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BNDES tem lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no 1º semestre e carteira atinge R$ 684 bi

Desembolsos crescem 37% para R$ 74,8 bilhões e banco vende R$ 3,9 bilhões em participações, incluindo Copel e Petrobras, com consultas de R$ 237,7 bilhões

por João Souza
13/08/2026 às 20h18
em Empresas
Bndes - Gazeta Mercantil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025. A instituição de fomento informou nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, em comunicado oficial, que a carteira de crédito totalizou R$ 684 bilhões no período, avanço de 14% na comparação anual, e que os desembolsos somaram R$ 74,8 bilhões, crescimento de 37% ante o primeiro semestre do ano passado. As consultas, etapa inicial do processo de financiamento, alcançaram R$ 237,7 bilhões.

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Segundo dados divulgados pelo banco, o desempenho operacional foi acompanhado por vendas de participações acionárias que somaram R$ 3,9 bilhões no semestre, com destaque para operações envolvendo Copel e Petrobras. A carteira de participações societárias totalizou R$ 85,4 bilhões ao final do semestre, refletindo valorização de ativos e estratégia de rotação de portfólio.

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Carteira de crédito em maior patamar desde 2016

De acordo com a Agência BNDES de Notícias, a carteira de crédito expandida, que inclui financiamentos, repasses, debêntures e outros ativos de concessão de crédito, já havia alcançado R$ 678,2 bilhões ao final do primeiro trimestre de 2026, alta de 14% em relação a 2025 e maior patamar desde 2016. O montante é R$ 235 bilhões maior que o primeiro trimestre de 2022, conforme o comunicado oficial do primeiro trimestre.

Os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 995 bilhões em 31 de março de 2026, aumento de R$ 32,2 bilhões em relação a dezembro de 2025, especialmente pelo crescimento de R$ 23,9 bilhões da carteira de participações societárias e de R$ 14,7 bilhões da carteira de crédito expandida. O resultado representa alta de 45% sobre 2022, quando os ativos somavam R$ 684 bilhões, e se aproxima de R$ 1 trilhão, maior valor nominal da história da instituição.

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A carteira de participações societárias totalizou R$ 110,3 bilhões ao final do primeiro trimestre, aumento de 27,7% em relação a dezembro de 2025 pela valorização dos investimentos em empresas não coligadas. Petrobras, JBS, Axia Energia e Copel seguem como principais empresas investidas em termos de carteira total. Desde janeiro de 2023, a carteira variou R$ 47,6 bilhões, incluindo compras de R$ 6,7 bilhões, vendas de R$ 6,4 bilhões e recebimento de R$ 27,4 bilhões em proventos.

No primeiro semestre de 2026, o banco informou ter realizado vendas de participações que somaram R$ 3,9 bilhões, mantendo a estratégia de monetização de ativos em mercado com maior liquidez. Ao final do semestre, a carteira de participações foi reportada em R$ 85,4 bilhões, refletindo as alienações e a marcação a mercado de ações e debêntures.

Desembolsos e consultas aceleram em todos os setores

Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 36,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2025 e de 145% frente ao primeiro trimestre de 2022, garantindo a continuidade do crescimento da carteira expandida. O desempenho setorial teve destaque para a indústria, com alta de 67% e R$ 8 bilhões frente a 2025, infraestrutura com crescimento de 51% e R$ 13,4 bilhões e agropecuária com 40% e R$ 9,1 bilhões.

No acumulado do semestre, os desembolsos somaram R$ 74,8 bilhões, avanço de 37% na comparação anual. Segundo o banco, o crescimento reflete maior demanda por crédito de longo prazo, percepção positiva do mercado sobre as entregas da instituição e ampliação de programas voltados à transição energética, inovação e infraestrutura logística.

As consultas por novos financiamentos somaram R$ 84,4 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 65% sobre 2025 e de 490% sobre 2022. No semestre, as consultas alcançaram R$ 237,7 bilhões, indicando pipeline elevado para os próximos trimestres. As aprovações de crédito somaram R$ 45,7 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 37% em relação ao mesmo período de 2025 e de 254% sobre 2022.

Para o banco, a injeção de crédito promovida no trimestre, considerando aprovações diretas e garantias prestadas por meio do fundo FGI em operações realizadas por agentes financeiros, totalizou R$ 66,5 bilhões, incremento de 21% em relação ao ano anterior e de aproximadamente 400% sobre o primeiro trimestre de 2022.

Lucro recorrente e patrimônio em trajetória recorde

O lucro líquido recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre representa aumento de 17% em relação ao primeiro trimestre de 2025, conforme comunicado oficial. No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, o lucro recorrente, de R$ 15,6 bilhões, foi o maior da história, alta de 22% em relação a 2022, quando somou R$ 12,5 bilhões.

O desempenho do primeiro semestre, com R$ 9,2 bilhões, mantém a trajetória de crescimento consistente e de qualidade citada pela presidência da instituição. Em 12 meses, o banco vem registrando recordes sequenciais, com patrimônio líquido de R$ 192 bilhões em 31 de março de 2026, aumento de R$ 19,7 bilhões frente ao encerramento de 2025 em virtude do lucro líquido, incluindo vendas de ações, de R$ 3,9 bilhões no trimestre, e do efeito positivo do ajuste a valor de mercado de ativos, principalmente ações e debêntures, de R$ 15,8 bilhões, líquido de tributos.

De acordo com dados da Agência BNDES de Notícias, o resultado financeiro foi beneficiado pelos ganhos de crédito, oriundos do crescimento dos ativos como um todo. O produto de intermediação financeira recorrente exclui operações de desinvestimento da carteira de renda variável e resultados obtidos com investimentos em coligadas, além de receitas com dividendos e reversões de provisão para risco de crédito.

O índice de inadimplência de 0,046% em 90 dias permanece expressivamente inferior ao do Sistema Financeiro Nacional, de 4,33% geral e 0,60% para grandes empresas em março de 2026, evidenciando a solidez da carteira de crédito do banco de fomento.

Fontes de recursos e índice de capital

Em 31 de março de 2026, o saldo do Fundo de Amparo ao Trabalhador era de R$ 489 bilhões, representando a parcela mais significativa da estrutura de funding, com 51,4% dos passivos onerosos da instituição, com discreto aumento de R$ 3,5 bilhões em relação a dezembro de 2025. O valor devido ao Tesouro Nacional e ao mercado de captações domésticas, principalmente Letras de Crédito do Agronegócio e Letras de Crédito de Desenvolvimento, totalizou R$ 36 bilhões e R$ 28 bilhões, respectivamente, em mesmos patamares de dezembro de 2025.

O passivo com captações externas atingiu R$ 44 bilhões em 31 de março de 2026, com acréscimo de 9,6% no trimestre. Os recursos oriundos de captações de R$ 2,7 bilhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento, de R$ 1,3 bilhão da Japan International Cooperation Agency, de R$ 1,0 bilhão da Corporação Andina de Fomento e de R$ 1,0 bilhão do Japan Bank for International Cooperation foram parcialmente compensados por efeitos de variação cambial de R$ 2,0 bilhões e por R$ 0,4 bilhão de amortizações.

O Índice de Basileia atingiu 24,1% em 31 de março de 2026, ante 25,2% em dezembro de 2025, mantendo situação confortável em relação ao limite de 10,5% exigido pelo Banco Central. O decréscimo reflete o aumento dos ativos ponderados pelo risco, principalmente pela valorização da carteira de ações, em proporção superior ao crescimento do patrimônio de referência.

Crédito para MPMEs e entes públicos

Considerando somente operações para entes públicos, principalmente estados e municípios, entre janeiro de 2023 e março de 2026 foram aprovados R$ 41 bilhões em novas operações, montante que representa 7,3 vezes as operações realizadas entre 2019 e 2022. Os recursos se destinaram, principalmente, a projetos de impacto social e climático, como mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação climática e resiliência.

Para micro, pequenas e médias empresas, as aprovações somaram R$ 29 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 120% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 333% sobre 2022. As garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros alcançaram R$ 20,8 bilhões, totalizando volume de R$ 49,8 bilhões de apoio a tais empresas, aumento de 44% comparado ao primeiro trimestre de 2025.

Segundo a diretoria do banco, a estratégia voltada para crescimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, tem sido implementada desde 2023 com articulação junto a federações das indústrias e setor produtivo por meio do programa BNDES Mais Perto de Você, com ações já realizadas em Roraima, Amapá e Rondônia.

O BNDES informou que os resultados completos do primeiro semestre, incluindo demonstrações financeiras em BRGAAP, apresentações à imprensa e relatório da administração, estão disponíveis no Portal de Relações com Investidores, com coletiva de imprensa realizada em São Paulo com participação do presidente Aloizio Mercadante e diretores financeiros. A próxima divulgação trimestral está prevista para novembro de 2026, com atualização de carteira, desembolsos e indicadores prudenciais.


Fontes:

  • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — Agência BNDES de Notícias – BNDES tem lucro de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre, alta de 17% frente a 2025 — 2026 — https://agenciadenoticias.bndes.gov.br/bndes/BNDES-tem-lucro-de-R$-31-bilhoes-no-primeiro-trimestre-alta-de-17-frente-a-2025/
  • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — Informações financeiras – Demonstrações Financeiras – Página oficial de demonstrações — https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/transparencia/prestacao-de-contas/informacoes-financeiras/demonstracoes-financeiras/demonstracoes-financeiras-bndes/
  • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social — Portal de Dados Abertos – Indicadores Financeiros – Série Histórica — https://dadosabertos.bndes.gov.br/dataset/indicadores-financeiros-recorrente-serie-historica

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