O Banco Safra promoveu mudanças na carteira recomendada de BDRs para julho de 2026, com a saída de Google e Mastercard e a entrada de TSMC e NextEra Energy. A revisão reforça a exposição da estratégia a semicondutores, infraestrutura ligada à inteligência artificial e energia, ao mesmo tempo em que mantém o ETF IVVB11, que replica o S&P 500, como a maior posição individual da carteira.
A Carteira Top 10 BDRs é revisada mensalmente pela Safra Corretora e reúne ativos internacionais negociados na B3 por meio de Brazilian Depositary Receipts, além de um ETF de índice. Segundo publicação do Safra/O Especialista, a atualização de julho busca equilibrar crescimento, resiliência e diversificação internacional em um ambiente de maior volatilidade nos mercados globais.
A mudança não representa recomendação de compra ou venda por parte da Gazeta Mercantil. A decisão de investimento depende do perfil de risco, dos objetivos financeiros e do horizonte de cada investidor. Rentabilidade passada não garante retorno futuro.
Google e Mastercard deixam a carteira
A saída de Google e Mastercard marca a principal alteração da carteira de julho. No caso do Google, o movimento ocorre em meio a uma rotação da exposição em tecnologia, com o Safra buscando ativos mais diretamente ligados à infraestrutura da inteligência artificial.
A exclusão da Mastercard, por sua vez, abre espaço para maior diversificação setorial. Com isso, o banco passa a combinar empresas de tecnologia, serviços financeiros, saúde, consumo, energia e um núcleo indexado ao S&P 500.
Na leitura do Safra, o momento favorece companhias posicionadas em elos considerados estruturais para a expansão da inteligência artificial, especialmente semicondutores, data centers, energia elétrica e infraestrutura de computação.
TSMC entra para reforçar semicondutores
A TSMC passa a integrar a carteira com peso de 6%. A empresa taiwanesa é uma das principais fabricantes globais de semicondutores avançados e ocupa posição estratégica na cadeia de produção de chips usados por companhias como Nvidia, Apple, AMD e Qualcomm.
A entrada da TSMC reforça uma tese já presente na carteira: a continuidade da demanda global por chips de alto desempenho. Esse movimento acompanha o avanço de data centers, modelos de inteligência artificial generativa e sistemas de computação em larga escala.
Além da inclusão da TSMC, o Safra manteve a Nvidia entre os principais nomes da carteira, com peso de 10%. A companhia segue como uma das principais exposições da estratégia ao ciclo de inteligência artificial.
NextEra adiciona energia e perfil defensivo
A segunda novidade é a NextEra Energy, que entra com peso de 5%. A empresa atua no setor de utilidades básicas e é uma das maiores produtoras de energia eólica e solar dos Estados Unidos.
A inclusão da companhia adiciona uma camada defensiva à carteira, já que empresas reguladas de energia costumam ter receitas mais previsíveis do que companhias de tecnologia pura. Ao mesmo tempo, a NextEra se beneficia de uma tendência estrutural: o aumento do consumo de energia por data centers, redes digitais e infraestrutura de inteligência artificial.
Com isso, o Safra tenta equilibrar a busca por crescimento com ativos menos correlacionados às oscilações das grandes empresas de tecnologia.
IVVB11 segue como maior posição
O IVVB11 foi mantido como a maior posição individual da carteira, com peso de 30%. O ETF replica o desempenho do S&P 500 e funciona como núcleo diversificado da exposição ao mercado americano.
A presença relevante do ETF reduz a concentração em ações individuais e preserva acesso às maiores empresas listadas nos Estados Unidos. Na avaliação do Safra, esse componente contribui para diluir riscos específicos e manter uma base mais ampla de diversificação internacional.
Além do IVVB11, a carteira mantém exposição a nomes como JP Morgan, Nvidia, Eli Lilly, Charles Schwab, Microsoft, Amazon e Meta.
Veja a carteira de BDRs do Safra para julho
A composição divulgada pelo Safra para julho de 2026 ficou distribuída da seguinte forma:
| Ativo | Empresa ou índice | Setor | Peso |
|---|---|---|---|
| IVVB11 | ETF S&P 500 | Índice americano | 30% |
| JPMC34 | JP Morgan | Serviços financeiros | 14% |
| NVDC34 | Nvidia | Tecnologia | 10% |
| LILY34 | Eli Lilly | Saúde | 8% |
| SCHW34 | Charles Schwab | Serviços financeiros | 8% |
| MSFT34 | Microsoft | Tecnologia | 8% |
| AMZO34 | Amazon | Consumo | 6% |
| TSMC34 | Taiwan Semiconductor | Tecnologia | 6% |
| MITA34 | Meta Platforms | Tecnologia | 5% |
| NEXT34 | NextEra Energy | Utilidades básicas | 5% |
Com essa composição, tecnologia segue como um dos principais blocos da carteira, impulsionada por Nvidia, TSMC, Microsoft e Meta. Serviços financeiros também têm peso relevante, com JP Morgan e Charles Schwab.
BDRs permitem exposição internacional pela B3
Os BDRs são certificados negociados no Brasil que representam ativos listados no exterior. Na prática, permitem ao investidor local acessar empresas internacionais em reais, durante o horário de negociação da B3, sem necessidade de abrir conta em uma corretora estrangeira.
Já o IVVB11 é um ETF, ou fundo de índice, que busca acompanhar a performance do S&P 500. Por isso, funciona como uma forma de exposição indireta às maiores companhias americanas de capital aberto.
Apesar da praticidade, esses instrumentos envolvem riscos. Além da oscilação das ações no exterior, o investidor brasileiro também fica exposto à variação cambial, já que os ativos são lastreados em moeda estrangeira.
Desempenho recente ficou abaixo do S&P 500
O Safra informa que a Carteira Top 10 BDRs acumula retorno superior ao S&P 500 desde sua criação, em junho de 2015. Segundo a publicação, a estratégia soma valorização de 743,22% desde o início, contra 532,68% do índice americano no mesmo intervalo.
No entanto, o desempenho passado não elimina riscos futuros. Carteiras recomendadas podem atravessar períodos de retorno inferior aos principais benchmarks, especialmente em momentos de rotação setorial, mudanças nas expectativas de juros nos Estados Unidos e maior volatilidade em ações de tecnologia.
A revisão de julho busca justamente reposicionar a carteira para temas considerados mais estruturais pelo banco, como semicondutores, energia, infraestrutura de IA, saúde e serviços financeiros.
Estratégia mira IA, energia e diversificação
A carteira de julho mostra uma mudança de ênfase. Em vez de concentrar a exposição apenas nas grandes plataformas digitais, o Safra amplia a presença em empresas que fornecem a infraestrutura por trás da inteligência artificial.
Esse movimento aparece na entrada da TSMC, no peso elevado da Nvidia e na inclusão da NextEra, que adiciona a tese de demanda energética dos data centers. Ao mesmo tempo, o IVVB11 preserva uma base ampla de diversificação.
Para investidores, a leitura central é que a carteira passa a depender menos de uma única tese de tecnologia e mais de uma combinação entre crescimento estrutural, ativos defensivos e exposição internacional indexada.








