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Axia Energia (AXIA3;AXIA6) reverte prejuízo, lucra R$ 2,6 bilhões no 1T26, mas ações caem mais de 6%

Companhia entregou forte expansão de lucro e Ebitda no primeiro trimestre, mas papéis recuaram após resultado ligeiramente abaixo de algumas estimativas e em meio à realização do mercado

por João Souza - Repórter de Negócios
07/05/2026 às 21h13 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h56
em Empresas, Notícias
Axia Energia - Gazeta Mercantil

A Axia Energia (AXIA3; AXIA6) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com forte expansão de resultados, revertendo o prejuízo registrado um ano antes e entregando crescimento robusto de lucro, Ebitda e geração regulatória. Ainda assim, as ações da companhia tombaram mais de 6% no pregão desta quinta-feira, 7 de maio, em um movimento que chamou a atenção de investidores num momento em que parte dos analistas classificou o balanço como positivo ou até “excelente”.

A empresa reportou lucro líquido de R$ 2,631 bilhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 354 milhões apurado no mesmo período de 2025. Em base ajustada, o resultado foi ainda maior, com ganho de R$ 3,707 bilhões, ante perda de R$ 80 milhões entre janeiro e março do ano passado.

No critério regulatório ajustado, o lucro da Axia Energia (AXIA3; AXIA6) alcançou R$ 3,213 bilhões, valor quase oito vezes superior aos R$ 409 milhões registrados no primeiro trimestre do exercício anterior. O Ebitda somou R$ 7,448 bilhões, alta de 72,5% na comparação anual. Considerando ajustes, o indicador chegou a R$ 8,54 bilhões, avanço de 93,4%. Pelo critério regulatório, o Ebitda ajustado cresceu 60%, para R$ 8,6 bilhões.

Mesmo com esse conjunto de números, o mercado reagiu de forma negativa aos papéis. A leitura predominante é que o balanço foi sólido, mas veio ligeiramente abaixo de parte das projeções, o que, somado a uma sessão de maior cautela na Bolsa, ajudou a explicar a queda expressiva das ações.

Lucro e Ebitda mostram reversão forte no trimestre

Os números da Axia Energia (AXIA3; AXIA6) indicam uma inflexão importante em relação ao desempenho do primeiro trimestre de 2025. A reversão do prejuízo para um lucro bilionário foi acompanhada por avanço consistente nas diferentes métricas observadas por analistas e investidores.

O lucro líquido de R$ 2,631 bilhões, por si só, já sinaliza uma melhora relevante da rentabilidade. Em base ajustada, a companhia superou R$ 3,7 bilhões, enquanto o lucro regulatório ajustado ultrapassou R$ 3,2 bilhões.

Do lado operacional, o Ebitda também mostrou forte evolução. O avanço de 72,5% no conceito reportado e de 93,4% na métrica ajustada reforça a percepção de um trimestre robusto, com expansão da geração operacional.

A melhora do resultado foi acompanhada por crescimento de receita e por um comportamento mais favorável dos custos. Esse conjunto fortaleceu a leitura de que a companhia entregou, do ponto de vista fundamental, um trimestre positivo.

Para o investidor, esse tipo de movimento costuma ser lido como sinal de reforço da capacidade de geração de caixa e sustentação da tese de investimento. Ainda assim, em Bolsa, a reação do preço da ação nem sempre acompanha a força bruta dos números divulgados.

Analistas avaliam balanço como positivo, apesar de leve frustração

A avaliação de casas de análise sobre o trimestre da Axia Energia (AXIA3; AXIA6) foi, em geral, favorável. O Itaú BBA classificou o período como um “bom trimestre”, embora tenha destacado que o Ebitda de R$ 8,6 bilhões ficou 4% abaixo de sua estimativa, de R$ 9 bilhões.

O Santander também apontou que o resultado ajustado veio ligeiramente abaixo das projeções. Ainda assim, a instituição destacou que a diferença não altera de forma estrutural a tese de investimento da companhia.

Na avaliação de Bernardo Viero, da Suno Research, a Axia Energia (AXIA3; AXIA6) entregou um balanço “excelente”. O analista destacou a expansão da lucratividade, sustentada pelo crescimento anual de 19,7% da receita e por uma evolução mais controlada dos custos.

Segundo essa leitura, houve destaque para a queda de despesas com energia, rede, combustível e construção, além de estabilidade em pessoal, material e serviços, mesmo em um ambiente inflacionário.

Os analistas Francisco Navarrete, do Bradesco BBI, e Ricardo França, da Ágora Investimentos, também classificaram o resultado do primeiro trimestre como “muito forte” no conjunto. Essa convergência de avaliações mostra que o problema, para o mercado, não esteve na qualidade geral do balanço, mas possivelmente no descompasso entre expectativa e entrega pontual.

Por que as ações da Axia tombaram mesmo com bom balanço

A queda superior a 6% das ações da Axia Energia (AXIA3; AXIA6) ajuda a ilustrar um padrão comum de mercado: nem sempre um bom resultado garante valorização imediata do papel.

No caso da companhia, um dos fatores que ajudam a explicar a reação negativa é que o resultado veio levemente abaixo de algumas estimativas de bancos e casas de análise. Em empresas muito acompanhadas, parte das expectativas costuma estar embutida no preço da ação antes mesmo da divulgação do balanço.

Quando a entrega fica abaixo dessas projeções, ainda que por pequena margem e sem deterioração estrutural, investidores podem optar por realizar lucros ou reduzir exposição. Isso tende a ser mais forte quando o papel vinha precificado com expectativa elevada.

Outro elemento relevante é o contexto do pregão. Em sessões mais negativas para a Bolsa, especialmente quando há maior aversão a risco, papéis que divulgaram balanço ficam mais suscetíveis a movimentos de correção, mesmo com fundamentos preservados.

Também pesa o fato de que o mercado costuma olhar além do lucro líquido. Investidores observam a qualidade do resultado, a recorrência dos ganhos, o comportamento dos custos, a comparação com consenso e os desdobramentos futuros. Assim, um lucro forte pode ser relativizado se parte do mercado esperava algo ainda melhor.

No caso da Axia Energia (AXIA3; AXIA6), a leitura dominante não aponta para deterioração da tese, mas para uma combinação entre resultado bom, expectativa alta e reação de curto prazo mais dura na Bolsa.

Receita maior e custos mais contidos reforçam leitura operacional

Um dos pontos ressaltados por analistas foi a expansão da receita e a moderação de algumas linhas de custos. Segundo Bernardo Viero, a companhia se beneficiou de avanço anual de 19,7% da receita, combinado a despesas mais atenuadas em frentes relevantes.

Entre os destaques citados estão a queda em energia, rede, combustível e construção. Esses itens têm peso importante no desempenho operacional e, quando recuam ou crescem abaixo do esperado, contribuem para ampliar margens.

Além disso, houve estabilidade em despesas com pessoal, material e serviços, mesmo em um ambiente ainda pressionado por inflação. Esse dado sugere disciplina operacional e maior capacidade de controle de gastos.

Para uma companhia do setor elétrico e de infraestrutura, a combinação entre crescimento de receita e custos mais bem comportados costuma ser um dos principais motores de expansão do Ebitda. Isso ajuda a explicar por que o balanço foi considerado forte por boa parte do mercado institucional.

A reação das ações, portanto, parece menos ligada a problemas estruturais no desempenho e mais a uma resposta do mercado ao nível de expectativa que cercava a divulgação.

Sucessão de Ivan Monteiro entra no radar do mercado

Outro ponto observado no balanço foi o anúncio do início do processo de sucessão do CEO Ivan Monteiro. Segundo a companhia, ele deverá ser substituído até o término de seu mandato, em 2027, pelo atual vice-presidente de Estratégia e Desenvolvimento, Élio Woff.

A mudança foi tratada sem alarme pelos analistas. Na avaliação da Suno Research, a transição não é vista como temerária porque o executivo indicado já possui trajetória relevante no setor elétrico e dentro da própria companhia.

Em empresas listadas, mudanças na liderança sempre entram no radar dos investidores, principalmente quando envolvem companhias de grande porte e forte peso setorial. O mercado costuma avaliar se a sucessão representa continuidade ou ruptura na estratégia.

No caso da Axia Energia (AXIA3; AXIA6), a sinalização até aqui é de continuidade. A escolha de um nome que já atua em posição estratégica dentro da empresa tende a reduzir incertezas e a reforçar a percepção de transição planejada.

Ainda assim, o tema pode seguir no centro das atenções nos próximos trimestres, sobretudo se vier acompanhado de atualizações sobre governança, alocação de capital e prioridades operacionais da companhia.

Resgate de AXIA7 e distribuição de caixa reforçam atratividade

Além do balanço do trimestre, analistas destacaram uma sinalização relevante da companhia para acionistas: o resgate de ações preferenciais classe C (AXIA7) deve chegar a R$ 4 bilhões.

Segundo Bradesco BBI e Ágora Investimentos, esse movimento reforça a perspectiva de distribuição de caixa da Axia Energia (AXIA3; AXIA6) ao longo de 2026. Pelas estimativas das duas casas, a distribuição total de caixa neste ano pode alcançar cerca de R$ 12,5 bilhões.

Desse montante, aproximadamente R$ 8,5 bilhões poderiam ser pagos em dividendos em dinheiro. Para o mercado, esse tipo de perspectiva é especialmente relevante em uma empresa que já apresenta geração operacional robusta e boa capacidade de remuneração aos acionistas.

A combinação entre resultados fortes e potencial elevado de distribuição de caixa costuma ser vista como um fator de suporte para a tese de investimento. Isso reforça a percepção de que a queda das ações pode não refletir uma deterioração dos fundamentos da companhia, mas sim uma reação de curto prazo do mercado.

Queda das ações não muda leitura positiva sobre a Axia

O desempenho das ações da Axia Energia (AXIA3; AXIA6) no pregão desta quinta-feira mostrou um descolamento entre a leitura técnica do balanço e a reação imediata da Bolsa. Embora os papéis tenham recuado mais de 6%, a maior parte das avaliações de analistas seguiu apontando um trimestre forte.

A companhia entregou lucro bilionário, forte crescimento de Ebitda, expansão de receita, custos mais controlados e sinalização relevante de distribuição de caixa. Ao mesmo tempo, o mercado reagiu ao fato de que parte desses números veio ligeiramente abaixo de algumas projeções e em um ambiente menos favorável para risco.

Esse tipo de divergência é comum em períodos de balanços. O investidor de curto prazo reage ao consenso e às surpresas marginais. Já o investidor de horizonte mais longo tende a observar se houve, ou não, mudança estrutural na tese.

Até aqui, a leitura predominante é de que a Axia Energia (AXIA3; AXIA6) segue apresentando fundamentos sólidos. A correção das ações, portanto, parece mais associada ao humor do mercado e à régua de expectativa do que a qualquer sinal de fragilidade relevante no balanço.

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