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Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

Candidata do PL ao Senado participou de ato com José Roberto Arruda, adversário da governadora Celina Leão, e reforçou apoio a Flávio Bolsonaro após semanas de atritos públicos na família

por Carlos Menezes
18/08/2026 às 16h46
em Política
Michelle Pede Voto Para Flávio Em Palanque De Arruda E Embaralha Alianças No Df - Gazeta Mercantil

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro transformou nesta terça-feira, 18 de agosto, o lançamento de um comitê eleitoral em Brasília em um retrato das alianças cruzadas que marcam o início da campanha de 2026 no Distrito Federal. Candidata do PL ao Senado, Michelle subiu ao palanque ao lado do ex-governador José Roberto Arruda, candidato do PSD ao governo local e adversário da governadora Celina Leão, ao mesmo tempo em que pediu votos para Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência.

O gesto reuniu no mesmo ato três movimentos políticos distintos: a reaproximação pública entre Michelle e Flávio após divergências expostas durante a pré-campanha; uma aproximação pessoal com Arruda, mesmo sem apoio formal à candidatura dele; e a preservação da candidatura presidencial do PL como elemento agregador de um campo político que, no Distrito Federal, está dividido entre diferentes projetos locais.

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“É um momento decisivo da nossa nação. Precisamos também eleger Flávio Bolsonaro como presidente. Vamos trabalhar para que a gente possa eleger a chapa do coração do Bolsonaro”, afirmou Michelle durante o evento.

A fala ocorre em um momento em que Flávio Bolsonaro já está formalmente apresentado pelo PL como candidato à Presidência. A convenção nacional da legenda realizada em 25 de julho aprovou o nome do senador com 230 votos favoráveis, uma abstenção e nenhum voto contrário. O registro aparece na Justiça Eleitoral como aguardando julgamento.

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Michelle divide palanque com adversário de Celina Leão

O evento foi organizado para marcar o lançamento do comitê de campanha do deputado federal Alberto Fraga, candidato à reeleição pelo PL.

A presença de Arruda produziu a principal imagem política do ato. O ex-governador concorre pelo PSD ao governo do Distrito Federal e disputa espaço justamente contra Celina Leão, cuja candidatura à reeleição recebeu apoio do PL local na composição anunciada durante as convenções.

Michelle, por sua vez, integra a chapa eleitoral do PL no Distrito Federal. Sua candidatura ao Senado foi oficializada ao lado da deputada Bia Kicis, enquanto a legenda decidiu apoiar Celina na corrida pelo Palácio do Buriti.

Isso colocou Michelle em uma situação incomum nesta terça-feira: no mesmo palco em que pediu votos para o presidenciável de seu próprio partido, dividiu espaço e trocou elogios com um candidato que enfrenta a aliada escolhida pelo PL para o governo distrital.

A própria ex-primeira-dama fez questão de estabelecer essa diferença.

“Tenho um carinho e respeito pela sua história, Arruda. Apesar de você não ser o meu candidato, mas eu tenho muito respeito por você. Não era para ter saído do PL, né, cabra?”, disse Michelle, em tom descontraído.

A declaração delimitou formalmente a posição política de Michelle — Arruda não é seu candidato ao governo —, mas simultaneamente abriu espaço para uma demonstração pública de proximidade entre os dois.

“Daqui a pouco a gente junta tudo”, diz Arruda

A resposta de José Roberto Arruda ampliou a leitura política do encontro.

Fora do microfone, o ex-governador respondeu: “Daqui a pouco a gente junta tudo”.

A frase, embora tenha sido feita em um ambiente descontraído e não represente por si só qualquer anúncio de aliança, ganha peso porque ocorre no começo de uma campanha em que as chapas já foram apresentadas, mas os candidatos ainda procuram ampliar seus respectivos campos de apoio.

Arruda também demonstrou proximidade com o bolsonarismo durante o ato.

Mesmo tendo lançado Ronaldo Fonseca, do PSD, para uma das vagas ao Senado, o candidato ao governo mencionou Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas candidatas pelo PL, ao discursar.

“Na política, às vezes os caminhos se encontram mais à frente”, afirmou Arruda.

Ele também declarou gratidão a Jair Bolsonaro ao se dirigir a Michelle: “Se eu estou aqui hoje, eu devo a ele”.

As falas não alteram formalmente as chapas apresentadas à Justiça Eleitoral, mas mostram como as alianças nacionais e distritais podem seguir trajetórias diferentes durante a campanha.

Michelle reforça apoio a Flávio Bolsonaro

O pedido explícito de votos para Flávio Bolsonaro é também relevante por outro motivo: ocorre depois de semanas em que divergências entre Michelle e o senador se tornaram públicas.

Durante a montagem da campanha presidencial, a relação entre os dois passou por um período de tensão. Posteriormente, Flávio divulgou um pedido de desculpas, aceito publicamente por Michelle.

Em 11 de agosto, os dois já haviam aparecido juntos durante gravações da campanha presidencial em Brasília. Na ocasião, Flávio chamou Michelle de “pessoa qualificada” e afirmou que ela teria papel relevante na representação do Distrito Federal caso fosse eleita para o Senado.

O ato desta terça-feira acrescenta uma nova etapa a essa cronologia.

Se uma semana antes Flávio havia feito elogios públicos à ex-primeira-dama, agora foi Michelle quem utilizou um discurso eleitoral para pedir diretamente sua eleição à Presidência.

A sequência reduz, ao menos publicamente, a percepção de afastamento entre os dois no início oficial da campanha.

Flávio também destaca participação de Michelle

O movimento ocorreu dos dois lados.

Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira, Flávio voltou a destacar a atuação política da ex-primeira-dama e sua participação na campanha.

Segundo o senador, Michelle já começou a pedir votos para sua candidatura. “Ela está fazendo um grande papel”, afirmou.

A aproximação tem relevância eleitoral porque Michelle possui candidatura própria e deverá concentrar parte de sua agenda no Distrito Federal.

Ao mesmo tempo, sua imagem deverá ser utilizada pela campanha presidencial do PL. A própria equipe de Flávio já havia indicado que pretendia incluir Michelle no horário eleitoral e em materiais de campanha.

Essa sobreposição cria uma estratégia de mão dupla: Michelle pode utilizar a campanha nacional para ampliar sua exposição na disputa pelo Senado, enquanto Flávio busca incorporar a ex-primeira-dama à mobilização do eleitorado identificado com Jair Bolsonaro.

Palanque revela fragmentação da direita no Distrito Federal

O episódio desta terça-feira também expõe uma característica específica da eleição no Distrito Federal: candidaturas que disputam entre si o governo local continuam circulando por setores do mesmo eleitorado nacional.

Celina Leão, Arruda e lideranças do PL disputam uma parcela relevante do eleitorado conservador e bolsonarista, ainda que estejam distribuídos em projetos partidários diferentes.

O apoio formal do PL à candidatura de Celina não impede que políticos do partido mantenham relações pessoais ou eleitorais com Arruda.

Da mesma forma, Arruda pode mencionar candidatos do PL ao Senado sem abandonar a candidatura de Ronaldo Fonseca, apresentada por seu próprio campo político.

O resultado é uma eleição em que o conceito tradicional de palanque fechado perde força.

Na prática, candidatos nacionais podem encontrar apoio em mais de uma candidatura estadual, enquanto postulantes locais procuram preservar vínculos com grupos políticos que estão formalmente em chapas adversárias.

Michelle tenta separar relação pessoal de apoio eleitoral

A frase dirigida a Arruda sintetiza essa estratégia.

Ao dizer que o ex-governador não é seu candidato, Michelle preservou sua posição partidária. Ao afirmar que possui “carinho e respeito” por ele e lamentar sua saída do PL, preservou a relação política.

Essa distinção pode ser importante ao longo da campanha.

Michelle disputa uma das duas vagas do Distrito Federal ao Senado e, portanto, precisa ampliar sua votação para além de um único núcleo partidário. Ao mesmo tempo, não pode ignorar a aliança estabelecida pelo PL na disputa pelo governo.

Arruda enfrenta um problema semelhante pelo lado oposto: precisa construir uma candidatura competitiva ao governo sem se afastar de um eleitorado que mantém identificação com Bolsonaro e que também será disputado por candidatos apoiados pelo PL.

O encontro no comitê de Fraga mostrou como essas duas necessidades podem coexistir no mesmo palco.

Bia Kicis também integra disputa pelo Senado

O cenário se torna mais complexo porque o Distrito Federal elegerá dois senadores em 2026.

O PL lançou Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para as duas vagas. Durante a convenção que oficializou a candidatura da ex-primeira-dama, o partido também definiu apoio à reeleição de Celina Leão.

Arruda, por sua vez, lançou Ronaldo Fonseca ao Senado, mas fez referência às candidaturas de Michelle e Bia durante o evento desta terça-feira.

Essa configuração permite que eleitores votem em candidatos ao Senado associados a grupos diferentes daquele escolhido para o governo, o que amplia o incentivo para campanhas cruzadas e manifestações de apoio que não seguem necessariamente a composição formal das coligações.

É nesse ambiente que a presença de Michelle no palanque de Arruda adquire maior relevância política.

Não houve anúncio de mudança de apoio ao governo do Distrito Federal. Também não houve formalização de aliança entre Michelle e Arruda.

O que ocorreu foi uma demonstração pública de proximidade em meio a uma disputa na qual as fronteiras entre grupos aliados e adversários estão menos rígidas do que as chapas partidárias sugerem.

Campanha presidencial ganha novo gesto de unidade

Para Flávio Bolsonaro, o efeito mais imediato do evento ocorreu fora da disputa distrital.

Michelle pediu votos explicitamente para sua candidatura presidencial.

Depois das divergências registradas durante a pré-campanha, cada manifestação pública de unidade possui significado adicional para o PL.

A convenção nacional do partido confirmou Flávio como candidato em 25 de julho. Dos 231 votos registrados no item que tratava da candidatura presidencial, 230 foram favoráveis e um foi de abstenção.

Agora, com a campanha oficialmente em andamento, o desafio deixa de ser apenas consolidar o nome dentro da estrutura partidária e passa a incluir a mobilização conjunta das principais figuras ligadas ao bolsonarismo.

Michelle representa uma dessas figuras.

O ato de Brasília mostrou que ela pretende participar dessa mobilização ao mesmo tempo em que conduz sua própria campanha ao Senado.

Também revelou, porém, que essa participação não necessariamente obedecerá a fronteiras locais rígidas.

Michelle pode apoiar Flávio para presidente, integrar a chapa do PL ao Senado, manter o apoio partidário a Celina Leão e, ainda assim, dividir um palanque com Arruda e elogiar publicamente o ex-governador.

Esse conjunto de movimentos ajuda a explicar uma das características que deverão acompanhar as Eleições 2026: as alianças formalizadas nos registros partidários não eliminam relações políticas construídas fora delas.

No Distrito Federal, o primeiro exemplo concreto apareceu justamente no palanque de Alberto Fraga.

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