Pablo Marçal (PRTB) apresentou nesta terça-feira, 18 de agosto, uma nova declaração de bens à Justiça Eleitoral e reduziu de aproximadamente R$ 7,4 bilhões para R$ 149,9 milhões o patrimônio informado em seu pedido de registro de candidatura à Presidência da República. Segundo o candidato, a diferença foi provocada por erros de digitação na primeira versão dos dados encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A correção alterou completamente a dimensão patrimonial que havia aparecido inicialmente no sistema eleitoral. Considerando os cerca de R$ 7,418 bilhões registrados na primeira declaração e os R$ 149,9 milhões apresentados após a retificação, a redução é próxima de 98%, o equivalente a mais de R$ 7,2 bilhões. O novo valor corresponde a aproximadamente 2% daquele que havia sido informado originalmente.
A maior parte da discrepância estava concentrada em uma aplicação financeira. Um investimento em renda fixa mantido no Banco Itaú havia sido declarado por aproximadamente R$ 6,79 bilhões. Na versão corrigida, o mesmo ativo passou a aparecer por cerca de R$ 6,79 milhões. A diferença de três casas decimais explica, sozinha, praticamente toda a distância entre o patrimônio inicialmente divulgado e o valor atual.
Também houve uma correção expressiva no valor de um terreno localizado em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. O imóvel aparecia na declaração inicial por R$ 490 milhões, mas foi retificado para aproximadamente R$ 4,9 milhões. Nesse caso, dois zeros a mais no primeiro registro produziram uma diferença de R$ 485,1 milhões.
Correções retiram mais de R$ 7 bilhões da declaração
Somados, os ajustes na aplicação financeira e no terreno retiraram mais de R$ 7,2 bilhões da declaração patrimonial de Marçal. Esses dois itens respondiam por praticamente toda a diferença entre os R$ 7,4 bilhões inicialmente apresentados e os R$ 149,9 milhões que agora constam na documentação corrigida.
A dimensão da alteração chamou atenção porque os bens declarados pelos candidatos fazem parte das informações públicas disponibilizadas pela Justiça Eleitoral e são utilizados para acompanhar a evolução patrimonial de quem disputa cargos eletivos. No caso de Marçal, a primeira versão sugeria que sua fortuna havia crescido de forma extraordinária em apenas dois anos.
Na eleição municipal de 2024, quando concorreu à Prefeitura de São Paulo, o empresário havia declarado aproximadamente R$ 169,5 milhões em patrimônio. Se os R$ 7,4 bilhões informados inicialmente em 2026 fossem considerados corretos, isso significaria que seus bens teriam sido multiplicados por cerca de 44 vezes desde a campanha municipal.
A nova declaração muda completamente essa comparação. Com patrimônio de aproximadamente R$ 149,9 milhões, Marçal passa a registrar uma redução de cerca de R$ 19,5 milhões, ou aproximadamente 11,5%, em relação aos bens informados em 2024.
Participações empresariais concentram a maior parte da fortuna
Com a retirada dos lançamentos bilionários, a composição do patrimônio passa a ser dominada por participações societárias. O maior ativo declarado por Pablo Marçal é uma participação de 80% na Aviation Participações Ltda., avaliada em R$ 80 milhões. O valor corresponde, sozinho, a mais da metade dos bens informados na versão corrigida.
O candidato também declarou participação de 50% na Marçal Holding Ltda., avaliada em aproximadamente R$ 19,87 milhões, além de outra participação societária de cerca de R$ 9,23 milhões. Somadas, as participações em empresas representam aproximadamente R$ 109 milhões, parcela predominante do patrimônio total declarado.
Além das empresas, Marçal informou aplicações financeiras em diferentes instituições. Entre elas aparecem aproximadamente R$ 6,79 milhões em renda fixa no Itaú, cerca de R$ 6,64 milhões em um fundo de investimento no Banco Safra e aproximadamente R$ 6,42 milhões em um fundo incentivado de infraestrutura.
A nova declaração também inclui imóveis, saldos em contas bancárias e outros ativos financeiros. A distribuição mostra uma composição patrimonial muito diferente daquela sugerida pela primeira versão, na qual uma única aplicação de R$ 6,7 bilhões concentrava mais de 90% de todos os bens declarados.
Número de bens declarados sobe de 18 para 43
A retificação não se limitou à correção dos valores considerados incorretos. A relação patrimonial apresentada à Justiça Eleitoral também ficou significativamente maior. O primeiro documento continha 18 bens e direitos, enquanto a nova versão passou a listar 43 itens.
Isso significa que 25 ativos foram acrescentados ou detalhados durante a revisão da declaração. Entre eles estão novas participações societárias, investimentos financeiros, fundos e outros bens que não apareciam inicialmente no sistema.
A mudança indica que houve uma revisão mais ampla da documentação apresentada no registro presidencial, e não apenas a substituição dos dois valores que provocaram a distorção bilionária. Com a atualização, a relação patrimonial passa a apresentar uma estrutura mais próxima daquela observada em declarações anteriores do empresário.
Marçal havia afirmado após a divulgação do valor de R$ 7,4 bilhões que a informação estava incorreta e seria retificada. Segundo ele e sua defesa, houve erro material no preenchimento dos dados encaminhados à Justiça Eleitoral.
Patrimônio corrigido fica abaixo do declarado em 2024
A comparação com o pleito municipal de 2024 permite dimensionar melhor o patrimônio apresentado agora. Naquela eleição, Marçal declarou cerca de R$ 169,5 milhões em bens. Dois anos depois, a nova relação aponta aproximadamente R$ 149,9 milhões.
A diferença de quase R$ 20 milhões significa que, em termos nominais, o patrimônio declarado diminuiu entre as duas eleições. A redução é próxima de 11,5%, embora a simples comparação entre declarações eleitorais não permita, sozinha, concluir quais operações patrimoniais ocorreram durante o período.
Essa diferença é relevante principalmente porque elimina a impressão inicial de um crescimento de milhares por cento. O patrimônio corrigido mantém Marçal entre os candidatos com maior volume de bens declarados, mas em uma faixa muito inferior aos bilhões que chegaram a aparecer no sistema eleitoral.
Registro de candidatura ainda depende do TSE
Enquanto a questão patrimonial foi corrigida, a situação jurídica da candidatura de Pablo Marçal continua pendente de análise pela Justiça Eleitoral. O protocolo de um pedido de registro não significa que o candidato esteja definitivamente autorizado a disputar a eleição.
Como se trata de uma candidatura à Presidência da República, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral analisar o pedido e decidir se todas as condições legais estão preenchidas. Marçal conseguiu apresentar o registro depois de obter uma decisão judicial relacionada à sua filiação partidária ao PRTB, com efeitos que permitiram o cumprimento provisório do requisito exigido para participar do processo eleitoral.
Essa decisão, contudo, não encerra as demais discussões jurídicas envolvendo o candidato. Marçal enfrenta processos decorrentes da campanha de 2024 para a Prefeitura de São Paulo e já foi alvo de decisões de inelegibilidade na Justiça Eleitoral.
Decisões de inelegibilidade seguem em discussão
Em fevereiro de 2025, a Justiça Eleitoral de primeira instância declarou Pablo Marçal inelegível por oito anos em ações que tratavam, entre outros pontos, de abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e captação ilícita de recursos durante a campanha municipal de 2024.
Parte dessas decisões foi posteriormente modificada em instâncias superiores. Em novembro de 2025, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo reverteu uma das condenações de primeira instância. Na ocasião, entretanto, o próprio tribunal informou que o empresário ainda permanecia alcançado por outras decisões de inelegibilidade.
Os processos possuem fundamentos e tramitações distintas, razão pela qual a existência de um pedido de candidatura presidencial não significa que a discussão jurídica esteja encerrada. Caberá ao TSE analisar os recursos, as decisões ainda vigentes e a situação eleitoral do candidato antes de dar uma resposta definitiva sobre seu registro.
Essa análise poderá ocorrer paralelamente à campanha. Enquanto não houver decisão definitiva que impeça sua participação, Marçal pode continuar realizando atos eleitorais nos limites previstos pela legislação.
Retificação resolve diferença bilionária, mas não situação eleitoral
A correção apresentada nesta terça-feira esclarece, ao menos na documentação eleitoral, como um patrimônio de aproximadamente R$ 150 milhões apareceu inicialmente como uma fortuna superior a R$ 7 bilhões. Dois lançamentos — uma aplicação financeira e um terreno — explicam praticamente toda a diferença.
O investimento bancário foi reduzido de cerca de R$ 6,79 bilhões para R$ 6,79 milhões, enquanto o terreno passou de R$ 490 milhões para R$ 4,9 milhões. Ao mesmo tempo, a relação patrimonial foi ampliada de 18 para 43 itens, revelando uma revisão mais abrangente dos bens apresentados à Justiça Eleitoral.
Com isso, o patrimônio declarado de Pablo Marçal para as Eleições 2026 fica em aproximadamente R$ 149,9 milhões, abaixo dos cerca de R$ 169,5 milhões informados por ele na eleição de 2024.
A retificação encerra a discrepância contábil que havia provocado repercussão após o registro da candidatura, mas não resolve a questão mais importante para a campanha presidencial. O ponto que ainda depende da Justiça Eleitoral é saber se, diante das decisões e recursos relacionados à sua elegibilidade, Pablo Marçal terá ou não o registro de candidatura definitivamente deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral — sistema de divulgação e registro de candidaturas das Eleições 2026.
Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo — decisões e informações processuais relacionadas às ações eleitorais envolvendo Pablo Marçal.







