A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) avançou nas negociações para vender sua divisão de cimentos, em uma operação avaliada em até R$ 15 bilhões que poderá se tornar uma das principais transações do setor industrial brasileiro em 2026. A companhia controlada pela famÃlia Steinbruch deverá selecionar nos próximos dias um potencial comprador para uma fase de negociações exclusivas, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (19). A operação integra uma estratégia de venda de ativos destinada a reduzir o endividamento do grupo, que encerrou o segundo trimestre com dÃvida lÃquida consolidada de R$ 42,1 bilhões.
Entre os principais interessados aparecem a chinesa Huaxin Cement e um grupo de investidores formado pela Votorantim Cimentos em associação com outras empresas do setor. As negociações são conduzidas pelo presidente-executivo da CSN, Fabio Schvartsman, que assumiu o comando da companhia em setembro, com acompanhamento do presidente do conselho de administração, Benjamin Steinbruch. A escolha de um comprador poderá acelerar a definição das condições comerciais, mas ainda não significa que a venda tenha sido concluÃda ou que exista um contrato definitivo.
A CSN confirmou oficialmente, em fato relevante divulgado em 10 de agosto, que recebeu propostas vinculantes de potenciais compradores autorizados a participar do processo competitivo de alienação integral da CSN Cimentos. Na ocasião, a companhia informou que analisava as ofertas recebidas, sem revelar valores ou identificar os interessados. Até a atualização pública considerada nesta reportagem, não havia anúncio oficial de comprador selecionado, assinatura de exclusividade ou preço final para a divisão.
O processo ocorre em um momento de reorganização financeira do conglomerado. Além da fabricação de aço, a CSN possui negócios em mineração, logÃstica, energia e cimento, segmentos que exigem investimentos elevados e apresentam necessidades distintas de capital. A venda de participações consideradas não prioritárias busca liberar recursos para reduzir obrigações financeiras e concentrar investimentos nas operações com maior potencial de rentabilidade.
DÃvida de R$ 42,1 bilhões pressiona a CSN a acelerar desinvestimentos
Os números apresentados pela CSN no balanço do segundo trimestre de 2026 ajudam a explicar a importância da negociação. Em 30 de junho, a companhia registrava dÃvida lÃquida consolidada de R$ 42,138 bilhões, com Ãndice de alavancagem de 3,49 vezes a relação entre dÃvida lÃquida e Ebitda acumulado em 12 meses. O indicador revela a dimensão do endividamento em comparação com a geração operacional de resultados do grupo.
A dÃvida lÃquida representa, de maneira simplificada, o endividamento financeiro deduzido das disponibilidades consideradas no cálculo da companhia. Portanto, os R$ 42,1 bilhões não correspondem ao total bruto de obrigações financeiras, mas ao saldo lÃquido consolidado apresentado no relatório. A CSN também informou possuir R$ 15,4 bilhões em caixa e equivalentes ao encerramento de junho.
O avanço da dÃvida ocorreu apesar da melhora de alguns indicadores operacionais. No segundo trimestre, a companhia registrou receita lÃquida de R$ 11,306 bilhões, crescimento de 6,6% em relação aos três meses anteriores e de 5,7% na comparação anual. O Ebitda ajustado alcançou R$ 2,773 bilhões, enquanto o resultado lÃquido permaneceu negativo, com prejuÃzo de R$ 773,1 milhões.
O desempenho foi pressionado pelo resultado financeiro, que apresentou despesa lÃquida de aproximadamente R$ 1,843 bilhão no trimestre. A companhia atribuiu parte da deterioração à s oscilações cambiais e aos efeitos sobre o custo de suas obrigações financeiras. Embora tenha registrado fluxo de caixa livre positivo de R$ 808,1 milhões no perÃodo, a CSN continua enfrentando o desafio de reduzir o endividamento sem comprometer os investimentos estratégicos.
A venda da CSN Cimentos surge como uma das principais alternativas para acelerar esse processo. Considerando apenas os valores de referência, uma transação de R$ 15 bilhões equivaleria a aproximadamente 35,6% da dÃvida lÃquida informada em junho. Essa proporção dimensiona a importância potencial do negócio, mas não significa que o endividamento cairia automaticamente nesse percentual.
O resultado financeiro efetivo dependerá da estrutura da operação. O preço atribuÃdo a uma empresa pode incluir suas próprias dÃvidas e outros ajustes, enquanto a quantia recebida pelo vendedor corresponde ao valor efetivamente pago pela participação negociada. Tributos, despesas da transação, condições de pagamento e eventual transferência de obrigações também podem alterar o montante disponÃvel para amortização de dÃvidas.
Huaxin e Votorantim disputam ativo estratégico no mercado brasileiro
A possÃvel venda da CSN Cimentos desperta interesse de grandes grupos industriais por envolver uma das principais produtoras de cimento do Brasil. A companhia consolidou sua posição após a aquisição de ativos da LafargeHolcim, concluÃda em 2022, ampliando sua capacidade produtiva e presença regional. A operação colocou a divisão entre os principais grupos do setor, em um mercado caracterizado pela importância da escala industrial e dos custos logÃsticos.
A chinesa Huaxin Cement aparece entre as interessadas em adquirir a operação brasileira. O grupo possui atuação internacional na produção de cimento e materiais de construção e busca oportunidades de expansão fora de seu mercado de origem. Sua entrada por meio da compra da CSN Cimentos representaria uma ampliação relevante de sua presença industrial no Brasil.
A Huaxin já havia participado de negociações envolvendo ativos da InterCement, companhia que passou por dificuldades financeiras e recuperação judicial. As conversas anteriores não resultaram em uma aquisição concluÃda. O interesse pela CSN Cimentos demonstra a continuidade das movimentações em torno dos grandes ativos industriais disponÃveis no paÃs, embora a empresa não tenha anunciado oficialmente uma proposta vencedora.
A alternativa nacional envolve a Votorantim Cimentos, lÃder do mercado brasileiro, em uma composição com outros investidores do setor. Informações de mercado apontam a participação da italiana Cementir nas articulações. A identidade definitiva dos integrantes da eventual estrutura compradora, suas respectivas participações e as condições financeiras ainda dependem de confirmação pelas empresas.
A formação de um grupo comprador pode facilitar a divisão dos investimentos necessários à aquisição. Entretanto, caso empresas que já atuam no mercado brasileiro compartilhem o controle ou adquiram determinados ativos, a operação precisará ser examinada também sob a perspectiva da concorrência. A participação de vários compradores não elimina automaticamente os riscos de concentração econômica.
Cade poderá impor restrições a uma compra liderada pela Votorantim
Uma eventual aquisição da CSN Cimentos pela Votorantim e seus parceiros deverá passar pela análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), observados os critérios legais de notificação obrigatória. A autarquia é responsável por examinar operações capazes de alterar a concorrência entre empresas, incluindo fusões, aquisições e outras formas de concentração econômica. No setor de cimento, essa avaliação possui caracterÃsticas especÃficas devido à localização das fábricas e aos custos de transporte.
Embora o cimento seja comercializado nacionalmente, a competição também depende de condições regionais. O transporte representa parcela relevante do custo do produto, de modo que a proximidade entre unidades industriais, centros de distribuição e mercados consumidores influencia a capacidade de concorrência. Por isso, uma operação pode apresentar diferentes nÃveis de concentração conforme a região analisada.
A compra de uma empresa relevante por outra que já possui participação expressiva no mesmo setor caracteriza uma operação potencialmente horizontal. O Cade examina elementos como participação de mercado, rivalidade existente, capacidade de entrada de novos concorrentes e possÃveis ganhos de eficiência econômica. A avaliação também considera se a operação poderá prejudicar consumidores por meio de redução da competição ou outras alterações nas condições comerciais.
Caso identifique riscos concorrenciais, o órgão poderá exigir medidas corretivas. Entre as possibilidades previstas nos procedimentos de controle de concentrações estão a alienação de determinados ativos, restrições contratuais ou outras condições destinadas a preservar a concorrência. A imposição de medidas depende, contudo, da análise concreta da estrutura apresentada e dos mercados envolvidos.
A Huaxin poderia enfrentar uma avaliação concorrencial diferente, considerando a extensão de sua atuação prévia no mercado brasileiro. Uma empresa com presença limitada tende a produzir menor sobreposição horizontal do que uma concorrente já estabelecida, mas isso não representa garantia de aprovação automática. O Cade deverá examinar a estrutura efetiva da transação e os efeitos sobre a concorrência independentemente da nacionalidade do comprador.
A necessidade de autorização regulatória acrescenta uma variável ao cronograma pretendido pela CSN. Mesmo após a assinatura de um acordo definitivo, a conclusão poderá depender da aprovação concorrencial e do cumprimento de outras condições previstas no contrato. Essa etapa é particularmente importante em uma negociação envolvendo os principais participantes da indústria brasileira de cimento.
CSN Cimentos registra Ebitda recorde e melhora rentabilidade
A decisão de vender a divisão ocorre em um perÃodo de melhora dos resultados operacionais do negócio. Segundo o relatório financeiro da CSN referente ao segundo trimestre, o segmento de cimento apresentou receita lÃquida de R$ 1,386 bilhão, crescimento de 14,3% em comparação com o mesmo perÃodo de 2025. O desempenho ocorreu apesar da redução no volume de produtos comercializados.
As vendas totalizaram 3,123 milhões de toneladas entre abril e junho, queda de 9,9% na comparação anual. A companhia atribuiu parte da redução a paralisações programadas para manutenção e à estratégia de priorizar rentabilidade em vez de expansão de volume. O desempenho mostra que a receita cresceu em ritmo superior ao volume comercializado, movimento associado principalmente aos reajustes de preços realizados no inÃcio do ano.
O Ebitda ajustado da divisão alcançou R$ 426,9 milhões no trimestre, aumento de 45,5% em relação ao mesmo perÃodo do ano anterior. A margem Ebitda ficou em 30,8%, acima dos 30%, indicando uma melhora expressiva da geração operacional de resultados. Segundo a CSN, foi o segundo trimestre consecutivo de recorde do indicador para o negócio de cimento.
Desempenho da divisão de cimentos no segundo trimestre de 2026
| Indicador | Resultado | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita lÃquida | R$ 1,386 bilhão | +14,3% |
| Ebitda ajustado | R$ 426,9 milhões | +45,5% |
| Margem Ebitda | 30,8% | Acima de 30% |
| Volume vendido | 3,123 milhões de toneladas | -9,9% |
A expansão da rentabilidade pode influenciar o valor atribuÃdo à divisão durante as negociações. Compradores avaliam não apenas a capacidade instalada das fábricas, mas também a geração de caixa, os investimentos futuros necessários e as perspectivas de crescimento do mercado. Uma operação com margens em recuperação pode apresentar caracterÃsticas financeiras diferentes daquelas observadas em perÃodos de menor rentabilidade.
Ainda assim, a melhora de um trimestre não garante a manutenção do desempenho nos exercÃcios seguintes. Os resultados dependem de preços, demanda, custos de energia, matérias-primas e frete, além da eficiência operacional das unidades. A avaliação de longo prazo exige considerar os resultados acumulados, a necessidade de investimentos e os riscos inerentes à indústria.
Avaliação de R$ 15 bilhões implica múltiplo relevante sobre geração de caixa
O valor de até R$ 15 bilhões mencionado nas negociações permite realizar uma comparação indicativa com a geração operacional recente da CSN Cimentos. Se o Ebitda ajustado de R$ 426,9 milhões registrado no segundo trimestre fosse repetido durante quatro trimestres, a divisão produziria aproximadamente R$ 1,708 bilhão em resultado operacional anualizado. Nesse exercÃcio puramente ilustrativo, uma avaliação de R$ 15 bilhões corresponderia a cerca de 8,8 vezes o Ebitda anualizado.
A relação é uma medida de referência e não representa necessariamente o múltiplo utilizado pelos compradores. A anualização de um trimestre não substitui o cálculo do Ebitda efetivo dos últimos 12 meses, especialmente em atividades sujeitas a sazonalidade e oscilações de demanda. Além disso, é necessário confirmar se os R$ 15 bilhões representam o valor total da empresa, incluindo dÃvida, ou o preço atribuÃdo exclusivamente à participação acionária negociada.
O resultado também depende da composição dos ativos incluÃdos na operação. A CSN Cimentos possui unidades industriais integradas, estruturas de moagem, centros de distribuição e instalações logÃsticas que contribuem para sua capacidade produtiva. Conforme a apresentação estratégica divulgada pela CSN em janeiro, o negócio reunia capacidade instalada de aproximadamente 17 milhões de toneladas anuais, distribuÃda por sete fábricas integradas e seis unidades de moagem.
A presença industrial em diferentes regiões aumenta a complexidade da avaliação. Fábricas localizadas próximas a mercados consumidores relevantes podem apresentar vantagens logÃsticas, enquanto instalações com maior necessidade de manutenção ou investimentos podem demandar recursos adicionais. A estrutura de distribuição também influencia os custos e a capacidade de competir em diferentes regiões do Brasil.
Para a CSN, a negociação precisa equilibrar duas prioridades financeiras. De um lado, a companhia busca obter recursos suficientes para reduzir seu endividamento; de outro, procura preservar valor ao negociar um negócio que vem apresentando melhora de rentabilidade. A diferença entre a necessidade de caixa do vendedor e a avaliação considerada aceitável pelos compradores constitui um dos principais fatores capazes de influenciar o preço final.
Mercado de cimento cresce apenas 0,9% até setembro
O processo de venda ocorre em um mercado que mantém expansão acumulada, mas apresenta sinais recentes de desaceleração. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), a indústria brasileira comercializou 50,8 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, aumento de apenas 0,9% em relação ao mesmo perÃodo do ano anterior. O resultado demonstra crescimento limitado da demanda, apesar da contribuição do mercado imobiliário e dos investimentos em infraestrutura.
Em setembro, as vendas nacionais somaram 5,7 milhões de toneladas, retração de 5,7% em comparação com o mesmo mês de 2025. No terceiro trimestre, o volume acumulado alcançou 18,1 milhões de toneladas, queda de 0,4% na comparação anual. O SNIC relacionou parte do desempenho ao menor número de dias úteis e às chuvas que prejudicaram o andamento de obras.
A demanda por cimento é influenciada por fatores como construção residencial, infraestrutura, investimento público e condições de financiamento imobiliário. O programa Minha Casa, Minha Vida contribui para sustentar parte da atividade, enquanto juros elevados podem dificultar novos projetos e aumentar os custos de financiamento das construtoras. A combinação desses fatores produz diferenças regionais no consumo e nas perspectivas de expansão.
Para os potenciais compradores da CSN Cimentos, o crescimento moderado do mercado reforça a importância da eficiência operacional. Em um setor com custos elevados de transporte e necessidade constante de investimentos industriais, a capacidade de preservar margens pode ser tão relevante quanto ampliar volumes. A recuperação dos resultados da divisão, portanto, constitui um aspecto importante da análise financeira da transação.
O desempenho setorial também afeta os riscos concorrenciais. Em um mercado de crescimento limitado, aquisições entre empresas estabelecidas podem produzir ganhos de escala, mas também reduzir o número de competidores independentes em determinadas regiões. O exame dessas consequências integra a função do Cade quando a operação se enquadra nos critérios legais de notificação.
Fabio Schvartsman lidera negociações após assumir comando da CSN
A venda da divisão de cimentos tornou-se uma das principais prioridades da administração após a mudança no comando executivo da CSN. Em 2 de setembro, a companhia anunciou que Benjamin Steinbruch deixaria a presidência executiva e passaria a ocupar a presidência do conselho de administração. Fabio Schvartsman assumiu o cargo de diretor-presidente em 3 de setembro, ficando responsável pela gestão operacional e pela execução das iniciativas estratégicas.
A reorganização representa uma mudança na distribuição de responsabilidades dentro do grupo. Steinbruch, que comandava diretamente a companhia havia mais de duas décadas, permaneceu em posição central nas decisões estratégicas como presidente do conselho. Schvartsman passou a liderar a execução do plano de negócios, incluindo negociações de ativos e medidas de reorganização financeira.
O novo presidente-executivo possui experiência anterior no comando de grandes empresas industriais, incluindo Klabin e Vale. Sua trajetória ganhou atenção nacional por ter presidido a mineradora Vale durante o rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019, quando deixou o cargo semanas depois da tragédia. Na CSN, sua atuação está concentrada na melhoria da estrutura de capital e na condução das operações industriais.
A entrada de um executivo com experiência em grandes grupos ocorreu em um momento de pressão financeira e necessidade de concluir negociações relevantes. A escolha de um potencial comprador para a CSN Cimentos será um dos primeiros testes da capacidade da nova administração de transformar o programa de desinvestimentos em operações efetivamente concluÃdas. O andamento também dependerá da aprovação dos órgãos competentes e da disposição dos interessados em aceitar as condições comerciais propostas.
CSN também negocia venda de siderúrgica na Alemanha por € 550 milhões
A possÃvel alienação da CSN Cimentos faz parte de um programa mais amplo de redução de ativos. Em 9 de outubro, a companhia anunciou a assinatura de um termo vinculante para negociar a venda integral da Stahlwerk Thüringen (SWT), sua operação de aços longos localizada na Alemanha. O acordo foi firmado com a Bipadosa, controladora do grupo siderúrgico espanhol Megasa, e atribuiu ao negócio um valor empresarial de € 550 milhões.
A transação envolve uma instalação com capacidade produtiva de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas de aço por ano, adquirida pela CSN em 2012. O termo estabelece um perÃodo de exclusividade de até dez semanas para a negociação dos documentos definitivos, além de condições precedentes necessárias à conclusão. Embora represente um avanço relevante, a assinatura não equivale ao recebimento imediato dos recursos nem à transferência definitiva do ativo.
A operação alemã fornece um exemplo concreto da estrutura utilizada pela CSN em seu programa de desinvestimentos. A companhia seleciona potenciais compradores, define condições econômicas e estabelece perÃodos de exclusividade antes de avançar para a documentação contratual final. A eventual venda da divisão de cimento poderá seguir etapas semelhantes, embora a estrutura especÃfica ainda não tenha sido anunciada.
Além dos negócios em siderurgia e cimento, a CSN estuda alternativas envolvendo ativos de infraestrutura e logÃstica. O grupo possui participações em operações ferroviárias e portuárias que integram sua estrutura industrial e podem atrair investidores interessados em contratos e serviços de longo prazo. A decisão de vender participações, entretanto, precisa considerar os efeitos sobre a integração logÃstica das atividades que permanecerão sob controle do conglomerado.
Em janeiro de 2026, a CSN estabeleceu como objetivo realizar iniciativas capazes de reduzir o endividamento entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. O plano faz parte de uma estratégia de longo prazo que pretende melhorar a relação entre dÃvida lÃquida e Ebitda e concentrar recursos em negócios considerados mais rentáveis. O resultado dependerá do valor efetivamente recebido pelas vendas e da evolução simultânea da geração de caixa e das demais obrigações financeiras.
Venda pode transformar perfil financeiro da CSN, mas ainda depende de acordo
A possÃvel escolha de um comprador para a CSN Cimentos representa uma etapa relevante de um processo iniciado formalmente no começo do ano. Em janeiro, a empresa anunciou seu programa de reorganização de ativos; em maio, recebeu propostas preliminares; e, em agosto, confirmou o recebimento de ofertas vinculantes. A entrada em uma fase de exclusividade poderá aproximar as partes da assinatura de um contrato definitivo, mas ainda existem condições comerciais e regulatórias a serem resolvidas.
A principal questão financeira está no valor que efetivamente ingressará no caixa da companhia. Uma avaliação de R$ 15 bilhões pode representar uma contribuição expressiva para o programa de redução de dÃvidas, mas a parcela destinada à amortização dependerá da estrutura da transação. Caso parte do valor corresponda a obrigações assumidas pelo comprador, o ingresso de recursos será diferente do valor empresarial anunciado.
Outro fator determinante será a identidade do comprador. Uma aquisição liderada pela Votorantim exigirá avaliação cuidadosa das sobreposições industriais e comerciais no mercado brasileiro, enquanto uma operação com a Huaxin poderá apresentar outra configuração concorrencial. Em ambos os casos, a análise dependerá da estrutura efetiva do negócio e das condições estabelecidas pelas partes.
A melhora dos indicadores operacionais da divisão de cimentos fortalece a importância econômica do ativo. O crescimento de 45,5% no Ebitda do segundo trimestre, acompanhado de margem superior a 30%, demonstra a capacidade recente de geração de resultados do negócio, mesmo em um mercado de expansão moderada. Para a CSN, a venda de uma operação rentável envolve também abrir mão de parte da geração futura de caixa em troca de recursos disponÃveis para reduzir o endividamento atual.
O desfecho das negociações deverá influenciar a avaliação dos investidores sobre a execução do plano financeiro da companhia. A formalização de um contrato, a definição do preço, a aprovação concorrencial e o pagamento dos recursos serão etapas necessárias para medir o impacto efetivo da venda. Até que esses elementos sejam confirmados, a negociação permanece como uma operação potencial, ainda que considerada estratégica para o futuro financeiro da CSN.
Fontes
Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 15 de janeiro de 2026 sobre o programa estruturado de desinvestimentos e a meta de redução do endividamento.
Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 10 de agosto de 2026 sobre o recebimento de propostas vinculantes para a alienação da CSN Cimentos.
Companhia Siderúrgica Nacional — Relatório de resultados do segundo trimestre de 2026, divulgado em 12 de agosto, com dados consolidados de endividamento, receitas e desempenho do segmento de cimento.
Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 2 de setembro de 2026 sobre a eleição de Benjamin Steinbruch para a presidência do conselho de administração e a nomeação de Fabio Schvartsman para a presidência executiva.
Companhia Siderúrgica Nacional — Fato relevante de 9 de outubro de 2026 sobre a assinatura de termo vinculante para potencial alienação da Stahlwerk Thüringen.
Companhia Siderúrgica Nacional — Apresentação de atualização estratégica de janeiro de 2026, com dados sobre capacidade produtiva da divisão de cimentos e planejamento de desinvestimentos.
Sindicato Nacional da Indústria do Cimento — Resultados preliminares de setembro de 2026, com dados nacionais de comercialização de cimento.
Conselho Administrativo de Defesa Econômica — Guia para Análise de Atos de Concentração Horizontal e orientações oficiais sobre a avaliação de fusões e aquisições.









