Dólar hoje inicia em queda com cautela do mercado sobre Fed e tensões geopolíticas
O dólar hoje abriu a sessão desta segunda-feira (26) em movimento de queda frente ao real, refletindo um cenário de cautela nos mercados globais diante das incertezas sobre a política monetária dos Estados Unidos, decisões de juros no Brasil e a persistência de tensões geopolíticas que seguem influenciando o apetite por risco dos investidores. Por volta das 9h, a moeda americana recuava 0,22%, cotada a R$ 5,2749, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, se preparava para iniciar o pregão às 10h.
A última semana de janeiro concentra uma combinação relevante de fatores domésticos e internacionais capazes de alterar o humor do mercado financeiro. De um lado, investidores acompanham atentamente a atuação do Federal Reserve (Fed) e os sinais sobre sua futura liderança. De outro, observam a condução da política monetária brasileira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), além dos desdobramentos políticos e diplomáticos envolvendo grandes potências globais.
Dólar hoje e o ambiente de cautela global
O comportamento do dólar hoje está diretamente ligado à percepção de risco no mercado internacional. Em momentos de maior incerteza, a moeda americana costuma se valorizar como ativo de proteção. No início desta semana, no entanto, o movimento é de ajuste, após uma sequência de fatores que reduziram temporariamente a aversão ao risco.
Nos Estados Unidos, cresce a expectativa em torno da definição do próximo presidente do Fed. Rumores indicam que o presidente Donald Trump pode sinalizar ainda nesta semana o nome do sucessor de Jerome Powell, o que levantou questionamentos sobre a autonomia do banco central americano e sobre a condução futura da política de juros. Esse cenário gera volatilidade nos mercados de câmbio e renda variável, afetando diretamente o dólar hoje em países emergentes como o Brasil.
Política monetária no Brasil e impacto no câmbio
No cenário doméstico, o foco dos investidores está voltado para o Banco Central. Nesta segunda-feira, a autoridade monetária divulga o boletim Focus, que reúne as projeções do mercado para inflação, juros, crescimento econômico e câmbio. Já na quarta-feira, o Copom se reúne para definir a taxa básica de juros, com expectativa majoritária de manutenção da Selic.
A perspectiva de estabilidade dos juros contribui para sustentar o real e ajuda a explicar o movimento de queda do dólar hoje. Juros elevados tendem a atrair capital estrangeiro para o país, fortalecendo a moeda local e reduzindo a pressão cambial.
Sell America e fortalecimento dos mercados emergentes
Outro fator relevante para o desempenho do dólar hoje é o movimento conhecido como “sell America”, observado nos mercados globais. Esse fluxo ocorre quando investidores reduzem exposição a ativos americanos e buscam oportunidades em mercados emergentes, como o Brasil.
Na sexta-feira anterior, esse movimento ajudou o Ibovespa a registrar uma forte alta de 1,86%, encerrando o pregão aos 178.858,54 pontos e renovando seu recorde histórico. Durante a sessão, o índice chegou a ultrapassar os 180 mil pontos pela primeira vez, reforçando o otimismo em relação ao mercado acionário brasileiro.
Esse cenário de maior apetite por risco contribui para a queda do dólar hoje, à medida que investidores aumentam a entrada de recursos no país.
Desempenho recente do dólar e do Ibovespa
Os números acumulados mostram um movimento consistente de desvalorização da moeda americana frente ao real. O dólar hoje apresenta queda acumulada de 1,60% na semana e de 3,68% tanto no mês quanto no ano. Já o Ibovespa acumula alta expressiva de 8,53% na semana e de 11,01% no mês e no ano, refletindo a confiança do mercado na renda variável brasileira.
Esse descolamento entre dólar e bolsa evidencia uma mudança no posicionamento dos investidores, que passam a buscar ativos de maior risco diante da percepção de estabilização do cenário macroeconômico.
Tensões geopolíticas seguem no radar
Apesar do movimento de alívio observado nesta sessão, as tensões geopolíticas continuam sendo um fator de atenção e podem alterar rapidamente o comportamento do dólar hoje. Um dos pontos mais sensíveis envolve as relações entre Estados Unidos e União Europeia, especialmente após declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia.
Trump afirmou ter obtido garantias de “acesso total e permanente” dos EUA à Groenlândia, por meio de um acordo ainda em negociação. A declaração veio após o republicano recuar de ameaças de impor tarifas à Europa e descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, o que trouxe alívio momentâneo aos mercados globais.
A mudança de tom foi bem recebida pelas bolsas europeias e ajudou os principais índices de Wall Street a retornarem a níveis recordes, influenciando indiretamente o dólar hoje ao reduzir a busca por proteção cambial.
Relações EUA, Europa e impacto econômico
Apesar do alívio inicial, autoridades europeias avaliam que os danos à confiança política e econômica podem ser duradouros. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as relações com os Estados Unidos sofreram um “grande golpe” nos últimos dias.
Líderes europeus entendem que o recuo de Trump ocorreu após uma reação mais firme do bloco, que deixou claro que a soberania da Groenlândia é um limite inegociável. Esse embate político adiciona um componente de incerteza que pode, a qualquer momento, pressionar o dólar hoje em função da instabilidade global.
Negociações trilaterais e alívio nos riscos globais
Outro fator que contribuiu para reduzir os riscos geopolíticos foi o início das negociações trilaterais entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia. Trata-se da primeira vez, desde o início da guerra, que os três países se sentam juntos para discutir um possível acordo de paz.
Com Trump, os EUA assumiram protagonismo nas tratativas, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que temas sensíveis, como o controle territorial da região de Donbas, estão na pauta das discussões. Esse movimento ajudou a diminuir a percepção de risco global, favorecendo moedas emergentes e influenciando o comportamento do dólar hoje.
Bolsas globais e reflexos no câmbio
Em Wall Street, os mercados encerraram a última sessão sem direção única. O Dow Jones recuou 0,58%, enquanto o S&P 500 avançou 0,02% e o Nasdaq subiu 0,28%. Na Europa, os principais índices fecharam em queda, pressionados por avaliações do Fórum Econômico Mundial em Davos e pelas negociações geopolíticas em curso.
Na Ásia, o cenário foi misto, com bolsas reagindo às medidas regulatórias intensificadas na China para conter práticas especulativas. Ainda assim, parte dos mercados asiáticos registrou desempenho positivo, contribuindo para um ambiente global menos avesso ao risco, o que ajuda a explicar a trajetória do dólar hoje.
O que faz o dólar subir ou cair
O preço do dólar hoje é resultado da combinação de fatores econômicos, políticos e financeiros. Decisões de juros, crescimento econômico, fluxo de capitais, tensões geopolíticas e expectativas sobre políticas fiscais e monetárias exercem influência direta sobre a cotação da moeda.
No curto prazo, movimentos como a definição da liderança do Fed, a manutenção da Selic pelo Copom e os avanços ou retrocessos em negociações internacionais podem provocar oscilações significativas. Para investidores e empresas, acompanhar esses fatores é essencial para entender a dinâmica cambial e tomar decisões estratégicas.
Perspectivas para o dólar no curto prazo
O mercado segue atento aos próximos desdobramentos da agenda econômica. A confirmação do novo presidente do Fed, eventuais sinalizações sobre juros nos EUA e a evolução das tensões geopolíticas devem continuar guiando o comportamento do dólar hoje nos próximos dias.
No Brasil, a manutenção de uma política monetária considerada responsável e o desempenho positivo da bolsa podem seguir sustentando o real. No entanto, qualquer mudança no cenário externo pode rapidamente inverter o movimento, reforçando a volatilidade típica do mercado cambial.
O início da semana, portanto, mostra um dólar em queda, mas inserido em um ambiente ainda sensível a notícias e decisões que podem alterar o rumo dos mercados globais a qualquer momento.






