O turismo internacional voltou a ganhar peso na economia brasileira após um novo recorde de gastos de visitantes estrangeiros. Dados do Banco Central mostram que as despesas de turistas internacionais no Brasil alcançaram US$ 6,62 bilhões entre janeiro e novembro de 2024, o maior valor registrado para o período desde o início da série histórica, em 1995.
O resultado representou crescimento de 5,3% em relação aos primeiros 11 meses de 2023 e superou inclusive o desempenho observado em anos de forte exposição internacional do Brasil, como 2014, quando o país sediou a Copa do Mundo.
O avanço ocorre em meio aos esforços do governo para ampliar a entrada de estrangeiros, aumentar a conectividade aérea e transformar o turismo em uma fonte cada vez mais relevante de geração de renda, empregos e divisas.
Número de visitantes também avança
O desempenho financeiro acompanha o crescimento do fluxo internacional. Até novembro de 2024, o Brasil havia recebido 5,967 milhões de turistas estrangeiros, segundo os dados apresentados pelo governo.
O número já superava os 5,908 milhões de visitantes registrados em todo o ano de 2023, indicando que o país conseguiu ultrapassar, antes mesmo do encerramento do ano, o fluxo observado no exercício anterior.
Em novembro de 2024, especificamente, os gastos de estrangeiros no país somaram US$ 615,71 milhões, reforçando a trajetória de recuperação e expansão do turismo receptivo.
O aumento simultâneo do número de visitantes e dos desembolsos demonstra que o setor não depende apenas de maior volume de turistas. A expansão também está relacionada à capacidade de atrair viajantes que permanecem mais tempo no país ou apresentam maior gasto médio durante a viagem.
Plano Nacional de Turismo estabelece metas para 2027
O crescimento do setor está alinhado às metas do Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027, elaborado pelo governo federal para ampliar a participação do Brasil no turismo internacional.
Entre os objetivos estabelecidos está a atração de 8,1 milhões de turistas estrangeiros por ano e a geração de mais de US$ 8,1 bilhões em receitas internacionais até 2027.
Os resultados já registrados colocam o país em uma trajetória favorável para atingir essas metas, embora a evolução dependa da manutenção do fluxo internacional, da ampliação da conectividade e da capacidade dos destinos brasileiros de receber uma demanda crescente.
O desafio não é apenas aumentar o número de visitantes, mas distribuir melhor esse fluxo pelo território nacional e elevar os impactos econômicos gerados pelo turismo.
Governo aposta em conectividade aérea
Uma das principais estratégias para ampliar o turismo receptivo é a expansão da conectividade aérea internacional.
Nesse contexto, o governo lançou o Programa de Aceleração do Turismo Internacional (Pati), concebido para estimular companhias aéreas a ampliar a oferta de voos e assentos internacionais com destino ao Brasil.
O primeiro edital do programa viabilizou mais de 70 mil novos assentos internacionais até março de 2025, contemplando conexões com mercados como Paraguai, Peru e Espanha.
A lógica do programa é aumentar a oferta justamente onde existe potencial de demanda, reduzindo uma das principais barreiras para o crescimento do turismo internacional: a disponibilidade de voos diretos ou de conexões competitivas.
Nordeste ganha prioridade na expansão
Para 2025, a estratégia do Pati passou a dar maior atenção ao Nordeste, região considerada estratégica pela diversidade de destinos turísticos e pelo potencial de atração de visitantes internacionais.
A previsão inicial contemplava R$ 24 milhões em investimentos, com o objetivo de viabilizar aproximadamente 260 mil novos assentos internacionais para a região.
No conjunto do programa, o investimento previsto para 2025 chegava a R$ 63,6 milhões, com a meta de gerar cerca de 500 mil novos assentos em voos internacionais.
A expansão da oferta aérea pode beneficiar não apenas capitais, mas também destinos turísticos conectados por meio de aeroportos regionais, ampliando a distribuição dos efeitos econômicos do setor.
Turismo movimenta cadeia ampla da economia
O aumento da entrada de estrangeiros produz impactos que ultrapassam os gastos diretamente realizados pelos visitantes.
Hotelaria, restaurantes, bares, transporte, comércio, entretenimento, eventos e serviços turísticos estão entre os segmentos beneficiados pelo aumento da demanda.
O turismo internacional também possui importância estratégica para a balança de serviços brasileira, uma vez que os gastos realizados por estrangeiros no país representam entrada de moeda estrangeira.
Para o mercado de trabalho, a expansão do setor tende a favorecer atividades intensivas em mão de obra, especialmente nos destinos com maior concentração de visitantes.
O governo federal tem defendido que os recordes recentes refletem tanto a atratividade dos destinos brasileiros quanto as iniciativas destinadas a melhorar a conectividade e a promoção internacional do país.
Brasil combina natureza, cultura e diversidade regional
A capacidade de atração do Brasil está associada à variedade de produtos turísticos disponíveis. O país reúne destinos de natureza, patrimônio cultural, gastronomia, grandes eventos e turismo de negócios.
Rio de Janeiro, Amazônia, Cataratas do Iguaçu e os destinos litorâneos do Nordeste estão entre os principais cartões-postais associados à imagem internacional brasileira.
O Carnaval e outros eventos culturais também contribuem para ampliar a exposição do país no exterior. A diversidade regional permite, ainda, explorar diferentes perfis de viajantes, desde turismo de lazer e ecoturismo até negócios e eventos.
A ampliação da conectividade aérea e a melhoria da infraestrutura turística são, nesse contexto, fatores importantes para transformar interesse potencial em viagens efetivamente realizadas.
Recorde de 2024 eleva a barra para os próximos anos
Os números registrados em 2024 fortalecem a perspectiva de expansão do turismo internacional brasileiro, mas também elevam o desafio para os próximos anos.
Superar 8,1 milhões de turistas estrangeiros anuais até 2027, meta estabelecida pelo governo, exigirá que o país mantenha o ritmo de crescimento e avance em áreas como conectividade, infraestrutura, promoção internacional e qualificação dos serviços.
A expectativa de que o Brasil possa alcançar mais de 10 milhões de visitantes internacionais até 2027 representa um cenário mais ambicioso do que a meta oficial, mas dependerá da continuidade da expansão da oferta aérea e da manutenção da procura externa pelo país.
O desempenho de 2024 indica que o Brasil recuperou força como destino internacional. O próximo passo será transformar o aumento do fluxo em crescimento sustentável de receitas, empregos e investimentos, consolidando o turismo como uma atividade estratégica para a economia brasileira.









