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Bitcoin cai abaixo de US$ 60 mil após payroll forte nos Estados Unidos

Criptomoeda atinge menor nível desde setembro de 2024, enquanto juros elevados, saídas de ETFs e vendas de grandes investidores ampliam a pressão sobre o mercado.

por Camila Braga
05/06/2026 às 13h44
em Criptomoedas
Criptomoedas

O Bitcoin (BTC) acelerou as perdas nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026, e chegou a ser negociado abaixo de US$ 60 mil, menor patamar desde meados de setembro de 2024. O movimento ocorreu depois da divulgação de dados mais fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que reduziram as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve.

O relatório oficial de emprego mostrou a criação de 172 mil vagas em maio, resultado significativamente superior ao consenso de mercado, que projetava entre 80 mil e 85 mil novos postos.

A surpresa reforçou a avaliação de que a economia americana continua resiliente, mesmo diante de um período prolongado de juros elevados. Com menor urgência para estimular a atividade, o Fed pode manter as taxas em níveis restritivos por mais tempo.

Esse ambiente tende a prejudicar ativos de maior risco e sem geração própria de caixa, como as criptomoedas. Os títulos públicos dos Estados Unidos tornam-se relativamente mais atraentes, enquanto investidores reduzem posições em mercados voláteis.

O Ethereum (ETH) apresentou uma queda ainda mais intensa. A segunda maior criptomoeda do mundo recuou mais de 10% durante o dia e chegou à região de US$ 1.590.

Em sete dias, o Bitcoin acumula perda aproximada de 17%. O Ether registra queda de 21% no mesmo intervalo.

Payroll reduz apostas em cortes de juros

O mercado cripto reagiu negativamente ao payroll porque o desempenho do emprego influencia diretamente as decisões do Federal Reserve.

Quando empresas continuam contratando e o desemprego permanece controlado, a autoridade monetária tem menos necessidade de reduzir os juros para estimular a economia.

Um mercado de trabalho aquecido também pode sustentar o consumo e aumentar a pressão sobre os salários, dificultando a desaceleração da inflação.

A criação de 172 mil vagas em maio superou amplamente as projeções e levou investidores a revisar as expectativas para a política monetária americana.

A próxima reunião do Fed está marcada para os dias 16 e 17 de junho. O mercado acompanhará a decisão sobre os juros, as novas projeções econômicas e o tom adotado pela autoridade monetária.

Uma comunicação mais dura, indicando preocupação com a inflação e disposição para manter as taxas elevadas, poderá prolongar a pressão sobre o Bitcoin e outros ativos de risco.

Uma sinalização mais equilibrada poderia permitir alguma recuperação, especialmente se o banco central reconhecer sinais de desaceleração em outros setores da economia.

Juros altos favorecem títulos americanos

A manutenção de taxas elevadas aumenta a remuneração oferecida pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Esses papéis são considerados entre os ativos mais seguros do mercado global. Quando passam a oferecer retornos maiores, investidores precisam de uma compensação adicional para permanecer em ações voláteis, criptomoedas e outros investimentos de risco.

O Bitcoin não distribui dividendos, juros ou fluxo de caixa. Seu retorno depende da valorização do ativo e da disposição de novos compradores para pagar preços mais altos.

Por isso, períodos de liquidez mais restrita costumam ser desafiadores para o mercado cripto.

A alta dos juros também pode fortalecer o dólar e encarecer o acesso a capital, afetando fundos, empresas e investidores que utilizam alavancagem para manter posições.

Esse conjunto de fatores ajuda a explicar a reação imediata do Bitcoin ao relatório de emprego.

Perda dos US$ 60 mil aumenta pressão técnica

A queda abaixo de US$ 60 mil possui importância simbólica e técnica.

A região era acompanhada como um suporte relevante para a preservação da estrutura de valorização construída pelo Bitcoin nos últimos ciclos.

Quando um suporte é rompido, investidores de curto prazo podem interpretar o movimento como sinal de continuidade da queda e aumentar as vendas.

Ordens automáticas, posições alavancadas e mecanismos de proteção também podem ser acionados quando a cotação ultrapassa determinados níveis.

Um fechamento consistente abaixo de US$ 60 mil poderá abrir espaço para uma correção em direção à faixa entre US$ 55 mil e US$ 58 mil.

Essa projeção não representa garantia de movimento. O mercado de criptomoedas possui elevada volatilidade e pode recuperar níveis perdidos em poucas horas.

No sentido contrário, uma retomada acima de US$ 65 mil seria o primeiro sinal mais consistente de estabilização.

Bitcoin tem maior sequência de perdas desde 2025

O Bitcoin acumula sua sequência mais prolongada de perdas desde agosto de 2025.

O movimento começou na segunda-feira, 2 de junho, depois de a Strategy divulgar a venda de uma pequena quantidade de Bitcoins.

Foi a primeira alienação realizada pela companhia desde 2022.

Embora o volume tenha sido limitado em comparação com o total mantido pela empresa, o anúncio produziu forte impacto psicológico.

A Strategy tornou-se uma das maiores referências da estratégia corporativa de acumulação de Bitcoin. A companhia utilizou recursos próprios e diferentes instrumentos de financiamento para ampliar continuamente sua exposição à criptomoeda.

Por isso, uma venda pode ser interpretada pelo mercado como sinal de mudança de postura, necessidade de liquidez ou aumento da cautela.

Até esta sexta-feira, não havia indicação de que a Strategy tivesse abandonado sua política de longo prazo. A operação, entretanto, contribuiu para um ambiente já marcado por menor apetite por risco.

Saídas de ETFs retiram suporte institucional

A queda também ocorre em meio à retirada de recursos dos ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos.

Esses fundos foram um dos principais motores da demanda institucional nos ciclos recentes.

Os ETFs permitem que investidores tenham exposição ao Bitcoin por meio do mercado tradicional, sem a necessidade de comprar, armazenar ou proteger diretamente as criptomoedas.

Quando os fundos recebem novos recursos, os gestores precisam ampliar as posições em Bitcoin para acompanhar o desempenho do ativo.

Em períodos de resgate, o movimento pode ocorrer no sentido contrário, reduzindo a demanda no mercado à vista e aumentando a possibilidade de vendas.

A combinação entre retirada de recursos, queda das cotações e maior aversão ao risco enfraqueceu um dos principais pilares de sustentação da criptomoeda.

O mercado acompanhará os fluxos dos próximos dias para avaliar se as saídas representam uma reação pontual ou uma mudança mais duradoura na posição dos investidores institucionais.

Ações de inteligência artificial atraem capital

Outro fator de pressão é a divergência entre as criptomoedas e parte do mercado acionário americano.

Enquanto Bitcoin e Ethereum acumulam perdas, os índices S&P 500 e Nasdaq continuam recebendo suporte de empresas ligadas à inteligência artificial e à infraestrutura tecnológica.

Fabricantes de semicondutores, desenvolvedoras de software, empresas de data centers e fornecedores de equipamentos continuam atraindo recursos.

Essas companhias oferecem uma narrativa de crescimento acompanhada por receitas, lucros, contratos e projeções operacionais.

As criptomoedas precisam competir pelo mesmo capital destinado a investimentos de maior risco.

Quando investidores encontram oportunidades em empresas de tecnologia com resultados financeiros verificáveis, podem reduzir a parcela de recursos direcionada a ativos digitais.

O descolamento mostra que a correlação entre Bitcoin e ações de tecnologia não é permanente. Em determinados períodos, o capital pode se concentrar em setores específicos e deixar o mercado cripto em segundo plano.

Perdas realizadas chegam a US$ 1,3 bilhão por dia

Dados sobre movimentações registradas na blockchain reforçam o quadro de pressão vendedora.

As perdas realizadas no mercado agregado chegaram a aproximadamente US$ 1,3 bilhão por dia quando o Bitcoin era negociado na região dos US$ 62 mil.

Esse indicador mede o prejuízo reconhecido por investidores que venderam seus ativos por valores inferiores aos preços de aquisição.

Os detentores de longo prazo responderam por cerca de US$ 770 milhões desse total, equivalente a aproximadamente 59% das vendas em perda.

O número sugere que investidores que mantiveram posições durante a queda começaram a encerrar operações com prejuízo.

Esse comportamento costuma ser acompanhado com atenção porque os detentores de longo prazo normalmente apresentam menor disposição para vender durante oscilações temporárias.

Quando esse grupo passa a liquidar posições, o mercado pode interpretar o movimento como sinal de redução da confiança.

Ao mesmo tempo, volumes elevados de perdas realizadas podem indicar uma fase de capitulação, na qual investidores pressionados deixam o mercado e reduzem a quantidade de vendedores potenciais.

Mercado busca saber se capitulação está próxima

A principal dúvida é se o movimento atual representa o começo de uma correção mais profunda ou uma etapa avançada da queda.

Em ciclos anteriores, períodos de forte realização de prejuízos antecederam recuperações relevantes.

Isso ocorre porque investidores menos resistentes saem do mercado, enquanto compradores com maior horizonte de investimento absorvem a oferta.

Não existe, contudo, garantia de que esse padrão será repetido.

O ambiente atual combina pressão macroeconômica, retirada de recursos dos ETFs, venda de ativos por grandes investidores e competição com outros segmentos de crescimento.

Para que um fundo local seja confirmado, o mercado precisaria mostrar estabilização do preço, redução das vendas e recuperação do fluxo institucional.

Até esta sexta-feira, esses sinais ainda não estavam consolidados.

Baleias ampliam depósitos na Binance

Grandes detentores de Bitcoin também aumentaram as transferências para a Binance durante a semana.

Aproximadamente 8.200 BTC foram enviados à plataforma em 2 de junho. Outros 6.400 BTC foram transferidos em 4 de junho.

A média mensal desde meados de abril era de cerca de 1.200 BTC.

O crescimento expressivo dos depósitos elevou a percepção de que grandes investidores poderiam estar se preparando para vender.

Criptomoedas mantidas em carteiras privadas precisam ser transferidas para uma exchange antes de serem negociadas no mercado.

Por esse motivo, aumentos nos depósitos costumam ser interpretados como um possível indicador de pressão vendedora.

A leitura não é definitiva. As transferências também podem estar relacionadas a operações de custódia, empréstimos, garantias, arbitragem ou reorganização de carteiras.

Em episódios anteriores, picos semelhantes ocorreram próximos de fundos locais. A última movimentação de magnitude comparável foi registrada durante uma queda abaixo de US$ 60 mil em fevereiro, antes de uma recuperação.

Ethereum amplia aversão ao risco

O desempenho do Ethereum mostra que a pressão se espalhou pelo mercado de ativos digitais.

A queda superior a 10% no dia levou a criptomoeda à região de US$ 1.590.

O Ether costuma apresentar volatilidade maior do que o Bitcoin, especialmente em períodos de redução do apetite por risco.

A rede Ethereum serve como infraestrutura para aplicações de finanças descentralizadas, tokens, contratos inteligentes e diferentes projetos blockchain.

Quando o preço do Ether cai de forma acelerada, o movimento afeta a avaliação de ativos e protocolos construídos sobre a rede.

As altcoins de menor capitalização tendem a sofrer ainda mais, porque possuem menor liquidez e maior participação de investidores especulativos.

A perda de valor do Bitcoin funciona como referência para todo o setor. Quando a principal criptomoeda rompe suportes importantes, os demais ativos digitais normalmente enfrentam vendas mais intensas.

Região entre US$ 55 mil e US$ 58 mil entra no radar

No curto prazo, a defesa dos US$ 60 mil permanece como o principal ponto técnico.

Caso o Bitcoin encerre sessões consecutivas abaixo desse patamar, operadores poderão buscar os próximos suportes entre US$ 55 mil e US$ 58 mil.

Essa faixa corresponde a uma região na qual compradores poderiam voltar a avaliar o ativo como atrativo.

A recuperação acima de US$ 65 mil teria efeito oposto.

O movimento indicaria que a perda dos US$ 60 mil foi temporária e que compradores conseguiram recuperar o controle do mercado.

Entre esses dois níveis, a volatilidade deverá permanecer elevada.

As movimentações podem ser ampliadas pela liquidação de posições alavancadas, pelos fluxos dos ETFs e pelas decisões dos grandes detentores.

Fed passa a ser principal evento do mercado

Depois do payroll, a reunião do Federal Reserve torna-se o evento mais importante para as criptomoedas em junho.

O encontro será realizado nos dias 16 e 17.

O mercado acompanhará se a autoridade monetária considera o relatório de emprego um sinal de força persistente ou apenas uma leitura isolada.

Também serão relevantes as avaliações sobre inflação, atividade econômica e condições financeiras.

Um Fed mais restritivo poderá reforçar a expectativa de juros elevados e prolongar a pressão sobre ativos digitais.

Uma comunicação que reconheça riscos de desaceleração poderá reduzir parte da aversão ao risco, mesmo sem corte imediato das taxas.

Até a reunião, novos indicadores econômicos poderão alterar as projeções.

O Bitcoin deverá continuar reagindo a cada dado que modifique as expectativas sobre a trajetória dos juros americanos.

Bitcoin encerra semana em ponto crítico

Em 5 de junho de 2026, o mercado cripto enfrenta uma combinação de pressões internas e externas.

O payroll mais forte do que o esperado reduziu as apostas em cortes de juros e aumentou a atratividade dos títulos americanos.

A venda realizada pela Strategy produziu impacto psicológico, enquanto os resgates dos ETFs enfraqueceram a demanda institucional.

As transferências de grandes investidores para a Binance e o aumento das perdas realizadas indicam que a pressão também está presente dentro do próprio mercado.

Ao mesmo tempo, ações ligadas à inteligência artificial continuam disputando os recursos destinados a investimentos de crescimento.

A região de US$ 60 mil tornou-se a principal linha de defesa dos compradores.

Uma recuperação acima de US$ 65 mil reduziria a pressão baixista. A permanência abaixo do suporte poderia abrir uma nova fase de correção em direção a níveis inferiores.

Até que o mercado recupere estabilidade, a leitura predominante é de cautela. A trajetória dos juros nos Estados Unidos, os fluxos dos ETFs e o comportamento dos grandes investidores deverão determinar os próximos movimentos do Bitcoin.

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