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Copom deve cortar 0,25 p.p. na Selic em cenário de inflação elevada e economia desacelerando

por Antônio Lima
27/04/2026 às 12h49
em Economia
Copom Deve Cortar 0,25 P.p. Na Selic Em Cenário De Inflação Elevada E Economia Desacelerando-Gazeta Mercantil

Copom corte de 0,25 p.p. na Selic domina expectativas do mercado em meio à inflação pressionada

A expectativa de que o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic na reunião desta semana se consolidou como o principal consenso entre economistas e instituições financeiras. O cenário, no entanto, está longe de ser trivial. Em meio a uma inflação pressionada por choques externos e sinais de desaceleração da atividade econômica, o Banco Central enfrenta um dos momentos mais delicados de calibragem da política monetária nos últimos anos.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (29), ocorre sob um ambiente de elevada incerteza, em que fatores geopolíticos, como o conflito no Oriente Médio, têm impacto direto sobre os preços das commodities e, consequentemente, sobre a inflação brasileira.

Leia também: Projeção da inflação 2026 é reduzida antes do Copom, mostra Relatório Focus

Leia também: Copom mantém avaliação cautelosa sobre ganhos reais salariais.

Inflação elevada desafia estratégia do Banco Central

O pano de fundo que sustenta a expectativa de que o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic é a combinação de inflação resistente e origem majoritariamente externa das pressões inflacionárias.

Desde a última reunião, realizada em março, os indicadores de preços apresentaram deterioração. O avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado por tensões no Oriente Médio, elevou os custos de combustíveis e impactou diretamente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Leia também: Lula e Trump: encontro deve expor trama golpista além do 8 de janeiro.

Analistas destacam que o choque inflacionário recente tem características específicas: trata-se de uma pressão concentrada em determinados setores, especialmente transportes, o que dificulta a atuação tradicional da política monetária.

Esse tipo de inflação, de origem externa, tende a responder menos a aumentos ou manutenção de juros elevados, criando um dilema para o Banco Central.

Atividade econômica perde força sob juros elevados

Outro elemento central que reforça a expectativa de que o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic é o enfraquecimento gradual da atividade econômica.

Dados recentes indicam que o crescimento do país desacelerou significativamente, saindo de um ritmo de cerca de 3,7% para aproximadamente 2% em termos anualizados. Esse movimento reflete os efeitos acumulados do aperto monetário implementado ao longo dos últimos ciclos.

Com juros elevados por período prolongado, o crédito se torna mais caro, o consumo perde dinamismo e os investimentos são adiados. Nesse contexto, manter a Selic em patamar excessivamente restritivo pode aprofundar a desaceleração econômica sem garantir eficácia adicional no combate à inflação.

Consenso de mercado aponta para ajuste gradual

A leitura predominante entre analistas é de que o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic representa um movimento de “ajuste fino”, equilibrando riscos inflacionários e necessidade de estímulo à economia.

A expectativa é que a taxa básica de juros seja reduzida de 14,75% para 14,50%. O ritmo mais lento de cortes reflete a cautela do Banco Central diante de um cenário ainda incerto.

Termos como “parcimônia” e “calibração” passaram a dominar o discurso do mercado, indicando que a autoridade monetária deve evitar movimentos bruscos até que haja maior clareza sobre a trajetória da inflação.

Impacto do petróleo e da geopolítica no cenário doméstico

A decisão sobre o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic não pode ser dissociada do ambiente internacional. O conflito envolvendo importantes produtores de petróleo elevou significativamente os preços da commodity, pressionando cadeias produtivas em diversos países.

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo no mundo, tornou-se um ponto crítico, afetando fluxos de oferta e aumentando a volatilidade dos preços.

Esse cenário se traduz em custos mais elevados para combustíveis no Brasil, com impacto direto sobre o IPCA. A inflação, portanto, passa a refletir fatores que fogem ao controle direto da política monetária doméstica.

Revisões nas projeções de inflação acendem alerta

A deterioração do cenário levou a uma revisão significativa nas projeções de inflação. Antes do agravamento das tensões geopolíticas, estimativas para 2026 giravam em torno de 3,8%. Com o novo contexto, algumas projeções já superam os 5%.

Esse movimento reforça o desafio do Banco Central ao decidir se o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic será suficiente para equilibrar os objetivos de controle inflacionário e estímulo à atividade.

Além disso, projeções para horizontes mais longos também foram ajustadas, indicando risco de desancoragem das expectativas, fator que pode comprometer a credibilidade da política monetária.

Selic terminal ainda gera divergências entre analistas

Embora haja consenso sobre o movimento imediato, as projeções para a trajetória futura da taxa básica divergem.

Parte do mercado estima que, mesmo com o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic, a taxa deve encerrar 2026 em torno de 13,25%. Outros analistas trabalham com cenários mais otimistas, prevendo níveis próximos de 12,5%.

Há também avaliações que apontam viés de alta, com possibilidade de a Selic permanecer próxima de 13% caso as pressões inflacionárias persistam por mais tempo.

Essa dispersão de expectativas reflete o grau de incerteza do cenário atual, especialmente diante da dependência de fatores externos.

Estratégia de “ajuste fino” deve marcar próximas reuniões

O conceito de “ajuste fino” ganha força no debate sobre o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic. A ideia central é que o Banco Central deve adotar uma abordagem gradualista, monitorando de perto os dados econômicos antes de definir novos passos.

Essa estratégia permite maior flexibilidade, evitando erros de política monetária em um ambiente altamente volátil.

Analistas avaliam que, após o corte desta semana, novas reduções de 0,25 ponto percentual podem ocorrer nas reuniões seguintes, com possibilidade de aceleração apenas se o cenário externo apresentar melhora consistente.

Limitações da política monetária diante de choques externos

Um dos principais argumentos que sustentam o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic é a limitação da política monetária em lidar com choques exógenos.

Quando a inflação é impulsionada por fatores como alta do petróleo ou disrupções na cadeia global de suprimentos, o aumento ou manutenção de juros elevados tende a ter eficácia reduzida.

Nesse contexto, insistir em uma política excessivamente restritiva pode gerar custos econômicos elevados, sem necessariamente resolver o problema inflacionário.

Mercado acompanha decisão com cautela

Investidores acompanham com atenção a decisão sobre o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic, avaliando seus impactos sobre diferentes classes de ativos.

A renda fixa, por exemplo, pode reagir positivamente a cortes moderados de juros, enquanto a renda variável tende a se beneficiar de perspectivas de estímulo econômico.

No entanto, a incerteza sobre o cenário global e a trajetória da inflação mantém o ambiente de investimentos desafiador.

Decisão do Copom pode redefinir expectativas para 2026

A reunião desta semana tem potencial para redefinir o rumo das expectativas econômicas. O movimento em que o Copom corte de 0,25 p.p. na Selic pode ser interpretado como um sinal de confiança na desaceleração da inflação ou como uma resposta à fragilidade da atividade econômica.

A comunicação do Banco Central será crucial para orientar o mercado sobre os próximos passos. Sinais de continuidade dos cortes ou de pausa no ciclo terão impacto direto sobre projeções de crescimento, inflação e câmbio.

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