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CVC (CVCB3) reverte lucro e tem prejuízo de R$ 63,1 milhões no 1T26

Grupo de viagens foi pressionado por cenário externo, cancelamentos e remarcações em destinos internacionais; reservas confirmadas somaram R$ 4,3 bilhões

por Alice Nascimento
13/05/2026 às 22h16
em Empresas
Cvcb3: Fundo Gjp Atinge 20% De Participação E Ações Disparam No Radar - Gazeta Mercantil

A CVC (CVCB3) registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 24 milhões apurado no mesmo período de 2025, informou a companhia em balanço divulgado nesta quarta-feira (13). O resultado foi pressionado por um ambiente mais desafiador para o setor de turismo, com impacto de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, aumento de custos no setor aéreo e mudanças no volume e no mix de vendas.

O Ebitda ajustado, indicador que mede o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 93,7 milhões entre janeiro e março, queda de 10,5% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A margem Ebitda ajustada ficou em 25,7%.

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A receita líquida da CVC (CVCB3) totalizou R$ 365,1 milhões no período, alta marginal de 0,8% na comparação anual. Apesar da estabilidade na linha de receita, a companhia enfrentou piora no resultado final e aumento no consumo de caixa operacional, que chegou a R$ 121,6 milhões no trimestre, ante R$ 53,2 milhões um ano antes.

Segundo a administração, o desempenho foi afetado principalmente pelo cenário externo e seus reflexos sobre o comportamento dos consumidores, a oferta de viagens e a composição das vendas. A empresa afirmou, porém, que mantém confiança na resiliência de seu modelo de negócios e segue focada na recomposição gradual da rentabilidade.

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Prejuízo marca reversão em relação ao lucro de 2025

O prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões representa uma mudança relevante no desempenho da CVC (CVCB3) em relação ao primeiro trimestre de 2025, quando a companhia havia reportado lucro ajustado de R$ 24 milhões. A reversão ocorreu mesmo com leve avanço da receita, o que indica pressão sobre margens, custos, despesas e dinâmica operacional.

Para investidores, a piora no resultado final tende a ser observada como um sinal de cautela. Empresas do setor de turismo são sensíveis a fatores externos, como câmbio, custo de passagens aéreas, renda disponível das famílias, conflitos internacionais e confiança do consumidor.

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No caso da CVC (CVCB3), o primeiro trimestre foi marcado por um ambiente especialmente adverso em destinos internacionais. A companhia citou conflitos geopolíticos no Oriente Médio como um dos principais fatores de pressão, sobretudo pelo impacto sobre hubs globais de conexão aérea.

Essas interrupções afetam a cadeia de turismo de diferentes formas. Cancelamentos e remarcações reduzem previsibilidade, aumentam custos operacionais e podem alterar o perfil das vendas, com maior peso de destinos alternativos, produtos de menor margem ou maior necessidade de atendimento emergencial aos clientes.

Ebitda ajustado cai 10,5% no trimestre

O Ebitda ajustado da CVC (CVCB3) foi de R$ 93,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 10,5% frente ao mesmo período de 2025. A margem Ebitda ajustada ficou em 25,7%, sinalizando pressão sobre a geração operacional da companhia.

A retração do Ebitda mostra que a empresa teve dificuldade para preservar rentabilidade em um período de receita praticamente estável. Em companhias de turismo, a geração operacional depende não apenas do volume de vendas, mas também do mix de produtos, da margem dos pacotes comercializados, da eficiência comercial e da gestão de despesas.

O resultado foi influenciado por um cenário em que destinos de longa distância, especialmente na Ásia, no Oriente Médio e na Oceania, enfrentaram maior nível de cancelamentos e remarcações. Esse tipo de movimento tende a reduzir a eficiência das vendas e ampliar custos associados ao suporte aos clientes.

A CVC (CVCB3) destacou que atuou para atender demandas emergenciais e remarcações durante o trimestre. Essa resposta operacional é necessária para preservar relacionamento com consumidores e parceiros, mas pode pressionar custos e reduzir a margem no curto prazo.

Receita líquida tem alta marginal de 0,8%

A receita líquida da CVC (CVCB3) somou R$ 365,1 milhões no primeiro trimestre, alta de 0,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O avanço modesto mostra que a companhia conseguiu manter o nível de faturamento, mas sem crescimento suficiente para compensar a pressão sobre custos e rentabilidade.

A estabilidade da receita em um ambiente turbulento pode ser lida sob duas perspectivas. De um lado, indica alguma resiliência comercial em meio a choques externos. De outro, evidencia dificuldade para acelerar vendas em ritmo capaz de sustentar expansão mais robusta do resultado operacional.

O setor de turismo costuma apresentar forte dependência de confiança do consumidor e previsibilidade de custos. Quando passagens aéreas sobem, rotas são afetadas ou destinos passam por instabilidade, o consumidor tende a adiar decisões, trocar destinos ou reduzir o tíquete da viagem.

Esse comportamento afeta diretamente empresas como a CVC (CVCB3), que atuam tanto no lazer quanto no segmento corporativo. A companhia afirmou que sua presença simultânea nesses mercados permitiu acompanhar mudanças no consumo em diferentes frentes, mas o trimestre mostrou que a diversificação não foi suficiente para evitar a queda do lucro operacional ajustado e a reversão do resultado líquido.

Conflitos no Oriente Médio afetaram hubs aéreos

A CVC (CVCB3) informou que o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por um cenário desafiador para o turismo, especialmente em razão dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. A região concentra importantes hubs de conexão aérea global, usados em viagens para Ásia, Oriente Médio, Europa, África e Oceania.

Quando esses hubs são afetados, o impacto se espalha por toda a cadeia de viagens. Rotas podem ser alteradas, conexões ficam mais longas, tarifas sobem e consumidores passam a reconsiderar destinos. Para operadoras de turismo, isso significa remarcações, cancelamentos e necessidade de reacomodação.

Segundo a companhia, destinos na Ásia, no Oriente Médio e na Oceania registraram níveis elevados de cancelamentos e remarcações ao longo do período. Esses mercados costumam envolver pacotes de maior valor, viagens internacionais complexas e planejamento antecipado, o que torna qualquer ruptura mais sensível para a operação.

A instabilidade também afeta a margem. Produtos internacionais de maior tíquete podem ter contribuição relevante para a rentabilidade, mas também exigem maior estrutura de atendimento e gestão de risco quando há alterações de voo, mudança de itinerário ou insegurança nos destinos.

Alta do querosene de aviação pressionou tarifas

Além do cenário geopolítico, a CVC (CVCB3) apontou a alta do custo do querosene de aviação como fator de pressão sobre o setor aéreo. O combustível é um dos principais componentes de custo das companhias aéreas e influencia diretamente tarifas, oferta de assentos e dinâmica de consumo.

Quando o querosene de aviação sobe, empresas aéreas tendem a repassar parte do aumento aos preços ou ajustar capacidade em determinadas rotas. Para o consumidor, isso significa passagens mais caras e menor disponibilidade em alguns destinos.

Esse movimento afeta a demanda por pacotes turísticos, especialmente em viagens internacionais e de maior distância. Mesmo consumidores com intenção de viajar podem reduzir o orçamento, encurtar roteiros ou trocar destinos de maior custo por opções domésticas ou regionais.

Para a CVC (CVCB3), a pressão sobre tarifas aéreas altera o mix de vendas e pode reduzir margens. A companhia precisa equilibrar competitividade comercial, disponibilidade de produtos e rentabilidade, em um cenário no qual parte dos custos foge ao controle direto da operadora.

Reservas confirmadas somam R$ 4,3 bilhões

Apesar do prejuízo no trimestre, as reservas confirmadas da CVC Corp totalizaram R$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta anual de 3,8%. Em bases comparáveis, o avanço foi de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O crescimento das reservas é um dado relevante porque mostra que a demanda por viagens não desapareceu, mesmo em um ambiente mais difícil. A companhia continuou originando vendas, ainda que com pressão sobre rentabilidade e maior complexidade operacional.

No Brasil, o segmento B2C apresentou evolução na demanda, segundo a empresa. O avanço indica melhora no consumo direto de viagens por pessoas físicas, segmento central para a operação da CVC (CVCB3) e para a força da marca no varejo turístico.

No B2B, a companhia afirmou que a performance permaneceu positiva, sustentada pela demanda de clientes globais, apesar dos impactos do cenário geopolítico. Esse segmento inclui operações corporativas, canais parceiros e vendas por meio de redes associadas, sendo importante para diversificação de receita.

Consumo de caixa operacional aumenta no trimestre

Um dos pontos de atenção do balanço foi o consumo de caixa operacional de R$ 121,6 milhões no primeiro trimestre, mais que o dobro dos R$ 53,2 milhões registrados no mesmo período de 2025. O aumento reforça a pressão sobre capital de giro e gestão financeira da companhia.

No setor de turismo, a dinâmica de caixa pode ser volátil. Empresas recebem pagamentos de clientes, repassam valores a fornecedores, lidam com prazos de companhias aéreas, hotéis e operadores locais, além de administrar cancelamentos e remarcações.

Quando há choque externo relevante, como instabilidade em rotas internacionais, a necessidade de caixa pode aumentar. Remarcações, reembolsos, reacomodações e mudanças de produtos podem gerar descasamentos temporários entre recebimentos e pagamentos.

A CVC (CVCB3) afirmou ter solidez financeira para administrar oscilações de capital de giro típicas do setor. Ainda assim, o aumento no consumo de caixa tende a permanecer no radar de investidores, especialmente após um trimestre de prejuízo e queda no Ebitda ajustado.

Companhia mira recomposição gradual da rentabilidade

A CVC (CVCB3) informou que segue focada na recomposição gradual da rentabilidade. A estratégia inclui iniciativas de eficiência operacional, disciplina na gestão de despesas e otimização do portfólio de produtos.

No curto prazo, a companhia afirmou que a prioridade será concentrar esforços em produtos com maior margem de contribuição. Essa decisão é relevante porque, em um ambiente de custos elevados e incertezas externas, crescer a qualquer preço pode deteriorar ainda mais a rentabilidade.

A busca por destinos alternativos também foi destacada pela empresa. Com parte das viagens internacionais afetadas por conflitos e custos mais altos, a atuação conjunta entre áreas de sourcing, produtos e pricing passa a ser essencial para redirecionar a demanda.

Essa abordagem permite ajustar ofertas, negociar condições com fornecedores e preservar margem em mercados menos afetados pela instabilidade. Para uma operadora de viagens, a capacidade de reagir rapidamente a mudanças no cenário externo é decisiva para reduzir perdas e proteger receita.

Segmentos de lazer e corporativo ajudam a diversificar operação

A CVC (CVCB3) ressaltou que sua presença simultânea nos mercados de lazer e corporativo permitiu acompanhar mudanças no comportamento de consumo entre diferentes segmentos. Essa diversificação é importante porque reduz a dependência de uma única fonte de demanda.

No lazer, o consumidor tende a ser mais sensível a preço, renda disponível e confiança. Viagens familiares, pacotes internacionais e turismo de férias podem ser adiados quando há aumento de tarifas ou incerteza sobre destinos.

No corporativo, a demanda depende de orçamento de empresas, eventos, reuniões, feiras e deslocamentos profissionais. Esse segmento pode oferecer maior previsibilidade em alguns períodos, mas também é afetado por cortes de despesas e políticas internas de viagem.

A combinação dos dois mercados dá à CVC (CVCB3) mais possibilidades de ajuste, mas não elimina os riscos. O balanço do primeiro trimestre mostra que choques externos amplos, especialmente no transporte aéreo internacional, conseguem atingir diferentes linhas de negócio ao mesmo tempo.

Ações da CVC seguem sensíveis à retomada do turismo

Para investidores, o resultado da CVC (CVCB3) reforça a sensibilidade da companhia à retomada do turismo, ao custo das passagens e à capacidade de recompor margens. O setor tem potencial de crescimento com aumento da renda, normalização de rotas e maior confiança do consumidor, mas permanece vulnerável a choques externos.

A reversão de lucro para prejuízo tende a pesar na leitura de curto prazo. O mercado deve acompanhar se o resultado negativo foi pontual, ligado ao cenário geopolítico e ao custo aéreo, ou se reflete uma dificuldade mais estrutural de rentabilidade.

As reservas confirmadas de R$ 4,3 bilhões mostram tração comercial, mas o desafio é transformar esse volume em margem e geração de caixa. Em empresas de turismo, vendas elevadas sem rentabilidade adequada podem não se traduzir em criação de valor para acionistas.

A disciplina de despesas, a recomposição do mix de produtos e o controle de capital de giro serão variáveis centrais nos próximos balanços. A CVC (CVCB3) precisa demonstrar que consegue preservar demanda e, ao mesmo tempo, reduzir a volatilidade do resultado.

Resultado expõe desafio de crescer com margem no turismo

O balanço do primeiro trimestre de 2026 expõe o principal desafio da CVC (CVCB3): manter crescimento comercial em um setor de alta volatilidade sem comprometer rentabilidade e caixa. A companhia apresentou avanço nas reservas confirmadas, mas registrou prejuízo, queda no Ebitda ajustado e maior consumo de caixa operacional.

A instabilidade no Oriente Médio e a alta do querosene de aviação criaram um ambiente mais difícil para viagens internacionais, especialmente em destinos de longa distância. A companhia respondeu com remarcações, atendimento emergencial, busca por destinos alternativos e priorização de produtos de maior margem.

A estratégia pode ajudar a recuperar rentabilidade ao longo do ano, mas dependerá da normalização gradual do ambiente externo, da eficiência comercial e da capacidade de controlar custos. Para o mercado, a atenção estará voltada à evolução das margens, ao comportamento das reservas e à geração de caixa nos próximos trimestres.

A CVC (CVCB3) encerra o primeiro trimestre com uma base comercial ainda relevante, mas sob pressão operacional. O resultado mostra que a demanda por viagens existe, porém a rentabilidade continuará sendo o ponto decisivo para a recuperação da companhia.

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