O Bitcoin (BTC) acelerou as perdas nesta sexta-feira, 5, e chegou a cair abaixo de US$ 60 mil, menor patamar desde meados de setembro de 2024, após a divulgação de dados fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O movimento aumentou a pressão sobre ativos de risco e reacendeu o alerta sobre a sustentação do ciclo de alta das criptomoedas, em um momento de saída de recursos de fundos negociados em Bolsa e maior competição por capital com ações de tecnologia e inteligência artificial.
O gatilho mais recente para a queda foi o payroll de maio nos Estados Unidos, que mostrou a criação de 172 mil vagas de emprego, acima do consenso de mercado, estimado entre 80 mil e 85 mil postos. O dado reforçou a leitura de que a economia norte-americana segue resiliente, reduzindo a probabilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve nas próximas reuniões.
Em um ambiente de juros altos por mais tempo, ativos sem geração de caixa, como criptomoedas, tendem a sofrer mais. O Ethereum (ETH), segunda maior criptomoeda do mundo, teve queda ainda mais intensa e chegou a recuar mais de 10% no dia, para US$ 1.590. Em sete dias, o Bitcoin (BTC) acumula baixa de 17%, enquanto o Ether perde 21%.
Payroll forte reduz apostas em corte de juros
O mercado cripto reagiu negativamente ao payroll porque os dados de emprego alteram a percepção sobre a política monetária dos Estados Unidos. Quando o mercado de trabalho segue aquecido, o Fed tende a ter menos urgência para cortar juros, especialmente se ainda houver preocupação com inflação.
Juros mais altos aumentam a atratividade dos títulos norte-americanos e reduzem o apetite por ativos de maior risco. Esse efeito costuma atingir ações de crescimento, empresas de tecnologia mais voláteis e criptomoedas.
No caso do Bitcoin (BTC), a perda do patamar de US$ 60 mil tem peso simbólico e técnico. O nível vinha sendo observado como suporte importante para a manutenção do ciclo de alta. A queda abaixo dessa faixa pode ampliar a cautela de investidores e acelerar movimentos de venda, especialmente entre fundos e operadores de curto prazo.
A próxima reunião do Fed, marcada para os dias 16 e 17 de junho, passa a ser o principal evento no radar. O mercado deve acompanhar não apenas a decisão de juros, mas também o tom da comunicação do banco central norte-americano.
Bitcoin tem pior sequência desde agosto de 2025
O Bitcoin (BTC) acumula sua mais longa sequência de perdas desde agosto de 2025. O movimento começou na segunda-feira, 2, depois que a Strategy divulgou a venda de uma pequena quantidade de Bitcoins pela primeira vez desde 2022.
Embora o volume vendido pela companhia tenha sido limitado, o anúncio teve forte efeito psicológico. A Strategy se tornou uma das empresas mais associadas à tese corporativa de acumulação de Bitcoin. Por isso, qualquer venda, ainda que pequena, foi interpretada como sinal de mudança de postura ou necessidade de liquidez.
Desde então, o mercado também vem sendo pressionado pela saída contínua de recursos dos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos. Esses fundos haviam sido um dos principais motores da valorização da criptomoeda em ciclos recentes, ao facilitar a entrada de investidores institucionais no mercado.
Com resgates nos ETFs e queda no preço à vista, o fluxo passou a operar contra a sustentação do Bitcoin (BTC).
Cripto perde espaço para ações de IA
Outro ponto de pressão é a divergência entre o mercado cripto e as bolsas norte-americanas. Enquanto Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) recuam com força, índices como S&P 500 e Nasdaq seguem sustentados pela euforia com inteligência artificial e grandes empresas de tecnologia.
Esse descolamento preocupa analistas porque sugere que o capital global está preferindo setores de crescimento com narrativa mais forte e resultados corporativos mais visíveis. A inteligência artificial continua atraindo fluxos para ações de semicondutores, data centers, software e infraestrutura tecnológica.
Nesse ambiente, os ativos digitais precisam competir pela alocação de investidores institucionais. Quando o mercado encontra oportunidades em empresas de tecnologia com lucros, receitas e projeções robustas, o apetite por criptomoedas pode diminuir.
A leitura é especialmente relevante porque o Bitcoin (BTC) vinha sendo tratado por parte do mercado como ativo de risco com correlação crescente com tecnologia. A queda recente mostra que essa relação pode se romper quando o fluxo se concentra em temas específicos, como IA.
Perdas realizadas indicam pressão vendedora
Dados de comportamento na blockchain reforçam o quadro de pressão. Segundo análise citada no texto-base, as perdas realizadas no mercado agregado saltaram para US$ 1,3 bilhão por dia com o Bitcoin (BTC) na região dos US$ 62 mil.
Detentores de longo prazo responderam por cerca de US$ 770 milhões desse total, o equivalente a 59% das vendas. O dado sugere que investidores que compraram perto do topo do ciclo e mantiveram posição durante a queda começaram a realizar prejuízos.
Esse tipo de movimento costuma indicar estresse. Quando investidores de longo prazo vendem em perda, o mercado interpreta que parte da convicção estrutural foi abalada. Ao mesmo tempo, a realização de prejuízo pode representar fase avançada de capitulação, quando vendedores mais pressionados deixam o mercado.
A dúvida agora é se o movimento indica início de uma correção mais profunda ou se está próximo de um fundo local.
Baleias aumentam depósitos na Binance
Outro sinal acompanhado pelo mercado vem das chamadas baleias, grandes investidores que movimentam quantidades relevantes de Bitcoin (BTC). Os depósitos na Binance, maior exchange do mundo, dobraram ao longo da semana.
Foram cerca de 8.200 BTC enviados à plataforma em 2 de junho e mais de 6.400 BTC em 4 de junho, ante uma média mensal de 1.200 BTC desde meados de abril.
Transferências para exchanges costumam ser interpretadas como possível intenção de venda, já que investidores movem os ativos para plataformas de negociação antes de liquidar posições. Por isso, o aumento dos depósitos ampliou a percepção de pressão vendedora.
A leitura, no entanto, não é unidirecional. Em episódios anteriores, picos de depósitos de baleias ocorreram perto de fundos locais. A última vez que esse volume apareceu foi durante a queda abaixo de US$ 60 mil em fevereiro, movimento que antecedeu uma recuperação.
US$ 60 mil vira nível decisivo
No campo técnico, o patamar de US$ 60 mil se tornou o principal ponto de atenção para o Bitcoin (BTC). Um fechamento abaixo dessa região pode abrir espaço para quedas adicionais em direção à faixa entre US$ 55 mil e US$ 58 mil.
Por outro lado, uma recuperação consistente acima de US$ 65 mil até o fim da semana seria o primeiro sinal de estabilização. Esse movimento poderia indicar que compradores voltaram a defender a região de suporte e reduzir a pressão baixista de curto prazo.
Enquanto isso não ocorrer, a leitura predominante segue negativa. O mercado concentra atenção na defesa dos US$ 60 mil e na reação dos investidores institucionais após o payroll.
A volatilidade deve continuar elevada, especialmente com a proximidade da reunião do Fed e com a saída de recursos dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos.
Ethereum (ETH) amplia perdas e aumenta cautela
O Ethereum (ETH) teve desempenho ainda pior que o Bitcoin (BTC), chegando a cair mais de 10% no dia. A baixa para US$ 1.590 reforçou a pressão sobre altcoins e ativos digitais de maior risco.
Em ciclos de estresse, o Bitcoin (BTC) costuma funcionar como referência do mercado cripto. Quando ele rompe suportes importantes, criptomoedas menores tendem a sofrer mais, devido à menor liquidez e ao maior perfil especulativo.
A queda do Ether também pressiona finanças descentralizadas, tokens ligados a redes blockchain e projetos de infraestrutura cripto. Quando a segunda maior criptomoeda do mundo perde valor de forma acelerada, a aversão ao risco se espalha pelo setor.
Para investidores, o sinal é de cautela. O mercado cripto entrou em uma fase de teste técnico e macroeconômico, na qual juros dos EUA, fluxo de ETFs e comportamento de grandes investidores podem definir a direção dos próximos movimentos.
Mercado cripto depende agora do Fed e dos fluxos
O Bitcoin (BTC) chega ao fim da semana em um ponto sensível. A queda abaixo de US$ 60 mil ameaça a estrutura técnica do ciclo recente e aumenta a pressão sobre investidores que entraram no mercado em níveis mais altos.
O payroll forte dos Estados Unidos reforçou a tese de juros elevados por mais tempo, cenário adverso para criptomoedas. Ao mesmo tempo, a saída de recursos dos ETFs e o aumento de depósitos de baleias em exchanges mostram que a pressão não vem apenas do ambiente macroeconômico, mas também de dentro do próprio mercado cripto.
A reunião do Fed nos dias 16 e 17 de junho será decisiva para calibrar expectativas. Se o banco central norte-americano adotar tom duro, o Bitcoin (BTC) pode seguir pressionado. Se houver sinalização mais equilibrada, o mercado pode tentar recuperar parte das perdas.
Por enquanto, a região de US$ 60 mil virou a linha de defesa mais importante para os compradores. A perda consistente desse patamar pode abrir uma nova etapa de correção no mercado cripto.







