Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno da eleição presidencial de 2026 em 25 de outubro. Com praticamente todas as seções eleitorais contabilizadas, o senador terminou o primeiro turno na liderança, com cerca de 47,1% dos votos válidos, enquanto o presidente registrou aproximadamente 45,1%.
A diferença entre os dois ficou próxima de dois pontos percentuais, consolidando a disputa mais apertada entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.
Nenhum dos candidatos alcançou a maioria absoluta dos votos válidos necessária para encerrar a eleição neste domingo, 4 de outubro.
O resultado leva o paÃs a uma nova votação em três semanas e inaugura uma campanha diferente daquela encerrada neste domingo: a partir de agora, Flávio e Lula disputam diretamente não apenas seus eleitorados originais, mas também os milhões de votos destinados aos dez candidatos eliminados.
Flávio termina primeiro turno na liderança
Flávio Bolsonaro permaneceu em primeiro lugar durante toda a fase relevante da apuração nacional.
Nas primeiras horas da totalização, o candidato do PL chegou a aparecer acima dos 50% dos votos válidos, percentual que lhe daria vitória no primeiro turno caso fosse mantido.
À medida que boletins de urna de diferentes regiões do paÃs foram incorporados, porém, seu percentual caiu.
Lula seguiu movimento contrário e reduziu progressivamente a diferença.
Com pouco mais de 12% das urnas contabilizadas, Flávio chegou a registrar aproximadamente 51% dos votos. Quando a apuração ultrapassou 64%, caiu abaixo dos 50% e a realização de um segundo turno passou a se consolidar.
Na fase final da contagem, a disputa estabilizou-se em torno de 47% para Flávio e 45% para Lula.
A evolução mostra a importância da distribuição geográfica dos votos na apuração. Estados e regiões são totalizados em ritmos diferentes, o que faz os percentuais variarem ao longo da noite sem representar necessariamente mudança de voto.
Menor diferença já registrada em primeiro turno

A distância de aproximadamente dois pontos percentuais entre Flávio e Lula estabelece um novo marco histórico.
Desde a volta das eleições presidenciais diretas, nunca primeiro e segundo colocados haviam terminado o primeiro turno separados por margem tão pequena.
O recorde anterior era da eleição de 2022.
Naquele ano, Lula terminou o primeiro turno com 48,43% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro registrou 43,20%.
A diferença foi de 5,23 pontos percentuais.
Em 2026, a distância caiu para menos da metade desse valor.
A comparação reforça o grau de fragmentação e competitividade da atual eleição, embora o resultado do primeiro turno não permita antecipar o comportamento dos eleitores em 25 de outubro.
Pesquisas finais mostravam cenário diferente
O resultado também contrariou a liderança numérica registrada por vários dos principais institutos de pesquisa nos últimos dias da campanha.
Quaest, Datafolha, AtlasIntel, CNT/MDA, Real Time Big Data e BTG/Nexus haviam apresentado Lula numericamente à frente de Flávio em seus levantamentos finais.
A Quaest divulgada na véspera apontava Lula com 46% dos votos válidos e Flávio com 45%, dentro da margem de erro.
O Datafolha mostrava 45% para Lula e 42% para Flávio.
A AtlasIntel registrava 47% para Lula e 44,1% para o candidato do PL.
Na urna, ocorreu a inversão: Flávio terminou numericamente à frente.
A diferença esteve especialmente no desempenho do senador.
Enquanto os aproximadamente 45% de Lula ficaram próximos de alguns dos levantamentos, Flávio recebeu percentual superior ao registrado por Datafolha, Quaest e AtlasIntel.
Pesquisa eleitoral, entretanto, não é uma previsão exata do resultado. Os levantamentos representam estimativas estatÃsticas da intenção de voto no perÃodo em que as entrevistas são realizadas, dentro de margens e nÃveis de confiança previamente informados.
Outros candidatos somaram parcela decisiva
Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e os demais candidatos ficaram distantes dos dois primeiros colocados individualmente.
Somados, porém, os votos destinados às candidaturas eliminadas representam uma parcela capaz de influenciar decisivamente a segunda etapa da eleição.
Augusto Cury terminou em terceiro, com pouco menos de 3% dos votos válidos.
Renan Santos e Ronaldo Caiado ficaram na faixa dos 2%.
Romeu Zema terminou abaixo de 1%.
Esses votos não são transferidos automaticamente para Flávio ou Lula.
No segundo turno, cada eleitor fará uma nova escolha.
Isso significa que declarações de apoio dos candidatos derrotados poderão ter peso polÃtico, mas não determinam o comportamento de seus eleitores.
Segundo turno começa do zero juridicamente
Embora Flávio tenha terminado o primeiro turno na frente, a votação de 25 de outubro constitui uma nova eleição para efeitos práticos.
Os votos obtidos neste domingo não são carregados para a etapa seguinte.
Flávio e Lula voltarão a aparecer separadamente na urna e precisarão conquistar novamente seus eleitores.
Também poderão votar no segundo turno pessoas que não compareceram no primeiro, desde que estejam em situação regular perante a Justiça Eleitoral.
Para vencer, basta obter a maioria dos votos válidos entre os dois candidatos.
Votos brancos e nulos continuam excluÃdos do cálculo.
Campanha terá três semanas de disputa direta
O segundo turno altera completamente a estrutura da campanha.
No primeiro, os dois candidatos dividiam espaço com outras dez chapas e precisavam disputar votos dentro dos próprios campos polÃticos.
Agora haverá apenas dois nomes.
A propaganda eleitoral, os debates, as entrevistas e as alianças partidárias passam a ser organizados em torno de um confronto direto.
Flávio buscará consolidar o eleitorado de direita e ampliar sua votação entre eleitores que optaram por Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury, Renan Santos e outras candidaturas.
Lula terá de recuperar a diferença registrada no primeiro turno e buscar votos entre esses mesmos grupos, além de tentar ampliar comparecimento em regiões onde obteve melhor desempenho.
Esses movimentos serão medidos pelas primeiras pesquisas do segundo turno, mas nenhuma delas substitui a nova votação.
Flávio disputa Presidência pela primeira vez
A eleição de 2026 representa a primeira candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Aos 45 anos, o senador construiu sua carreira polÃtica no Rio de Janeiro.
Foi deputado estadual entre 2003 e 2018 e venceu a eleição para o Senado naquele ano, assumindo o mandato em 2019.
Seu atual mandato parlamentar vai formalmente até 2027.
A candidatura presidencial foi construÃda como continuidade do campo polÃtico liderado por Jair Bolsonaro, mas Flávio procurou também desenvolver uma identidade própria durante a campanha, principalmente nos temas econômicos, de segurança pública e de relação com o Congresso.
O resultado do primeiro turno mostra que o senador conseguiu transformar essa candidatura em uma votação nacional superior a 47% dos votos válidos.
Lula tenta conquistar quarto mandato
Lula, de 80 anos, busca um quarto mandato presidencial.
O petista governou o Brasil entre 2003 e 2010 e retornou ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023, depois de derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022.
Durante a atual campanha, Lula concentrou sua estratégia na defesa do desempenho econômico e social de seu governo e em crÃticas ao campo bolsonarista.
Na reta final, passou também a explorar as investigações relacionadas ao Banco Master e a apresentar a eleição como uma disputa sobre democracia, instituições e modelo de desenvolvimento.
Apesar de ter aparecido numericamente à frente em diversas pesquisas da última semana, terminou o primeiro turno atrás de Flávio.
Primeiro colocado nunca perdeu segundo turno presidencial desde 1989
Há ainda um dado histórico que deve ser observado com cautela.
Desde que o sistema de dois turnos passou a ser aplicado às eleições presidenciais brasileiras, em 1989, o candidato que terminou o primeiro turno em primeiro lugar também venceu a segunda votação.
Isso ocorreu nas eleições de 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.
O histórico, entretanto, não constitui uma previsão para 2026.
As eleições ocorreram em contextos diferentes, com candidatos, alianças, taxas de abstenção e distribuição regional de votos distintos.
Além disso, a diferença entre Flávio e Lula neste primeiro turno é menor do que a observada em qualquer uma dessas eleições anteriores.
Resultado coloca mais de oito milhões de votos em disputa
Os votos recebidos pelos candidatos eliminados formam agora o principal contingente eleitoral disponÃvel para expansão das duas campanhas.
Considerando os percentuais aproximados do primeiro turno, mais de 7% dos votos válidos foram destinados a outros presidenciáveis.
Em números absolutos, isso representa milhões de eleitores que precisarão fazer uma nova escolha.
Há ainda os votos brancos e nulos e os eleitores que não compareceram.
Por isso, a vantagem obtida por Flávio no primeiro turno é politicamente relevante, mas não define matematicamente o segundo.
Nova votação acontece em 25 de outubro
A Constituição determina a realização de segundo turno quando nenhum candidato à Presidência consegue mais da metade dos votos válidos no primeiro.
Flávio ficou abaixo desse limite.
Lula também.
Os dois retornam às urnas no dia 25 de outubro de 2026.
Até lá, a disputa estará concentrada na formação de alianças, na tentativa de conquistar os eleitores dos candidatos eliminados e na mobilização de quem se absteve neste domingo.
Depois do primeiro turno mais apertado desde a redemocratização, a Presidência da República será decidida em uma eleição direta entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Fontes
Tribunal Superior Eleitoral — totalização oficial das Eleições Gerais de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral — calendário eleitoral e regras para realização do segundo turno.
Tribunal Superior Eleitoral — resultados históricos das eleições presidenciais brasileiras.
Dados oficiais de apuração divulgados em 4 de outubro de 2026.






