Pela primeira vez desde o início da série histórica, mais da metade dos usuários de internet no Brasil realizou compras ou encomendas de produtos e serviços por meio da rede em 2025. O dado consta da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal (Pnad TIC 2025), divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O percentual de internautas que recorreram ao comércio eletrônico passou de 47,9% em 2024 para 52,7% no ano passado, um aumento de 4,8 pontos percentuais. Desde 2022, quando o indicador começou a ser acompanhado de forma sistemática, a evolução tem sido consistente: naquele ano, apenas 41,8% dos usuários declararam utilizar a rede para essa finalidade.
Serviços financeiros e públicos ganham espaço na rotina digital
O avanço do uso da internet não se restringe ao consumo. A pesquisa mostra que o acesso a contas e serviços bancários também registrou expansão expressiva. Em 2025, 74,2% dos internautas utilizaram a rede para essa finalidade, alta de 3,2 pontos percentuais em relação a 2024 e de 14,4 pontos desde 2022.
Esse movimento reflete a consolidação da transformação digital no setor financeiro, que ampliou a oferta de canais remotos e reduziu a necessidade de atendimento presencial. Para as instituições, a tendência representa redução de custos operacionais e maior alcance a regiões onde a estrutura física é mais limitada.
Outro indicador em crescimento é o uso da internet para acessar serviços públicos. O percentual de usuários que recorreram à rede para obter informações, solicitar documentos ou acompanhar processos subiu de 38,6% para 41,1% entre 2024 e 2025. Em comparação com 2022, o crescimento acumulado chega a 7,9 pontos percentuais, quando o índice era de 33,2%.
A ampliação do acesso digital a serviços públicos tem impacto direto na eficiência da administração federal, estadual e municipal, além de reduzir custos e agilizar o atendimento à população.
Comunicação segue como atividade mais frequente
Apesar do crescimento de usos ligados ao consumo, finanças e serviços, a comunicação continua sendo a principal razão pela qual os brasileiros acessam a rede. Em 2025, 95,3% dos usuários afirmaram utilizar a internet para realizar chamadas de voz ou vídeo, permanecendo no topo da lista de finalidades.
Em segundo lugar aparece o envio e recebimento de mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos, citado por 90,2% dos internautas. O consumo de vídeos, como programas, filmes e séries, vem em seguida, com 89,3% de menções.
Entre as atividades mais frequentes ainda estão o acesso a redes sociais, com 84,9% de respostas; ouvir músicas, rádio ou podcasts, com 83,7%; ler jornais,
notícias, livros ou revistas, com 69%; e enviar ou receber e-mails, com 61,2%.
Expansão digital impulsiona setores e transforma hábitos
O crescimento das compras online acompanha a maior penetração da internet no país. Dados da mesma pesquisa mostram que, pela primeira vez, a proporção de pessoas com acesso à rede chegou a 90% da população em 2025. A ampliação da cobertura, especialmente em regiões periféricas e interioranas, cria uma base maior de consumidores e usuários de serviços digitais.
Para o comércio, o avanço significa a ampliação do
mercado e a possibilidade de alcançar clientes que antes tinham acesso limitado a lojas físicas. A transformação também força o setor a investir em logística, segurança de dados e atendimento digital para manter a competitividade.
No setor financeiro, a presença cada vez maior de usuários online estimula a oferta de produtos digitais, como contas sem tarifa, empréstimos e investimentos acessíveis por aplicativos. Essa democratização do acesso pode contribuir para a inclusão financeira de parcelas da população que antes não mantinham relacionamento
com instituições bancárias.
Acesso a serviços públicos reduz burocracia e custos
O aumento no uso da internet para contato com o poder público também representa uma mudança estrutural. A digitalização de processos reduz a necessidade de deslocamentos e filas, além de diminuir o tempo de espera para respostas e conclusão de solicitações.
Para o governo, a tendência reduz gastos com impressão, manutenção de estruturas físicas e atendimento presencial, permitindo que recursos sejam redirecionados para outras áreas. Ao mesmo tempo, a maior transparência e facilidade de acesso contribuem para a relação entre Estado e cidadão.
Desafios seguem com qualidade e segurança
Apesar dos avanços, a pesquisa também aponta para desafios. Mesmo com a cobertura ampliada, a qualidade da conexão ainda varia conforme a região e a renda da população. Além disso, o aumento de transações e atividades na rede torna mais relevante a discussão sobre segurança digital, proteção de dados e combate a fraudes.
Para os consumidores, a confiança em plataformas de comércio eletrônico e serviços digitais depende diretamente de regras claras e de mecanismos de proteção eficazes. A evolução dos indicadores da Pnad TIC mostra que a transformação digital já faz parte da rotina nacional, mas requer atenção contínua para garantir que esse crescimento seja seguro e inclusivo.