A Genial Investimentos reformulou a Carteira Dividendos 5+ para outubro, substituindo BB Seguridade (BBSE3) e Copasa (CSMG3) por Fleury (FLRY3) e JHSF (JHSF3). A mudança preserva três nomes do portfólio anterior — Petrobras (PETR4), Itaú Unibanco (ITUB3) e Vibra Energia (VBBR3) — e reforça dois perfis distintos de geração de renda ao acionista: uma empresa de saúde com lucro em expansão e endividamento controlado e uma companhia de consumo e serviços de alta renda com pagamentos mensais de dividendos.
A carteira fechou setembro com alta de 6,05%, acima do avanço de 4,45% do Índice Dividendos (IDIV). No acumulado de 2026 até o fim de setembro, a carteira registrava ganho de 7,18%. O desempenho, porém, não foi o motivo apresentado isoladamente para as trocas: segundo a Genial, BB Seguridade perdeu momento apesar da estabilidade do lucro e dos dividendos elevados, enquanto a Copasa passou por deterioração do lucro no semestre e mudança de comando.
A composição de outubro utiliza pesos iguais. Como são cinco ações, cada posição representa 20% da carteira. A metodologia da Genial também estabelece que o rebalanceamento ocorre uma vez por mês, com entrada das novas posições pelo fechamento do último pregão do mês anterior; para outubro, a referência foi o fechamento de 30 de setembro.
Fleury combina avanço do lucro com distribuição recorrente
A entrada da Fleury muda a composição da carteira em direção a uma empresa doméstica de saúde cuja tese combina crescimento operacional, menor alavancagem e remuneração ao acionista. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou lucro de R$ 219 milhões, ante R$ 145 milhões no mesmo período de 2025. A diferença de R$ 74 milhões representa expansão de aproximadamente 51% em um ano.
A receita no trimestre chegou a R$ 2,32 bilhões, enquanto a dívida líquida correspondia a 1,6 vez o Ebitda, segundo os dados usados pela Genial. A casa de análise destaca que o papel também está exposto a um eventual recuo dos juros, mas chama atenção para a avaliação mais elevada: a ação era negociada a cerca de 17 vezes o lucro, múltiplo que exige continuidade da execução operacional.
A política efetiva de remuneração da companhia ajuda a explicar a inclusão. A Fleury registrou em agosto de 2026 a aprovação de juros sobre capital próprio de R$ 0,40073265756 por ação, com pagamento realizado em 28 de setembro. No exercício anterior, também houve distribuição de dividendos e JCP em diferentes eventos, incluindo pagamentos programados em parcelas, reforçando a presença recorrente da companhia entre os ativos de remuneração ao acionista.
A combinação entre resultado crescente e distribuição reduz a dependência da tese exclusivamente de dividend yield. O retorno ao investidor passa a depender também da capacidade de a companhia sustentar o crescimento de lucro e manter a geração de caixa compatível com a remuneração. Esse ponto é especialmente relevante porque a própria Genial considera o valuation da Fleury superior ao de boa parte das demais ações selecionadas.
O histórico recente mostra ainda uma companhia cuja ação está listada no Novo Mercado da B3 sob o código FLRY3. O grupo atua em medicina diagnóstica, com laboratórios e serviços de imagem distribuídos por diferentes marcas e regiões.
JHSF acrescenta dividendo mensal e maior sensibilidade aos juros
A segunda novidade é a JHSF, que entra na carteira por uma característica diferente da Fleury: a frequência de distribuição. A Genial classifica a companhia como o ativo mais sensível aos juros entre os cinco integrantes do portfólio e destaca o pagamento mensal de dividendos.
No segundo trimestre, a JHSF registrou lucro de R$ 445 milhões, contra R$ 246 milhões um ano antes. O aumento foi de R$ 199 milhões, ou aproximadamente 81%. A receita chegou a R$ 935 milhões, praticamente o dobro da observada no mesmo período anterior, segundo os dados utilizados pela Genial.
A remuneração mensal não é apenas uma projeção. O histórico oficial de pagamentos da companhia mostra uma sequência de distribuições ao longo de 2026. Entre janeiro e setembro, os valores brutos por ação ficaram próximos de R$ 0,069, e a companhia programou pagamento de R$ 0,0691563395 por ação para outubro, com data de pagamento em 9 de outubro. Há ainda parcelas previstas para novembro e dezembro.
Considerando os pagamentos declarados entre outubro de 2025 e setembro de 2026, a soma chega a aproximadamente R$ 0,715 por ação. Com a cotação de R$ 11,66 registrada no fim de setembro no site de Relações com Investidores da companhia, o rendimento implícito é de cerca de 6,1% nesse intervalo. O número ajuda a dimensionar o percentual de distribuição citado pela Genial, que arredonda o retorno dos últimos 12 meses para perto de 6%.
Há, porém, uma ressalva importante na leitura dos resultados da JHSF. A Genial considera que o lucro do quarto trimestre de 2025 ficou fora do padrão, fazendo com que alguns múltiplos de mercado parecessem artificialmente baixos quando calculados apenas sobre o lucro acumulado. Por isso, a análise da carteira dá maior peso ao resultado recorrente.
A composição também torna a JHSF particularmente dependente do ambiente de juros e do comportamento do consumo de alta renda. Em um ambiente de custo de capital menor, a companhia tende a se beneficiar pelo perfil de seus negócios, que inclui shopping centers, incorporação de alto padrão, hotelaria, gastronomia e serviços. A mesma característica, porém, significa maior sensibilidade caso as taxas permaneçam elevadas por mais tempo.
Petrobras, Itaú e Vibra completam a estratégia de renda
Com as alterações, Petrobras continua como uma das principais fontes de geração de caixa da carteira. A Genial atribui à petroleira a maior capacidade de geração de caixa entre os cinco papéis e aponta que a companhia declarou R$ 3,66 por ação em proventos nos 12 meses analisados, equivalentes a mais de 7% do preço utilizado na avaliação. Parte da remuneração, de R$ 1,35 por ação, ainda estava prevista para pagamento nos meses de novembro e dezembro.
A Petrobras, portanto, ocupa uma posição diferente da JHSF. Enquanto a empresa de shopping centers e serviços acrescenta frequência mensal aos pagamentos, a estatal contribui para o portfólio pela escala de geração de caixa e pelo volume dos proventos.
A Vibra Energia mantém a exposição ao segmento de combustíveis e representa outro componente importante de renda. Nos 12 meses considerados pela Genial, os juros sobre capital próprio declarados pela empresa equivaleram a cerca de 5% do preço da ação. A companhia também apresentou recuperação do lucro em 2026, mas parte desse avanço ocorreu sobre uma base de comparação fraca, razão pela qual a margem operacional permanece como um dos pontos acompanhados pela análise.
Já o Itaú Unibanco funciona como a âncora bancária da carteira. O banco registrou lucro recorrente de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período anterior, com retorno sobre patrimônio recorrente de 24,3% e inadimplência estável em 1,9%. A Genial estimou que os proventos dos 12 meses correspondiam a cerca de 6,6% do preço da ação ordinária.
A permanência dos três papéis mostra que a revisão não representa uma mudança completa de estratégia. A carteira continua concentrada em empresas capazes de remunerar o acionista, mas passa a distribuir essa exposição entre diferentes motores de retorno: produção de caixa na Petrobras, rentabilidade e escala no Itaú, remuneração via JCP na Vibra, crescimento com proventos na Fleury e pagamentos mensais associados à JHSF.
As saídas de BB Seguridade e Copasa também não equivalem, segundo a própria Genial, a uma eliminação definitiva dessas companhias das carteiras. A BB Seguridade permaneceu em outra carteira da instituição, a Ibovespa 10+, enquanto a justificativa para sua exclusão da estratégia de dividendos foi a perda de momento, apesar dos dividendos elevados e do lucro estável. A Copasa, por sua vez, teve alterações recentes na estrutura de administração: a companhia divulgou em 28 de setembro nova composição do conselho de administração e da diretoria executiva.
A revisão de outubro, portanto, desloca parte do peso da carteira para ações em que a Genial identifica uma combinação mais favorável entre momento operacional e distribuição. Nos cinco papéis, os proventos declarados nos últimos 12 meses equivalem a cerca de 5% do preço ou mais, segundo a própria metodologia da casa.
O resultado é uma carteira ainda concentrada em renda, mas com duas novas características: Fleury adiciona uma tese de crescimento de lucro apoiada em dívida líquida de 1,6 vez o Ebitda, enquanto JHSF eleva a exposição a pagamentos frequentes e ao eventual efeito de uma redução dos juros sobre empresas voltadas ao consumo de alta renda. A estratégia continua sendo avaliada pela Genial como uma carteira completa e de pesos iguais, e não como uma lista de recomendações independentes de compra e venda.
Fontes:
Genial Investimentos – carteira recomendada de ações de outubro de 2026 e justificativas para as alterações na Carteira Dividendos 5+
Fleury – histórico de dividendos e juros sobre capital próprio de 2026 e exercícios anteriores
Fleury – dados cadastrais, ticker FLRY3 e informações de Relações com Investidores
JHSF – histórico oficial de pagamento de dividendos, valores por ação e datas de pagamento
JHSF – central de resultados do segundo trimestre de 2026
Copasa – central de documentos e comunicados sobre resultados, remuneração aos acionistas e mudança da administração









