A eleição presidencial de 2026 começou oficialmente com 13 pedidos de candidatura, mas a multiplicidade de nomes na disputa ainda não se traduziu em fragmentação significativa das intenções de voto. A primeira fotografia da campanha aberta mostra uma corrida fortemente concentrada no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e no senador Flávio Bolsonaro (PL), que juntos reúnem 77% das preferências no principal cenário da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 17 de agosto.
Lula aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 36%. A diferença entre os dois é de cinco pontos percentuais. Bem atrás aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), também com 4%. Samara Martins (UP) e Augusto Cury (Avante) têm 1% cada.
O dado revela uma característica central da eleição neste início de campanha: embora o eleitor tenha 13 pedidos de candidatura presidencial apresentados à Justiça Eleitoral, os dois primeiros colocados concentram quase oito de cada dez intenções de voto registradas pela pesquisa.
A concentração fica ainda mais evidente quando os três adversários imediatamente seguintes são reunidos. Caiado, Renan Santos e Zema somam 13%, contra 77% de Lula e Flávio. Isso significa que, na fotografia atual da BTG/Nexus, os dois líderes possuem juntos quase seis vezes o percentual combinado dos três concorrentes mais próximos.
Voto em Lula e Flávio Bolsonaro também aparece mais consolidado
Outro dado da pesquisa aumenta a importância dessa concentração. Entre os entrevistados que já escolheram algum candidato no primeiro turno, 78% afirmam que a decisão está tomada e não deverá mudar até a eleição. Outros 20% admitem que ainda podem trocar de candidato.
A estabilidade é ainda maior justamente entre os dois líderes. Entre os eleitores que hoje declaram voto em Lula, 86% dizem que a escolha está definida. No eleitorado de Flávio Bolsonaro, o índice é de 82%.
Os números indicam que a polarização não aparece apenas no tamanho atual das duas candidaturas, mas também no grau de fidelidade de suas bases. Isso tende a elevar o custo político para candidatos que tentam construir uma terceira alternativa competitiva: além de conquistar eleitores ainda indefinidos, eles precisam retirar votos de grupos que já demonstram alto nível de convicção.
A pesquisa ouviu 2.003 eleitores nas 27 unidades da Federação entre os dias 14 e 16 de agosto. As entrevistas foram realizadas por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-03317/2026.
Eleições 2026 têm 13 pedidos de candidatura à Presidência
O sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais da Justiça Eleitoral registra 13 pedidos para o cargo de presidente da República nas eleições de 2026.
Os nomes apresentados, com os respectivos números partidários para a disputa presidencial, são:
- 13 — Lula (PT)
- 14 — Renan Santos (Missão)
- 16 — Hertz Dias (PSTU)
- 21 — Edmilson Costa (PCB)
- 22 — Flávio Bolsonaro (PL)
- 27 — Clariana Barão (DC)
- 28 — Pablo Marçal (PRTB)
- 29 — Rui Costa Pimenta (PCO)
- 30 — Romeu Zema (Novo)
- 35 — Wilson Grassi (Democrata)
- 55 — Ronaldo Caiado (PSD)
- 70 — Augusto Cury (Avante)
- 80 — Samara Martins (UP)
A apresentação do pedido de registro, porém, não significa que a candidatura esteja definitivamente deferida. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral analisar os pedidos referentes à Presidência e à Vice-Presidência da República e verificar o cumprimento das condições de elegibilidade e a eventual existência de causas de inelegibilidade.
Essa distinção ganha relevância especialmente no caso de Pablo Marçal. O empresário teve o pedido apresentado pelo PRTB, mas sua situação jurídica ainda depende da Justiça Eleitoral. Marçal acumula decisões no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo que declararam sua inelegibilidade em processos relacionados à eleição municipal de 2024 e busca reverter ou suspender os efeitos dessas decisões.
Disputa de 2026 começa polarizada apesar do número de candidatos
A presença de 13 nomes cria uma oferta eleitoral numericamente ampla, mas os dados disponíveis até agora indicam uma competição essencialmente concentrada entre PT e PL.
No levantamento BTG/Nexus, Lula e Flávio também monopolizam a simulação mais competitiva de segundo turno. O presidente registra 47%, enquanto o senador aparece com 44%. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro da pesquisa.
Somados, os dois alcançam 91% das respostas nessa simulação direta. O percentual reforça o nível de cristalização de uma disputa que ainda está no começo de sua fase oficialmente eleitoral.
A campanha começou em 16 de agosto, quando a legislação passou a permitir pedidos explícitos de voto e propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Até então, pré-candidatos estavam submetidos às regras da pré-campanha, que impediam o pedido explícito de voto.
A mudança de fase importa porque inaugura o período em que campanhas podem intensificar a exposição dos candidatos, realizar comícios, promover atos eleitorais e utilizar mecanismos autorizados de propaganda e impulsionamento na internet.
Caiado, Zema e Renan disputam espaço fora dos dois polos
A principal incógnita das próximas semanas será a capacidade dos demais candidatos de alterar a atual distribuição do eleitorado.
Ronaldo Caiado aparece em terceiro lugar na BTG/Nexus, com 5%. Renan Santos e Romeu Zema registram 4% cada. As três candidaturas disputam, por caminhos diferentes, parte do eleitorado contrário ao governo Lula que não está necessariamente integrado ao núcleo bolsonarista.
O problema matemático é significativo. Mesmo somados, os três chegam a 13% na pesquisa, percentual muito inferior aos 36% obtidos isoladamente por Flávio Bolsonaro.
Para que a configuração mude de maneira relevante, um ou mais candidatos desse bloco precisarão crescer durante a campanha, aumentar seu conhecimento nacional e convencer eleitores atualmente inclinados aos líderes a reconsiderar suas escolhas.
O horário eleitoral gratuito poderá representar um dos primeiros testes dessa capacidade. A propaganda no rádio e na televisão do primeiro turno começa em 28 de agosto e segue até 1º de outubro. Embora as redes sociais tenham adquirido papel crescente nas campanhas brasileiras, a televisão continua oferecendo exposição nacional simultânea, especialmente relevante para candidatos ainda pouco conhecidos fora de seus estados ou segmentos políticos.
Campanha começa com eleitor mais decidido
O nível de consolidação registrado pela BTG/Nexus adiciona outra variável à corrida presidencial. O percentual de 78% de eleitores com escolha declarada e considerada definitiva é o maior da série do instituto até esta rodada. Na pesquisa anterior, o índice estava em 74%.
O avanço de quatro pontos percentuais ocorreu antes mesmo de a campanha completar seus primeiros dias oficiais.
Entre os grupos classificados pelo levantamento como lulistas convictos, 87% afirmam que a decisão de voto está tomada. Entre bolsonaristas convictos, a proporção chega a 88%.
Esses dados ajudam a explicar por que pequenas oscilações entre Lula e Flávio Bolsonaro podem coexistir com estabilidade estrutural da corrida. Há movimentação dentro das margens, mas os dois principais campos políticos começam a campanha com bases grandes e relativamente resistentes.
Primeiro turno será em 4 de outubro
O calendário eleitoral estabelece o primeiro turno das eleições para 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato à Presidência obtenha mais da metade dos votos válidos, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Até lá, a corrida atravessará etapas capazes de modificar o atual cenário, entre elas o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, debates, apresentação detalhada dos programas de governo, decisões judiciais sobre registros de candidatura e as primeiras prestações parciais de contas das campanhas.
O prazo para registro das candidaturas terminou às 19h de 15 de agosto. Desde o dia seguinte, candidatos podem pedir votos e realizar propaganda eleitoral nas ruas e na internet.
Os números atuais, portanto, representam o ponto de partida de uma campanha de aproximadamente sete semanas até o primeiro turno — e não uma projeção do resultado final.
A largada, contudo, é clara: 13 nomes foram apresentados para disputar o Palácio do Planalto, mas Lula e Flávio Bolsonaro começam a campanha concentrando 77% das intenções de voto no levantamento mais recente da BTG/Nexus. Mais importante para os adversários, as bases dos dois líderes também aparecem entre as mais resistentes à mudança.
Se esse quadro permanecer nas próximas rodadas ou se a campanha abrir espaço para uma terceira candidatura competitiva será uma das principais questões da eleição presidencial de 2026.
Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral — sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais, calendário e normas das Eleições Gerais de 2026.
Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — 10ª rodada da Pesquisa BTG/Nexus de intenção de voto para presidente da República, divulgada em 17 de agosto de 2026.







