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ANS aprova reajuste de até 5,11% para planos de saúde individuais e familiares

Índice vale para contratos individuais e familiares entre maio de 2026 e abril de 2027 e atinge cerca de 7,7 milhões de beneficiários.

por Daniel Wicker
29/05/2026 às 13h23
em Saúde
Ans Aprova Reajuste De Até 5,11% Para Planos De Saúde Individuais E Familiares - Gazeta Mercantil - Saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou nesta sexta-feira (29) o reajuste máximo de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares, índice que poderá ser aplicado pelas operadoras entre maio de 2026 e abril de 2027, sempre no mês de aniversário de cada contrato. A decisão foi tomada em reunião extraordinária da diretoria colegiada da agência e atinge cerca de 7,7 milhões de beneficiários no Brasil.

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O percentual aprovado pela ANS ficou abaixo do teto autorizado em 2025, quando o reajuste foi de 6,06%. Segundo a agência, o resultado mantém a trajetória de desaceleração observada após os aumentos mais elevados registrados no período posterior à pandemia.

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Pela série histórica da ANS, o índice de 5,11% é o menor reajuste desde 2000, quando o teto para planos individuais e familiares passou a ser regulamentado, desconsiderando o resultado excepcional de 2021. Naquele ano, houve redução de 8,19%, em razão de efeitos específicos da pandemia sobre a utilização dos serviços de saúde.

Entre os maiores reajustes autorizados pela agência estão os de 2015, 2016 e 2017, todos acima de 13%, além de 2022, quando o teto chegou a 15,5%. A comparação reforça a perda de força dos reajustes nos contratos regulados, embora o aumento ainda represente impacto direto no orçamento das famílias que pagam planos de saúde nessa modalidade.

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Reajuste vale para contratos individuais e familiares

O teto de 5,11% aprovado pela ANS vale apenas para planos de saúde contratados diretamente por pessoas físicas. Essa categoria inclui os planos individuais e familiares, nos quais o consumidor firma o contrato diretamente com a operadora.

A modalidade representa uma parcela minoritária do mercado de saúde suplementar no país. De acordo com os dados informados pela agência, os planos individuais e familiares reúnem cerca de 7,7 milhões de beneficiários, o equivalente a 14,5% dos 52,9 milhões de consumidores de planos de assistência médica no Brasil.

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A aplicação do reajuste não ocorre de forma automática para todos os usuários no mesmo mês. O percentual pode ser cobrado no mês de aniversário de cada contrato, dentro do período autorizado pela ANS, entre maio de 2026 e abril de 2027.

Isso significa que consumidores com contratos que fazem aniversário em meses diferentes sentirão o impacto em momentos distintos. Para contratos com aniversário em maio e junho, a cobrança do novo índice poderá ocorrer nos meses seguintes, com possibilidade de valores retroativos, conforme as regras definidas pela agência.

Na prática, se uma mensalidade atual for de R$ 1.000, o reajuste máximo de 5,11% pode elevar o valor para R$ 1.051,10. O cálculo final, porém, depende do valor contratado, da data de aniversário do plano e das regras aplicáveis ao contrato específico.

Cálculo considera custos assistenciais e uso dos serviços

Segundo a ANS, o cálculo do reajuste considera a variação das despesas assistenciais das operadoras. Esse indicador leva em conta tanto o aumento dos custos médico-hospitalares quanto a frequência de utilização dos serviços pelos beneficiários.

A metodologia da agência busca medir a evolução das despesas com consultas, exames, internações, terapias, procedimentos e demais coberturas obrigatórias previstas nos contratos regulados. Neste ano, a variação das despesas assistenciais, chamada de VDA, ficou em 8,32%.

Apesar de a VDA ter ficado acima do índice final autorizado, a fórmula de cálculo do reajuste também considera outros componentes definidos pela regulação. O objetivo declarado da ANS é equilibrar dois fatores: a proteção dos usuários e a sustentabilidade econômico-financeira das operadoras.

O setor de saúde suplementar argumenta que os custos seguem pressionados por fatores estruturais, como incorporação de novas tecnologias, envelhecimento da população, aumento da demanda por atendimentos e maior complexidade dos procedimentos cobertos pelos planos.

Do lado dos consumidores, o reajuste ocorre em um contexto de orçamento familiar ainda pressionado por despesas essenciais. Planos de saúde costumam representar uma parcela relevante do gasto mensal de famílias de renda média e alta, especialmente quando há idosos, crianças ou pessoas com doenças crônicas no contrato.

Índice menor não elimina pressão sobre famílias

Embora o reajuste de 5,11% seja inferior ao autorizado no ano passado, o aumento ainda amplia o custo dos contratos individuais e familiares. Para muitos beneficiários, a mensalidade do plano de saúde já representa uma das maiores despesas fixas do orçamento doméstico.

O impacto tende a ser maior em contratos antigos, planos com cobertura mais ampla e faixas etárias mais elevadas. Em alguns casos, o reajuste anual se soma a mudanças de faixa etária previstas em contrato, o que pode elevar de forma mais expressiva o valor pago pelo consumidor.

A ANS regula o teto dos planos individuais e familiares justamente porque esse tipo de contrato tem características diferentes dos planos coletivos. Na modalidade individual, o consumidor tem maior proteção contra rescisão unilateral por parte da operadora e o reajuste anual depende de autorização da agência.

Essa proteção regulatória, porém, convive com uma oferta reduzida de planos individuais no mercado. Nos últimos anos, muitas operadoras concentraram suas vendas em planos coletivos empresariais ou por adesão, modalidades que têm regras diferentes de reajuste e rescisão.

O resultado é um mercado no qual os planos individuais são mais protegidos, mas menos disponíveis para novos consumidores. Essa dinâmica ajuda a explicar por que a maioria dos beneficiários de saúde suplementar no Brasil está vinculada a contratos coletivos.

Planos coletivos ficam fora do teto aprovado pela ANS

O reajuste máximo de 5,11% não se aplica aos planos coletivos empresariais ou por adesão. Esses contratos são firmados por empresas, sindicatos, entidades de classe, associações ou administradoras de benefícios, e os percentuais são negociados entre operadoras e contratantes.

Os planos coletivos representam a maior parte do mercado de saúde suplementar no Brasil. Por não terem teto anual definido pela ANS nos mesmos moldes dos contratos individuais e familiares, eles frequentemente concentram reclamações de consumidores sobre aumentos considerados elevados.

Nos contratos empresariais, os reajustes costumam ser influenciados pela sinistralidade, ou seja, pela relação entre o que a operadora arrecada em mensalidades e o que gasta com assistência médica daquele grupo. Em contratos menores, variações na utilização dos serviços podem provocar aumentos mais intensos.

Já nos planos coletivos por adesão, contratados por meio de entidades representativas, o reajuste também pode variar de acordo com as negociações entre operadora, administradora e entidade contratante. Consumidores desses planos, muitas vezes, têm menor previsibilidade sobre o percentual anual.

Entidades de defesa do consumidor costumam cobrar maior regulação dos contratos coletivos, sob o argumento de que parte dos beneficiários migrou para essas modalidades por falta de oferta de planos individuais. Para essas entidades, a ausência de teto pode gerar aumentos desproporcionais em determinados grupos.

Setor aponta pressão de custos médicos

As operadoras de planos de saúde afirmam que a assistência médica segue pressionada por custos crescentes. Entre os principais fatores citados pelo setor estão a ampliação do uso de terapias, exames de alta complexidade, medicamentos especiais, procedimentos hospitalares e novas tecnologias incorporadas ao rol de cobertura obrigatória.

O envelhecimento da população também é apontado como componente relevante. Beneficiários mais idosos tendem a utilizar com maior frequência os serviços de saúde, o que eleva a despesa assistencial das operadoras ao longo do tempo.

Outro fator observado pelo setor é o aumento da demanda reprimida após a pandemia. Consultas, exames e cirurgias adiados em anos anteriores voltaram a pressionar a rede assistencial, contribuindo para elevar a utilização dos serviços.

A discussão sobre reajustes envolve, portanto, uma tensão permanente entre custos médicos e capacidade de pagamento dos usuários. Quando o aumento é considerado baixo pelas operadoras, o setor argumenta que pode haver desequilíbrio econômico. Quando o reajuste pesa no orçamento, consumidores e entidades civis apontam risco de exclusão de beneficiários.

A ANS tenta mediar esse equilíbrio por meio de metodologia própria para os planos individuais e familiares. Ainda assim, o debate permanece sensível porque saúde suplementar é um serviço essencial para milhões de brasileiros.

Consumidor deve conferir contrato e mês de aniversário

Com a aprovação do novo teto, beneficiários de planos individuais e familiares devem observar o mês de aniversário do contrato. É nesse momento que o reajuste pode ser aplicado pela operadora.

A cobrança deve respeitar o percentual máximo aprovado pela ANS. Caso o consumidor identifique aumento superior a 5,11% no reajuste anual do plano individual ou familiar, deve verificar se houve também mudança de faixa etária ou outro componente contratual.

A recomendação é conferir o boleto, o contrato e os comunicados enviados pela operadora. Em caso de dúvida, o beneficiário pode solicitar esclarecimentos diretamente à empresa e registrar reclamação nos canais oficiais da agência reguladora.

Para contratos com aniversário em maio e junho, a ANS permite que a cobrança ocorra posteriormente, com valores retroativos. Nesse caso, a operadora deve informar de forma clara o valor referente ao reajuste e eventual diferença acumulada.

A transparência na comunicação é essencial porque muitos consumidores confundem o reajuste anual autorizado pela agência com aumentos decorrentes de faixa etária. São mecanismos distintos, embora ambos possam afetar o valor final da mensalidade.

Decisão reforça debate sobre regulação da saúde suplementar

O reajuste de 5,11% aprovado pela ANS ocorre em um momento de forte debate sobre o custo dos planos de saúde no Brasil. A desaceleração do índice para contratos individuais e familiares alivia parte da pressão, mas não encerra as discussões sobre a sustentabilidade do setor e a proteção dos consumidores.

A diferença entre planos individuais regulados e planos coletivos sem teto anual segue no centro da discussão. Enquanto os contratos individuais têm reajuste limitado pela agência, os coletivos dependem de negociação e podem apresentar variações mais amplas.

Para as famílias, o novo índice define o limite de aumento em uma modalidade mais protegida, mas que representa parcela pequena do mercado. Para as operadoras, o percentual aprovado será uma referência relevante em um ambiente de custos assistenciais ainda elevados.

A decisão da ANS, portanto, tem impacto direto sobre milhões de consumidores e mantém em evidência a disputa entre preço, acesso, regulação e equilíbrio financeiro na saúde suplementar brasileira.

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