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Galípolo, Boletim Focus e confiança do consumidor abrem semana decisiva para os mercados

Investidores monitoram relatório do Banco Central, dados da FGV, bloqueio de R$ 23,7 bilhões no Orçamento e tensão entre EUA e Irã.

por Antônio Lima - Repórter de Economia
25/05/2026 às 10h36
em Mercados, Notícias
Boletim Focus - Taxa Selic - Gazeta Mercantil

A última semana de maio começa com uma agenda econômica mais enxuta nesta segunda-feira, 25 de maio, mas com temas relevantes para investidores. No Brasil, o mercado acompanha a divulgação da confiança do consumidor pela Fundação Getulio Vargas (FGV), uma nova edição do Boletim Focus e a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A leitura dos indicadores ocorre em um momento de cautela para os ativos brasileiros. O Ibovespa vem de queda, o dólar segue sensível ao exterior e os juros futuros continuam pressionados por dúvidas sobre inflação, contas públicas e cenário internacional. Ao longo da semana, a agenda ganhará força com a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, do IPCA-15 de maio, da PNAD e do Caged.

No exterior, os investidores seguem atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã, ao comportamento do petróleo e aos primeiros sinais do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Qualquer mudança no cenário geopolítico pode afetar commodities, inflação global, dólar e apetite por risco.

Focus e confiança do consumidor concentram atenção

O primeiro dado relevante da manhã será a confiança do consumidor, com números de maio. O indicador ajuda a medir a disposição das famílias para consumir, contratar crédito e realizar compras de maior valor.

Em um ambiente de juros elevados e orçamento doméstico pressionado, a confiança do consumidor é acompanhada de perto por economistas e investidores. Uma melhora pode indicar maior fôlego para varejo e serviços. Já uma queda reforça cautela sobre a atividade econômica nos próximos meses.

Na sequência, o Banco Central divulga o Boletim Focus, relatório semanal que reúne as projeções do mercado para inflação, Selic, dólar e crescimento do PIB.

O Focus ganhou peso adicional nas últimas semanas por causa da pressão sobre a inflação e da piora do cenário fiscal. O mercado observará se as expectativas para o IPCA continuam subindo e se as projeções para a Selic indicam juros elevados por mais tempo.

Galípolo apresenta relatório do Banco Central

Às 11h, Gabriel Galípolo apresenta o Relatório de Estabilidade Financeira, ao lado de Ailton de Aquino e Paulo Picchetti. O documento traz a avaliação do Banco Central sobre riscos ao sistema financeiro, crédito, liquidez, inadimplência, capitalização dos bancos e ambiente macroeconômico.

A apresentação será acompanhada com atenção porque ocorre em um momento de maior sensibilidade sobre crédito, endividamento das famílias, inadimplência e custo do dinheiro.

Investidores também devem observar eventuais comentários sobre inflação, câmbio, cenário fiscal e efeitos do ambiente externo sobre o sistema financeiro brasileiro.

Embora o relatório não seja uma decisão de política monetária, a avaliação do Banco Central pode influenciar a leitura do mercado sobre os riscos para a economia e sobre o espaço para futuros movimentos da taxa Selic.

Lula e Durigan também estão na agenda

A agenda de autoridades começa às 9h, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Fórum de Reitores Brasil-África.

Às 10h30, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa do lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil. Mais tarde, às 17h, Durigan concede entrevista ao Valor Econômico.

As falas de integrantes do governo serão monitoradas por investidores em busca de sinais sobre política fiscal, bloqueio de despesas, arrecadação, investimentos e agenda econômica.

A atenção ao Ministério da Fazenda aumentou após o governo anunciar novo bloqueio de verbas para cumprir as regras fiscais.

Bloqueio de R$ 23,7 bilhões pesa no cenário fiscal

Na sexta-feira, o governo Lula informou que precisará ampliar de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de verbas orçamentárias dos ministérios.

A medida foi adotada para cumprir o limite de despesas do ano, diante da pressão provocada pelo aumento de gastos obrigatórios. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o bloqueio representa um sinal de compromisso da equipe econômica com as regras fiscais.

Para o mercado, o tamanho do bloqueio é relevante porque indica o grau de aperto necessário para manter o arcabouço fiscal. A dúvida agora é como a contenção será distribuída entre ministérios e quais áreas sofrerão maior impacto.

O tema deve seguir no radar dos investidores ao longo da semana, especialmente por seus efeitos sobre juros futuros, câmbio, execução de investimentos públicos e percepção de risco fiscal.

Semana terá PIB, IPCA-15, PNAD e Caged

Apesar da agenda mais leve desta segunda-feira, os próximos dias terão indicadores importantes.

O IBGE divulgará o PIB do primeiro trimestre de 2026. A expectativa é de crescimento após dois trimestres de queda, o que pode indicar recuperação parcial da atividade econômica no início do ano.

O mercado também acompanhará o IPCA-15 de maio, considerado a prévia da inflação oficial. O dado será importante para avaliar o comportamento de combustíveis, alimentos, serviços e bens industriais.

A agenda ainda inclui PNAD e Caged, indicadores que ajudam a medir desemprego, geração de vagas, renda e formalização no mercado de trabalho.

A combinação desses dados será decisiva para calibrar expectativas sobre crescimento, inflação e juros.

Congresso mantém PECs no radar

No campo político, o Congresso deve seguir concentrado em duas propostas de emenda constitucional de grande repercussão.

Na Câmara, a atenção está na PEC 221/2019, que trata da escala de trabalho 6×1. A proposta tem impacto potencial sobre empresas e trabalhadores, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como comércio, serviços, alimentação, saúde e segurança.

No Senado, segue em discussão a PEC 65/2023, que prevê autonomia financeira e orçamentária para o Banco Central.

O tema interessa diretamente ao mercado financeiro por envolver a estrutura institucional da autoridade monetária e sua capacidade de atuação com maior independência administrativa.

As duas propostas podem influenciar a percepção de risco político e regulatório ao longo da semana.

Ibovespa tenta reagir após queda

O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, após dois pregões de alívio. O principal índice da B3 recuou 0,81%, aos 176.209,61 pontos.

O movimento ampliou a correção negativa desde que o índice ultrapassou os 199 mil pontos em abril e marcou a maior sequência de perdas semanais desde 2018.

A Bolsa brasileira tem sido pressionada por uma combinação de fatores: juros elevados, dúvidas fiscais, realização de lucros, volatilidade das commodities e cautela com o exterior.

Nesta segunda-feira, o mercado deve reagir ao Focus, à confiança do consumidor, às falas de autoridades e à evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã.

Ações de maior peso, como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e bancos, devem continuar influenciando a direção do índice.

EUA e Irã seguem no centro das atenções

No exterior, o principal foco segue sendo a negociação entre Estados Unidos e Irã. Autoridades iranianas sinalizaram mudança de tom menos de 24 horas depois de Donald Trump afirmar que um acordo estava “em grande parte negociado”.

Segundo informações atribuídas à Al Jazeera, uma fonte iraniana indicou sinais de recuo americano em pontos centrais das conversas, como o mecanismo para descongelamento de ativos iranianos e o escopo do cessar-fogo no Líbano.

Diante disso, Teerã teria comunicado a mediadores que não aceitará assinar o acordo nos termos atuais.

A incerteza mantém o petróleo, o dólar e os ativos de risco sob pressão. Um acordo poderia reduzir o risco geopolítico e aliviar preços de energia. Um impasse, por outro lado, pode reacender temores de escalada militar e interrupção de rotas estratégicas.

Petróleo pode influenciar inflação e juros

A tensão no Oriente Médio mantém o petróleo como um dos principais vetores de mercado. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, segue no centro das discussões.

O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que um acordo entre Estados Unidos e Irã poderia reabrir o Estreito de Ormuz e provocar queda nos preços de energia.

Segundo ele, uma redução do petróleo poderia aliviar a inflação e abrir espaço para o Federal Reserve reduzir juros.

Para os mercados, esse ponto é decisivo. Petróleo mais caro pressiona combustíveis, fretes, inflação e expectativas de juros. Petróleo em queda tende a aliviar parte desse quadro e favorecer ativos de risco.

Kevin Warsh assume o Fed em momento delicado

Kevin Warsh tomou posse como presidente do Federal Reserve em um momento sensível para a economia americana. A alta dos preços de energia, a inflação ainda resistente e a confiança do consumidor pressionada criam um desafio para a política monetária dos Estados Unidos.

Em seu discurso de posse, Warsh afirmou que seguirá uma agenda orientada para reformas no banco central americano.

O mercado acompanhará de perto se o novo comando do Fed manterá postura dura contra a inflação ou se abrirá espaço para cortes de juros caso os preços de energia recuem e os dados econômicos permitam.

A política monetária dos Estados Unidos tem impacto direto sobre mercados emergentes. Juros americanos elevados fortalecem o dólar e reduzem o apetite por ativos de risco. Uma sinalização mais branda pode favorecer moedas emergentes, bolsas e commodities.

BNDES vende participação em Petrobras e Axia

No noticiário corporativo, o BNDES iniciou em maio um processo de venda de parte de sua participação societária na Petrobras (PETR4) e na Axia Energia, antiga Eletrobras.

Segundo informações atribuídas a fontes próximas às negociações, a BNDESPar vendeu neste mês cerca de R$ 3 bilhões em ações da Petrobras (PETR4) e mais de R$ 500 milhões em papéis da Axia.

O movimento será acompanhado pelo mercado por envolver empresas de grande peso na Bolsa. A venda de participações pode influenciar fluxo, liquidez e percepção sobre a estratégia de desinvestimento do banco de fomento.

Agenda desta segunda-feira

Brasil

08h00 — Confiança do Consumidor FGV
Período: maio

08h25 — Boletim Focus
Período: semanal

09h00 — Lula participa da abertura do Fórum de Reitores Brasil-África

10h30 — Dario Durigan participa do lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil

11h00 — Gabriel Galípolo apresenta o Relatório de Estabilidade Financeira

17h00 — Dario Durigan concede entrevista ao Valor Econômico

Mercado começa semana em compasso de espera

A segunda-feira começa com poucos indicadores, mas com temas capazes de influenciar o humor dos investidores. Focus, confiança do consumidor, fala de Galípolo, bloqueio fiscal e tensão no Oriente Médio compõem o quadro inicial da semana.

Nos próximos dias, PIB, IPCA-15, PNAD e Caged devem oferecer uma leitura mais completa sobre atividade, inflação e mercado de trabalho.

Para o Ibovespa, o desafio será interromper a sequência de perdas semanais. Para dólar e juros, o foco estará na combinação entre risco fiscal, inflação, petróleo e política monetária americana.

O mercado entra na semana em compasso de espera, atento a sinais que possam indicar se a correção recente dos ativos brasileiros continuará ou se haverá espaço para recuperação.

Tags: Banco CentralBoletim FocusBrasilCagedconfiança do consumidorDario DuriganEUAFederal ReserveGabriel GalípoloIbovespaIPCA-15iráKevin WarshLulaMercado FinanceiromercadosOriente Médio.PetrobrasPetrobras PETR4PIBPnadValeVale (VALE3)

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