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Ação coletiva contra a XP Investimentos pede R$ 100 milhões por falhas em COEs

por João Souza - Repórter de Negócios
19/12/2025
em Negócios, Destaque, Notícias
Ação Coletiva Contra A Xp Investimentos Pede R$ 100 Milhões Por Falhas Em Coes - Gazeta Mercantil

Foto: Divulgação/XP

Ação coletiva contra a XP Investimentos pede R$ 100 milhões e expõe falhas na venda de COEs

Uma ação coletiva contra a XP Investimentos protocolada por entidades nacionais de defesa do consumidor colocou no centro do debate o modelo de comercialização de produtos financeiros complexos no Brasil. A iniciativa judicial pede uma indenização coletiva de R$ 100 milhões e sustenta que investidores foram expostos, de forma recorrente e sistemática, a riscos elevados por meio de Certificados de Operações Estruturadas (COEs) de Crédito Internacional, supostamente apresentados com informações imprecisas, incompletas ou incompatíveis com a realidade dos ativos subjacentes.

O processo, movido pelo Movimento Edy Mussoi de Defesa do Consumidor e pelo Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor, tem como alvo a XP Investimentos e o Banco XP. A ação não se limita a um episódio isolado, mas aponta um padrão de conduta que, segundo as associações, comprometeu a transparência, a adequada avaliação de risco e a própria confiança do mercado financeiro.

Entidades de defesa do consumidor levam caso ao Judiciário

A ação coletiva contra a XP Investimentos assume a forma de uma Ação Civil Pública (ACP), instrumento jurídico utilizado quando há indícios de dano coletivo ou difuso. As entidades afirmam que a medida foi necessária diante da repetição de falhas identificadas ao longo de diferentes emissões de COEs, atingindo investidores de varejo com perfis conservadores e moderados.

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Na avaliação das associações, a judicialização busca não apenas reparar danos financeiros, mas também corrigir práticas estruturais que, se mantidas, podem continuar gerando prejuízos relevantes ao mercado e aos consumidores de serviços financeiros.

O que são os COEs e por que estão no centro da disputa

Os Certificados de Operações Estruturadas são produtos financeiros complexos que combinam diferentes instrumentos, como renda fixa, derivativos e ativos internacionais. Em tese, os COEs permitem estratégias sofisticadas de investimento, mas exigem elevado grau de compreensão por parte do investidor, especialmente no que diz respeito a riscos de crédito, mercado e liquidez.

Na ação coletiva contra a XP Investimentos, o foco está nos COEs de Crédito Internacional, lastreados em títulos de dívida de empresas privadas no exterior. Segundo as entidades, esses produtos foram apresentados de maneira que minimizava ou distorcia riscos relevantes, criando uma percepção de segurança incompatível com a natureza real dos ativos.

Alegação de falhas estruturais nos documentos oficiais

Um dos pilares centrais da ação é a suposta existência de falhas recorrentes nos Documentos de Informações Essenciais (DIEs). Esses documentos são exigidos pela regulação justamente para garantir que o investidor compreenda, de forma clara, objetiva e transparente, as características do produto ofertado.

De acordo com os autores da ACP, os DIEs analisados continham erros padronizados, repetidos em diversas emissões de COEs, o que indicaria um problema estrutural e não pontual. As descrições de risco, segundo a ação, não correspondiam à natureza efetiva dos ativos subjacentes, comprometendo a tomada de decisão do investidor.

Descrições incompatíveis com o risco real dos ativos

Entre as irregularidades apontadas na ação coletiva contra a XP Investimentos está o uso de descrições que associavam os COEs a títulos soberanos, como dívida pública externa ou papéis do Tesouro, quando, na realidade, os produtos estavam vinculados a títulos de crédito corporativo privado.

Para as associações, essa forma de apresentação induz o investidor a acreditar que se trata de um investimento de baixo risco, quando, na prática, envolve exposição a empresas sujeitas a inadimplência, volatilidade de mercado e eventos de crédito adversos. Essa discrepância entre a descrição formal e o risco efetivo é tratada como um dos pontos mais graves do processo.

Caso Ambipar exemplifica perdas expressivas

O processo judicial utiliza o caso de COEs lastreados em títulos da Ambipar como exemplo emblemático das consequências dessa prática. Com a deterioração da situação financeira da empresa, os ativos sofreram forte desvalorização, resultando no vencimento antecipado dos certificados.

Como consequência, investidores receberam cerca de 7% do capital inicialmente aplicado, acumulando perdas próximas de 93%. Para as entidades autoras da ação coletiva contra a XP Investimentos, esse episódio demonstra, de forma concreta, como a falta de clareza documental pode gerar prejuízos severos ao investidor de varejo.

Problema não se limita a uma única empresa

A ACP sustenta que as falhas identificadas não se restringem aos produtos vinculados à Ambipar. Segundo a investigação apresentada, problemas semelhantes teriam sido encontrados em COEs atrelados a dívidas de diversas companhias de grande porte, como Braskem, Cosan, Minerva, FS Luxembourg, Iochpe-Maxion, Aegea e Movida.

As associações defendem que apenas uma auditoria independente será capaz de mapear a real extensão do problema, identificar todos os produtos afetados e dimensionar o impacto potencial sobre o mercado financeiro e os investidores.

Questionamentos sobre suitability e perfil do investidor

Outro eixo relevante da ação coletiva contra a XP Investimentos envolve o cumprimento das regras de suitability, que determinam que produtos financeiros devem ser compatíveis com o perfil de risco do investidor. De acordo com a petição, investidores classificados como conservadores ou moderados teriam sido direcionados a produtos de alto risco, sem a devida transparência.

Na visão das entidades, houve uma distorção na comunicação, com investimentos complexos e arriscados sendo apresentados como adequados a perfis que, em tese, deveriam priorizar segurança, preservação de capital e previsibilidade de retorno.

Omissão de informações relevantes sobre rating de crédito

A ação também aponta a suposta omissão ou subvalorização de informações essenciais, como ratings de crédito das empresas emissoras dos títulos subjacentes. No caso da Ambipar, por exemplo, a companhia possuía classificação BB-, considerada grau especulativo.

Segundo as associações, essa informação não teria sido apresentada de forma clara, destacada e proporcional à sua relevância, apesar de ser um elemento central na avaliação do risco do investimento. Para os autores da ACP, a ausência de destaque ao rating comprometeu a capacidade do investidor de compreender plenamente os riscos envolvidos.

Exposição cambial e contradições contratuais

A ação coletiva contra a XP Investimentos também levanta questionamentos sobre a exposição cambial dos COEs. Embora a capa dos documentos indicasse que determinados produtos não possuíam exposição ao dólar, cláusulas internas de perda total estariam vinculadas à variação de ativos precificados em moeda estrangeira.

Essa divergência entre a apresentação inicial e o conteúdo contratual é apontada como fator adicional de indução ao erro, especialmente para investidores de varejo que não dominam a leitura técnica de contratos financeiros complexos.

Pedidos apresentados à Justiça

Entre os principais pedidos formulados na ACP está a suspensão imediata da comercialização de novos COEs de Crédito Internacional pela XP, até que seja comprovada a correção integral dos Documentos de Informações Essenciais.

As entidades também requerem a realização de uma auditoria independente para revisar todos os COEs emitidos nos últimos 24 meses que contenham cláusulas consideradas incorretas ou enganosas. O objetivo é identificar a totalidade dos produtos afetados, corrigir as informações e assegurar maior transparência.

Possibilidade de ressarcimento individual aos investidores

Outro ponto relevante da ação coletiva contra a XP Investimentos é o pedido de declaração de nulidade dos documentos considerados viciados. Caso a Justiça acolha esse entendimento, investidores poderão ingressar com ações individuais de ressarcimento, alegando vício de consentimento.

Na prática, isso significa que o investidor poderá sustentar que tomou a decisão de investir com base em informações incompletas ou enganosas, o que comprometeu sua livre manifestação de vontade no momento da aplicação dos recursos.

Indenização coletiva de R$ 100 milhões

Além das medidas corretivas, a ACP pleiteia uma indenização coletiva de R$ 100 milhões por danos ao mercado financeiro. Segundo as associações, o valor busca compensar o prejuízo causado à confiança dos investidores e à integridade do sistema de oferta de produtos financeiros.

O montante solicitado deverá ser destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, reforçando o caráter coletivo da reparação e o objetivo de desestimular práticas semelhantes no futuro.

Posicionamento da XP Investimentos

Em resposta ao avanço da ação coletiva contra a XP Investimentos, a instituição informou que atua em conformidade com as normas regulatórias aplicáveis à oferta de produtos de investimento, incluindo os Certificados de Operações Estruturadas. A empresa declarou que irá analisar o conteúdo da ação e prestar os esclarecimentos necessários no âmbito adequado.

A XP também afirmou que seus processos de estruturação, documentação e distribuição de COEs seguem critérios rigorosos de governança, com informações disponibilizadas aos investidores no momento da oferta, e que permanece à disposição das autoridades e do Judiciário para colaborar com os esclarecimentos.

Impactos para o mercado financeiro

O caso reacende um debate sensível sobre a proteção do investidor de varejo e a transparência na oferta de produtos financeiros complexos. Especialistas avaliam que a ação coletiva contra a XP Investimentos pode provocar mudanças relevantes nas práticas de compliance, com maior rigor na elaboração de documentos e na comunicação de riscos.

Independentemente do desfecho judicial, a ação já produz efeitos reputacionais e institucionais, reforçando a necessidade de clareza, responsabilidade e alinhamento entre produto, risco e perfil do investidor, pilares essenciais para a credibilidade do mercado financeiro brasileiro.

Tags: ação coletiva contra a XP Investimentosação coletiva XPCOEs crédito internacionalindenização coletiva mercado financeiroprocesso XP InvestimentosXP Investimentos COE

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