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Simone Tebet e Marina Silva lideram disputa pelo Senado em São Paulo, aponta Ideia/ACSP

Levantamento mostra Tebet com 26,8% das intenções de voto e Marina com 23,3%; Derrite, André do Prado e Ricardo Salles aparecem próximos na disputa pelas duas vagas paulistas

por Carlos Menezes
10/08/2026 às 17h43
em Política
Datafolha: Tebet E Marina Lideram Senado Em Sp - Gazeta Mercantil

A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado Federal aparece fragmentada e com cinco nomes concentrando as maiores intenções de voto, segundo pesquisa do Instituto Ideia encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e divulgada nesta segunda-feira (10). Simone Tebet (MDB) lidera o levantamento com 26,8%, seguida por Marina Silva (Rede), que registra 23,3%.

Na sequência aparecem Guilherme Derrite (PP), com 19,4%, André do Prado (PL), com 19%, e Ricardo Salles (Novo), com 16,4%. Como o eleitor paulista poderá escolher dois candidatos ao Senado nas eleições de 2026, os percentuais do levantamento não devem ser interpretados da mesma maneira que uma pesquisa para cargos de escolha única.

A diferença de 3,5 pontos percentuais entre Tebet e Marina coloca as duas candidatas nas primeiras posições do cenário medido pelo instituto, mas a configuração mais ampla mostra uma corrida ainda aberta, sobretudo pela proximidade entre os candidatos que aparecem do terceiro ao quinto lugar.

O levantamento ouviu 1.800 eleitores no Estado de São Paulo entre 5 e 8 de agosto, tem margem de erro de 2,3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela ACSP e, segundo os dados divulgados, está registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-08036/2026 e SP-04956/2026.

Tebet aparece com 26,8% e Marina tem 23,3%

Simone Tebet ocupa a primeira posição quando são considerados os dois votos que cada eleitor poderá dar para o Senado, alcançando 26,8% das citações. Marina Silva aparece logo atrás, com 23,3%, numa diferença que ainda precisa ser analisada à luz da margem de erro do levantamento.

O segundo bloco da disputa é formado por Guilherme Derrite, André do Prado e Ricardo Salles, todos com percentuais superiores a 16%. Derrite registra 19,4%, enquanto André do Prado aparece com 19% e Salles, com 16,4%.

A proximidade entre esses três nomes reforça a possibilidade de movimentações significativas ao longo da campanha, especialmente porque a eleição para senador é definida pelo sistema majoritário e, em 2026, cada estado escolherá dois representantes. A Justiça Eleitoral orienta que, depois do primeiro voto para o Senado, a urna solicitará uma segunda escolha, obrigatoriamente destinada a candidato diferente.

Os demais nomes testados aparecem distantes do primeiro grupo. Soninha Francine (Cidadania) tem 2,9%, seguida por Geraldo Rufino (Podemos), com 2,7%, e Dra. Eliana Ferreira (PSTU), com 1,7%.

Weller Gonçalves (PSTU) aparece com 1,3%, Maíra de Souza (UP) registra 1,1%, Márcio Alves (UP) tem 0,8% e Petter Maahs (PCB), 0,7%.

Número de indecisos ainda é elevado

Um dos dados que mais chama atenção na pesquisa é o contingente de eleitores que ainda não definiu seus dois votos para o Senado. Segundo o levantamento, 42,2% não sabem em quem votar, enquanto 10,2% indicam que não escolheriam nenhum dos candidatos ou votariam em branco ou nulo.

Nesse quesito, a soma das respostas pode ultrapassar 100% porque o levantamento considera as duas escolhas que estarão disponíveis ao eleitor na disputa pelo Senado. A dinâmica é diferente das pesquisas para presidente ou governador, em que cada entrevistado escolhe apenas um candidato por cenário.

O elevado percentual de indefinição acrescenta um componente relevante à corrida paulista, já que uma parcela expressiva do eleitorado ainda pode alterar a configuração observada nesta etapa da campanha.

Nas eleições gerais de 2026, serão eleitos dois senadores por unidade da Federação, motivo pelo qual o eleitor terá seis escolhas na urna no primeiro turno: deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador na primeira vaga, senador na segunda vaga, governador e presidente da República.

Apoio de Tarcísio tem maior impacto positivo na pesquisa

O Ideia também perguntou aos entrevistados como o apoio de determinadas lideranças políticas influenciaria a possibilidade de votar em um candidato ao Senado por São Paulo.

Entre os três nomes testados, o governador Tarcísio de Freitas apresenta o maior percentual de influência positiva. Para 62,9% dos entrevistados, o apoio do governador aumentaria as chances de votar no candidato indicado por ele.

Outros 5,3% afirmam que um eventual apoio de Tarcísio não aumentaria nem diminuiria a possibilidade de escolher determinado nome, enquanto 26,2% dizem que a manifestação do governador reduziria suas chances de votar no candidato apoiado. Os que não souberam responder correspondem a 5,5%.

Os números medem a reação declarada dos entrevistados a uma eventual indicação política e não significam transferência automática de votos. Apoios podem assumir pesos diferentes conforme o candidato, o momento da campanha, o grau de conhecimento do eleitor e a combinação com outros fatores da disputa.

Apoio de Bolsonaro aumentaria chance de voto para 49,5%

O levantamento também avaliou a influência do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para 49,5% dos entrevistados, o apoio de Bolsonaro aumentaria as chances de votar no candidato por ele indicado para o Senado.

Outros 8,6% afirmam que a manifestação não aumentaria nem diminuiria sua possibilidade de escolha, enquanto 31,7% dizem que um apoio do ex-presidente reduziria as chances de votar naquele candidato. O grupo que não soube responder representa 10,3%.

O resultado coloca Bolsonaro abaixo de Tarcísio em potencial declarado de influência positiva no eleitorado pesquisado, mas acima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesse mesmo indicador.

A comparação, no entanto, deve ser tratada como uma medida específica da pergunta feita pelo instituto, e não como avaliação geral da popularidade das três lideranças ou previsão direta sobre a capacidade de cada uma delas de transferir votos durante a campanha.

Lula registra influência positiva para 36,2%

No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 36,2% dos entrevistados afirmam que o apoio presidencial aumentaria suas chances de votar em determinado candidato ao Senado.

Para 13,7%, a indicação de Lula não aumentaria nem reduziria a possibilidade de escolha, enquanto 35,4% afirmam que o apoio diminuiria suas chances de votar no candidato. Outros 14,7% não souberam responder.

O resultado mostra uma distribuição mais equilibrada entre influência positiva e negativa quando o nome do presidente é apresentado, diferentemente do observado no teste envolvendo Tarcísio, em que o percentual de entrevistados que declara influência positiva é substancialmente superior ao dos que indicam efeito contrário.

Esses números também ajudam a dimensionar a importância que alianças nacionais e estaduais poderão assumir na campanha paulista, embora o comportamento efetivo do eleitor só possa ser observado à medida que os apoios forem formalizados e incorporados à propaganda eleitoral.

Cinco candidatos concentram a disputa neste momento

A fotografia apresentada pelo Ideia/ACSP posiciona Tebet e Marina à frente, mas mostra que a corrida pelas duas cadeiras do Senado ainda possui um grupo competitivo mais amplo.

Somados individualmente, os percentuais de Derrite, André do Prado e Ricardo Salles colocam os três em uma faixa capaz de disputar posições à medida que a campanha avance, especialmente diante do alto número de eleitores que ainda não definiu as duas escolhas.

A eleição para o Senado também possui uma característica que torna a leitura das pesquisas mais complexa. Como cada eleitor poderá votar em dois nomes diferentes, candidatos que disputam espaços políticos semelhantes não necessariamente dependem da exclusão completa do adversário para receber um dos votos.

Um eleitor pode, por exemplo, escolher dois candidatos de campos políticos distintos ou distribuir suas opções entre nomes apoiados por diferentes lideranças. Esse comportamento aumenta a importância de pesquisas que permitam observar as duas escolhas separadamente e acompanhar a evolução das combinações ao longo da campanha.

Pesquisa está sujeita às regras da Justiça Eleitoral

Desde 1º de janeiro, empresas e entidades que realizam pesquisas relacionadas às eleições de 2026 são obrigadas a registrar cada levantamento no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) antes da divulgação.

A regulamentação exige que o registro apresente informações como contratante, origem dos recursos, metodologia, período de realização, plano amostral, ponderações, margem de erro e intervalo de confiança. O cadastro deve ser feito até cinco dias antes da publicação dos resultados.

O registro, contudo, não equivale a uma certificação prévia do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral. O próprio TSE esclarece que a Justiça Eleitoral não realiza controle antecipado sobre as conclusões dos levantamentos e pode atuar judicialmente quando provocada nos termos da legislação.

A partir de 20 de julho, as pesquisas estimuladas que apresentem uma relação de candidatos também passaram a observar a exigência de incluir todos os nomes registrados para disputar o respectivo cargo, conforme as regras eleitorais aplicáveis ao pleito de 2026.

Campanha pode alterar cenário paulista

Os resultados divulgados em agosto retratam o momento em que as entrevistas foram realizadas e não constituem previsão do resultado das urnas. A campanha eleitoral, a propaganda, debates, alianças partidárias e acontecimentos políticos podem modificar as intenções de voto até outubro.

O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, quando os eleitores escolherão, entre outros cargos, os dois representantes de cada estado no Senado. O calendário oficial estabelece ainda que a propaganda eleitoral começa em 16 de agosto.

Nesse estágio da disputa paulista, Simone Tebet e Marina Silva aparecem nas duas primeiras posições do levantamento Ideia/ACSP, enquanto Guilherme Derrite, André do Prado e Ricardo Salles formam um segundo grupo competitivo.

Mais do que a distância entre os primeiros colocados, porém, o dado que amplia a incerteza é o contingente de eleitores que ainda não definiu seus votos. Com duas escolhas disponíveis para o Senado e 42,2% dos entrevistados ainda indecisos segundo o levantamento, a configuração da corrida paulista permanece aberta para mudanças nas próximas semanas.


Fontes:

Instituto Ideia / Associação Comercial de São Paulo (ACSP) — levantamento eleitoral realizado entre 5 e 8 de agosto de 2026, conforme dados da pesquisa divulgados pela entidade contratante.

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — regras de registro e divulgação de pesquisas eleitorais nas Eleições 2026.

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — orientação oficial sobre os dois votos para senador nas Eleições 2026.

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Resolução nº 23.600/2019, com alterações aplicáveis ao pleito de 2026.

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — calendário oficial das Eleições 2026.

Tags: André do PradoEleições 2026Guilherme DerriteMarina Silvapesquisa eleitoralPolíticaRicardo SallesSão PauloSenadoSenado 2026Simone Tebet

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