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Etanol recua 2,3% em julho e lidera queda dos combustíveis com litro a R$ 4,163 no país

Levantamento nacional da Veloe em parceria com a Fipe mostra recuo em cinco dos seis combustíveis em julho de 2026, com gasolina comum a R$ 6,693 e diesel S-10 a R$ 6,981

por Álvaro Lima
30/07/2026 às 21h34
em Economia
Combustíveis.-Gazeta Mercantil

Os preços médios dos combustíveis voltaram a cair no Brasil em julho de 2026, com o etanol hidratado liderando o movimento de baixa, segundo o Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O levantamento apurado a partir de base transacional de 19 mil postos parceiros e dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indica queda de 2,3% no etanol hidratado na média nacional, seguido por diesel comum com recuo de 2,1% e diesel S-10 com baixa de 1,8% no mês. O resultado ocorre em um mercado ainda sensível a petróleo, câmbio e tensões geopolíticas, mas com maior oferta doméstica de etanol e transmissão gradual das cotações internacionais ao mercado interno, fatores citados como determinantes para o alívio nas bombas.

O monitoramento mostra que cinco dos seis produtos acompanhados recuaram em julho, enquanto o Gás Natural Veicular (GNV) foi o único com alta, de 4,0%, em linha com reajustes na cadeia do gás natural. Na média nacional de julho, o diesel S-10 foi comercializado a R$ 6,981 por litro, o diesel comum a R$ 6,833, a gasolina aditivada a R$ 6,821, a gasolina comum a R$ 6,693, o etanol hidratado a R$ 4,163 por litro e o GNV a R$ 4,846 por metro cúbico. Os valores representam a consolidação de uma tendência de acomodação iniciada na segunda quinzena de junho, quando o etanol já havia atingido o menor patamar desde dezembro de 2024, segundo o informe técnico da Fipe.

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Etanol hidratado recua 2,3% para R$ 4,163 e diesel S-10 cai para R$ 6,981 na média nacional

O destaque de julho é a intensidade da queda do etanol hidratado. Com retração de 2,3% frente a junho, o biocombustível foi negociado a R$ 4,163 na média nacional, o menor nível relativo do ano. A metodologia Veloe/Fipe, que cruza transações reais, coletas da ANP e resultados do IPC-Fipe para São Paulo, indica que a baixa foi abrangente, mas mais forte no Centro-Oeste e Sudeste, regiões com maior proximidade de usinas e polos de distribuição. A oferta elevada da safra 2025/2026, combinada com moagem ainda ativa no Centro-Sul e escoamento regular, ampliou a competitividade do produto frente à gasolina.

O diesel também registrou alívio, embora preserve alta relevante no acumulado do ano. O diesel comum caiu 2,1% para R$ 6,833 e o S-10 recuou 1,8% para R$ 6,981. Na leitura semanal da ANP, referente ao período de 9 a 15 de julho, o preço médio do diesel havia caído para R$ 4,94, com recuo de 0,20% na semana, enquanto o etanol havia passado de R$ 3,93 para R$ 3,87, queda de 1,53% na mesma janela, e a gasolina comum de R$ 5,67 para R$ 5,63, recuo de 0,71%. A diferença entre o valor transacional Veloe, que capta ticket médio efetivo, e o valor de bomba ANP, que capta preço de oferta, explica parte da divergência de níveis, mas a direção de queda é convergente entre as duas fontes primárias.

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Para Petrobras (PETR4), Vibra (VBBR3), Raízen (RAIZ4) e Ultrapar (UGPA3), a dinâmica de preços tem implicação direta sobre margem de refino, distribuição e demanda por biocombustível. A queda do diesel alivia custos logísticos para o agronegócio e para o transporte de carga, enquanto a queda do etanol melhora a competitividade das usinas integradas e pressiona a arbitragem entre gasolina e etanol nos postos. O movimento também é monitorado pelo Banco Central e pelo IBGE para efeitos de inflação, uma vez que combustíveis têm peso relevante no grupo Transportes do IPCA.

Gasolina comum a R$ 6,693 no país com Distrito Federal a R$ 6,319 e Mato Grosso com etanol a R$ 3,847

As gasolinas acompanharam o recuo, ainda que de forma mais moderada. A gasolina comum foi cotada a R$ 6,693 por litro e a aditivada a R$ 6,821 na média nacional de julho, segundo o monitor. Entre os estados, o Distrito Federal registrou o menor preço médio da gasolina comum, de R$ 6,319 por litro, enquanto o Mato Grosso apresentou a menor média do etanol hidratado, de R$ 3,847, com valores mais baixos concentrados em áreas produtoras ou próximas aos polos de oferta. No diesel, o Rio Grande do Sul apresentou o menor preço médio do S-10, de R$ 6,506 por litro, e o Paraná liderou no diesel comum, com R$ 6,353. No GNV, apesar da alta nacional de 4,0%, as menores médias foram observadas em Alagoas, com R$ 4,271 por metro cúbico, Espírito Santo com R$ 4,406 e Bahia com R$ 4,449.

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A dispersão regional reflete custos de frete, carga tributária estadual e nível de concorrência local. Estados do Norte e Nordeste continuam com preços acima da média nacional para gasolina e etanol, enquanto Sudeste, Sul e Centro-Oeste operam abaixo, em linha com o histórico da série iniciada em janeiro de 2017 pela Fipe. Na segunda semana de julho, levantamento semanal da Veloe mostrou que o diesel S-10 passou de R$ 7,04 para R$ 6,95 por litro, baixa de R$ 0,09 ou 1,35%, enquanto a gasolina comum saiu de R$ 6,73 para R$ 6,70, recuo de 0,42%, e o etanol hidratado de R$ 4,21 para R$ 4,17, redução de 0,95%. O recuo não foi uniforme: Rio Grande do Norte registrou queda de R$ 0,21 por litro no etanol, Ceará de R$ 0,10, Pará e Pernambuco de R$ 0,08 cada, enquanto Amazonas, Distrito Federal e Maranhão tiveram altas pontuais de R$ 0,24, R$ 0,08 e R$ 0,04, respectivamente.

ANP confirma queda semanal de 1,53% no etanol para R$ 3,87 e IBGE aponta combustíveis em baixa de 0,90% no IPCA-15

A triangulação com fontes oficiais reforça o diagnóstico de alívio temporário. A ANP, responsável pelo Levantamento de Preços de Combustíveis, com série histórica disponível por abrangência geográfica, indicou na semana de 9 a 15 de julho queda generalizada nos postos, com gasolina e etanol em retração. O IBGE, por meio do IPCA-15 de julho de 2026, registrou queda de 0,90% nos combustíveis, com todos os componentes em baixa: etanol com -2,50%, óleo diesel com -1,32%, gás veicular com -0,97% e gasolina com -0,68% naquela leitura. Em outra divulgação da agência, referente ao mesmo mês, o grupo Transportes recuou 0,44% com impacto direto da gasolina, que caiu 2,79%, enquanto o etanol recuou 4,55%, o óleo diesel 1,59% e o gás veicular 0,49%.

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A leitura do IBGE é relevante porque traduz o preço médio efetivamente pago pelo consumidor na cesta de inflação, enquanto o monitor Veloe/Fipe captura preço transacional de frota e consumidores em postos parceiros. A convergência de queda entre ANP, IBGE e Fipe reduz risco de leitura isolada e dá robustez ao diagnóstico. Para o investidor, a queda de combustíveis em julho tem dois efeitos: de um lado, reduz pressão inflacionária e abre espaço para discussão de juros; de outro, comprime margem de distribuição no curto prazo e altera mix de vendas entre gasolina e etanol, com impacto sobre estoques e capital de giro de distribuidoras.

Indicador de custo-benefício flex cai para 66,7% e atinge menor nível desde janeiro de 2017

O dado mais relevante para a estratégia de abastecimento é o Indicador de Custo-Benefício Flex, que relaciona o preço médio do etanol hidratado e da gasolina comum. Em julho, o indicador caiu para 66,7% na média das unidades da Federação, o menor nível desde o início da série histórica, em janeiro de 2017. Como o patamar ficou abaixo da referência de 70%, o etanol ampliou a vantagem econômica em relação à gasolina comum, sobretudo em estados produtores ou próximos aos principais centros de oferta do biocombustível. A Fipe calcula o indicador desde 2017 a partir de base Veloe, ANP e IPC-Fipe, e o utiliza como parâmetro de eficiência para veículos flex fuel.

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Na segunda semana de julho, o indicador nacional já havia passado de 66,2% para 65,9%, redução de 0,3 ponto percentual, permanecendo abaixo do limite de 70% usado como referência de vantagem para o etanol. Mato Grosso, com paridade de 65,0%, São Paulo com 66,4%, Mato Grosso do Sul com 67,9%, Goiás com 68,9% e Paraná com 69,3% aparecem entre os mercados onde o etanol reforçou a vantagem. Para as usinas, a paridade abaixo de 70% tende a estimular demanda e sustentar moagem, mesmo com preço menor, compensando parte da perda de receita por volume. Para o consumidor, a vantagem amplia o poder de escolha e explica a migração parcial de gasolina para etanol observada em julho.

Acumulado de 2026 mantém diesel S-10 em alta de 13% e etanol com recuo de 7% no ano

Apesar do alívio mensal, o balanço de 2026 ainda mostra pressão acumulada nos derivados fósseis. Até julho, o diesel S-10 sobe 13,0% e o diesel comum 11,6%, enquanto a gasolina avança 6,6% na comum e 6,1% na aditivada. O etanol, por sua vez, recua 7,0% no ano, na contramão dos demais. Na comparação com julho de 2025, o diesel S-10 está 13,8% mais caro e o diesel comum 12,4% acima, com altas também na gasolina comum de 6,4%, na aditivada de 5,9% e no GNV de 0,7%. O etanol segue com queda de 2,2% em 12 meses, refletindo a safra maior e a competitividade do biocombustível frente à gasolina.

O levantamento da Veloe/Fipe atribui o cenário de julho à maior oferta doméstica de etanol, à transmissão gradual das cotações internacionais do petróleo ao mercado interno e à retirada parcial de medidas de amortecimento que vinham segurando repasses, em um mercado ainda sensível a petróleo, câmbio e tensões geopolíticas. A Petrobras (PETR4) manteve política de ajustes periódicos nas refinarias, com intervalos que chegaram a 84 dias para diesel e 99 dias para gasolina em ciclos anteriores, buscando acomodar volatilidade internacional sem repasse imediato integral. A série histórica da Fipe de julho de 2025 já mostrava padrão semelhante, com gasolina comum a R$ 6,290, aditivada a R$ 6,444, etanol a R$ 4,258, diesel comum a R$ 6,078 e S-10 a R$ 6,135, com retração mensal de 1,1% no etanol e 0,4% nas gasolinas, indicando sazonalidade típica do período de safra.

Para os próximos meses, o comportamento do preço dos combustíveis dependerá da evolução do petróleo Brent, da taxa de câmbio, da tributação estadual e federal e da continuidade da oferta de etanol hidratado. A manutenção do indicador flex abaixo de 70% sustenta a demanda por biocombustível e reduz a exposição do consumidor à volatilidade da gasolina, mas mantém pressão sobre margens de distribuição. O investidor que acompanha Petrobras (PETR4), Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) deve monitorar a velocidade de repasse dos reajustes de refinaria para a bomba e o ritmo de escoamento do etanol, variáveis que definem o equilíbrio entre volume, margem e geração de caixa no segundo semestre.


FONTES

  1. Fipe – Monitor de Preços de Combustíveis – Informe Mensal Julho/2025
  2. ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
  3. IBGE – IPCA-15 Julho – Agência de Notícias IBGE
  4. Veloe/Fipe – Monitor de Preços de Combustíveis

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