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Dólar fecha em alta com tarifa dos EUA e força da economia americana

Moeda avançou 0,40%, a R$ 5,0984, após dados de emprego e varejo dos EUA reforçarem a cautela com os juros americanos.

por Camila Braga - Repórter de Economia
16/07/2026 às 19h27
em Dólar,Mercados,Notícias
Dolar Fechamento - Gazeta Mercantil

O dólar comercial fechou em alta de 0,40% nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, cotado a R$ 5,0984 na venda, em uma sessão marcada pela valorização internacional da moeda americana e pela reação dos investidores à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a parte das importações brasileiras. O real perdeu força depois que dados de emprego e consumo mostraram uma economia americana ainda resistente, cenário que reduziu o espaço para uma flexibilização rápida dos juros pelo Federal Reserve.

A divisa oscilou entre R$ 5,0824, na mínima registrada no início dos negócios, e R$ 5,1151, na máxima alcançada durante a tarde. O fechamento consolidou um movimento que ganhou intensidade após a divulgação de indicadores dos Estados Unidos e acompanhou o avanço do dólar diante de outras moedas no exterior.

A decisão comercial de Washington adicionou uma camada de incerteza ao mercado doméstico. A sobretaxa entra em vigor em 22 de julho e será aplicada aos produtos brasileiros que não constam da relação de exceções divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR.

Dólar hoje em números

Data de referência: 16 de julho de 2026
Dólar comercial no fechamento: R$ 5,0984
Variação no dia: alta de 0,40%
Mínima do dia: R$ 5,0824
Máxima do dia: R$ 5,1151
Índice DXY no fim da tarde: cerca de 100,74 pontos
Selic: 14,25% ao ano
Atuação do Banco Central: leilão de swap cambial para rolagem de contratos

Dados dos EUA sustentam avanço do dólar

O principal impulso para o dólar veio do exterior. O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego somaram 208 mil na semana encerrada em 11 de julho, uma redução de 8 mil em relação ao dado revisado da semana anterior.

O resultado indicou que as demissões continuam contidas, apesar dos sinais de desaceleração observados em outros segmentos da economia americana. A média móvel de quatro semanas caiu para 214,25 mil pedidos, reforçando a percepção de que o mercado de trabalho permanece suficientemente firme para sustentar o consumo.

O desempenho das vendas no varejo foi na mesma direção. O Departamento de Comércio dos Estados Unidos estimou que as vendas do varejo e dos serviços de alimentação alcançaram US$ 768,6 bilhões em junho, com crescimento de 0,2% em relação ao mês anterior e de 6,7% na comparação anual.

Os dois indicadores reforçaram a leitura de que a atividade americana segue resistente. Para o mercado financeiro, uma economia aquecida pode retardar a convergência da inflação à meta e reduzir a urgência para que o Federal Reserve acelere cortes de juros.

Esse ajuste de expectativas elevou a procura por ativos denominados em dólar e sustentou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O índice DXY, que acompanha a moeda dos Estados Unidos diante de uma cesta de seis divisas fortes, avançava para a região de 100,74 pontos no fim da tarde.

A valorização global mostrou que a alta registrada no Brasil não foi exclusivamente provocada pela tarifa contra produtos brasileiros. O real também acompanhou o enfraquecimento de moedas de países emergentes diante do dólar.

Tarifa de 25% amplia incerteza sobre exportações

No mercado doméstico, a decisão do USTR permaneceu entre os principais fatores de cautela. O governo americano determinou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras, com vigência a partir de 22 de julho.

A medida foi adotada no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento que permite ao governo americano reagir a práticas estrangeiras classificadas como injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio.

A investigação envolveu temas que ultrapassam o comércio tradicional de mercadorias. O USTR contestou práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, à propriedade intelectual, ao acesso do etanol americano, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.

Para o câmbio, o risco está na possibilidade de redução das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Caso a tarifa diminua os volumes embarcados, empresas exportadoras poderão receber menos dólares, reduzindo a oferta de moeda estrangeira no mercado brasileiro.

Esse efeito não ocorre de maneira imediata nem uniforme. Parte relevante dos produtos foi preservada da nova cobrança, e as empresas ainda poderão renegociar preços, absorver parcelas do custo ou buscar outros destinos para suas mercadorias.

A lista de exceções inclui determinados produtos agrícolas, matérias-primas, medicamentos, ingredientes farmacêuticos e insumos industriais considerados relevantes para a economia americana. Também foram preservadas mercadorias já alcançadas por outras tarifas aplicadas sob a Seção 232.

As exceções ajudaram a limitar a pressão sobre o real. Uma tarifa incidente sobre toda a pauta comercial teria potencial para gerar uma revisão mais intensa das projeções para exportações, saldo comercial e entrada de divisas.

Mercado tenta medir o efeito real da sobretaxa

O anúncio colocou empresas exportadoras e cadeias produtivas no centro das avaliações. Setores diretamente atingidos poderão enfrentar perda de competitividade, redução de margens ou queda dos volumes vendidos aos Estados Unidos.

A valorização do dólar oferece uma compensação parcial porque aumenta a receita em reais obtida com vendas realizadas em moeda estrangeira. Esse benefício, porém, pode ser insuficiente para neutralizar o custo de uma tarifa de 25%.

Uma empresa pode receber mais reais por cada dólar exportado e, ao mesmo tempo, perder encomendas ou assumir parte da sobretaxa para preservar seus clientes. O resultado dependerá da capacidade de negociação, da concorrência e da existência de mercados alternativos.

O risco para o câmbio aumenta caso a disputa comercial se amplie. O governo brasileiro anunciou a intenção de adotar os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e recorrer aos mecanismos multilaterais de solução de controvérsias.

A abertura desse processo não significa retaliação automática. Antes da eventual aplicação de contramedidas, o governo precisa avaliar os setores atingidos, os danos provocados e os efeitos econômicos de uma resposta.

Para investidores, uma negociação capaz de limitar a abrangência da tarifa reduziria o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros. Uma escalada com novas barreiras comerciais, por outro lado, poderia afetar investimentos, atividade e fluxo cambial.

Banco Central realiza rolagem de swap cambial

O Banco Central do Brasil realizou nesta quinta-feira um leilão de swap cambial, dentro do processo de rolagem de contratos com vencimento próximo. A operação teve caráter técnico e não representou uma venda direta de dólares das reservas internacionais.

O swap cambial é um instrumento pelo qual o Banco Central oferece proteção contra a variação da moeda americana sem entregar dólares em espécie ao mercado. Na prática, a autoridade assume uma posição vinculada à oscilação cambial e recebe a variação dos juros domésticos.

A rolagem substitui contratos que estão perto do vencimento por novos papéis, evitando uma redução abrupta da proteção cambial disponível. Por se tratar de continuidade de posições existentes, a operação não deve ser interpretada automaticamente como uma tentativa de mudar a direção do dólar.

Intervenções desse tipo podem melhorar a liquidez e reduzir distorções, mas não anulam os fatores que determinam a cotação. Juros internacionais, fluxo de capital, comércio exterior, inflação e percepção de risco continuam influenciando o preço da moeda.

Selic elevada ainda oferece suporte ao real

Apesar da alta desta quinta-feira, o real continua amparado pelo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. A Selic está em 14,25% ao ano, nível que mantém elevada a remuneração dos títulos brasileiros em comparação com ativos de economias desenvolvidas.

Esse diferencial pode estimular operações em que investidores captam recursos em moedas com juros mais baixos para aplicar em mercados que oferecem retornos maiores. A estratégia favorece o real enquanto a expectativa de ganho compensar os riscos cambiais e fiscais.

O mecanismo não impede períodos de desvalorização. Quando cresce a procura global por segurança ou aumenta a percepção de risco sobre o Brasil, investidores podem reduzir posições em ativos locais mesmo diante de juros elevados.

A perspectiva para o câmbio dependerá também da trajetória da política monetária brasileira. Cortes mais rápidos da Selic diminuiriam o diferencial de juros e poderiam retirar parte da sustentação do real. A manutenção de taxas restritivas por mais tempo teria o efeito contrário, embora imponha custos à atividade econômica.

Alta cambial pode chegar aos preços com defasagem

O fechamento do dólar acima de R$ 5,09 aumenta a atenção sobre os custos de importação, mas não implica repasse automático aos consumidores. A transmissão cambial depende da duração do movimento, dos estoques das empresas, dos contratos financeiros e da capacidade de absorção de custos.

Importadores de máquinas, componentes eletrônicos, medicamentos, fertilizantes e produtos químicos tendem a sentir de forma mais direta uma valorização persistente da moeda americana. Empresas com dívidas em dólar também podem registrar aumento de suas obrigações em reais quando não possuem proteção suficiente.

A pressão pode alcançar produtos fabricados no Brasil que utilizam insumos importados. Combustíveis, passagens aéreas, alimentos negociados no mercado internacional e bens eletrônicos estão entre os segmentos sensíveis ao câmbio, embora cada setor tenha uma formação de preços específica.

Para exportadoras, o efeito pode ser positivo quando as receitas são recebidas em dólar e os custos estão concentrados em reais. No caso das empresas atingidas pela tarifa americana, entretanto, a vantagem cambial terá de ser confrontada com a possível perda de vendas.

O dólar turismo permanece acima da cotação comercial porque incorpora margem das instituições financeiras, custos operacionais, disponibilidade da moeda e Imposto sobre Operações Financeiras. Assim, a taxa de R$ 5,0984 registrada no mercado à vista não corresponde ao preço final pago por viajantes ou consumidores em compras internacionais.

Juros americanos e disputa comercial seguem no radar

Depois do fechamento desta quinta-feira, a atenção do mercado se volta para novos indicadores de inflação e atividade nos Estados Unidos, que poderão redefinir as expectativas para o Federal Reserve.

Dados que confirmem resistência da economia americana tendem a manter os rendimentos dos Treasuries elevados e o dólar fortalecido. Sinais mais claros de desaceleração podem reabrir espaço para cortes de juros e reduzir a pressão sobre moedas emergentes.

No Brasil, investidores acompanharão as negociações com os Estados Unidos antes da entrada em vigor da tarifa, em 22 de julho. Mudanças na lista de exceções ou uma aproximação entre os dois governos poderiam aliviar parte da incerteza.

A reação do câmbio também dependerá do fluxo estrangeiro, da curva de juros futuros e das expectativas para a política fiscal. A combinação entre dólar global mais forte e tensão comercial mostrou, nesta quinta-feira, que o diferencial de juros brasileiro oferece proteção ao real, mas não elimina os efeitos de choques externos.

Tags: Banco Centralcâmbiocotação do dólarDólardólar comercialdolar hojefechamento do dólarFederal Reservemercadosrealtarifa dos Estados Unidosvendas no varejo dos EUA

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