ACERVO HISTÓRICO
Documento publicado originalmente pela Gazeta Mercantil em 5 de dezembro de 1998 apresentou as pautas de um relatório especial sobre escassez, aquíferos, desperdício, tratamento de água e dessalinização.
Nota do acervo: A transcrição abaixo preserva os dados, projeções, denominações e circunstâncias da publicação original.
05/12/1998 – Tanto a Organização das Nações Unidas (ONU) quanto a Global Water Partnership (GWP) já alertaram para o fato que, no ritmo atual de consumo, são grandes as chances de faltar água no mundo antes de 2025.. Estimativas do Banco Mundial indicam uma população terrestre de cerca de 8,3 bilhões de pessoas naquele ano (em 1996, eram 5,7 bilhões). Segundo a GWP, para cada tonelada de grão que essa multidão precisará para comer, serão necessárias de mil a dez mil toneladas de água. Até 2025, dobrará a demanda de água no mundo. Para os mais fatalistas, a água será o estopim das guerras do próximo século. Uma coisa, contudo, parece certa: não haverá água para todos. Ainda de acordo com a GWP, em 2025, pelo menos 20% da população não terão água garantida.
O Relatório Água, Ouro do Século XXI, mostrará as iniciativas públicas e privadas para evitar a escassez do líquido, bem como as reservas mundiais e nacionais e os principais problemas relativos ao consumo e à exploração dos recursos hídricos.
Entre outros assuntos, o Relatório abordará:
O estoque de água doce no mundo – Onde estão as maiores reservas, o que está sendo feito para melhorar a qualidade da água e a posição do Brasil em comparação com os demais países;
Cidades que captam água em poços artesianos, como Ribeirão Preto (SP), com 500 mil habitantes, que utiliza 100% da água do aquífero Botucatu, um grande oceano subterrâneo, que serve ainda outras cidades, como Matão (SP). Como estão os volumes, o número de poços, as providências que estão sendo feitas para não contaminar o lençol freático.
As cidades que captam águas em rios. Um panorama sobre a situação e como as cidades estão resolvendo seus problemas de captação de água potável em rios. O problema da manutenção dos mananciais, continuamente ameaçados pela expansão urbana.
Monitorando o desperdício: como as cidades estão controlando o uso da água. O caso de Fortaleza, que recebeu dinheiro do Banco Mundial para resolver o problema de desperdício de água potável. Foi feito o monitoramento completo da rede de tal forma que sensores detectam o ponto exato do vazamento, gerando uma ação imediata de reparação.
A tecnologia de perfuração de poços: o aproveitamento das reservas que existem no subsolo dependem da capacidade de alcançá-las. A localização e a perfuração se sofisticam à medida em que a escassez avança.
A tecnologia de tratamento da água: a contaminação dos rios e do lençol freático tornam cada vez mais críticos os processos de tratamento. Produzir água bacteriologicamente pura é o maior desafio. Os processos existentes e seus custos.
Dessalinização: as maiores reservas de água do planeta (os oceanos) têm pouco uso para matar a sede dos seres vivos, por causa do sal. Há, no entanto, várias usinas de dessalinização que operam comercialmente. Toda a água utilizada na ilha de Curaçao, no Caribe é retirada do mar. No Oriente Médio também há experiências que vale conhecer.
Contexto atual: Em 2026, a Gazeta Mercantil confrontou as previsões apresentadas neste documento com dados contemporâneos sobre escassez de água, agricultura, aquíferos, perdas na distribuição e
dessalinização.
Leia a análise: o que o alerta de 1998 acertou até 2026







