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Raízen (RAIZ4) vende operação na Argentina por R$ 7,2 bilhões e mira dívida

Transação com empresas controladas pela Mercuria reforça caixa da companhia em meio à negociação de recuperação extrajudicial com credores

por João Souza
04/06/2026 às 15h50
em Empresas
Raízen (Raiz4) Ganha Prazo Até 2027 Para Tirar Ações Da Faixa Dos Centavos - Gazeta Mercantil

A Raízen (RAIZ4) anunciou a venda de suas operações de downstream na Argentina por US$ 1,42 bilhão, equivalente a cerca de R$ 7,21 bilhões na cotação atual, em mais um movimento para reforçar o caixa e reduzir o endividamento em meio ao processo de reestruturação financeira da companhia. A transação foi informada ao mercado nesta quinta-feira, 4, e envolve ativos ligados à distribuição, comercialização e logística de combustíveis no país vizinho.

A operação será realizada por meio da subsidiária Raízen Energia com a Latam Downstream Holdings e a Silver Projects I, empresas controladas pela Mercuria, grupo suíço de energia e commodities. Segundo a companhia, o valor da transação inclui pagamento em dinheiro no fechamento do negócio, sujeito a ajustes usuais, além da assunção, pelo comprador, das dívidas relacionadas à operação argentina.

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Os recursos obtidos com a venda serão direcionados à gestão da estrutura de capital da Raízen (RAIZ4), com foco na redução da alavancagem. A conclusão da transação ainda depende de aprovações regulatórias e judiciais, com expectativa de fechamento no atual ano-safra.

Venda faz parte de plano de desinvestimentos

A venda das operações na Argentina ocorre em um momento de forte pressão sobre a estrutura financeira da Raízen (RAIZ4). A companhia vem conduzindo um plano de desinvestimentos para levantar recursos, simplificar sua operação e enfrentar um passivo elevado.

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Até fevereiro de 2026, a empresa já havia levantado cerca de US$ 5 bilhões com a venda de ativos, incluindo usinas e outras operações. A transação argentina adiciona um reforço relevante ao caixa e representa mais um capítulo do esforço para reorganizar o balanço.

O negócio de downstream envolve atividades como distribuição, comercialização e logística de combustíveis. Embora seja uma área estratégica em muitos mercados, a venda indica que a Raízen (RAIZ4) busca priorizar liquidez e desalavancagem em um momento de renegociação com credores.

Para investidores, o ponto central é avaliar se os recursos obtidos serão suficientes para reduzir a pressão financeira e melhorar a percepção de risco da companhia nos próximos trimestres.

Mercuria assume ativos e dívidas na Argentina

A compradora dos ativos é ligada à Mercuria, grupo suíço com atuação global nos mercados de energia e commodities. A operação inclui ativos e participações societárias relacionados às atividades de downstream da Raízen na Argentina.

Além do pagamento em dinheiro, o comprador assumirá dívidas associadas à operação vendida. Esse componente é relevante porque reduz obrigações vinculadas ao negócio argentino e pode contribuir para a melhora da estrutura de capital da Raízen (RAIZ4).

A transação, no entanto, ainda não está concluída. O fechamento depende de aprovações regulatórias e judiciais, condição comum em operações envolvendo ativos de combustíveis, infraestrutura e distribuição.

Enquanto essas etapas não forem cumpridas, o impacto financeiro definitivo dependerá dos ajustes previstos no contrato e das condições finais de fechamento.

Raízen negocia recuperação extrajudicial com credores

A venda ocorre em paralelo às negociações da Raízen (RAIZ4) com credores para aprovação de um plano de recuperação extrajudicial. A proposta envolve cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e afeta investidores de bonds, debêntures e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs).

A companhia apresentou diferentes alternativas aos credores. No cenário considerado base, a dívida seria reestruturada por meio de uma combinação de conversão em ações e emissão de novos títulos.

Nesse modelo, 45% do valor devido seria convertido em ações da Raízen (RAIZ4), ao preço de referência de R$ 0,25 por papel. O saldo restante seria dividido entre novos instrumentos de dívida vinculados aos negócios de combustíveis e energia.

A proposta ainda depende da aprovação dos credores em assembleia marcada para 8 de junho. A adesão será decisiva para definir o ritmo da reestruturação e a capacidade da empresa de estabilizar sua situação financeira.

Credores terão alternativas no plano

Pelo plano apresentado, parte da dívida remanescente seria alocada em novos instrumentos ligados ao negócio de combustíveis, com vencimentos entre 2032 e 2034 e remuneração de CDI + 2,75% ao ano ou 8,5% ao ano em dólar.

Outra parcela seria vinculada à área de energia, com vencimentos entre 2033 e 2035 e retorno de CDI + 1,25% ao ano ou 7% ao ano em dólar.

Há ainda uma alternativa voltada principalmente ao investidor de varejo. Nesse caso, a proposta prevê pagamento à vista de 75% do valor do crédito, limitado a R$ 9.750 por investidor. A modalidade tem teto global de R$ 150 milhões, o que pode gerar rateio se a demanda superar o valor reservado.

Em todos os cenários, a renegociação implica mudanças relevantes para os credores, seja por conversão de parte da dívida em ações, seja pelo alongamento dos prazos de pagamento.

Operação pode reduzir pressão sobre a alavancagem

A venda da operação argentina tende a ser interpretada pelo mercado como uma medida de reforço de liquidez. O valor de US$ 1,42 bilhão é expressivo e pode ajudar a Raízen (RAIZ4) a avançar em sua estratégia de desalavancagem.

A companhia enfrenta um momento sensível por causa do volume de dívida e da necessidade de recompor a confiança de investidores, bancos e detentores de títulos. Nesse contexto, desinvestimentos funcionam como instrumento para gerar caixa, reduzir passivos e melhorar a previsibilidade financeira.

Ainda assim, o efeito final dependerá da execução do plano de recuperação extrajudicial. A venda de ativos ajuda, mas não substitui a necessidade de aprovação dos credores e de uma reestruturação ampla do passivo.

Para acionistas, o ponto de atenção permanece na possível diluição decorrente da conversão de dívida em ações. O preço de referência de R$ 0,25 por papel no plano base pode ter impacto relevante sobre a estrutura acionária da empresa.

Mercado acompanha assembleia de 8 de junho

O próximo marco relevante para a Raízen (RAIZ4) será a assembleia de credores marcada para 8 de junho. A votação definirá se o plano de recuperação extrajudicial terá apoio suficiente para avançar.

A venda dos ativos na Argentina pode fortalecer a posição da companhia nas negociações, ao demonstrar capacidade de gerar recursos por meio de desinvestimentos. Também pode servir como sinal de comprometimento da administração com a redução do endividamento.

Por outro lado, os credores ainda precisarão avaliar as condições propostas, os prazos alongados, a conversão em ações e o risco de execução do plano. A decisão envolverá uma comparação entre recuperação imediata parcial, exposição a novos títulos e eventual participação acionária na companhia.

A Raízen (RAIZ4) chega a esse momento tentando equilibrar preservação operacional, reforço de caixa e reestruturação de uma dívida bilionária. A venda da operação argentina é um passo importante, mas o sucesso da reorganização dependerá da combinação entre aprovação dos credores, disciplina financeira e recuperação da confiança do mercado.

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