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Dia dos Pais deve movimentar R$ 29,7 bilhões e levar 9,3 milhões às compras de última hora

Levantamento estima 104 milhões de consumidores, enquanto o varejo paulista projeta crescimento de 0,7% no faturamento de agosto.

por Alice Nascimento
04/08/2026 às 15h24
em Negócios
Dia Dos Pais Deve Movimentar R$ 29,7 Bilhões E Levar 9,3 Milhões Às Compras De Última Hora - Gazeta Mercantil - Negócios

O comércio brasileiro entrou nesta terça-feira (4) na reta final para o Dia dos Pais com a expectativa de receber cerca de 9,3 milhões de consumidores que ainda pretendem comprar presentes nas vésperas da comemoração, marcada para domingo (9). O contingente corresponde a 9% do público com intenção de compra e deverá reforçar o movimento em lojas físicas, aplicativos e sites ao longo dos últimos dias da campanha sazonal.

A estimativa faz parte de levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito, realizado em parceria com a Offerwise. A pesquisa projeta que 104 milhões de consumidores residentes nas capitais irão às compras e que a data movimentará R$ 29,7 bilhões no comércio e nos serviços. O número de compradores representa redução nominal de 2,3 milhões em relação a 2025.

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O aquecimento ocorre com duas forças simultâneas. De um lado, a ampla disposição de presentear mantém elevado o volume potencial de consumo. De outro, o menor número de compradores e a situação financeira de parte das famílias limitam a expansão, sobretudo em categorias de maior valor e dependentes de parcelamento.

O cronograma informado pelos entrevistados mostra que a maior parcela das aquisições foi distribuída antes da reta final: 39% pretendiam comprar em julho e 31% na primeira semana de agosto. Outros 11% disseram já ter garantido o presente quando o levantamento foi realizado, enquanto 10% ainda não haviam decidido o momento da compra e 1% planejava adquirir o item somente depois da celebração.

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Vestuário concentra a maior parcela das intenções

Roupas, calçados e acessórios aparecem na liderança, citados por 62% dos consumidores que pretendem presentear. Cosméticos e perfumes ocupam a segunda posição, com 27%, seguidos por ferramentas, com 18%. Eletrônicos e artigos esportivos registram 16% cada, enquanto 10% consideram entregar dinheiro ou fazer uma transferência por PIX.

A composição das escolhas favorece segmentos com grande variedade de preços e possibilidade de compra imediata. Também reduz a dependência de financiamento mais longo, característica relevante em um ambiente no qual parte dos consumidores já enfrenta compromissos vencidos e demonstra resistência à contratação de novas parcelas.

A pesquisa indica gasto médio de aproximadamente R$ 286 por consumidor, considerando a compra de 1,8 presente. Entre os entrevistados, 36% afirmaram que pretendem gastar mais do que em 2025, 34% projetam desembolsar o mesmo valor e 17% querem reduzir a despesa.

Entre aqueles que planejam elevar o gasto, 61% justificam a decisão pelo desejo de oferecer um presente melhor, enquanto 38% apontam a percepção de que os preços estão mais altos. No grupo que pretende gastar menos, 40% mencionam orçamento apertado, 39% citam contenção de despesas e 18% afirmam que precisam direcionar recursos para o pagamento de dívidas.

O presente físico permanece como preferência percebida pela maioria. Para 60% dos entrevistados, os pais gostariam de receber um produto. Os demais 40% acreditam que o presente poderia ser substituído por ajuda financeira: 17% apontam dinheiro ou PIX para uso livre, 8% indicam recursos para quitar boletos atrasados e outros 8% mencionam pagamento de contas básicas.

Lojas físicas lideram, mas pesquisa de preços migra para a internet

Os estabelecimentos físicos continuam à frente na escolha do canal de compra. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores pretendem adquirir presentes presencialmente, principalmente em shopping centers, citados por 27%. Lojas de departamento aparecem com 17%, seguidas por lojas de rua e centros de comércio popular, ambas com 16%.

A internet participa da jornada de 47% dos compradores. Dentro desse grupo, 71% pretendem utilizar aplicativos, 57% recorrerão a sites e 23% indicam o Instagram como canal de aquisição. As respostas permitem múltiplas escolhas, razão pela qual os percentuais dos canais não são excludentes.

A presença física é dominante na conclusão da compra, mas o ambiente digital assumiu papel central na comparação de preços. Entre os consumidores que pesquisarão antes de decidir, 83% farão consultas online e 67% visitarão lojas. Sites e aplicativos são mencionados por 73%, redes sociais por 38%, e shoppings e lojas de rua aparecem empatados, com 39%, entre os locais presenciais de pesquisa.

No total, 77% pretendem comparar valores para economizar. Preço, promoções e descontos são o principal critério de escolha do ponto de venda, citados por 49% dos entrevistados. A qualidade dos produtos aparece com 45%, o frete grátis com 35%, a rapidez da entrega com 26% e a facilidade de pagamento com 25%.

Vitrines e exposições de produtos continuam relevantes na decisão, com influência para 32% dos consumidores. Anúncios no Instagram aparecem com 31%, mecanismos de busca com 30% e indicações de amigos e familiares com 29%. O TikTok é citado por 24%.

PIX ganha espaço e parcelamento fica concentrado no cartão

A preferência por pagamento à vista alcança 81% dos consumidores. O PIX será usado por 52%, enquanto o cartão de débito aparece com 17%. Ao mesmo tempo, 41% manifestaram intenção de parcelar ao menos parte das compras, principalmente no cartão de crédito, indicado por 30%. A média prevista é de 3,4 prestações.

Os percentuais mostram que pagamento imediato e parcelamento podem coexistir na mesma cesta, especialmente porque o consumidor pretende comprar, em média, mais de um presente. A escolha também varia conforme o valor do produto e a possibilidade de dividir a despesa com outras pessoas.

A maior parte dos entrevistados, 73%, pretende arcar sozinha com o custo. Outros 22% planejam dividir: 12% pagarão individualmente uma parte e compartilharão outra, enquanto 10% repartirão todo o valor. Entre os que adotarão a compra coletiva, 38% dividirão com o cônjuge, 32% com irmãos e 18% com a mãe.

O objetivo de oferecer um presente melhor e mais caro é apontado por 32% dos que dividirão o pagamento. Outros 27% buscam reduzir o gasto individual e 19% citam a alta de preços. A prática amplia o acesso a itens de maior valor sem concentrar toda a despesa em um único orçamento.

O comércio de produtos usados também disputa espaço. O levantamento mostra divisão exata: 46% considerariam presentear com um item de segunda mão em perfeito estado e 46% recusariam. Entre os favoráveis, aparecem a possibilidade de acessar marcas melhores por preço menor, a procura por peças exclusivas ou antigas e a preocupação com consumo consciente.

Endividamento limita a força da data

A intenção de presentear alcança uma parcela relevante de consumidores em situação financeira frágil. Entre os compradores, 37% declararam ter contas em atraso e, dentro desse grupo, 73% estão com o nome negativado. Além disso, 14% afirmaram que pretendem deixar de pagar alguma conta para viabilizar a compra do presente.

A maior parte, 62%, usará salário ou renda mensal para pagar a aquisição. Outros 19% ainda não sabiam de onde retirariam o dinheiro, mas afirmaram que encontrariam uma forma de comprar. Uma parcela de 13% pretende redirecionar recursos reservados para outra finalidade, e 4% recorrerão a empréstimo ou crédito rotativo.

O levantamento também registra que 30% reconhecem gastar além de suas possibilidades na data. Para acomodar a despesa, 24% pretendem adiar compras pessoais, 21% cortarão gastos considerados supérfluos, como saídas e entregas de refeições, e 20% admitem parcelar mesmo sabendo que o compromisso pressionará o orçamento dos meses seguintes.

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas atribui a leve retração do número de compradores ao limite do orçamento familiar e recomenda planejamento, definição prévia do valor disponível, comparação de preços e prioridade para formas de pagamento que não criem obrigações futuras incompatíveis com a renda.

Varejo paulista projeta avanço de 0,7% em agosto

No Estado de São Paulo, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo estima que os segmentos varejistas mais afetados pelo Dia dos Pais terão crescimento de 0,7% no faturamento de agosto em relação ao mesmo mês de 2025. O aumento projetado equivale a R$ 567 milhões em receita adicional.

A expansão será desigual entre as atividades. Farmácias e perfumarias devem registrar alta de 3,7%, enquanto lojas de roupas têm projeção de crescimento de 1,7%. Os números estão alinhados à preferência nacional por vestuário, cosméticos e perfumes, categorias que lideram ou ocupam as primeiras posições nas intenções de compra.

Bens duráveis apresentam cenário mais fraco. A federação paulista prevê retração de 1,3% para móveis e decoração e queda de 0,8% para eletroeletrônicos. A avaliação da entidade é que endividamento, juros elevados e pressão sobre os preços restringem a disposição das famílias para assumir novas dívidas, ainda que de prazo curto.

Em julho, 74,8% das famílias paulistas tinham dívidas ativas, segundo a pesquisa de endividamento da própria federação. Esse nível ajuda a explicar por que o crescimento esperado para agosto é moderado e concentrado em produtos que permitem tíquete mais baixo, pagamento à vista e substituição rápida entre marcas e faixas de preço.

A pesquisa nacional foi realizada pela internet entre 23 de junho e 1º de julho, com consumidores maiores de 18 anos das 27 capitais. Foram ouvidas 978 pessoas para medir a intenção geral de compra e, depois, 636 consumidores que pretendiam presentear. As margens de erro são de 3,1 pontos percentuais e 3,9 pontos percentuais, respectivamente, com nível de confiança de 95%.

Com 9% dos consumidores programando a compra para as vésperas, 10% ainda sem definição sobre o momento e 1% disposto a comprar após a comemoração, o resultado final da campanha permanecerá dependente do movimento registrado até domingo e das vendas realizadas nos dias imediatamente posteriores à data.


Fontes:

  • Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e SPC Brasil — Dia dos Pais: 9,3 milhões de consumidores devem ir às compras na última hora — 4 de agosto de 2026
  • Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e SPC Brasil — 104 milhões de consumidores devem ir às compras para o Dia dos Pais — 30 de julho de 2026 —
  • Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo — Varejo paulista espera alta de 0,7% em agosto com vendas do Dia dos Pais — 3 de agosto de 2026

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