Economistas reduzem projeção da inflação para 2026 antes do Copom, aponta Relatório Focus
A projeção da inflação 2026 voltou a ser revisada para baixo pelos economistas ouvidos pelo Banco Central (BC), de acordo com o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (26). O movimento ocorre às vésperas da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano e reforça a leitura de um cenário macroeconômico que, embora ainda desafiador, apresenta sinais graduais de acomodação dos preços no médio prazo.
Segundo os dados consolidados pelo BC, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 passou de 4,02% para 4%, marcando mais um ajuste marginal, porém simbólico, nas estimativas do mercado. O número permanece acima do centro da meta de inflação, mas indica maior confiança na condução da política monetária e no arrefecimento das pressões inflacionárias ao longo do horizonte relevante.
Corte na projeção da inflação reforça cautela do mercado
A revisão na projeção da inflação 2026 não ocorre de forma isolada. Nas últimas semanas, o mercado tem ajustado suas expectativas à medida que novos dados de atividade, consumo e política fiscal são incorporados aos modelos econômicos. Ainda que o corte tenha sido de apenas 0,02 ponto percentual, ele reforça a percepção de que a inflação caminha para um patamar mais previsível, mesmo em um ambiente internacional marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade nos preços de commodities.
Para os anos seguintes, as estimativas permaneceram inalteradas. O IPCA projetado para 2027 segue em 3,80%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa continua em 3,50%. Esses números sinalizam convergência gradual para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), especialmente no longo prazo.
Copom entra em cena com expectativas de manutenção da Selic
O ajuste na projeção da inflação 2026 ganha relevância adicional por ocorrer na semana da primeira reunião do Copom no ano. O comitê, responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic, avalia não apenas a inflação corrente, mas sobretudo as expectativas futuras captadas pelo Relatório Focus.
A maior parte do mercado aposta na manutenção da Selic no curto prazo, diante de um cenário que ainda exige prudência. No entanto, uma parcela dos analistas não descarta a possibilidade de um início de ciclo de afrouxamento monetário já nos primeiros meses do ano, caso os dados de inflação sigam mostrando trajetória benigna.
Para 2026, a expectativa para a Selic permanece em 12,25%. Nos anos seguintes, o mercado projeta uma trajetória de queda gradual: 10,50% em 2027, 10% em 2028 e 9,50% em 2029. Esse caminho reforça a leitura de que o BC deverá manter uma política monetária restritiva por mais tempo, garantindo o controle inflacionário antes de promover cortes mais agressivos.
Inflação, juros e credibilidade da política monetária
A relação entre a projeção da inflação 2026 e a condução da política monetária é direta. O Banco Central tem reiterado, em suas comunicações, que as decisões sobre a Selic dependerão da ancoragem das expectativas inflacionárias. Nesse contexto, revisões para baixo no Focus são vistas como um sinal positivo de credibilidade da autoridade monetária.
Apesar disso, analistas destacam que a inflação ainda segue acima do centro da meta no horizonte relevante, o que limita movimentos mais ousados no curto prazo. A estratégia do BC, portanto, tende a permanecer conservadora, priorizando a estabilidade de preços e a previsibilidade das decisões.
PIB mantém projeções estáveis até 2029
Enquanto a projeção da inflação 2026 foi ajustada, as expectativas para o crescimento econômico brasileiro permaneceram inalteradas. Segundo o Relatório Focus, o mercado espera que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,80% em 2026 e repita o mesmo desempenho em 2027. Para 2028 e 2029, a estimativa é de expansão de 2% ao ano.
A manutenção dessas projeções indica que os economistas veem um ritmo de crescimento moderado, compatível com uma economia ainda impactada por juros elevados, mas sustentada por um mercado de trabalho resiliente e avanços pontuais no investimento.
Crescimento moderado e desafios estruturais
Mesmo com a redução na projeção da inflação 2026, o crescimento econômico segue limitado por fatores estruturais. A produtividade baixa, o ambiente fiscal ainda pressionado e a necessidade de reformas continuam no radar dos analistas. Ainda assim, a estabilidade das projeções de PIB sugere que o mercado não espera uma desaceleração brusca, mas tampouco uma aceleração significativa no curto prazo.
A combinação de inflação em queda gradual e crescimento moderado reforça a percepção de um cenário de transição, no qual a política econômica busca equilíbrio entre controle inflacionário e estímulo à atividade.
Câmbio segue pressionado, apesar do alívio inflacionário
Outro ponto de atenção do Relatório Focus é o comportamento do câmbio. A projeção da inflação 2026 mais baixa não foi suficiente para provocar revisões relevantes nas estimativas para o dólar. A expectativa é de que a moeda norte-americana encerre 2026 cotada a R$ 5,50.
Para 2027, houve um leve ajuste de R$ 5,50 para R$ 5,51. Em 2028, a projeção permaneceu em R$ 5,52, enquanto para 2029 o mercado elevou a estimativa de R$ 5,57 para R$ 5,58. Esses números refletem um cenário de persistente pressão cambial, influenciado tanto por fatores domésticos quanto externos.
Dólar elevado impacta inflação e decisões do Copom
O patamar elevado do câmbio segue como um dos principais riscos para a projeção da inflação 2026. Um dólar mais caro encarece importações, pressiona preços de combustíveis e pode contaminar outros setores da economia. Por isso, o Banco Central acompanha de perto a dinâmica cambial ao calibrar a política monetária.
Mesmo com a revisão para baixo do IPCA projetado, o câmbio continua sendo um vetor de incerteza, especialmente em um ambiente global marcado por juros altos nas economias centrais e fluxos financeiros voláteis.
Leitura consolidada do Relatório Focus
O conjunto de dados do Relatório Focus desta segunda-feira (26) desenha um cenário de cauteloso otimismo. A projeção da inflação 2026 menor sinaliza avanços no controle de preços, enquanto a estabilidade das projeções de PIB e Selic reforça a percepção de continuidade na estratégia econômica.
Para investidores, empresários e formuladores de política pública, o boletim funciona como um termômetro das expectativas do mercado, orientando decisões e estratégias no médio e longo prazo.
O que esperar dos próximos meses
A tendência da projeção da inflação 2026 dependerá, nos próximos meses, de uma série de fatores: comportamento dos preços administrados, evolução do cenário fiscal, dinâmica do câmbio e decisões do Copom. Qualquer sinal de desancoragem pode levar a novas revisões, enquanto dados favoráveis podem reforçar o viés de queda.
O mercado seguirá atento aos comunicados do Banco Central e aos indicadores econômicos, buscando sinais mais claros sobre o início de um eventual ciclo de flexibilização monetária.






