reduções futuras.

Dependendo da avaliação do cenário inflacionário e econômico, o Banco Central poderá adotar uma estratégia gradual de flexibilização, reduzindo a taxa Selic em etapas ao longo das próximas reuniões.


Copom enfrenta cenário global desafiador

A decisão sobre a taxa Selic ocorre em um momento de elevada incerteza no ambiente internacional.

Oscilações no preço das commodities, tensões geopolíticas e mudanças nas políticas monetárias de grandes economias continuam influenciando os mercados globais.

Nesse contexto, o Banco Central brasileiro precisa equilibrar dois objetivos principais: iniciar o ciclo de redução da taxa Selic para estimular a economia e, ao mesmo tempo, preservar o compromisso com o controle da inflação.

A decisão que será anunciada após a reunião do Copom desta semana terá impacto direto sobre as expectativas do mercado financeiro e sobre o comportamento da economia brasileira nos próximos meses.

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