O dólar fechou praticamente estável nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, próximo ao patamar de R$ 5, em uma sessão marcada pela melhora do humor nos mercados globais diante da expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. A moeda norte-americana à vista encerrou o dia em leve queda de 0,05%, cotada a R$ 5,0005, enquanto investidores reagiram ao recuo dos juros dos Treasuries, à virada do petróleo para o campo negativo e ao noticiário político doméstico envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.
No acumulado de 2026, o dólar passou a registrar queda de 8,90% frente ao real. No mercado futuro, o contrato de dólar para junho, o mais líquido na B3, subia 0,03% às 17h03, negociado a R$ 5,0100.
A sessão foi marcada por oscilação moderada. Pela manhã, o dólar chegou a subir em meio à cautela global com a guerra no Oriente Médio. O dólar hoje atingiu máxima de R$ 5,0260, alta de 0,46%, às 9h30. À tarde, porém, a percepção de menor risco geopolítico levou a divisa à mínima de R$ 4,9832, queda de 0,40%, às 14h20.
Rumores sobre acordo entre EUA e Irã aliviam mercados
O principal fator para a virada do câmbio foi a melhora no ambiente externo depois que circularam rumores sobre uma possível versão final de acordo entre Estados Unidos e Irã. A expectativa de avanço diplomático reduziu a aversão ao risco, pressionou o petróleo para baixo e derrubou os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.
Esse movimento favoreceu moedas emergentes, como o real. Quando os juros longos dos Estados Unidos caem, a atratividade relativa do dólar diminui, abrindo espaço para recuperação de ativos de países emergentes.
Até perto das 14h, a moeda norte-americana operava entre estabilidade e leve alta no Brasil. No exterior, o dólar também avançava contra boa parte das divisas, refletindo o temor de uma escalada no Oriente Médio.
A mudança de direção ocorreu quando os investidores passaram a considerar a possibilidade de distensão entre Washington e Teerã. O câmbio brasileiro, sensível ao cenário internacional, reagiu rapidamente ao recuo da percepção de risco.
Questão nuclear segue no centro das negociações
Apesar do alívio nos mercados, as negociações entre Estados Unidos e Irã continuam cercadas de incertezas. Um dos pontos mais sensíveis envolve o destino do estoque iraniano de urânio enriquecido.
Durante a sessão, reportagem informou que o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, teria determinado que o urânio do país, com grau de pureza próximo ao usado em armas, não fosse enviado ao exterior. A sinalização foi interpretada inicialmente como endurecimento de Teerã nas negociações.
Na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que poderia esperar alguns dias pelas “respostas certas” do Irã. A declaração manteve os mercados atentos à possibilidade de avanço ou impasse diplomático.
Mais tarde, relatos sobre um possível acordo mediado, com foco na liberdade de navegação, ajudaram a reduzir a tensão. Ainda assim, a ausência de detalhes sobre a questão nuclear manteve parte da cautela entre investidores.
Queda dos Treasuries ajuda o real
A queda dos rendimentos dos Treasuries foi decisiva para conter a força global do dólar. Juros mais baixos nos títulos norte-americanos reduzem o prêmio oferecido pelos ativos em dólar e tendem a melhorar o desempenho de moedas de países emergentes.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o alívio externo, principalmente nos juros longos americanos, ajudou a conter a força global da moeda norte-americana e permitiu ao real sustentar oscilações próximas de R$ 5,00.
O comportamento do petróleo também influenciou a sessão. Em momentos de tensão no Oriente Médio, a commodity costuma subir por causa do risco de interrupções na oferta. Com a expectativa de acordo, os preços perderam força, reduzindo parte da pressão inflacionária global.
Para o câmbio brasileiro, a combinação entre Treasuries em queda, petróleo mais fraco e dólar global sem direção firme ajudou a limitar a volatilidade. O real conseguiu se manter próximo da estabilidade, apesar dos ruídos políticos internos.
Dólar acumula queda de 8,90% no ano
Mesmo fechando praticamente em R$ 5, o dólar segue em queda expressiva contra o real em 2026. A desvalorização acumulada de 8,90% no ano reflete a combinação entre diferencial de juros ainda favorável ao Brasil, fluxo financeiro em determinados momentos e perda de força da moeda norte-americana em parte do período.
A trajetória, porém, não é linear. O câmbio brasileiro continua sujeito a mudanças rápidas no cenário internacional, especialmente em temas como juros dos Estados Unidos, petróleo, geopolítica e política monetária global.
Para empresas importadoras, um dólar mais comportado pode aliviar custos de produtos, insumos e equipamentos comprados no exterior. Para exportadores, a valorização do real pode reduzir a competitividade e pressionar receitas convertidas para moeda local.
No caso da inflação, a estabilidade do câmbio tende a reduzir pressões sobre bens importados, combustíveis e itens comercializáveis. O impacto, contudo, depende da persistência do movimento e da evolução dos preços internacionais.
Ruído político no Brasil fica no radar
No mercado doméstico, investidores também acompanharam o noticiário envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso.
Flávio Bolsonaro tem buscado explicar um pedido de dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador afirma que buscou recursos privados para o projeto e nega ter oferecido qualquer vantagem em troca.
Vorcaro está no centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, que levou a desembolsos bilionários do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A repercussão do caso passou a ser monitorada por agentes do mercado por seus possíveis efeitos políticos.
Durante a tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em evento, que “ainda vai aparecer muito mais coisa” no caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro. A declaração manteve o tema no radar dos investidores.
Mercado avalia efeito eleitoral do caso Vorcaro
Parte do mercado acompanha o caso pela possibilidade de desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A leitura de investidores é que o avanço das investigações ou novas revelações poderiam alterar o equilíbrio político da disputa eleitoral e afetar expectativas sobre o cenário econômico a partir de 2027.
Eventos políticos costumam impactar o câmbio quando modificam a percepção de risco fiscal, institucional ou eleitoral. Mudanças na probabilidade atribuída a candidaturas podem influenciar preços de ativos, especialmente em períodos de maior antecipação da disputa presidencial.
Na sessão desta quinta-feira, porém, o fator externo teve peso maior sobre a formação do dólar. A expectativa de acordo entre Estados Unidos e Irã e a queda dos juros dos Treasuries foram os principais vetores para a perda de força da moeda norte-americana à tarde.
Ainda assim, o ruído político doméstico tende a seguir no radar dos investidores nos próximos pregões. Novos desdobramentos envolvendo o caso podem afetar a percepção de risco local, sobretudo se houver impacto direto sobre a disputa eleitoral.
Banco Central faz rolagem de swaps
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho. A operação faz parte da administração regular do estoque de instrumentos cambiais e não representa, por si só, uma intervenção extraordinária no mercado.
Os swaps cambiais são usados pela autoridade monetária para oferecer proteção contra variações do dólar sem venda direta de moeda física. A rolagem desses contratos ajuda a evitar concentração de vencimentos e reduz potenciais pressões pontuais sobre o mercado.
A atuação do Banco Central foi monitorada por bancos, gestoras, empresas e investidores, mas não alterou de forma relevante a dinâmica do câmbio no dia. A moeda seguiu influenciada principalmente pelo ambiente externo.
Em sessões de maior volatilidade, a presença do Banco Central tende a ser observada com mais atenção. Nesta quinta-feira, o mercado operou sem sinais de estresse relevante de liquidez.
Índice global do dólar tem leve alta
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,06%, a 99,196, por volta das 17h09.
O avanço limitado mostrou uma sessão de ajustes, com a moeda norte-americana perdendo parte do impulso depois da melhora do humor global. O mercado ainda aguarda sinais mais concretos sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Para o real, o dólar global comportado e a queda dos juros norte-americanos ajudaram a sustentar a estabilidade. O câmbio brasileiro terminou o dia perto de R$ 5, sem romper de forma consistente para cima ou para baixo.
A moeda brasileira, no entanto, segue vulnerável a mudanças no cenário internacional. Um novo aumento da tensão no Oriente Médio, alta dos Treasuries ou deterioração do ambiente político doméstico pode recolocar pressão sobre o dólar.
Fechamento do dólar em 21/05/2026 reflete alívio externo
O fechamento do dólar em 21/05/2026, a R$ 5,0005, mostrou um mercado dividido entre cautela geopolítica e alívio externo. A moeda chegou a subir pela manhã, mas perdeu força à tarde com a expectativa de avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã.
A queda dos rendimentos dos Treasuries e o recuo do petróleo ajudaram a reduzir a pressão sobre moedas emergentes, permitindo que o real encerrasse a sessão praticamente estável. No Brasil, o noticiário político envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro permaneceu no radar, mas teve influência secundária frente ao cenário externo.
Para os próximos pregões, investidores devem acompanhar a evolução das negociações no Oriente Médio, o comportamento do petróleo, a trajetória dos juros norte-americanos e novos desdobramentos políticos no Brasil. Esses fatores serão decisivos para indicar se o dólar seguirá próximo de R$ 5 ou voltará a testar patamares mais altos.








