Comércio Brasil China bate recorde e supera US$ 170 bilhões em 2025
O comércio Brasil China atingiu em 2025 um valor histórico, superando US$ 171 bilhões e consolidando a China como o principal parceiro comercial do Brasil. O resultado representa mais que o dobro do volume negociado com os Estados Unidos, segundo maior destino das exportações brasileiras, que movimentou US$ 83 bilhões no mesmo período. O crescimento da corrente comercial entre os dois países vem se mantendo sólido na última década, refletindo uma relação econômica estratégica e cada vez mais próxima.
De acordo com dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), as exportações brasileiras para a China totalizaram US$ 100 bilhões, o segundo maior patamar desde 1997, quando se iniciou a série histórica do comércio bilateral. A soja respondeu por pouco mais de um terço das vendas brasileiras ao país asiático, crescendo 10% em relação a 2024 e impulsionando a expansão do comércio Brasil China. Além da soja, outros produtos agrícolas e minerais contribuíram para consolidar a liderança chinesa nas exportações brasileiras.
Crescimento do comércio Brasil China em contexto global
O desempenho recorde do comércio Brasil China ocorre em um cenário de tensões comerciais internacionais, com impactos significativos sobre fluxos de exportação. As tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025 incentivaram o Brasil a buscar mercados alternativos, reduzindo a dependência do país norte-americano e ampliando sua presença em países asiáticos.
Durante o período, a China chegou a suspender temporariamente a compra de soja dos EUA, o que reforçou a oportunidade para o Brasil expandir suas exportações ao mercado chinês. Em contraste, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões em 2025, uma queda de 6,6%, influenciada pelas tarifas comerciais impostas e pela dificuldade de competir em produtos estratégicos da indústria de transformação.
Segundo Tulio Cariello, diretor de conteúdo do CEBC, “foi um ano bem complicado para a relação Brasil e Estados Unidos na área comercial”. Apesar do redirecionamento de produtos, como o café, para a China, a diferença estrutural entre as pautas de exportação limita a compensação: enquanto as vendas para a China concentram-se em commodities agrícolas e minerais, o comércio com os EUA envolve predominantemente bens da indústria de transformação, que representam cerca de 80% da pauta destinada ao mercado norte-americano.
Importações do Brasil da China também batem recorde
O crescimento do comércio Brasil China não se limita às exportações. As importações brasileiras originadas na China atingiram US$ 70,9 bilhões em 2025, aumento de 11,5% em relação a 2024, consolidando o maior patamar já registrado na série histórica. O avanço das importações foi impulsionado por compras estratégicas, como um navio-plataforma para exploração de petróleo, carros elétricos híbridos, fertilizantes, produtos químicos e insumos farmacêuticos.
Essas aquisições demonstram a crescente integração econômica entre os países, com a China se consolidando como fornecedor essencial de tecnologia, equipamentos industriais e insumos estratégicos para o Brasil. A expansão das importações também evidencia o fortalecimento da relação comercial bilateral, reforçando a relevância da China no abastecimento de setores estratégicos da economia brasileira.
Quase um terço do comércio exterior brasileiro passa pela China
Com US$ 171 bilhões negociados em 2025, a China concentra 27,2% da corrente comercial brasileira, que totalizou US$ 629 bilhões no ano. O crescimento do comércio Brasil China contribuiu para a expansão de 4,9% do comércio exterior brasileiro em relação a 2024.
Embora outros mercados, como Argentina e Índia, tenham registrado aumento mais expressivo em termos percentuais — 31,4% e 30,2%, respectivamente —, o volume absoluto negociado com a China supera todos os outros parceiros comerciais. Em comparação, as exportações brasileiras para países tradicionais, como Estados Unidos, Espanha e Países Baixos, apresentaram queda ou crescimento modesto.
O comércio Brasil China reflete a tendência de diversificação de mercados, mas mantém a China como pilar central das relações comerciais brasileiras. O país asiático continua liderando o ranking de destinos de exportação, especialmente em produtos estratégicos como soja, minério de ferro, carnes e produtos manufaturados voltados ao setor industrial.
Estratégias de diversificação do comércio brasileiro
Apesar do peso da China, o Brasil busca ampliar suas exportações para outros países e regiões, reduzindo a dependência de um único mercado. A ampliação da venda de carnes, grãos e produtos agroindustriais para mercados do Sudeste Asiático demonstra o esforço de diversificação, alinhado à crescente demanda por alimentos e produtos estratégicos em países emergentes.
Segundo especialistas, o eixo do comércio exterior brasileiro tende a se deslocar progressivamente para a Ásia, refletindo mudanças na dinâmica econômica global e na distribuição da demanda por commodities e produtos industrializados. O crescimento da classe média em países asiáticos impulsiona a absorção de produtos brasileiros, criando oportunidades de expansão sustentável para o comércio exterior.
Tulio Cariello afirma que “o eixo do comércio exterior brasileiro hoje tende a ir cada vez mais para a Ásia”, destacando que, mesmo diante das tensões comerciais globais, o Brasil consegue se posicionar de forma estratégica em mercados de grande porte, ampliando a competitividade de seus produtos e fortalecendo parcerias de longo prazo.
Impactos econômicos e comerciais do crescimento Brasil-China
O comércio Brasil China, ao superar US$ 170 bilhões em 2025, gera impactos diretos e indiretos sobre a economia brasileira. A expansão das exportações fortalece setores como agronegócio, mineração, siderurgia e indústria alimentícia, criando empregos e gerando divisas para o país.
No setor de importações, o aumento da compra de bens industriais, insumos tecnológicos e produtos farmacêuticos contribui para a modernização da indústria e a competitividade de setores estratégicos. A relação Brasil-China permite ao país equilibrar sua balança comercial, ao mesmo tempo em que fortalece laços econômicos e políticos com o principal parceiro asiático.
Além disso, a crescente participação da China no comércio exterior brasileiro influencia decisões estratégicas de investimento e políticas públicas. Empresas brasileiras buscam ampliar a produção e investir em logística para atender à demanda chinesa, enquanto o governo adota medidas para facilitar exportações e reduzir barreiras comerciais.
Perspectivas para os próximos anos
Especialistas projetam que o comércio Brasil China deve continuar crescendo nos próximos anos, impulsionado por fatores como aumento da produtividade agrícola, expansão de infraestrutura logística, investimentos em tecnologia e inovação, e a crescente demanda chinesa por alimentos e matérias-primas estratégicas.
A diversificação de produtos e mercados também deve contribuir para reduzir riscos comerciais, minimizando impactos de tarifas ou barreiras impostas por outros países, especialmente os Estados Unidos. Com um cenário global volátil, a consolidação do comércio Brasil China torna-se cada vez mais relevante para a estabilidade econômica e a projeção internacional do Brasil.
O recorde de US$ 171 bilhões no comércio Brasil China em 2025 evidencia a importância estratégica da China como parceiro comercial do Brasil. O crescimento das exportações, lideradas pela soja e produtos agrícolas, aliado à expansão das importações de bens industriais e insumos estratégicos, consolida a relação bilateral como eixo central do comércio exterior brasileiro.
Apesar da diversificação em outros mercados, a China mantém papel dominante, representando quase um terço do comércio exterior do país. A tendência é que a relação Brasil-China se fortaleça ainda mais nos próximos anos, impulsionada pelo crescimento da classe média asiática, pela demanda por commodities e pelo fortalecimento das relações econômicas e políticas entre os dois países.
O comércio Brasil China não apenas impulsiona setores estratégicos da economia brasileira, mas também projeta o país como parceiro confiável e relevante no cenário global, reafirmando o protagonismo do Brasil no comércio internacional.






