quarta-feira, 16 de setembro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Economia

Copom indica corte de juros só após o Carnaval

por Álvaro Lima
11/12/2025 às 10h44
em Economia
Bc Protege+: Banco Central Cria Proteção Contra Fraudes Em Contas - Gazeta Mercantil - Copom Indica Corte De Juros Só Após O Carnaval

Foto: Banco Central do Brasil/Reprodução

Copom adia perspectivas e indica que corte de juros só virá depois do Carnaval

A última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou o que analistas mais conservadores já previam: a taxa Selic permanecerá em 15% ao ano, e um eventual corte de juros só deve ocorrer após o Carnaval. O cenário econômico atual, marcado por inflação resistente, expectativas desancoradas e incertezas fiscais, levou o Banco Central (BC) a adotar uma postura mais cautelosa, alinhando-se a um ambiente doméstico e internacional repleto de variáveis sensíveis.

O comunicado divulgado após o encontro mostrou uma leitura firme da autoridade monetária sobre os riscos inflacionários, evidenciando que o balanço de riscos segue desfavorável. Ainda que a inflação tenha apresentado certa desaceleração, seus componentes subjacentes continuam pressionados, especialmente no setor de serviços, tradicionalmente mais sensível ao ciclo econômico. A intensa resiliência do mercado de trabalho, que mantém salários aquecidos, reforça as preocupações do Comitê.

Esse conjunto de fatores deixa claro que não há, no curto prazo, margem técnica suficiente para que o Banco Central inicie um processo de flexibilização monetária. Assim, o Copom preferiu observar as próximas movimentações do mercado, aguardar sinais de acomodação mais consistente da inflação e voltar a discutir mudanças somente na segunda reunião do ano, marcada para março.

Um comunicado sem surpresas — e sem sinalizações

Se, por um lado, a manutenção da Selic já era tida como certa, por outro, parte dos investidores acreditava que o Copom ao menos ofereceria alguma indicação sobre o início da trajetória de baixa. Mas não foi o que ocorreu. O documento repetiu, literalmente, uma expressão considerada decisiva: a política monetária deve permanecer em um patamar “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

Essa repetição, sem qualquer ajuste ou nuance, reforçou a percepção de que o BC não está disposto a antecipar movimentos. A leitura do mercado foi imediata: se havia alguma expectativa de flexibilização no início do próximo ano, ela foi inteiramente descartada. O Comitê optou por manter a comunicação rígida, sinalizando que não cederá à pressão por ajustes apressados.

O cenário de outubro, portanto, permanece praticamente inalterado. O BC reconhece que os juros elevados estão produzindo efeito, mas enfatiza que o processo de desinflação ainda exige cautela. A projeção do Comitê para a inflação do segundo trimestre de 2027, horizonte relevante para tomadas de decisão, caiu levemente de 3,3% para 3,2%. Apesar disso, as expectativas dos agentes econômicos continuam distantes da meta, indicando que a política monetária precisa seguir pressionada.

Desafios internos: mercado de trabalho, cenário fiscal e eleições

Três elementos internos pesam de forma significativa na análise do BC:

  1. Resiliência do mercado de trabalho, que impede um arrefecimento mais rápido da inflação de serviços.

  2. Desorganização fiscal, que aumenta o prêmio de risco do país e limita o espaço para cortes.

  3. Ano eleitoral em 2026, fator que gera incertezas adicionais sobre compromissos fiscais, fluxo de capitais e expectativas de mercado.

Diante da combinação desses fatores, qualquer movimento precipitado poderia reacender pressões inflacionárias, frustrando o trabalho de meses de aperto monetário. Assim, o Comitê preferiu sinalizar que nada ocorrerá na primeira reunião do ano — o que deixa março como o momento mais provável para qualquer decisão.

A influência do cenário internacional

A quarta-feira também foi marcada pela última reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), o equivalente norte-americano ao Copom. Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos decidiram reduzir seus juros em 0,25 ponto percentual, passando o intervalo para entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Apesar da decisão, o ponto mais relevante veio na entrevista coletiva. Jerome Powell afirmou não acreditar em novas altas de juros no cenário-base, o que trouxe alívio aos mercados globais. As bolsas reagiram imediatamente, tanto nos EUA quanto no Brasil, impulsionadas pela perspectiva de estabilização do ambiente monetário americano.

Para o Brasil, o panorama internacional exerce dupla influência: reduz pressões cambiais e diminui parte do prêmio de risco, mas ainda não elimina os obstáculos internos. A sinalização do Fed abre uma janela positiva, mas o Banco Central brasileiro não considera o movimento como justificativa suficiente para iniciar um ciclo de cortes antes de observar melhor a evolução doméstica.

Indicadores reforçam o ambiente de cautela

Os dados mais recentes do varejo mostraram uma retração mensal de 0,2% e queda de 0,5% no acumulado de 12 meses. As leituras refletem a desaceleração do consumo, comum em períodos de juros elevados, mas ainda não traduzem uma reversão consistente que permitiria ao BC flexibilizar a política monetária.

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA, que avançaram de 191 mil para 220 mil, também reforçam a leitura de leve desaquecimento na economia americana. Mas, novamente, esses movimentos não são suficientes para alterar a estratégia do Copom no curto prazo.

Por que o corte só deve vir após o Carnaval?

A decisão de aguardar até março decorre da necessidade de observar:

  • o comportamento da inflação no início do ano, período tradicionalmente mais sensível;

  • reajustes sazonais de preços administrados;

  • negociações salariais que influenciam serviços;

  • definição mais clara sobre a trajetória fiscal;

  • impactos da política monetária americana;

  • volatilidade pré-eleitoral.

O Carnaval funciona como um marco temporal. A primeira reunião de janeiro ocorre antes do feriado, em um ambiente ainda nebuloso para interpretação de dados. A segunda reunião, marcada para março, permitirá ao Comitê analisar informações mais robustas do trimestre, o que oferece segurança adicional para tomar decisões.

Assim, o BC evita movimentos arriscados e mantém firme a política contracionista, buscando alinhar expectativas e consolidar a trajetória de desinflação.

Perspectivas para os próximos meses

O Brasil deve atravessar o início de 2026 com juros elevados. A inflação pode continuar desacelerando, mas a ancoragem das expectativas é o aspecto mais importante na avaliação do BC. A comunicação rígida reforça a intenção de garantir que o processo desinflacionário continue, sem brechas para interpretações equivocadas.

O mercado, por sua vez, deve ajustar projeções e acompanhar atentamente não apenas os dados econômicos, mas também sinais do governo sobre responsabilidade fiscal. A manutenção de um ambiente estável é essencial para reduzir incertezas e permitir que cortes mais consistentes ocorram no segundo semestre.

Para investidores, empresas e consumidores, o recado é claro: a política monetária seguirá restritiva por algum tempo. A estratégia busca preservar a credibilidade da autoridade monetária e evitar qualquer movimento que comprometa a trajetória inflacionária.

LEIA MAIS

Inflação 2026 - Gazeta Mercantil
Economia

Focus interrompe escalada da inflação, mas mercado ainda vê IPCA em 5,33% em 2026

O mercado financeiro manteve em 5,33% a projeção para a inflação brasileira em 2026, interrompendo uma sequência de 15 semanas consecutivas de revisões para cima. Os dados constam...

Leia MaisDetails
Selic A 14,50%: Copom Mantém Cautela, Mercado Reage E Inflação Pressiona Próximos Passos-Gazeta Mercantil
Economia

Selic pode chegar a 14% em 2026 após revisão de bancos e piora do cenário econômico

A perspectiva para a Selic em 2026 sofreu uma mudança relevante nas últimas semanas. Grandes instituições financeiras passaram a revisar suas projeções para a taxa básica de juros...

Leia MaisDetails
Economia Aquecida Pressiona Inflação E Deve Retardar Queda Dos Juros No Brasil, Apontam Analistas-Gazeta Mercantil
Economia

Economia aquecida pressiona inflação e deve retardar queda dos juros no Brasil, apontam analistas

A dinâmica recente da economia aquecida inflação juros no Brasil tem se consolidado como um dos principais pontos de atenção para analistas, investidores e formuladores de política econômica....

Leia MaisDetails
Decisão Do Copom Sobre A Selic Hoje: Mercado Prevê Corte Em Meio À Inflação E Guerra-Gazeta Mercantil
Economia

Decisão do Copom sobre a Selic hoje: mercado prevê corte em meio à inflação e guerra

Copom decide Selic em meio à pressão da inflação e guerra: o que esperar da decisão do Copom sobre a Selic A decisão do Copom sobre a Selic...

Leia MaisDetails
Super Quarta: Ibovespa Derrete E Petróleo Bate Us$ 115 Antes De Decisões De Juros - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Super Quarta: Ibovespa derrete e Petróleo bate US$ 115 antes de decisões de juros

Super Quarta: Ibovespa derrete abaixo de 187 mil pontos sob pressão do Fed e Copom; Petróleo explode para US$ 115 O mercado financeiro global e doméstico opera em...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

20:20:03
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Lvmh Perde Mais De €250 Bilhões Em Valor De Mercado Desde 2023-Gazeta Mercantil
Empresas

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

Leia MaisDetails
Brb Recebe R$ 376 Milhões Da Xp Por Créditos Ligados Ao Banco Master-Gazeta Mercantil
Empresas

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Leia MaisDetails
Jpmorgan Corta Preço-Alvo Do Banco Do Brasil Para R$ 22 E Mantém Recomendação Neutra-Gazeta Mercantil
Empresas

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Leia MaisDetails
Há 4 Anos, Lula E Bolsonaro Iniciavam Campanhas Que Definiriam A Eleição De 2022 - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

LVMH perde mais de €250 bilhões em valor de mercado desde 2023

BRB (BSLI3; BSLI4) recebe R$ 376 milhões da XP por ativos ligados ao Banco Master

Lula diz que Flávio Bolsonaro participou da aprovação de Kassio e Mendonça no STF

Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan corta preço-alvo para R$ 22 e reduz projeções de lucro

Investimentos têm desempenhos diferentes nos governos Bolsonaro e Lula, aponta levantamento

Alckmin participa de encontro com empresários na Faria Lima nesta sexta-feira

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP