O senador Sergio Moro (PL-PR) lidera a corrida ao governo do Paraná a pouco mais de um mês do início oficial da campanha eleitoral de 2026, com 37% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. É o que aponta pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira, 18 de agosto. Na sequência aparecem o deputado federal Sandro Alex (PSD-PR), com 22%, e o deputado estadual Requião Filho (PDT-PR), com 20%.
O levantamento, que ouviu 1.600 eleitores entre os dias 13 e 17 de agosto, indica uma disputa concentrada nos três primeiros nomes e um patamar elevado de eleitores fora do campo dos candidatos competitivos. Luiz França (Missão-PR) soma 2%, outros nomes somam 1%, enquanto 6% declaram voto branco ou nulo e 12% afirmam não saber ou preferem não responder. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o protocolo PR-09262/2026.
O resultado coloca Moro 15 pontos percentuais à frente do segundo colocado. Em termos relativos, a intenção atribuída ao senador é 68,1% superior à de Sandro Alex. A distância entre Sandro Alex e Requião Filho é de 2 pontos, dentro da margem de erro, configurando empate técnico na disputa pela segunda posição.
Metodologia e registro oficial
O estudo foi realizado dentro das regras que passaram a valer em 1º de janeiro de 2026 para divulgação de pesquisas relativas às eleições gerais. Pela Lei nº 9.504/1997 e pela Resolução TSE nº 23.600/2019, todo levantamento de opinião pública sobre eleições ou candidatos divulgado a partir desta data precisa ser registrado no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais, o PesqEle, até cinco dias antes da publicação.
O registro deve conter informações como contratante, origem dos recursos, metodologia, período de campo, questionário aplicado, nome do estatístico responsável e abrangência geográfica. A ausência de registro sujeita os responsáveis a multa de R$ 53.205 a R$ 106.410, além de detenção de seis meses a um ano em caso de divulgação de pesquisa fraudulenta. A norma é a mesma que disciplina a possibilidade de impugnação por partidos, Ministério Público, candidatos e coligações.
No caso do levantamento desta terça-feira, o instituto informou amostragem de 1.600 entrevistas distribuídas no estado, coleta presencial e estratificação por região. O intervalo de confiança de 95% significa que, se a mesma pesquisa fosse repetida 100 vezes com amostras diferentes, em 95 delas o resultado ficaria dentro da margem de 2 pontos.
Primeiro turno mostra concentração e espaço para movimentação
No cenário principal testado, a soma das intenções nos quatro candidatos nominalmente apresentados chega a 81%. Os 19% restantes estão divididos entre outros nomes, brancos, nulos e indecisos. Quando isolados, brancos e nulos mais os que não sabem ou não respondem totalizam 18% do eleitorado ouvido, patamar superior à vantagem de Moro sobre Sandro Alex.
O quadro sugere duas leituras objetivas. A primeira é a consolidação de Moro acima da casa dos 30%, faixa que vem se repetindo em levantamentos de institutos diferentes ao longo do primeiro semestre. Pesquisas divulgadas por Quaest, IRG, Vox Brasil, Veritá e Paraná Pesquisas entre janeiro e julho situaram o senador entre 34,7% e 52,7% em cenários de primeiro turno, sempre na liderança. A segunda é a existência de um terço do eleitorado dividido entre segundo e terceiro colocados empatados tecnicamente e eleitores ainda não definidos.
A diferença de 15 pontos entre Moro e Sandro Alex é maior que a soma das intenções de Luiz França e outros nomes. Já a disputa entre Sandro Alex e Requião Filho, separada por 2 pontos, está no limite da margem e pode se inverter com a evolução da campanha, exposição de candidaturas e definição de palanques regionais.
Segundo turno amplia vantagem do senador
O instituto simulou três cenários de segundo turno. No primeiro, contra Requião Filho, Moro aparece com 55% contra 27% do adversário. A vantagem é de 28 pontos percentuais, o que representa mais que o dobro da intenção atribuída ao pedetista. Brancos e nulos somam 9% e os que não sabem ou não responderam também 9%.
No segundo cenário, contra Sandro Alex, Moro registra 45% e o deputado do PSD 30%. A distância cai para 15 pontos, equivalente a uma vantagem relativa de 50% para o senador. Neste recorte, o índice de brancos e nulos sobe para 14% e o de indecisos vai a 11%, totalizando 25% fora dos dois candidatos.
O terceiro cenário testa a disputa sem a presença de Moro. Sandro Alex aparece com 33% e Requião Filho com 30%. A diferença de 3 pontos está dentro da margem de erro de 2 pontos para cada lado, o que caracteriza empate técnico, mas com leve vantagem numérica para o candidato do PSD. Neste caso, o comportamento do eleitorado muda de forma relevante: brancos e nulos chegam a 18% e indecisos a 19%, somando 37%. O dado indica que, sem Moro na disputa, mais de um terço do eleitorado pesquisado não se posiciona entre os dois nomes remanescentes.
Em termos de transferência, o levantamento mostra que a saída de Moro pulveriza votos. O índice de brancos e nulos, que era de 6% no primeiro turno com Moro, triplica para 18% no cenário sem ele, enquanto os indecisos sobem de 12% para 19%. O movimento eleva em 19 pontos percentuais o total de eleitores fora da disputa direta.
Cenário político no Paraná e reposicionamento do PL
A liderança de Moro ocorre em um momento de reorganização partidária no estado. Eleito senador em 2022 pelo União Brasil, Moro se filiou ao PL em evento realizado em Brasília no dia 24 de junho deste ano, ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. A mudança foi acompanhada pela deputada federal Rosângela Moro, que também migrou do União Brasil para o PL.
Com a filiação, o PL deixou a base do governador Ratinho Jr. (PSD) para lançar candidatura própria. Em convenção realizada no início de agosto em Curitiba, o partido oficializou Moro ao governo, com Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, como vice. A coligação reúne PL, Novo, Podemos e Democracia Cristã e lançou para o Senado o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo).
Sandro Alex, atual deputado federal, é secretário de Infraestrutura e Logística do governo Ratinho Jr. e representa a continuidade do grupo que administra o estado desde 2019. Requião Filho, filho do ex-governador Roberto Requião, tenta levar o PDT ao segundo turno ancorado em redutos da região metropolitana e no interior, com discurso de oposição à atual gestão.
Luiz França, do partido Missão, aparece com 2% e tenta ampliar conhecimento no estado, ainda com baixa exposição. A pesquisa não testou nomes como Rafael Greca (MDB), ex-prefeito de Curitiba, que apareceu em levantamentos anteriores com percentuais entre 8,7% e 15%.
O Paraná tem o sexto maior colégio eleitoral do país, com mais de 8,5 milhões de eleitores aptos em 2024, e costuma ter disputa polarizada entre forças ligadas ao agronegócio, à indústria e a centros urbanos. A definição sobre palanques presidenciais também pesa: o estado deu 62,4% dos votos válidos a Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.
Regras para pesquisas e próximos passos da corrida
A partir de 2026, a Justiça Eleitoral passou a exigir que todas as pesquisas sejam registradas independentemente de sua divulgação pública. Antes, a obrigatoriedade valia apenas para levantamentos tornados públicos. Agora, mesmo sondagens de uso interno de partidos precisam constar no PesqEle se se referirem às eleições gerais ou a eventuais candidatos.
O sistema permite consulta pública dos registros, com informações sobre contratante, valor, metodologia e questionário. O objetivo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, é garantir os princípios da publicidade e do contraditório, permitindo que candidaturas e partidos impugnem levantamentos que considerem irregulares.
Para a corrida ao governo do Paraná, o calendário prevê convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto, registro de candidaturas até 15 de agosto e início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão em 28 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorre em 25 de outubro.
Até lá, a movimentação de indecisos será determinante. Com 12% de eleitores que não sabem ou não responderam no primeiro turno e 18% somando brancos, nulos e indecisos nos cenários de segundo turno com Moro, há espaço para crescimento dos candidatos que conseguirem consolidar apoios regionais e alianças com prefeitos. No cenário sem Moro, o espaço sobe para 37%, indicando que a presença do senador hoje organiza parte significativa do eleitorado que, sem ele, se dispersa ou deixa de se posicionar.
A série de levantamentos de 2026 mostra que, embora os patamares variem conforme metodologia e momento da coleta, Moro mantém vantagem consistente. O desafio para os adversários será reduzir a distância de dois dígitos até o início da propaganda e transformar o empate técnico pela segunda vaga em vantagem numérica capaz de levar a disputa para o segundo turno em condições competitivas.
Fontes:
Tribunal Superior Eleitoral – Resolução nº 23.600/2019 e regras de registro de pesquisas eleitorais no sistema PesqEle
Tribunal Regional Eleitoral do Paraná – normas sobre divulgação de pesquisas eleitorais e exigências de registro
Real Time Big Data – pesquisa de intenção de voto para o governo do Paraná divulgada em 18 de agosto de 2026 com metodologia e cenários de segundo turno
Instituto Paraná Pesquisas, Genial Quaest, IRG, Vox Brasil e Veritá – levantamentos anteriores sobre a disputa ao governo do Paraná em 2026 utilizados para comparação histórica
Lei nº 9.504 de 1997 – artigo 33 e penalidades previstas para divulgação de pesquisa sem registro









