O dólar hoje voltou a ganhar força frente ao real nesta terça-feira (26) e encerrou o pregão acima de R$ 5,02, refletindo a cautela dos investidores diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,0272, com avanço de 0,16%, após novos ataques militares dos EUA reduzirem as expectativas de um acordo diplomático entre os dois países.
A valorização interrompeu parte do movimento de queda observado nas últimas sessões e acompanhou o fortalecimento global do dólar, que avançou frente a moedas importantes como euro, libra esterlina e iene. O mercado reagiu ao aumento das incertezas geopolíticas em uma região considerada estratégica para a produção e distribuição mundial de petróleo.
No mercado futuro brasileiro, o contrato de dólar para junho — o mais negociado da B3 — encerrou o dia em alta de 0,38%, negociado a R$ 5,0355.
Novos ataques reacendem preocupação com conflito no Oriente Médio
O principal catalisador para a valorização da moeda norte-americana foi a deterioração do ambiente geopolítico após novos ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos localizados no sul do Irã durante a madrugada.
O episódio reduziu o otimismo que havia tomado conta dos mercados no início da semana, quando investidores apostavam em avanços nas negociações entre Washington e Teerã.
As dúvidas aumentaram depois que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que um possível acordo ainda pode levar dias para ser concluído. Em resposta, o governo iraniano acusou os Estados Unidos de descumprirem o cessar-fogo, ampliando as incertezas sobre uma solução diplomática de curto prazo.
A repercussão foi imediata nos mercados globais. O petróleo Brent voltou a subir, enquanto investidores reforçaram posições em ativos considerados mais seguros, movimento que tradicionalmente beneficia a moeda norte-americana.
Dólar ganha força no exterior, mas mercado evita pânico
Apesar do aumento das tensões internacionais, os principais indicadores financeiros globais não apontaram um movimento intenso de fuga de risco.
Segundo analistas, métricas como os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas norte-americanas e o índice global do dólar continuam demonstrando relativa estabilidade.
Para Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, o episódio eleva o nível de cautela dos investidores, mas ainda não caracteriza uma deterioração relevante das condições financeiras globais.
A avaliação predominante é que os próximos desdobramentos diplomáticos serão determinantes para definir o comportamento dos mercados nos próximos dias.
Enquanto isso, gestores seguem monitorando os impactos potenciais sobre os preços da energia, a inflação global e as perspectivas para a política monetária das principais economias do mundo.
Ruídos políticos no Brasil também pesam sobre o real
Além dos fatores externos, o mercado brasileiro enfrentou pressões domésticas que limitaram o desempenho da moeda nacional.
Investidores continuam atentos ao cenário político e eleitoral, além da redução do fluxo de recursos estrangeiros direcionados ao mercado local. A combinação desses fatores tem aumentado a sensibilidade dos ativos brasileiros a episódios de volatilidade internacional.
Segundo Bruno Shahini, especialista da Nomad, parte dos investidores já percebe uma desaceleração mais estrutural da entrada de capital estrangeiro no país, fenômeno que reduz o suporte para a valorização do real.
Na avaliação do mercado, a ausência de gatilhos positivos relevantes e o aumento dos prêmios de risco domésticos deixam o câmbio mais vulnerável a oscilações provocadas pelo ambiente externo.
Déficit externo acima do esperado entra no radar
Outro tema acompanhado pelos investidores nesta terça-feira foi a divulgação dos dados do setor externo brasileiro pelo Banco Central.
O país registrou déficit em transações correntes de US$ 1,765 bilhão em abril, resultado acima das expectativas do mercado. Economistas consultados anteriormente projetavam um saldo negativo significativamente menor.
Por outro lado, o Investimento Direto no País (IDP) alcançou US$ 8,912 bilhões no período, superando as projeções e mais do que compensando o déficit observado nas contas externas.
Para analistas, o forte ingresso de investimentos produtivos continua sendo um dos principais fatores de sustentação para a moeda brasileira no médio e longo prazo, ajudando a conter movimentos mais intensos de desvalorização cambial.
Como ficou a cotação do dólar hoje
O dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira com os seguintes valores:
- Compra: R$ 5,027
- Venda: R$ 5,027
- Fechamento: R$ 5,0272
- Variação diária: +0,16%
Mesmo com a alta registrada no dia, a moeda norte-americana ainda acumula desvalorização de 8,41% frente ao real em 2026, refletindo o forte desempenho da divisa brasileira ao longo dos primeiros meses do ano.
A atenção dos investidores permanece voltada para a evolução das tensões no Oriente Médio, para os indicadores econômicos dos Estados Unidos e para o comportamento do fluxo de capital estrangeiro no Brasil, fatores que devem continuar influenciando o mercado cambial nas próximas sessões.









