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Taxas dos DIs sobem após IBC-Br surpreender e mercado reduz apostas de corte da Selic

por Camila Braga
16/04/2026 às 11h11
em Economia
Copom Deve Cortar 0,25 P.p. Na Selic Em Cenário De Inflação Elevada E Economia Desacelerando-Gazeta Mercantil

Taxas dos DIs sobem com atividade econômica acima do esperado e reforçam cautela com a Selic

As taxas dos DIs registraram leve alta nesta quinta-feira (16), refletindo a reação imediata do mercado financeiro a dados mais fortes da atividade econômica brasileira. O movimento, ainda que moderado, reforça uma mudança relevante na precificação de juros futuros e sinaliza maior cautela dos agentes em relação ao ritmo de cortes da taxa básica.

A leitura do mercado foi direta: o crescimento acima do esperado reduz o espaço para uma flexibilização monetária mais agressiva. Nesse contexto, as taxas dos DIs passaram a embutir um cenário de política monetária mais conservadora, especialmente nos vencimentos de médio e longo prazo.

Leia também: Galípolo reduz chance de corte da Selic e mercado reprecifica expectativas

IBC-Br surpreende e altera expectativas do mercado

O principal vetor por trás da alta nas taxas dos DIs foi a divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador apontou avanço de 0,6% em fevereiro na comparação com janeiro, em dados com ajuste sazonal.

O resultado superou com folga as expectativas do mercado, que projetavam crescimento de 0,47%. Na análise interanual, houve leve retração de 0,3%, enquanto o acumulado em 12 meses registrou expansão de 1,9%.

Para operadores e analistas, o dado reforça a resiliência da economia brasileira, mesmo em um ambiente de juros elevados. Como consequência, as taxas dos DIs ajustaram suas curvas para refletir menor probabilidade de cortes mais intensos da Selic no curto prazo.

Curva de juros reage e destaca contratos longos

A movimentação das taxas dos DIs foi mais evidente nos contratos com vencimentos mais longos, que são mais sensíveis às expectativas estruturais de inflação e política monetária.

Por volta das 10h22, os principais contratos indicavam:

Leia também: Petróleo sobe e caminha para encerrar semana em alta firme

  • DI para janeiro de 2028: 13,37% (alta de 3 pontos-base)
  • DI para janeiro de 2035: 13,52% (alta de 3 pontos-base)

Esse comportamento evidencia uma inclinação mais firme da curva de juros, com os investidores exigindo prêmios maiores para posições mais longas. Na prática, a alta nas taxas dos DIs reflete uma revisão das expectativas quanto ao ciclo de afrouxamento monetário.

Selic no radar: mercado reduz apostas em cortes agressivos

A trajetória das taxas dos DIs está diretamente ligada às expectativas para a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. Com a atividade econômica demonstrando força, cresce a percepção de que o Banco Central deverá adotar uma postura mais gradual na condução dos cortes.

Dados recentes do mercado de opções de Copom negociadas na B3 mostram que:

  • 74,5% dos investidores apostam em corte de 0,25 ponto percentual
  • 17% projetam redução de 0,50 ponto percentual

Essa mudança de percepção ocorreu nos últimos dias e foi intensificada após a divulgação do IBC-Br. O comportamento das taxas dos DIs confirma essa leitura, ao incorporar um cenário de juros elevados por mais tempo.

Ambiente internacional contribui para estabilidade

Enquanto o cenário doméstico pressiona as taxas dos DIs, o ambiente externo oferece certo alívio. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) permanecem estáveis, funcionando como uma âncora para os mercados globais.

O Treasury de 10 anos operava em torno de 4,278%, sem grandes oscilações. Esse comportamento reduz a pressão externa sobre os ativos brasileiros, permitindo que a dinâmica das taxas dos DIs seja guiada principalmente por fatores internos.

Além disso, investidores monitoram avanços diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Irã. A expectativa de um acordo definitivo contribui para a redução da aversão ao risco global, ainda que os efeitos sobre o mercado brasileiro sejam limitados no curto prazo.

Interpretação técnica: o que está por trás da alta dos DIs

A elevação das taxas dos DIs não deve ser interpretada como um movimento isolado, mas sim como parte de um ajuste técnico mais amplo na curva de juros.

Três fatores principais explicam essa dinâmica:

1. Surpresa positiva na atividade econômica
O IBC-Br acima do esperado indica maior tração da economia, reduzindo a urgência de estímulos monetários.

2. Reprecificação da política monetária
Com menor espaço para cortes rápidos, o mercado ajusta as expectativas para a Selic, impactando diretamente as taxas dos DIs.

3. Prêmios de risco mais elevados nos vencimentos longos
A incerteza sobre inflação e trajetória fiscal leva investidores a exigir retornos maiores em contratos mais longos.

Esse conjunto de fatores sustenta a alta das taxas dos DIs, ainda que em magnitude moderada.

Impactos para investidores e empresas

A movimentação das taxas dos DIs tem implicações diretas para diferentes agentes econômicos. Para investidores, o ajuste na curva de juros altera estratégias de renda fixa, favorecendo papéis atrelados a taxas mais longas.

Já para empresas, o cenário pode significar custo de capital mais elevado, especialmente em operações de financiamento e emissão de dívida. A elevação das taxas dos DIs também impacta a precificação de ativos e projetos, exigindo revisões em planos de investimento.

Expectativas para os próximos meses

A tendência das taxas dos DIs dependerá, em grande medida, da evolução dos indicadores econômicos e da inflação. Caso novos dados confirmem a resiliência da atividade, o mercado pode continuar revisando para cima as expectativas de juros.

Por outro lado, sinais de desaceleração ou controle inflacionário podem reabrir espaço para cortes mais consistentes da Selic, o que levaria a um recuo nas taxas dos DIs.

No cenário atual, prevalece a visão de cautela, com o Banco Central adotando uma abordagem gradual e dependente de dados.

Mercado ajusta rota e recalibra expectativas de juros

O comportamento recente das taxas dos DIs evidencia um momento de transição na percepção do mercado financeiro. Após semanas de otimismo com cortes mais intensos da Selic, os investidores passaram a incorporar um cenário mais equilibrado, com menor margem para flexibilização monetária rápida.

Esse movimento reforça a importância dos dados econômicos na formação de expectativas e destaca o papel central das taxas dos DIs como termômetro das projeções de juros no Brasil.

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