O mercado de carros usados voltou a registrar alta de preços em maio, mas em ritmo moderado. O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil, avançou 0,43% no mês, após alta de 0,27% em abril. No acumulado em 12 meses, a valorização chegou a 6,94%.
Apesar da aceleração frente ao mês anterior, o resultado de maio ficou abaixo da média do trimestre, de 0,72%, indicando um mercado ainda sustentado pela demanda, mas com sinais de maior equilíbrio na formação de preços.
Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o comportamento do índice está dentro do padrão esperado para o setor. Segundo ele, o resultado mostra que não houve perda de ritmo, mas sim uma oscilação compatível com um ambiente em que o consumo segue resiliente e começa a responder de forma mais sensível às condições financeiras.
Mercado mostra demanda resiliente, mas seletiva
A alta de 0,43% em maio reforça que os preços dos carros usados continuam em trajetória positiva, embora sem a mesma intensidade observada em períodos de maior pressão de demanda.
O movimento sugere que consumidores ainda buscam veículos seminovos e usados, mas com maior atenção a preço, financiamento, renda disponível e custo total de aquisição. Em um cenário de juros ainda elevados, a decisão de compra tende a ser mais seletiva.
Segundo Jamil Ganan, vice-presidente de varejo do BV, o desempenho de maio aponta para uma dinâmica mais equilibrada na formação dos preços. Para ele, o mercado segue sustentado por uma demanda relevante, mas apresenta sinais de acomodação.
Esse comportamento é importante para o setor automotivo porque indica menor pressão especulativa nos preços. Em vez de uma escalada acelerada, o mercado passa a operar com ajustes mais graduais.
Alta em 12 meses chega a 6,94%
No acumulado em 12 meses, o IBV Auto registra alta de 6,94%. O dado mostra que, apesar da moderação mensal, os preços dos carros usados ainda acumulam valorização relevante em um horizonte anual.
Essa alta reflete uma combinação de fatores. Entre eles estão o custo dos veículos novos, as condições de crédito, a renda das famílias, a oferta de seminovos e a preferência de consumidores por opções mais acessíveis em relação aos modelos zero-quilômetro.
O mercado de usados também costuma reagir ao comportamento do setor de veículos novos. Quando os preços dos carros novos sobem ou o financiamento fica mais caro, parte dos consumidores migra para modelos usados, sustentando a demanda nesse segmento.
Ao mesmo tempo, juros altos limitam o poder de compra, especialmente para consumidores que dependem de financiamento. Esse equilíbrio entre demanda e restrição financeira ajuda a explicar a alta moderada registrada em maio.
Centro-Oeste lidera alta regional em maio
No recorte regional, o Centro-Oeste registrou a maior variação de preços em maio, com alta de 0,99%. O destaque foi Mato Grosso do Sul, que teve a maior taxa entre os estados, com avanço de 1,19%.
O resultado indica maior pressão regional sobre os preços de veículos usados, possivelmente associada à dinâmica local de renda, crédito, oferta de veículos e demanda por automóveis em mercados menos atendidos pelo transporte público.
Na direção contrária, a região Norte apresentou queda de 0,23% em maio, devolvendo parte da forte valorização observada em abril. Cinco dos sete estados nortistas tiveram deflação no mês.
Amapá e Tocantins registraram as maiores baixas, ambas de 0,41%. O movimento mostra que o mercado de usados não se comporta de forma homogênea no país e pode variar conforme condições locais.
Rio de Janeiro lidera alta em 12 meses
No acumulado de 12 meses até maio, o Rio de Janeiro liderou a alta dos preços de carros usados, com avanço de 7,84%. Em seguida aparecem Paraná, com 7,42%, e Minas Gerais, com 7,29%.
Na outra ponta, Espírito Santo, Mato Grosso e Santa Catarina apresentaram variações mais moderadas. O Espírito Santo acumulou alta de 4,91%, Mato Grosso avançou 5,05% e Santa Catarina registrou valorização de 5,27%.
Essas diferenças regionais refletem a combinação entre oferta, demanda, perfil de frota, renda local, custo de financiamento e dinâmica do mercado automotivo em cada estado.
Para consumidores, o dado reforça a importância de comparar preços regionalmente antes de fechar negócio. Em alguns casos, a diferença entre estados pode abrir oportunidades de compra ou revenda.
Crédito segue como fator decisivo
O comportamento dos preços dos carros usados continua diretamente ligado às condições de crédito. Como grande parte das compras de veículos envolve financiamento, juros elevados tornam as parcelas mais caras e reduzem a capacidade de pagamento das famílias.
Esse fator tende a moderar a demanda, especialmente entre consumidores de renda média e baixa. Mesmo quando há interesse de compra, o custo financeiro pode adiar a decisão ou levar o comprador a buscar modelos mais baratos.
Para lojistas e concessionárias, o cenário exige maior atenção à precificação, ao estoque e às condições oferecidas ao consumidor. Um mercado mais seletivo favorece veículos com boa liquidez, histórico de manutenção adequado e preços competitivos.
A alta moderada do IBV Auto em maio sinaliza que os preços ainda sobem, mas em um ritmo mais compatível com um ambiente de crédito restritivo.
Setor automotivo segue aquecido, mas com acomodação
O mercado de carros usados permanece relevante para a economia brasileira. O segmento movimenta lojistas, concessionárias, financeiras, seguradoras, oficinas, plataformas digitais e consumidores que buscam alternativas ao carro novo.
A valorização de 6,94% em 12 meses mostra que os usados seguem firmes, mas o avanço de 0,43% em maio indica um ritmo mais controlado. O mercado não perdeu tração, mas começa a mostrar maior equilíbrio entre oferta e demanda.
Para os próximos meses, a trajetória dos preços dependerá principalmente dos juros, da renda das famílias, da disponibilidade de crédito e do comportamento das vendas de veículos novos.
Se o crédito continuar caro, a tendência é de maior seletividade. Se houver melhora nas condições financeiras, o mercado pode ganhar novo impulso. Por enquanto, o IBV Auto mostra um setor resiliente, mas já mais sensível ao bolso do consumidor.










