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Vendas de veículos crescem 28% e registram melhor junho em 13 anos, aponta Fenabrave

Expansão é impulsionada por condições de crédito mais favoráveis e ajustes nos preços praticados pelo setor

por João Souza
03/07/2026 às 09h36
em Negócios
Vendas De Veículos Crescem 28% E Registram Melhor Junho Em 13 Anos, Aponta Fenabrave-Gazeta Mercantil
O mercado de veículos novos e seminovos no Brasil registrou o melhor resultado para o mês de junho desde 2013, com alta de 28% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que aponta a ampliação do acesso ao crédito e a readequação de valores como os principais fatores responsáveis pela expansão.
No total, foram comercializadas mais de 290 mil unidades em junho de 2026, volume que supera inclusive o desempenho de meses anteriores, como março e abril, períodos tradicionalmente mais fortes para o setor. O resultado confirma a recuperação gradual do segmento, que ainda busca recuperar os patamares observados antes da pandemia e das restrições de oferta de componentes.

Crédito mais acessível aquece a demanda

Um dos principais motores do crescimento foi a disponibilidade de linhas de financiamento com condições mais favoráveis. Bancos e instituições financeiras ampliaram prazos, reduziram taxas de juros e flexibilizaram requisitos de aprovação, movimento que acompanha a trajetória de queda da taxa Selic nos últimos meses.
A redução do custo do dinheiro tornou o valor das prestações mais compatível com a renda média do consumidor, especialmente em um cenário onde a inflação de veículos desacelerou. Segundo dados preliminares, o valor médio das parcelas caiu cerca de 9% em 12 meses, mesmo com a ampliação dos prazos de pagamento.
“O consumidor voltou a ter condições de planejar a compra com mais segurança. A combinação de juros menores e maior oferta de crédito removeu uma das principais barreiras que mantinham a demanda contida”, explicou o presidente da Fenabrave, em nota oficial.

Ajustes de preços e oferta mais equilibrada ajudam a recuperar o ritmo

Além do crédito, o setor contou com um ajuste nos preços praticados pelas montadoras e concessionárias. Após anos de alta expressiva, os valores de veículos novos e seminovos apresentaram variação estável no primeiro semestre, com reajustes próximos ao índice de inflação oficial.
Ao mesmo tempo, a oferta de modelos voltou a se normalizar. Problemas anteriores relacionados à falta de semicondutores e peças, que limitaram a produção e a disponibilidade em estoque, foram resolvidos, permitindo que as concessionárias voltassem a atender a demanda de forma mais rápida.
Essa combinação de fatores reflete-se diretamente no comportamento do consumidor, que adiava a troca ou a aquisição de um veículo por conta de valores elevados e condições de pagamento restritas.

Segmentos com maior crescimento

A análise por categorias mostra que veículos leves, como automóveis de passeio e utilitários compactos, foram os principais responsáveis pelo avanço, com alta de 31% no comparativo anual. Esse segmento concentra a maior parte da demanda e responde diretamente às variações no crédito e no poder de compra das famílias.
Já os veículos comerciais leves, como picapes e furgões, registraram aumento de 22%, impulsionados pela retomada gradual da atividade econômica e pela maior demanda de pequenos e médios empresários. O segmento de caminhões e ônibus também avançou, com crescimento de 18%, apoiado pela recuperação do transporte de carga e de passageiros.

Perspectivas para o segundo semestre

Para o restante do ano, a Fenabrave projeta continuidade da expansão, mas em ritmo mais moderado. O desempenho dependerá da manutenção das condições de crédito, da evolução da renda e da estabilidade dos preços.
Se as taxas de juros seguirem em trajetória de queda e a oferta de veículos permanecer equilibrada, o setor pode encerrar 2026 com crescimento acumulado de até 15% em relação ao ano anterior. O resultado seria o melhor desempenho anual desde 2019, antes das crises sanitária e de abastecimento.

Desafios seguem na agenda do setor

Apesar do cenário positivo, executivos do setor alertam para pontos de atenção. A concorrência crescente, especialmente com a entrada de modelos de origem asiática, pressiona margens de lucro e exige investimentos constantes em eficiência e atendimento.
Há também discussões em curso sobre políticas de incentivo. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já manifestou preocupação e chegou a ameaçar recorrer à Justiça caso o governo mantenha benefícios específicos para determinadas marcas, sob o argumento de que podem gerar concorrência desigual.
Além disso, a transição para veículos elétricos e híbridos segue como pauta estratégica, exigindo investimentos em infraestrutura e adaptação da rede de concessionárias para atender a novos modelos e necessidades de manutenção.

Recuperação impulsiona toda a cadeia produtiva

O crescimento nas vendas de veículos não afeta apenas as montadoras e concessionárias. Ele repercute também em toda a cadeia de suprimentos, incluindo fabricantes de autopeças, serviços de manutenção, seguros e sistemas de financiamento.
Dados da B3, por meio da plataforma Trillia, mostram que o volume de operações de crédito para veículos já vinha crescendo desde o início do ano, com alta de 11,8% em abril na comparação anual. Esse movimento confirma que o aquecimento da demanda é sustentado por uma estrutura financeira mais favorável.
Com o resultado de junho, o setor automotivo consolida sua posição como um dos principais termômetros da economia nacional, refletindo melhorias no poder de compra, na confiança do consumidor e nas condições de acesso ao crédito.

Leia também: Carro elétrico mais barato do Brasil tem venda suspensa após frete disparar e imposto ir a 35%

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