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Reag Investimentos: O papel central da gestora na fraude bilionária do Banco Master

por Aparecida Garcia - Repórter
15/01/2026
em Business, Destaque, News
Reag Investimentos: O Papel Central Da Gestora Na Fraude Bilionária Do Banco Master - Gazeta Mercantil

Reag Investimentos no centro da tempestade: O papel da gestora na teia de fundos e fraudes do Banco Master

O mercado financeiro brasileiro amanheceu sob o impacto de uma das investigações mais complexas e profundas dos últimos anos. A deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), expôs as vísceras de um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. No epicentro deste furacão institucional não está apenas uma instituição bancária, mas uma peça-chave que operava as engrenagens do fluxo de capitais: a Reag Investimentos. A gestora de recursos, fundada por João Carlos Mansur, é apontada pelas autoridades como o motor operacional de uma “teia de fundos” que teria permitido ao Banco Master inflar balanços, simular lucros e ocultar um rombo financeiro monumental.

A compreensão do caso exige um mergulho técnico nas operações estruturadas que ligam o banco de Daniel Vorcaro à Reag Investimentos. Segundo inquéritos do Ministério Público Federal (MPF) e relatórios de supervisão do Banco Central (BC), o esquema não se tratava de meros desvios pontuais, mas de uma engenharia financeira sofisticada desenhada para criar uma realidade contábil paralela. A atuação da Reag Investimentos nesse cenário é descrita como fundamental para dar aparência de legalidade e rentabilidade a ativos que, na prática, não possuíam lastro ou liquidez real.

O Mecanismo da Fraude: O Fluxo Circular de Capitais

Para os investigadores, a relação entre o

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Banco Master e a Reag Investimentos funcionava através de um mecanismo de “fluxo circular” de dinheiro. O objetivo primário seria gerar receitas fictícias para o banco, melhorando artificialmente seus índices de Basileia e solvência perante o regulador.

O esquema operava em etapas cronometradas, muitas vezes concluídas em questão de minutos. Primeiro, o Banco Master concedia empréstimos vultosos para empresas selecionadas. Contudo, segundo a investigação, essas empresas não tinham capacidade ou intenção de quitar as parcelas. O crédito concedido gerava, no papel, uma receita de juros futuros para o banco. Onde entra a Reag Investimentos? O valor liberado pelo banco nessas operações de crédito era repassado, quase que instantaneamente, para fundos de investimento administrados pela gestora.

Esses fundos da Reag Investimentos, por sua vez, simulavam uma rentabilidade extraordinária e irreal. Ao final do ciclo, o dinheiro, que havia saído do banco como empréstimo, retornava à própria instituição financeira sob a forma de aplicações em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) ou outros instrumentos de captação. Esse “carrossel financeiro” permitia que o dinheiro nunca saísse efetivamente do controle do grupo, enquanto contabilmente gerava lucros e ativos em múltiplas pontas.

A Rentabilidade de 10 Milhões Por Cento e os Papéis “Podres”

Um dos pontos mais alarmantes levantados pela investigação do MPF e do BC envolve as taxas de retorno apresentadas por fundos sob a tutela da Reag Investimentos. Documentos apreendidos e análises técnicas apontam para uma “reavaliação indevida de ativos”, manobra contábil que permitiu aos fundos auferir rentabilidades que desafiam qualquer lógica econômica.

O inquérito destaca um caso emblemático envolvendo o Fundo D Mais, ligado à Reag Investimentos. Este fundo possuía em sua carteira papéis do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Tais ativos são conhecidos no mercado secundário como “papéis podres” ou de baixíssima liquidez e valor recuperável incerto. No entanto, dentro da estrutura gerida pela Reag Investimentos, esses ativos foram reavaliados para a cifra astronômica de R$ 10,8 bilhões.

Essa reprecificação gerou uma rentabilidade contábil de 10.502.205% (dez milhões, quinhentos e dois mil, duzentos e cinco por cento) apenas no ano de 2024. Para colocar em perspectiva a anomalia detectada nos fundos da Reag Investimentos, no mesmo período, a maior criptomoeda do mercado global valorizou cerca de 120% em dólar, e o ouro, ativo de refúgio por excelência, subiu 61,6% em reais. A disparidade gritante serviu como um dos principais alertas para a área de supervisão do Banco Central.

Operações Relâmpago: A velocidade da lavagem

A materialidade da fraude, segundo a Polícia Federal, também se evidencia na velocidade das transações. O rastreamento do caminho do dinheiro revelou que a passagem dos recursos pelas contas das empresas e pelos fundos da Reag Investimentos ocorria em tempo recorde, indicando que não havia propósito econômico real, apenas a intenção de dissimular a origem e o destino dos valores.

Um exemplo citado no inquérito envolve um empréstimo de R$ 459 milhões concedido pelo Banco Master à empresa Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias. Tão logo o crédito caiu na conta da empresa, o montante foi transferido para o Fundo Brain Cash, criado pela Reag Investimentos apenas 20 dias antes, com um patrimônio inicial irrisório de R$ 15 mil.

A permanência do dinheiro no Fundo Brain Cash durou apenas uma hora e meia. Em seguida, os R$ 450 milhões foram repassados para o Fundo D Mais, também da Reag Investimentos. Três minutos depois — um intervalo de tempo que denota automação ou coordenação prévia —, o Fundo D Mais transferiu o valor para o FIDC High Tower. Todo esse trâmite serviu para liquidar aquisições dos já citados papéis do Besc, completando o ciclo de lavagem e reavaliação de ativos dentro da estrutura da Reag Investimentos.

O Conflito com o Regulador: BC x Reag Investimentos

A tensão institucional é um capítulo à parte nesta crise. A supervisão do Banco Central já havia detectado inconsistências graves nas operações do Banco Master e de sua parceira, a Reag Investimentos. Em julho de 2024, técnicos da autoridade monetária questionaram o Master sobre a liquidez de seus fundos garantidores. A resposta do banco foi transferir a responsabilidade, afirmando que os questionamentos deveriam ser dirigidos à Reag Investimentos, administradora oficial das carteiras.

Ao ser interpelada pelo BC, a Reag Investimentos admitiu que os ativos dos fundos eram compostos majoritariamente pelos papéis do Besc. Contudo, em uma tentativa de demonstrar solidez, a gestora afirmou em correspondência oficial que garantiria uma liquidez de até R$ 1 bilhão por mês para resgates, utilizando-se de outro veículo financeiro, o fundo Gold Style.

A análise do BC, porém, desmentiu a gestora. A autoridade monetária identificou que o fundo Gold Style tampouco possuía ativos líquidos capazes de suportar tais resgates. Para o BC, a postura da Reag Investimentos e do Banco Master evidenciava “o não atendimento de preceitos para o gerenciamento do risco de crédito das operações estruturadas”, além de descumprimento flagrante da legislação bancária. Esse embate técnico foi o estopim para que as informações fossem remetidas ao Ministério Público Federal, culminando na operação policial.

João Carlos Mansur e a Conexão com Daniel Vorcaro

A figura de João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, emerge como central nas investigações. Alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, Mansur encontra-se atualmente no exterior, segundo informações de colunas políticas. Sua relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, vai além de meras parcerias comerciais institucionais; os investigadores apontam uma simbiose operacional entre as duas estruturas.

A Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a ambos os empresários, apreendendo carros de luxo, relógios de alto valor, dinheiro em espécie e até armas. A ostentação de riqueza contrasta com a fragilidade dos ativos que sustentavam as operações financeiras da Reag Investimentos e do banco.

Além das acusações de gestão fraudulenta, a situação de Mansur e da Reag Investimentos se agrava por conexões anteriores. A gestora já havia entrado na mira da Operação Carbono Oculto, deflagrada em setembro do ano passado, que apurava esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Pelo menos três fundos da Reag Investimentos — Hans 95, Reag Growth e Anna FIC — que operavam com o Master também constam na lista de investigados por supostos elos com o crime organizado, sugerindo que a “lavanderia” financeira atendia a múltiplos clientes de alto risco.

Impacto no Mercado e Defesa

O escândalo envolvendo a Reag Investimentos e o Banco Master gerou um “climão” institucional em Brasília, envolvendo o STF, a Polícia Federal e o Banco Central. Há um temor real de risco sistêmico, não pelo tamanho do banco em si, mas pela interconexão dos fundos da gestora com outras partes do mercado de capitais. A credibilidade da indústria de fundos de investimento, que depende da confiança fiduciária, sofre um abalo quando uma administradora do porte da Reag Investimentos é acusada de manipular ativos de forma tão grosseira.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro e do Banco Master nega as acusações, afirmando que a instituição passava por auditorias independentes e que colabora com as autoridades. A tese da defesa é de que as premissas da investigação não possuem sustentação técnica. Até o fechamento desta matéria, a Reag Investimentos não havia respondido aos pedidos de esclarecimento sobre as operações relâmpago e a reavaliação dos papéis do Besc. Em ocasiões anteriores, a gestora negou irregularidades, afirmando que seu nome não constava em denúncias formais — um cenário que mudou drasticamente com a deflagração da Operação Compliance Zero.

O futuro da Reag Investimentos

O desfecho do caso Reag Investimentos ainda é incerto, mas os danos reputacionais e jurídicos já são concretos. A liquidação extrajudicial da gestora é uma possibilidade que ronda as mesas de operação, enquanto o mercado tenta precificar a exposição de outros fundos aos ativos tóxicos geridos pela casa.

A investigação da Polícia Federal, municiada pelos relatórios técnicos do Banco Central, desenha um quadro de fraude corporativa clássica, onde a complexidade das estruturas de fundos foi usada para ocultar a inexistência de valor real. Para o investidor e para o regulador, o caso da Reag Investimentos serve como um alerta severo sobre a necessidade de diligência redobrada em operações estruturadas e sobre os riscos de contágio em um sistema financeiro cada vez mais interconectado. A Gazeta Mercantil continuará acompanhando os desdobramentos judiciais e administrativos deste que promete ser um dos maiores litígios financeiros da década.

Tags: Banco Master fraudeDaniel Vorcaro PFFundo Brain Cash.fundos ReagJoão Carlos Mansurlavagem de dinheiro fundosOperação Carbono Ocultooperação Compliance Zeropapéis do BescReag Investimentos

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