Ibovespa hoje: inflação nos EUA, julgamento de Bolsonaro e dados do varejo guiam os mercados
O Ibovespa hoje abre o pregão em um cenário de incertezas, influenciado por fatores internos e externos que movimentam o humor dos investidores. Do lado internacional, a expectativa em torno dos dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos e da decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE) é o destaque. No Brasil, o mercado acompanha os números do varejo de julho divulgados pelo IBGE, leilões do Tesouro Nacional e, sobretudo, a reta final do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com tantos elementos no radar, o dia promete alta volatilidade e exige atenção redobrada de investidores que buscam entender as perspectivas para o Ibovespa hoje.
Inflação nos EUA e impacto global
Os mercados internacionais operam em tom levemente otimista, com os futuros de Nova York em alta e investidores atentos ao CPI de agosto. A expectativa é de uma variação de 0,3% no mês, após 0,2% em julho, levando a taxa anual a 2,9% ante 2,7% na leitura anterior.
Embora o número não deva mudar a aposta predominante de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) na próxima semana, ele pode redefinir o ritmo e a magnitude do ciclo de flexibilização monetária até 2025. Juros mais baixos nos EUA tendem a favorecer ativos de risco, como ações, mas também podem gerar pressão sobre o câmbio e os mercados emergentes.
Esse dado é crucial para os investidores brasileiros, já que influencia diretamente o comportamento do dólar e dos fluxos de capital estrangeiro, dois elementos que impactam o desempenho do Ibovespa hoje.
Decisão do BCE e falas de Christine Lagarde
Na Europa, o BCE anuncia sua decisão de política monetária ainda nesta quinta-feira (11). O consenso é pela manutenção dos juros, já que a inflação na zona do euro segue próxima da meta de 2%. No entanto, declarações da presidente Christine Lagarde podem direcionar os mercados ao indicar como o banco central europeu pretende agir diante das incertezas trazidas pelas tarifas comerciais impostas pelo governo Trump.
Esse contexto internacional, somado às expectativas em torno da política monetária americana, compõe um quadro decisivo para o comportamento dos índices globais e do Ibovespa hoje.
Dados do varejo brasileiro em julho
No cenário doméstico, investidores acompanham os números do varejo ampliado e restrito de julho divulgados pelo IBGE.
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Varejo ampliado: expectativa de alta de 0,8% após recuo de 2,5% em junho.
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Varejo restrito: projeção de queda de 0,3%, o quarto mês consecutivo de recuo.
Segundo economistas, o impacto da política monetária contracionista segue pesando sobre o consumo, principalmente de bens duráveis que dependem de crédito, como eletrodomésticos e móveis. Esse desempenho fraco reforça a percepção de que a Selic elevada tem freado a atividade, e pode afastar apostas de corte de juros adicionais em dezembro.
A reação do varejo, combinada ao cenário externo, deve influenciar diretamente as negociações no Ibovespa hoje.
Commodities em baixa e impacto em Vale e Petrobras
As commodities iniciaram o dia pressionadas. O petróleo recua após ajustes pontuais, mesmo com a Agência Internacional de Energia (AIE) elevando sua projeção de demanda para 2025. O barril do WTI cai 0,79%, cotado a US$ 63,17, enquanto o Brent recua 0,68%, a US$ 67,03.
O minério de ferro também fechou em queda de 0,81% na Bolsa de Dalian, cotado a US$ 111,70 por tonelada.
Nos EUA, os recibos de ações brasileiras (ADRs) indicam estabilidade para a Vale (VALE3) e leve queda de 0,08% para a Petrobras (PETR3; PETR4). Esse movimento pode limitar o desempenho do Ibovespa hoje, já que as duas empresas têm forte peso na composição do índice.
Julgamento de Bolsonaro no STF e seus efeitos no mercado
No campo político, a reta final do julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado monopoliza atenções. A sessão desta quinta-feira deve contar com o voto da ministra Cármen Lúcia, que terá papel decisivo para a formação da maioria.
O resultado final só deve ser conhecido na sexta-feira (12), mas a expectativa de condenações ou absolvições pode gerar volatilidade no mercado. O voto do ministro Luiz Fux, que absolveu o ex-presidente após mais de 11 horas de exposição, surpreendeu os colegas e adicionou incertezas ao desfecho do caso.
Para os investidores, o julgamento não impacta apenas o ambiente político, mas também a percepção de estabilidade institucional, fator essencial para o desempenho do Ibovespa hoje.
Leilões do Tesouro Nacional
Outro ponto no radar é a realização dos leilões de títulos públicos pelo Tesouro Nacional. Serão ofertadas Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), ambos títulos prefixados. O resultado desses leilões pode sinalizar a demanda dos investidores por dívida pública e refletir nas taxas de juros futuros, influenciando diretamente os ativos de renda variável.
Perspectivas para o Ibovespa hoje
Diante de tantos fatores, o Ibovespa hoje deve operar sob volatilidade, com investidores ajustando posições conforme chegam os dados de inflação nos EUA, os números do varejo brasileiro, o desempenho das commodities e os desdobramentos políticos no STF.
O viés externo de alta pode até sustentar algum otimismo, mas a combinação de incertezas internas e externas deve manter o mercado em compasso de espera até a divulgação do CPI americano e a definição do julgamento de Bolsonaro.
O pregão desta quinta-feira (11) será marcado por um misto de expectativa e cautela. O Ibovespa hoje está no centro de uma confluência de fatores decisivos: a inflação dos EUA, o futuro da política monetária global, os números do varejo nacional, o desempenho das commodities e a definição do STF sobre Bolsonaro.
Para os investidores, a leitura integrada desses elementos será fundamental para entender os rumos da bolsa brasileira no curto prazo.






