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Patrimônio dos candidatos 2026: veja quanto presidenciáveis, candidatos ao Senado e à Câmara declararam

Declarações entregues à Justiça Eleitoral expõem fortunas milionárias, diferenças patrimoniais entre candidatos e uma sequência de valores que precisaram ser corrigidos após erros de preenchimento

por Júlia Campos
18/08/2026 às 14h07
em Política
Declaração De Patrimonio Dos Políticos Na Justiça Eleitoral - Gazeta Mercantil

O patrimônio dos candidatos nas eleições de 2026 vai de declarações sem qualquer bem registrado a carteiras de dezenas ou centenas de milhões de reais. Os dados apresentados à Justiça Eleitoral abrangem não apenas os concorrentes à Presidência da República, mas também centenas de candidatos ao Senado e milhares de postulantes às 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.

A Gazeta Mercantil analisou as declarações disponibilizadas pela Justiça Eleitoral e registros tornados públicos até esta segunda-feira, 17 de agosto. O retrato mostra que riqueza elevada não está concentrada na disputa presidencial: candidatos ao Senado e a deputado federal também apresentam patrimônios de dezenas de milhões de reais, compostos por imóveis, propriedades rurais, participações empresariais, aplicações financeiras, aeronaves e dinheiro em espécie. O próprio TSE disponibiliza arquivos específicos de candidatos e de bens declarados para as eleições de 2026.

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A leitura dos números, porém, exige cautela. As informações são declaradas pelos próprios candidatos e podem ser retificadas durante o processamento dos registros. Em 2026, diferentes candidaturas chegaram a aparecer no sistema com patrimônios bilionários que posteriormente foram atribuídos a erros de digitação ou preenchimento. O caso ganhou relevância porque a inclusão automática desses registros em rankings produz uma fotografia distorcida das maiores fortunas da eleição.

O encerramento do prazo regular para registro ocorreu às 19h de sábado, 15 de agosto. Um balanço realizado após o prazo apontava pelo menos 315 candidatos ao Senado e 7.623 candidatos a deputado federal, além dos postulantes à Presidência e aos demais cargos. Os pedidos ainda dependem de julgamento da Justiça Eleitoral.

Augusto Cury lidera patrimônio entre presidenciáveis

Entre os candidatos à Presidência com valores sem contestação pública, Augusto Cury (Avante) apresenta o maior patrimônio declarado: R$ 242.281.162,52. A carteira reúne participações empresariais, créditos, aplicações financeiras e propriedades.

Romeu Zema (Novo) aparece em seguida, com R$ 178.707.610,09. Parte relevante do patrimônio está ligada a participações societárias e investimentos financeiros. O empresário mineiro já figurava entre os candidatos mais ricos nas eleições anteriores.

Na terceira posição está Ronaldo Caiado (PSD), com R$ 52.557.930,98, seguido por Wilson Grassi (Democrata), que declarou R$ 50 milhões.

Depois deles, os valores caem de maneira acentuada. Flávio Bolsonaro (PL) declarou R$ 8.186.555,83, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou R$ 4.775.650,64. A casa de Flávio no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6,2 milhões na declaração eleitoral, representa a maior parcela do patrimônio registrado pelo candidato.

Clariana Barão (DC) declarou R$ 1,82 milhão; Renan Santos (Missão), R$ 795 mil; Edmilson Costa (PCB), R$ 454,5 mil; e Samara Martins (UP), R$ 33 mil. Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem sem patrimônio declarado na relação consultada.

O ranking presidencial, desconsiderando valores cuja correção foi publicamente solicitada, fica assim:

  1. Augusto Cury (Avante): R$ 242,28 milhões
  2. Romeu Zema (Novo): R$ 178,71 milhões
  3. Ronaldo Caiado (PSD): R$ 52,56 milhões
  4. Wilson Grassi (Democrata): R$ 50 milhões
  5. Flávio Bolsonaro (PL): R$ 8,19 milhões
  6. Lula (PT): R$ 4,78 milhões
  7. Clariana Barão (DC): R$ 1,82 milhão
  8. Renan Santos (Missão): R$ 795 mil
  9. Edmilson Costa (PCB): R$ 454,5 mil
  10. Samara Martins (UP): R$ 33 mil
  11. Hertz Dias (PSTU): sem bens declarados
  12. Rui Costa Pimenta (PCO): sem bens declarados

Candidatos ao Senado também apresentam fortunas milionárias

A dispersão regional da eleição para o Senado torna a comparação mais complexa. São duas vagas por estado e pelo Distrito Federal em 2026, e cada candidatura é registrada no respectivo Tribunal Regional Eleitoral. O próprio TSE estabelece que, neste pleito, o eleitor votará em dois candidatos ao Senado porque dois terços das 81 cadeiras da Casa serão renovados.

Entre os patrimônios expressivos já apresentados está o do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO). Candidato à reeleição por Goiás, ele declarou aproximadamente R$ 66,8 milhões. Somente duas aeronaves informadas por Vanderlan representam cerca de R$ 25,3 milhões da declaração.

No Amazonas, Eduardo Braga (MDB) declarou aproximadamente R$ 60,3 milhões em bens em sua tentativa de permanecer no Senado. O valor representa quase o dobro do patrimônio que havia informado anteriormente à Justiça Eleitoral.

No Piauí, Ciro Nogueira (PP) registrou R$ 34.610.258,62. A declaração representa crescimento nominal em relação aos R$ 23,3 milhões apresentados na eleição de 2018, quando conquistou o atual mandato.

Em Alagoas, Arthur Lira (PP), que deixa a disputa por uma cadeira de deputado para tentar o Senado, declarou R$ 25,96 milhões. Em 2022, o então candidato à Câmara havia informado cerca de R$ 5,96 milhões, o que corresponde a uma elevação nominal de aproximadamente 335% em quatro anos.

Na Bahia, Jaques Wagner (PT) declarou aproximadamente R$ 24,5 milhões. A maior parcela individual está relacionada a um crédito de cerca de R$ 13,8 milhões decorrente da venda de imóvel.

São Paulo oferece outro recorte da diferença patrimonial. Simone Tebet (PSB) declarou cerca de R$ 10,6 milhões, enquanto Ricardo Salles (Novo) informou aproximadamente R$ 9,05 milhões. Geraldo Rufino (Podemos) aparece com R$ 5,65 milhões, Guilherme Derrite (PP) com aproximadamente R$ 2 milhões e Marina Silva (Rede) com R$ 274,5 mil.

O conjunto mostra que não existe um único padrão econômico entre os postulantes ao Senado: as declarações vão de poucos milhares ou nenhum bem informado a patrimônios superiores a R$ 60 milhões.

Câmara dos Deputados reúne candidatos com dezenas de milhões

A disputa para deputado federal tem escala ainda maior. São milhares de candidatos distribuídos pelas 27 unidades da Federação, o que torna pouco útil uma listagem integral em uma única reportagem. O levantamento da Gazeta Mercantil concentrou-se, portanto, nos patrimônios milionários de maior relevância já identificados e em candidatos de projeção nacional.

Um dos casos de maior valor confirmado é o de Antonio Rueda (União Brasil), candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Presidente nacional do partido, Rueda declarou R$ 75.658.784,07 em bens. A carteira inclui imóveis em diferentes estados, participações societárias, aplicações financeiras e veículos.

Entre os bens está uma Mercedes-Benz AMG G63 declarada por R$ 2,35 milhões. Somados, os imóveis de Rueda alcançam dezenas de milhões de reais, enquanto aplicações financeiras e participações empresariais representam outra parcela significativa do patrimônio.

Também no Rio de Janeiro, o empresário Clébio Jacaré (União Brasil) declarou aproximadamente R$ 57,07 milhões ao disputar uma vaga de deputado federal. A relação chama atenção pela presença de cerca de R$ 11,95 milhões em dinheiro em espécie, além de créditos, imóveis e participações.

Em São Paulo, Silvia Abravanel (PSD) declarou R$ 47.546.965,91. Parte importante dos recursos está em aplicações financeiras. Uma LCI foi registrada por R$ 17,2 milhões, enquanto a declaração inclui imóveis, depósitos judiciais, participações empresariais e ativos no exterior.

Outro nome conhecido da disputa paulista, José Luiz Datena (PSB), informou patrimônio de aproximadamente R$ 35,9 milhões. Cerca de R$ 29,1 milhões estão concentrados em duas aplicações de previdência privada. O apresentador também relacionou nove propriedades avaliadas conjuntamente em aproximadamente R$ 6,3 milhões.

Na Bahia, Neto Carletto (Avante) declarou aproximadamente R$ 34,3 milhões, enquanto Antônio Nicolau Cerqueira (PL) registrou cerca de R$ 50,2 milhões. No caso de Nicolau, aproximadamente R$ 50 milhões aparecem relacionados a uma área de mineração.

No Piauí, Jadyel Alencar (Republicanos), candidato à reeleição, aparece com aproximadamente R$ 24,5 milhões no levantamento patrimonial. Só duas aeronaves declaradas pelo parlamentar somam R$ 13,9 milhões, incluindo um jato executivo Phenom 100 avaliado em R$ 11,4 milhões.

Erros bilionários distorceram ranking dos candidatos mais ricos

Um dos aspectos mais relevantes das declarações de 2026 é a quantidade de valores extraordinários que passaram a circular como se representassem fortunas efetivas dos candidatos.

O caso de Duda Sanches (PSDB-BA) é ilustrativo. O sistema chegou a apontar R$ 140,5 milhões em patrimônio para o candidato a deputado federal. Ele afirmou, porém, que o montante resultou de erro de digitação do partido e que solicitou a retificação. Entre os itens que apareceram na declaração estava uma área agrícola que deveria ter valor de aproximadamente R$ 140 mil.

Problema semelhante ocorreu com Renato Ribeiro (PL-GO). Seu patrimônio apareceu inicialmente como R$ 1,85 bilhão, colocando-o artificialmente entre os candidatos mais ricos do Brasil. A campanha e o diretório estadual do PL reconheceram erro: um imóvel de aproximadamente R$ 1,8 milhão teria recebido três zeros adicionais no momento do preenchimento. O partido informou ter solicitado a retificação.

Leonardo Melo (MDB-AC) chegou a aparecer em levantamentos preliminares com patrimônio de aproximadamente R$ 2,29 bilhões. Dados mais recentes da candidatura, entretanto, apresentam patrimônio de aproximadamente R$ 2,89 milhões, uma diferença de quase mil vezes em relação ao número que havia circulado inicialmente.

Os casos demonstram por que rankings elaborados exclusivamente a partir de uma captura momentânea do banco do TSE podem produzir resultados enganosos enquanto os registros ainda estão sendo corrigidos.

Patrimônio declarado não significa valor de mercado

A declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral também não deve ser interpretada como uma avaliação atualizada da fortuna de cada candidato.

Imóveis, participações empresariais e outros ativos podem permanecer registrados pelos valores utilizados nas declarações tributárias, que nem sempre correspondem aos preços atuais de mercado. Assim, duas pessoas com patrimônio econômico semelhante podem apresentar valores eleitorais substancialmente diferentes dependendo da natureza dos ativos e de quando foram adquiridos.

O TSE disponibiliza no DivulgaCandContas informações como descrição e valor dos bens, dados pessoais da candidatura, situação do pedido de registro, histórico eleitoral e documentos relacionados ao processo. A plataforma é alimentada à medida que os dados enviados no CANDex são processados pela Justiça Eleitoral.

A declaração também não significa que a Justiça Eleitoral tenha auditado previamente a origem, existência ou valor de mercado de cada bem. Trata-se da informação apresentada pelo candidato no registro eleitoral, sujeita às regras e aos procedimentos de fiscalização aplicáveis.

Patrimônio dos candidatos será atualizado ao longo da eleição

Os números registrados em 17 de agosto representam, portanto, uma fotografia do início da campanha eleitoral de 2026. Pedidos de registro ainda estão sendo julgados, valores podem ser retificados e candidaturas podem sofrer substituições ou alterações até os prazos previstos na legislação.

A diferença entre os candidatos já é, contudo, expressiva. Na corrida presidencial, o patrimônio confirmado parte de zero e ultrapassa R$ 242 milhões. Entre candidatos ao Senado, há nomes com mais de R$ 60 milhões declarados. Na disputa pela Câmara, declarações confirmadas de dezenas de milhões coexistem com milhares de candidatos de patrimônio muito menor.

O cenário também evidencia uma particularidade da eleição de 2026: antes de comparar quem são os candidatos mais ricos, é necessário separar patrimônio efetivamente declarado de valores que os próprios postulantes reconhecem como erros. Com milhares de registros processados em poucos dias, uma casa de R$ 1,8 milhão pode aparecer como R$ 1,8 bilhão — e alterar completamente qualquer ranking nacional.

Fontes:

Tribunal Superior Eleitoral — Portal de Dados Abertos, DivulgaCandContas e informações oficiais sobre o registro de candidaturas e declarações de bens nas Eleições 2026.

Declarações públicas de candidatos e partidos sobre pedidos de retificação de valores patrimoniais apresentados à Justiça Eleitoral.

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