O BTG Pactual reformulou a carteira recomendada de dividendos para outubro com uma redução de 13 para dez ações e redistribuição de 30 pontos percentuais da alocação. B3 (B3SA3) passou a integrar o portfólio com 10%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4) tiveram seus pesos elevados de 10% para 15%. Compass (PASS3) e Sabesp (SBSP3) também ganharam espaço, de 5% para 10%.
A atualização, divulgada em 1º de outubro, ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições gerais, marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para 4 de outubro. O segundo turno, quando necessário, está previsto para 25 de outubro. No relatório, o BTG afirma que busca empresas com geração de caixa, resiliência operacional e capacidade de distribuição de proventos, levando em conta também a volatilidade associada ao ciclo eleitoral.
Saíram integralmente Bradesco (BBDC4), Sanepar (SAPR11), Engie Brasil (EGIE3) e TIM (TIMS3). A posição em Cury (CURY3) caiu pela metade, de 10% para 5%. O montante retirado dessas posições foi integralmente redistribuído entre os papéis que permaneceram e a nova integrante.
Pelos pesos e dividend yields projetados apresentados pelo banco, a média ponderada dos yields indicados para a carteira fica em aproximadamente 7,0% para 2026 e 8,2% para 2027. Trata-se de uma média calculada a partir das estimativas individuais do BTG, e não de uma promessa de retorno do portfólio.
Bancos e petróleo passam a concentrar 40% da carteira
A nova composição estabelece duas posições de 15% como maiores alocações: Itaú e Petrobras. B3 aparece com 10%, assim como Vale (VALE3), Sabesp, Copel (CPLE3), Compass e Axia Energia (AXIA3). Allos (ALOS3) e Cury completam o portfólio com 5% cada.
A concentração por segmento também mudou. Itaú e B3 respondem juntos por 25% da carteira, enquanto quatro empresas classificadas pelo BTG em serviços básicos — Sabesp, Copel, Compass e Axia Energia — representam outros 40%. Petrobras corresponde a 15%, Vale a 10%, Allos a 5% e Cury a 5%.
A estrutura é relevante porque mostra que a alteração não foi apenas uma troca pontual de empresas. A decisão aumentou a exposição a setores que o banco associa a geração de caixa e previsibilidade, ao mesmo tempo em que retirou quatro posições que anteriormente representavam 25% da carteira.
O BTG também manteve algumas teses sem alteração. Vale permaneceu com 10%, Copel com 10%, Axia com 10% e Allos com 5%. Cury foi preservada, embora com metade do peso anterior.
Entre os yields estimados para 2026, Allos aparece com 11,8%, Petrobras com 9,9%, Vale com 8,7% e Cury com 8,0%. Para 2027, os maiores números da tabela são Allos, com 11,8%, Compass, com 10,7%, Cury, com 10,7%, Petrobras, com 9,9%, e Axia, com 9,2%.
Itaú ganha espaço diante de juros altos e risco de crédito
O Itaú passou de 10% para 15% da carteira. Na avaliação do BTG, a ação teve desempenho superior ao Ibovespa em setembro, com alta de 7% em dólares, ante 3% do índice no mesmo critério. O relatório relaciona parte desse movimento ao aumento do interesse dos investidores pelas perspectivas do ambiente eleitoral.
A instituição mantém o banco como uma das principais teses da carteira por causa da qualidade dos ativos e da gestão de risco. O BTG também considera que o posicionamento mais conservador do Itaú, embora limite o crescimento da receita no curto prazo, pode favorecer a instituição em um ambiente de juros elevados por mais tempo e eventual deterioração do ciclo de crédito em 2027.
O múltiplo P/L estimado pelo BTG é de 9,5 vezes para 2026 e 8,5 vezes para 2027. O dividend yield projetado cai de 7,3% para 7,0% entre os dois anos, segundo a tabela do banco.
A tese, portanto, combina menor crescimento de receita no curto prazo com a expectativa de preservação de rentabilidade em um ambiente macroeconômico mais volátil. O relatório não trata o resultado eleitoral como variável capaz de eliminar os fundamentos operacionais do banco, mas incorpora a eleição como fator de risco para os ativos brasileiros.
Petrobras concentra a maior estimativa de retorno entre as posições de 15%
A Petrobras também passou de 10% para 15% da carteira. O BTG fundamenta a escolha na combinação entre produção, custos, utilização das refinarias, geração de caixa e política de remuneração aos acionistas.
No segundo trimestre de 2026, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 97% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia informou produção própria de petróleo no Brasil de 2,7 milhões de barris por dia no trimestre, alta de 15%, além de fator de utilização de 101% no parque de refino e fluxo de caixa operacional de R$ 61,8 bilhões, crescimento de 46% em 12 meses.
O Plano de Negócios 2026-2030 da companhia prevê US$ 109 bilhões em investimentos, sendo US$ 69,2 bilhões destinados à carteira de implantação alvo de exploração e produção. O plano também estabelece disciplina de capital, otimização de custos e uma trajetória de redução de dívida.
Na carteira de outubro, o BTG projeta dividend yield de 9,9% para Petrobras tanto em 2026 quanto em 2027. Em sua análise específica, o banco estima yield de fluxo de caixa ao acionista de aproximadamente 14% em 2027 e dividend yield perto de 11% no cenário-base para aquele ano. Nos cenários apresentados, o dividend yield médio ficaria em cerca de 9% em uma hipótese mais cautelosa, 10% no cenário-base e 12% no mais otimista.
A diferença entre esses números e os da tabela da carteira decorre do método de projeção e do indicador utilizado: a tabela apresenta o dividend yield estimado da ação, enquanto o texto analítico trabalha com cenários de fluxo de caixa ao acionista e distribuição.
B3 entra com 10% após recuperação dos volumes negociados
A B3 é a principal novidade do portfólio. A empresa recebeu peso de 10%, substituindo as posições retiradas na revisão de outubro.
O BTG cita os resultados do segundo trimestre como evidência de recuperação da atividade do mercado de capitais. Segundo o relatório, o ADTV de ações — volume financeiro médio diário negociado — cresceu 21% na comparação anual, enquanto a receita líquida avançou 9%.
O dado que mais chamou atenção do banco foi o comportamento das receitas recorrentes, com crescimento de 17% em relação ao segundo trimestre de 2025. A instituição, entretanto, ressalta que a conversão operacional ficou ligeiramente abaixo do esperado e que parte da expansão do lucro veio de itens não recorrentes.
Na carteira, a B3 aparece com dividend yield projetado de 5,6% para 2026 e 7,2% para 2027. O movimento amplia a exposição do portfólio ao mercado de capitais sem depender exclusivamente da negociação de ações, já que o BTG destaca a diversificação das receitas recorrentes.
Compass e Sabesp ampliam participação no bloco de serviços básicos
A Compass teve o peso elevado de 5% para 10%. A tese do BTG combina o negócio de distribuição de gás natural com a expansão da Edge, além da presença de ativos regulados e contratos de longo prazo.
O banco destaca crescimento dos volumes comercializados, controle de custos e potencial de geração de caixa. A Edge, segundo o relatório, ganhou relevância dentro da estratégia da companhia por sua exposição à infraestrutura de gás e ao crescimento do mercado brasileiro.
A Compass aparece com dividend yield estimado de 5,8% para 2026, mas a projeção sobe para 10,7% em 2027. A mudança ajuda a explicar por que a empresa ganhou participação mesmo sem estar entre as ações de maior yield imediato.
Na Sabesp, o peso também dobrou, de 5% para 10%. O BTG reconhece que a companhia enfrenta pressão de despesas, especialmente em marketing e call center, e registra que a ação caiu cerca de 15% depois que a administração indicou a continuidade dessas pressões ao longo de 2026.
Ao mesmo tempo, o banco considera que 2027 pode representar uma base mais normalizada para os resultados. A tese está ligada ao crescimento contratado de Ebitda e lucro, ao potencial de aumento dos dividendos e aos ganhos de eficiência previstos após a privatização.
A Sabesp tinha, na atualização, dividend yield estimado de 2,3% para 2026 e 3,2% para 2027. A companhia informa em sua área de relações com investidores que atende 376 municípios paulistas e mantém a divulgação de resultados do terceiro trimestre programada para 5 de novembro.
Cury permanece mesmo com menor peso e exposição ao cenário eleitoral
A Cury foi reduzida de 10% para 5%, mas permaneceu na carteira. O BTG aponta dois fatores principais para a decisão: a maior restrição na concessão de crédito imobiliário pela Caixa Econômica Federal e os efeitos da greve da instituição sobre os resultados do terceiro trimestre das incorporadoras voltadas à baixa renda.
Segundo a análise, a queda da ação em setembro foi superior à revisão de resultados que o banco considerava necessária diante dessas dificuldades. A Cury recuou cerca de 15% em relação ao índice e à própria carteira do BTG naquele mês.
A instituição também cita uma variável eleitoral na manutenção da posição. Em seu relatório, afirma que a ação poderia funcionar como uma forma de proteção para o portfólio caso o atual governo permanecesse no poder. Trata-se de uma avaliação específica do BTG sobre um cenário político e seus possíveis efeitos sobre a tese da empresa, e não de uma previsão sobre o resultado eleitoral.
A companhia foi mantida com P/L projetado de 6 vezes para 2027 e dividend yield de 10%.
Carteira perdeu para os índices em setembro
Apesar da reformulação, o histórico apresentado pelo BTG mostra que a carteira de dividendos teve desempenho inferior aos principais índices de referência em setembro.
A carteira subiu 2,8% no mês, enquanto o índice de dividendos IDIV avançou 4,5% e o Ibovespa ganhou 5%. Desde 8 de novembro de 2019, entretanto, o relatório registra valorização acumulada de 161,3% para a carteira, contra 112,4% do IDIV e 73,1% do Ibovespa.
A diferença entre o resultado mensal e o acumulado reforça que a atualização de outubro ocorre sobre uma estratégia de longo prazo, submetida mensalmente a mudanças de composição conforme a avaliação do BTG para cada empresa.
Com a nova configuração, a carteira concentra 70% dos recursos em Itaú, Petrobras, B3, Vale, Sabesp, Copel e Compass, enquanto as três demais posições — Axia, Allos e Cury — completam os 30% restantes. O conjunto combina empresas financeiras, petróleo, mineração, saneamento, energia, distribuição de gás, shopping centers e construção residencial de baixa renda, mantendo exposição a diferentes fontes de geração de caixa e distribuição de proventos.
Fontes:
BTG Pactual Equity Research – carteira recomendada de dividendos para outubro de 2026, composição, alterações, projeções de dividend yield e análise das empresas selecionadas
Petrobras – resultados do segundo trimestre de 2026, produção, fluxo de caixa e indicadores operacionais
Petrobras – Plano de Negócios 2026-2030, investimentos, produção e diretrizes de disciplina de capital
Tribunal Superior Eleitoral – calendário e datas oficiais das Eleições Gerais de 2026
Sabesp – relações com investidores, resultados do segundo trimestre de 2026 e calendário de divulgação de resultados









