terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Saúde

UNICEF aponta por que 7 em cada 10 brasileiras preferem parto normal, mas acabam em cesáreas

Estudo com 131 gestantes, puérperas e profissionais de saúde identifica falhas no pré-natal, acesso restrito à analgesia, pressão da rede de apoio e incentivos institucionais que dificultam o parto normal.

por Isabel Alves
13/07/2026 às 19h34
em Saúde
Unicef Aponta Por Que 7 Em Cada 10 Brasileiras Preferem Parto Normal, Mas Acabam Em Cesáreas - Gazeta Mercantil

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou nesta segunda-feira (13), em Brasília, um estudo que investiga por que mulheres brasileiras que iniciam a gestação com preferência pelo parto normal terminam submetidas a cesarianas, inclusive sem indicação médica. Realizada em Belém (PA) e São Paulo (SP), a pesquisa ouviu 131 gestantes, puérperas e profissionais das redes pública e privada e concluiu que a mudança da via de nascimento não decorre apenas de uma decisão individual: ela é influenciada pela qualidade do pré-natal, pelo acesso ao controle da dor, pela participação do acompanhante e pela organização econômica dos serviços de saúde.

Intitulado “Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes”, o levantamento parte de um contraste persistente na assistência obstétrica brasileira. Segundo o UNICEF, dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que sete em cada dez mulheres manifestam preferência pelo parto normal no início da gravidez. Ao fim da gestação, porém, a cesariana é a forma de nascimento mais frequente no país.

A diferença entre a intenção inicial e o procedimento realizado levou os pesquisadores a examinar medos, expectativas, experiências anteriores e as condições oferecidas por hospitais, maternidades, planos de saúde e equipes. Para o UNICEF, informação é necessária, mas não basta: a autonomia depende de orientação clínica clara, acolhimento, garantia de direitos e recursos que permitam atravessar o trabalho de parto com segurança. Sem essas condições, a preferência pelo parto normal pode ser enfraquecida ao longo dos meses.

Preferência pelo parto normal se perde durante o pré-natal

A pesquisa mostra que muitas mulheres chegam ao pré-natal favoráveis ao parto normal, mas recebem explicações superficiais sobre as etapas do trabalho de parto, as formas de alívio da dor e as situações em que uma cesariana é necessária. A falta de orientação detalhada amplia a insegurança e abre espaço para relatos negativos, pressões familiares e decisões tomadas sob estresse.

Quando temas como analgesia, Plano de Parto, liberdade de posição, presença de acompanhante e métodos não farmacológicos são discutidos apenas perto do nascimento, a gestante tem menos tempo para esclarecer dúvidas e alinhar expectativas com a equipe responsável.

O Plano de Parto aparece como um instrumento ainda pouco conhecido. O documento registra desejos e decisões da gestante sobre a assistência, sem substituir a avaliação médica nem impedir mudanças diante de uma emergência. Seu uso pode melhorar a comunicação e reduzir decisões relevantes sem diálogo. Para o UNICEF, a escolha pelo parto normal precisa ser construída durante toda a gravidez, com consentimento informado e avaliação individual dos riscos.

Dor e falta de analgesia alteram a escolha da gestante

O medo da dor é um dos fatores mais relevantes identificados pelo levantamento. Em serviços onde a analgesia obstétrica é pouco disponível, incerta ou apresentada como excepcional, algumas gestantes passam a considerar a cesariana a única forma previsível de evitar sofrimento intenso. Nesse cenário, o parto normal deixa de ser percebido como alternativa acompanhada e segura.

Banho morno, massagens, mobilidade, técnicas de respiração, presença de acompanhante e analgesia, quando indicada e desejada, integram medidas capazes de mudar a experiência da mulher. O estudo sustenta que promover o parto normal exige suporte concreto, e não apenas explicações abstratas sobre seus benefícios.

A cesariana é uma cirurgia essencial quando existe indicação clínica e pode salvar a vida da mulher e do bebê. O alerta se concentra nos procedimentos sem necessidade médica. A Organização Mundial da Saúde relaciona cesarianas desnecessárias a riscos como sangramento, infecção, recuperação mais lenta e maior probabilidade de complicações futuras.

O debate, portanto, não opõe parto normal e cesariana de forma absoluta, mas exige que cada via seja adotada com base em evidências, avaliação clínica e consentimento informado.

Laqueadura pode funcionar como incentivo indireto à cesariana

Outro achado envolve mulheres que desejam realizar laqueadura após o nascimento. Segundo o estudo, a baixa oferta de planejamento reprodutivo e de métodos contraceptivos associados ao parto normal pode induzir a percepção de que a cesariana facilita ou garante o procedimento.

Essa associação cria incentivo indireto à cirurgia mesmo sem indicação obstétrica. O UNICEF recomenda que o pré-natal inclua orientação sobre planejamento reprodutivo, métodos reversíveis de longa duração e possibilidades de esterilização após parto vaginal, respeitados os critérios legais e clínicos.

Quando a mulher não encontra acesso confiável a contracepção ou recebe informações incompletas, a escolha da via de nascimento passa a incorporar falhas de outras áreas da assistência. O fortalecimento do planejamento reprodutivo pode impedir que o parto normal seja descartado por razões administrativas.

Modelo do setor privado favorece procedimentos agendados

A dimensão econômica ganha peso especial na saúde suplementar. Profissionais ouvidos pelo UNICEF relataram que a previsibilidade da cesariana, a possibilidade de agendamento e o custo de manter equipes disponíveis durante trabalhos de parto prolongados podem desestimular a oferta do parto normal.

A cirurgia permite organizar agenda médica, sala cirúrgica e internação em horário definido. O parto normal exige disponibilidade por período incerto, acompanhamento contínuo e capacidade de resposta diante de intercorrências. Quando a remuneração não reconhece essa diferença, o desenho financeiro pode favorecer o procedimento mais previsível.

Dados oficiais da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram a dimensão histórica da disparidade. Em 2021, 57% dos nascimentos registrados no Brasil ocorreram por cesariana. Entre beneficiárias de planos de saúde, a proporção chegou a 81,76%. Embora sejam anteriores ao novo estudo, os números ilustram a concentração do parto cirúrgico no setor privado.

O UNICEF recomenda revisar modelos de financiamento e remuneração que possam incentivar cesarianas sem indicação clínica. A proposta inclui segurança jurídica para decisões baseadas em evidências, capacitação profissional e monitoramento transparente de indicadores maternos e neonatais.

A mudança exige reorganizar escalas, equipes e protocolos para tornar o parto normal uma opção efetivamente disponível, e não apenas formalmente oferecida.

Parceiros e familiares podem reforçar pressão por cesárea

A rede de apoio ocupa posição ambivalente. Mães, avós, tias, sogras, amigas e referências comunitárias podem fortalecer a confiança da gestante, mas também transmitir experiências traumáticas ou pressionar por uma via específica. Entre usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), os relatos familiares tiveram influência relevante nas entrevistas.

Os parceiros também interferem. Quando participam pouco das consultas, podem chegar ao trabalho de parto sem compreender sua duração ou suas fases. Diante da dor e da ansiedade, há casos em que passam a defender a cesariana, ainda que a mulher tenha planejado o parto normal e não exista indicação médica naquele momento.

O UNICEF propõe incluir acompanhantes nas orientações do pré-natal sem transferir a eles o poder de decisão. O papel da rede é apoiar a escolha informada da mulher, não substituí-la.

A pesquisa também recomenda mobilizar parteiras e lideranças locais em territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos, conciliando saberes tradicionais e acesso oportuno a serviços de referência quando houver risco para a gestante ou para o bebê.

Doulas e equipes multiprofissionais ampliam suporte ao parto normal

Entre as medidas associadas a uma experiência mais segura estão a participação de doulas, enfermeiras obstetras e obstetrizes, além da expansão dos Centros de Parto Normal. Esses modelos ampliam a presença de profissionais durante o trabalho de parto e reduzem a dependência de uma assistência centrada apenas na intervenção médica.

Doulas não substituem profissionais de saúde nem realizam procedimentos clínicos. Sua atuação se concentra no apoio físico, emocional e informacional. Enfermeiras obstetras e obstetrizes integram a assistência técnica ao parto de risco habitual, dentro das competências profissionais e dos protocolos do serviço.

O estudo sustenta que equipes multiprofissionais podem dar continuidade ao cuidado, identificar alterações precocemente e criar condições para que o parto normal seja conduzido com respeito à fisiologia, sem abrir mão da intervenção quando necessária.

A vinculação prévia da gestante à maternidade também aparece entre as recomendações. Saber onde será atendida, conhecer as rotinas da unidade e compreender quais recursos estarão disponíveis pode reduzir a incerteza que acompanha as últimas semanas da gravidez.

Estudo qualitativo não representa todo o país

O levantamento foi realizado em Belém e São Paulo e não constitui uma amostra estatística nacional. Foram ouvidas 94 gestantes e puérperas — 73 atendidas pelo SUS e 21 no setor privado — em 11 grupos focais e 41 entrevistas individuais. Outros 37 participantes eram gestores, médicos e enfermeiros de unidades básicas, hospitais públicos e serviços privados.

Ao todo, a equipe analisou depoimentos de 131 pessoas e revisou 77 artigos científicos, além de documentos institucionais sobre parto humanizado. O trabalho recebeu apoio financeiro da iniciativa MSD para Mães, da farmacêutica MSD.

Por ser qualitativa, a pesquisa não mede a frequência nacional de cada barreira. Seu objetivo é identificar mecanismos e padrões que ajudam a compreender como as decisões são formadas. Os resultados podem orientar novos estudos, políticas públicas e mudanças nos serviços, mas não devem ser interpretados como estimativa estatística para todas as gestantes brasileiras.

Os achados foram organizados nos níveis psicológico, sociológico e estrutural, abrangendo medos individuais, influência das relações sociais e características do sistema de saúde que dificultam o parto normal.

Pressão por mudança alcança SUS e saúde suplementar

As recomendações do UNICEF distribuem responsabilidades entre poder público, hospitais privados, operadoras, maternidades e profissionais. No SUS, o foco recai sobre pré-natal qualificado, ampliação da analgesia, fortalecimento de Centros de Parto Normal, vinculação à maternidade e oferta de métodos de alívio da dor.

Na saúde suplementar, a agenda inclui revisão da remuneração, disponibilidade de equipes e transparência sobre as taxas de cesariana. A ANS exige que operadoras informem percentuais de parto normal e cesarianas quando solicitados pelas beneficiárias, mas o novo estudo indica que a informação ao consumidor precisa ser acompanhada por mudanças na organização da assistência.

O estudo se conecta à campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, lançada pelo UNICEF em junho e destinada a gestantes, famílias, redes de apoio e profissionais. A iniciativa reforça que decisões devem combinar informação confiável, avaliação profissional e respeito à vontade da mulher.

O diagnóstico é que o acesso ao parto normal depende menos de convencer gestantes e mais de remover as barreiras que restringem o parto normal. Quando o sistema oferece orientação completa, controle da dor, equipe disponível, participação do acompanhante e resposta rápida a riscos, a escolha deixa de existir apenas no papel.

A elevada frequência de cesarianas no Brasil passa, assim, a ser tratada como resultado de um modelo assistencial que precisa alinhar incentivos econômicos, direitos das mulheres e segurança clínica.

Apuração e checagem: o material encaminhado pela assessoria foi confrontado com o estudo e o comunicado oficiais do UNICEF, com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar e com as orientações da OPAS/OMS sobre indicações e riscos da cesariana.

Tags: analgesiaANScesarianaparto normalPlano de Partopré-natalsaúdesaúde maternasaúde suplementarSUSUnicef

LEIA MAIS

Produto De Cannabis, ‘Ozempic Natural’ E Mais: Tudo O Que A Anvisa Proibiu Nesta Semana (Até Agora)-Gazeta Mercantil
Saúde

Anvisa proíbe “Ozempic Natural”, produtos de cannabis, suplementos e repelentes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, entre segunda-feira (3) e esta quinta-feira (6), a retirada de circulação, a suspensão ou a interdição de medicamentos, suplementos alimentares,...

Leia MaisDetails
Mercado Livre - Gazeta Mercantil
Empresas

Mercado Livre (MELI) quer abrir farmácia própria no Chile e esbarra em regras locais

O Mercado Livre (MELI) apresentou às autoridades sanitárias do Chile um plano para operar uma farmácia própria e exclusivamente online no país, ampliando sua presença no setor de...

Leia MaisDetails
Levantamento Com 556 Consumidores Aponta Maior Foco Em Vestuário, Alimentos Típicos E Saúde, Em Cenário De Consumo Mais Cauteloso.-Gazeta Mercantil
Economia

Consumidor prioriza roupa de frio e comida no inverno e adia viagens, aponta pesquisa do Procon-SP

O consumidor paulista entrou no inverno de 2026 gastando de forma mais defensiva, com prioridade para roupas de frio, alimentos típicos da estação e cuidados com saúde, enquanto...

Leia MaisDetails
Planos Odontológicos Crescem Quase 3 Vezes Mais Que Planos De Saúde E Chegam A 36,2 Milhões - Gazeta Mercantil
Economia

Planos odontológicos crescem quase 3 vezes mais que planos de saúde e chegam a 36,2 milhões

O mercado brasileiro de planos exclusivamente odontológicos alcançou 36,2 milhões de beneficiários em maio de 2026, após crescer 4,4% em 12 meses. O avanço foi quase três vezes...

Leia MaisDetails
Musculação Pode Reduzir Risco De Demência E Preservar Autonomia No Alzheimer - Gazeta Mercantil
Saúde

Musculação pode reduzir risco de demência e preservar autonomia no Alzheimer

A musculação pode ocupar um papel importante na proteção da saúde cerebral e na preservação da independência de pessoas diagnosticadas com Alzheimer. Ao combater a perda de massa...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:13:33
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails
Dólar Hoje Fecha A R$ 5,22 Com Tensão No Oriente Médio E Ata Do Fed No Radar - Gazeta Mercantil - Dólar
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

Leia MaisDetails
Deputado Gilvan Da Federal - Gazeta Mercantil
Política

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Leia MaisDetails
Ibovespa Hoje - B3 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

FIDCs já respondem por 37% das operações do mercado de capitais em 2026

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP