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Economia do Marrocos ganha peso antes de estreia contra o Brasil na Copa

Adversário da seleção brasileira combina indústria em expansão, turismo forte, agricultura estratégica e investimentos em energia renovável.

por Eduardo Toscano
13/06/2026 às 15h28
em Mundo
Economia Do Marrocos Ganha Peso Antes De Estreia Contra O Brasil Na Copa - Gazeta Mercantil - Mundo

O Marrocos, adversário do Brasil na estreia da Copa do Mundo de 2026, chega ao torneio com uma economia em transformação, marcada por crescimento industrial, investimentos em infraestrutura, avanço em energia renovável e uma posição geográfica estratégica entre a África e a Europa. Embora tenha uma economia menor que a brasileira, o país se consolidou como um dos mercados mais dinâmicos do norte da África e vem ampliando sua relevância no comércio internacional, ao mesmo tempo em que tenta repetir dentro de campo o protagonismo alcançado no Mundial de 2022.

A economia do Marrocos passou a chamar atenção além do futebol por reunir características que fortalecem a competitividade do país: proximidade com o mercado europeu, presença em rotas marítimas relevantes, expansão de polos industriais, peso do turismo e disponibilidade de insumos importantes para a cadeia global de fertilizantes.

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Com Produto Interno Bruto superior a US$ 150 bilhões, o país tem buscado diversificar sua matriz produtiva e reduzir a dependência de atividades tradicionais. A estratégia envolve atração de investimentos estrangeiros, modernização logística e ampliação da capacidade produtiva em setores como automóveis, componentes industriais, aeronáutica, agricultura e energia limpa.

O desempenho econômico marroquino também ajuda a explicar a visibilidade internacional do país em um momento em que a Copa do Mundo amplia o interesse sobre seus adversários. Contra o Brasil, o Marrocos será visto pelo público brasileiro principalmente pelo aspecto esportivo, mas sua estrutura econômica revela um país que combina tradição agrícola com ambição industrial e integração crescente às cadeias globais de produção.

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Localização entre África e Europa fortalece comércio exterior

A posição geográfica é um dos principais ativos da economia do Marrocos. Situado no noroeste da África, próximo à Península Ibérica e ao Estreito de Gibraltar, o país ocupa uma área de conexão natural entre mercados africanos, europeus e mediterrâneos.

Essa localização favorece o comércio exterior, a logística portuária e a instalação de empresas interessadas em produzir perto da Europa, mas com custos operacionais mais competitivos. A proximidade com Espanha, França, Itália e outros mercados europeus dá ao Marrocos uma vantagem estratégica em setores que dependem de integração rápida com cadeias de suprimentos.

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Nos últimos anos, o país também intensificou investimentos em infraestrutura para sustentar essa vocação logística. Portos, rodovias, zonas industriais e plataformas de exportação passaram a ter papel central na estratégia econômica marroquina.

Esse movimento tornou o Marrocos mais competitivo na disputa por fábricas, centros de distribuição e projetos industriais. Para empresas globais, o país funciona como base de produção voltada tanto ao mercado africano quanto ao europeu.

A economia do Marrocos, nesse contexto, passou a ser analisada não apenas pelo tamanho de seu mercado interno, mas pela capacidade de servir como ponto de conexão entre regiões com perfis econômicos distintos.

Agricultura segue como base social e produtiva do país

Apesar do avanço industrial, a agricultura continua sendo uma das bases da economia do Marrocos. O setor tem peso relevante no emprego, na renda de famílias rurais e na composição da produção nacional.

O país é produtor de frutas cítricas, azeite de oliva, legumes e outros alimentos de forte presença no comércio regional. A agricultura marroquina também tem relação direta com o abastecimento interno e com as exportações, especialmente para mercados próximos.

Além dos alimentos, o Marrocos ocupa posição estratégica na produção de fosfato, insumo essencial para a fabricação de fertilizantes. A importância do fosfato coloca o país em uma cadeia global sensível, diretamente ligada à segurança alimentar e à produtividade agrícola em várias regiões do mundo.

Esse ponto é especialmente relevante porque fertilizantes estão no centro das discussões internacionais sobre custos de produção no campo, abastecimento e dependência de fornecedores. Para países agrícolas, como o Brasil, a disponibilidade global desses insumos afeta diretamente preços, margens e planejamento de safra.

Ao mesmo tempo, a agricultura marroquina é vulnerável a fatores climáticos, especialmente variações de chuva e períodos de seca. Essa dependência impõe desafios à produtividade e reforça a necessidade de investimentos em irrigação, tecnologia agrícola e gestão hídrica.

A economia do Marrocos, portanto, combina a força histórica do campo com a necessidade de adaptação a um cenário em que clima, fertilizantes e segurança alimentar se tornaram temas centrais da agenda econômica internacional.

Indústria automotiva e aeronáutica ampliam diversificação

A diversificação industrial é uma das mudanças mais importantes da economia do Marrocos nas últimas décadas. O país deixou de depender exclusivamente de setores tradicionais e passou a atrair empresas multinacionais interessadas em produzir para exportação.

A indústria automotiva ganhou destaque nesse processo. Montadoras, fabricantes de autopeças e fornecedores industriais passaram a operar no país, aproveitando custos competitivos, acordos comerciais, infraestrutura logística e proximidade com o mercado europeu.

Esse avanço ajudou o Marrocos a fortalecer sua pauta exportadora e a ampliar a geração de empregos industriais. A presença de cadeias automotivas também estimula fornecedores locais, qualificação profissional e investimentos em tecnologia produtiva.

Outro setor que ganhou espaço foi a aeronáutica. Empresas ligadas a componentes, manutenção e serviços industriais passaram a ver o país como plataforma regional. Embora ainda menor do que grandes polos globais, o segmento reforça o esforço marroquino de avançar para atividades de maior valor agregado.

A expansão industrial reduz parte da dependência de agricultura, turismo e mineração. Também torna a economia do Marrocos mais integrada ao comércio internacional e mais sensível às oscilações da demanda externa, especialmente da Europa.

Para investidores, esse perfil cria oportunidades e riscos. A diversificação amplia a resiliência econômica, mas a forte conexão com mercados externos exige estabilidade regulatória, infraestrutura eficiente e capacidade de manter competitividade diante de outros países emergentes.

Turismo movimenta cidades históricas e amplia entrada de divisas

O turismo é outro pilar da economia do Marrocos. O país atrai milhões de visitantes por ano interessados em cidades históricas, patrimônio arquitetônico, cultura, gastronomia, deserto do Saara e litoral mediterrâneo.

Destinos como Marrakech, Fez e Casablanca consolidaram a imagem internacional do Marrocos como um dos principais polos turísticos do mundo árabe e africano. A combinação entre patrimônio histórico, paisagens naturais e proximidade com a Europa fortalece a chegada de visitantes internacionais.

O setor tem impacto direto sobre hotéis, restaurantes, transporte, comércio, guias turísticos, serviços culturais e pequenos negócios. Em uma economia que busca diversificação, o turismo funciona como fonte relevante de divisas e geração de empregos.

A procura de brasileiros pelo destino também tem crescido, segundo agentes do setor. A arquitetura, a oferta cultural e a proximidade com a Espanha tornam o país atraente para viajantes que buscam roteiros entre Europa e norte da África.

De acordo com Ray Correia Santos, CEO da agência de viagens RGTours, o turismo marroquino tem se tornado mais expressivo a cada ano. Segundo ele, brasileiros procuram o país por sua arquitetura considerada exótica e por um patrimônio histórico preservado, além da facilidade de conexão com a Espanha.

A força do turismo também expõe a economia do Marrocos a fatores externos. Crises geopolíticas, oscilações cambiais, custos de passagens aéreas e mudanças na renda dos consumidores podem afetar o fluxo de visitantes. Ainda assim, o setor segue como uma das principais vitrines internacionais do país.

Energia renovável vira eixo estratégico de competitividade

A energia renovável ocupa espaço crescente na estratégia econômica marroquina. O país tem investido em grandes projetos solares e em outras fontes limpas para reduzir a dependência energética externa e fortalecer sua competitividade.

O Marrocos não possui a mesma abundância de petróleo e gás de outros países da região. Por isso, a ampliação da geração renovável é vista como instrumento de segurança energética, atração de investimentos e redução de custos no longo prazo.

Projetos solares de grande escala transformaram o país em referência africana no setor. A estratégia também se conecta à agenda internacional de transição energética, que tem levado empresas e governos a buscar cadeias produtivas com menor emissão de carbono.

Para a indústria, a expansão de energia limpa pode representar vantagem competitiva. Empresas exportadoras, especialmente aquelas ligadas ao mercado europeu, enfrentam crescente pressão por padrões ambientais mais rígidos. Nesse cenário, uma matriz mais limpa pode reforçar a posição do Marrocos como plataforma produtiva.

O avanço em energia renovável também tem implicações geopolíticas. Países capazes de gerar energia limpa em larga escala podem ganhar relevância em novas cadeias de valor, incluindo hidrogênio verde, minerais críticos, fertilizantes de menor emissão e produção industrial sustentável.

Na economia do Marrocos, a aposta renovável aparece como uma tentativa de reduzir vulnerabilidades históricas e posicionar o país em setores que devem ganhar peso nas próximas décadas.

Diferença para o Brasil mostra contraste de escala econômica

O confronto entre Brasil e Marrocos na Copa de 2026 coloca frente a frente duas economias de tamanhos muito diferentes. O Brasil tem uma estrutura produtiva mais ampla, mercado consumidor maior, setor financeiro mais profundo e presença relevante em commodities agrícolas, minerais e energia.

O Marrocos, por sua vez, opera em outra escala, mas tem conseguido ampliar seu papel regional com base em localização estratégica, integração comercial e políticas voltadas à atração de investimentos. O país não disputa com o Brasil em dimensão econômica, mas chama atenção pela velocidade de transformação em setores específicos.

A comparação evidencia modelos distintos. O Brasil tem forte peso em agronegócio, mineração, petróleo, serviços, indústria e mercado interno. O Marrocos aposta em logística, manufatura de exportação, turismo, fosfato, energia renovável e conexão entre continentes.

Para o mercado internacional, o interesse pelo Marrocos está menos no tamanho absoluto da economia e mais em sua função estratégica. O país busca ser uma ponte entre África, Europa e Oriente Médio, além de se posicionar como polo industrial competitivo.

Esse papel pode ganhar relevância à medida que empresas globais buscam diversificar cadeias de suprimentos e reduzir dependência de regiões mais distantes. A busca por produção mais próxima de mercados consumidores tem favorecido países com estabilidade relativa, infraestrutura logística e acordos comerciais.

Nesse ambiente, a economia do Marrocos aparece como exemplo de país emergente que tenta transformar vantagens geográficas em ganhos industriais e comerciais.

Copa amplia vitrine internacional para economia do Marrocos

A Copa do Mundo de 2026 amplia a visibilidade internacional do Marrocos em um momento em que o país já vinha sendo observado por investidores, turistas e empresas multinacionais. O desempenho esportivo de 2022, quando a seleção marroquina terminou em quarto lugar, projetou o país no cenário global e reforçou sua imagem de organização competitiva.

Agora, diante do Brasil, a seleção marroquina volta a ocupar espaço de destaque. O interesse pelo adversário brasileiro vai além do futebol e alcança aspectos econômicos, culturais e geopolíticos.

A economia do Marrocos se tornou parte desse contexto porque reflete a trajetória recente de um país que tenta combinar estabilidade, modernização e inserção internacional. Os avanços em indústria, turismo, energia e logística reforçam uma narrativa de transformação econômica gradual.

O país ainda enfrenta desafios relevantes. A dependência climática da agricultura, a necessidade de ampliar renda, as pressões sobre emprego, a desigualdade regional e a exposição a ciclos externos seguem como pontos de atenção. A modernização econômica não elimina vulnerabilidades, mas amplia a capacidade de resposta do país diante de mudanças globais.

Para o Brasil, o Marrocos será adversário dentro de campo. Fora dele, representa uma economia emergente que ganhou protagonismo regional ao explorar sua posição geográfica, ampliar a presença industrial e investir em setores conectados à transição energética.

Enquanto a seleção marroquina busca manter o prestígio conquistado no último Mundial, o país tenta consolidar uma trajetória econômica que o colocou entre os mercados mais observados da África. A estreia contra o Brasil, portanto, também servirá como vitrine para uma nação que se tornou mais conhecida pelo futebol, mas cuja economia vem ganhando peso próprio no cenário internacional.

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